Notas iniciais
Vocês podem achar que estou correndo com o início da história, mas meu objetivo é esse. Boa leitura! * CAPÍTULO EDITADO/ATUALIZADO

Fevereiro chegou depois de muita festa entre eu e Lucy sobre irmos para Hogwarts. Nossos amigos da Castelobruxo nos desejaram sorte, pediram muitas fotos e lembranças do castelo, até a aula deles começar e todos irem para o meio da floresta Amazônica. Depois disso só sobraram eu e minha amiga, então era mesmo hora de botar os planos malucos dela em ação com muita cautela.

Conseguir todas as informações necessárias sobre essas tais garotas não foi nada fácil. Lucy teve que usar o recurso mais difícil, os arquivos que estavam no ministério, guardados entre o registro de todos os bruxos do mundo, cada ministério tinha por precaução caso precisasse ajudar algum estrangeiro em suas terras. Por sorte mamãe às vezes me levava até seu trabalho, já que não estava na escola e ficava o dia inteiro sem fazer nada em casa. Mas dei à Lucy a responsabilidade de procurar as coisas por ela mesma, então num dia que fomos até lá com Marie para "estudar os processos da empresa com relação ao intercâmbio", ela deu um jeito de entrar nos arquivos enquanto revisávamos os nossos.

— Já tinha os nomes delas há algum tempo. Susan Barbaz e Lizzandre Meirelez, espanholas. — Lucy esclareceu — Vi isso no "arquivo Hogwarts" que contém os nomes de todos que estudaram lá ou que foram ao menos convocados, e ao contrário do que pensamos intercâmbio é comum, sim. E o melhor! Elas nem chegaram a entrar na escola, de acordo com essas fontes. Foram chamadas para estudar, porém não quiseram deixar o país por causa das fofocas sobre você-sabe-quem. Agora sei como pesquisar mais sobre elas, vamos ter todos os dados antes de embarcarmos para lá.

— OK. Vamos ver. Se você realmente conseguir, eu prometo a você que dou um jeito de pegar o vira-tempo. Mas eu quero todos as informações sobre elas. A família, a aparência, os costumes, se alguém em Hogwarts as conheciam, tudo. Teremos de saber espanhol, nem que seja pra disfarçar. E ah, quero a identidade espanhola, por precaução.

— Isso é o mais difícil de conseguir.

— Sim, mas problema é seu. – disse. Qualquer que fosse a dificuldade, eu não me responsabilizaria.

— OK. Prometo conseguir tudo, até setembro estaremos mais do que preparadas!

Os meses passaram e quando demos por nós, julho já batia a porta nos surpreendendo. A aula de espanhol e o reforço em inglês que eu e Lucy fazíamos servia como passatempo para nossos dias sem aula. Arrumamos roupas que pareciam ser condizentes com as dos anos noventa, juntamos o máximo de informação das intercambistas possíveis procurando descobrir seu ciclo de amigos, e ensaiamos nosso feitiço de volta, que faria os nove anos pela frente correrem. Agora só faltava o vira-tempo e esperar para que ocorra tudo bem. As identidades foram difíceis de conseguir, mas Lucy era muito mais esperta do que eu pensava, e não há nada que o dinheiro não compre. Em menos de dois meses elas estavam em nossas mãos. Bendita internet, aliada a nós nesse momento.

Eu confesso que sinto medo do que está por vir, por vários motivos. Medo de ser descoberta, de sofrer punição e ser expulsa da escola. De nos tirar a varinha, de ficarmos dez anos presa no passado. De sermos consideradas indigentes lá, de não conseguir entrar. Enfim... Porém, a minha vontade de conhecer Harry era maior que qualquer coisa e qualquer medo no mundo. E eu não sei de onde tirei coragem para viver tal aventura com a desmiolada da minha amiga.

— Eu ainda não consigo acreditar que você fez tudo isso. – disse para Lucy quando ela chegou com uniformes exatamente iguais da época de Hogwarts.

— Essa parte foi fácil, só pedi pra uma costureira fazer a partir de fotos.

As roupas de Lucy tinham o brasão da Sonserina em quase todas as peças.

— Mas você está muito confiante que vai entrar na Sonserina.

— Eu sim, já você pode entrar na Lufa-Lufa, então eu mandei fazerem dois brasões, um da Grifinória e outro da Lufa. Não sei como funcionavam as coisas lá naquela época e preferi me prevenir, mas provavelmente eles mesmos arrumam suas roupas.

— E se você não entrar na Sonserina? Não é sangue-puro, e pode ser mandada para outra casa.

— Não, mas sou muito ambiciosa para as outras casas e sei que minhas habilidades batem perfeitamente com ela.

— Sei...

— Boa sorte em entrar na Grifinória, já que você é sangue-puro. — ela rebateu e senti medo disso me impedir.

— Os Weasleys são sangue-puro também. Acho que não é o sangue que determina para qual casa você vai.

— Eles são tradição, não é? E a casa de seu pai aqui no Brasil batia exatamente com as características da Sonserina, e mesmo que a sua seja como a Grifinória há um risco, já que você tem bastante de seu pai em você.

