Notas iniciais
O que você faria se tivesse um vira-tempo? E se fosse chamada pra estudar em Hogwarts? Boa leitura! * OBS: EDITANDO CAPÍTULOS! SE VOCÊ CONTINUAR LENDO APÓS OS CAPÍTULOS EDITADOS PODE ENCONTRAR ERROS E INCOERÊNCIA.

2005 – São Paulo, capital.

Lucy passou a noite de sábado lendo uma biografia não autorizada de Draco Malfoy que comprou pelo correio bruxo de Londres. Seus olhos vibram enquanto analisa suas fotos, um jaleco branco predominante em seu corpo com um fundo amarelado cheio de leitos num cômodo. O hospital Saint Mungus estava sob sua responsabilidade agora, mesmo ele tendo apenas 24 anos atualmente.

—Ele é rico, não é? — comentei. — Pode ter seu próprio hospital.

Lucy me encarou de cara feia.

—Acredito que seja por mérito. — ela rebate e parece realmente acreditar nisso. Não sei, não é como se a família Malfoy não usufruísse dos privilégios de seu nome. Apostaria