Lucy tinha razão. Por mais planos que tivéssemos, sei que poderia entrar mesmo em outra casa, talvez até na Sonserina. Isso seria péssimo pro que eu queria.

— Preparada? — ela chamou minha atenção outra vez. Minha mente já estava imaginando Harry Potter me odiando pura e simplesmente por eu ser sonserina.

— Preparada para o que?

— O vira-tempo... ainda está no Ministério, você vai ter que agir!

— Estou sim, vai ser fácil. Marie não mexe no cofre nunca, deve ter crias de aranha lá já. Acho que não vai perceber que pegamos.

— E quando vai pegá-lo?

— Um dia antes da viagem, claro. Quanto mais perto, melhor, para não ter a chance de alguém o descobrir no meio das minhas coisas.

*

O fim de agosto chegou e então chegou o grande dia de roubar o vira-tempo. Marie deixou-me ir até o Ministério para despedir-me das pessoas que trabalhavam lá. Quando chegamos, havia uma surpresa para mim com doces e cupcakes com os brasões das casas de Hogwarts.

— Para qual casa acha que vai Anne? – Mirtes, uma subsecretária, perguntou-me.

— Eu, se pudesse escolher, entraria na Grifinória.

— Aninha é fã do Harry Potter. – Marie disse. — Lembro-me que quando tinha seis anos, ela viu uma foto dele no jornal e disse queria namorá-lo. Acho que ele estava sendo procurado naquela época e o ministério inglês estava o caos. Ela é fã dele e sua turma grifinória desde então.

Corei sob essa confissão. Eu não me lembrava disso.

— Ah sim, mas as outras casas também têm bruxos famosíssimos. Newt Scamander, Draco Malfoy, Severo Snape, todos muito bem lembrados atualmente.

— Sei. Mas acho que pela descrição eu me encaixaria na Grifinória, fora que minha casa na Castelobruxo é equivalente. — me defendi, ainda absorvendo a informação de que gosto do Harry Potter desde criança e nunca me dei conta.

— Prometa que assim que for escolhida, mandará notícias para nós. Estaremos torcendo por você.

— Prometo, e qual seja a casa que entrar, terei orgulho dela.

Depois das congratulações, Marie levou-me para sua sala. O vira-tempo estava num cofre não muito longe dali, numa sala escondida por um feitiço que mamãe ensinou para mim desde que entrei para escola, pois em casa havia uma porta com o mesmo. Depois do almoço, pedi a ela para ir dar uma volta. Isso nunca foi problema e minha mãe nunca me proibiu de perambular pelo Ministério. Todos ali me conheciam e estavam acostumados com a minha presença.

O corredor estava vazio. A porta que dá para o cofre só aparece em horas ímpares, e antes de dar uma hora eu estava lá esperando por ela. Foi quando percebi que ela mudava de posição. Hora estava do lado esquerdo, hora no direito, hora em frente no fim do corredor. Quando a vi estava no fim, por sorte lembrava-me de sua aparência velha e defeituosa, já que havia várias portas que apareciam e sumiam. A que eu queria era a mais discreta, simples de madeira, sem muitos detalhes para não chamar atenção. Essa porta, no entanto, era a mais importante.

Lancei um contra-feitiço e ela se abriu sem grandes problemas. Dentro havia milhares de cofres, corredores enormes e que pareciam sem fim. Eu precisava achar o cofre de Marie antes das duas horas, senão ficaria trancada lá até as três.

“Como vou saber qual dos cofres é dela?” – Pensei.

Certo dia Marie me disse que o cofre era pequeno, porém não sabia se era o menor que havia lá. Se eu tentasse abrir qualquer outro, certeza que haveria um feitiço de alerta assim que eu o tocasse. Então o jeito era procurar. Olhei cada cofre pequeno com o máximo de atenção possível, até que um despertou-me mais a curiosidade. Era um cofre tradicional, muito simples e parecia não se encaixar com os outros. Era realmente um cofre de trouxas.

Peguei minha varinha caso eu errasse e ele me lançasse algum feitiço, então mexi em sua senha, simples como aquelas de bancos. Digitei a senha: 20021990. Era o dia do meu nascimento. Tão simples, mas tão obvio que ninguém nunca pensaria que fosse aquilo, e o cofre abriu-se sem problemas para mim.

O vira-tempo estava dentro de um saquinho vermelho de veludo. Retirei-o de dentro e coloquei o meu colar relíquias da morte em seu lugar. Ele daria para substituir, caso Marie abrisse o cofre para algo, mas não abrisse o saquinho.

Coloquei o vira-tempo dentro da minha bolsa, embalado em um lenço e rezei para que ele não estivesse enfeitiçado e sai da sala uma e cinquenta e cinco.

Hogwarts em 1995 seria uma realidade.

Notas finais
Querem acrescentar algo? Dicas, sugestões, algo que esqueci de colocar, só comentar ou mandar uma mensagem, ficarei feliz de respondê-los. Beijos e até o próximo capítulo. Obs: acho que Hogwarts não aceita intercâmbio, mas enfim...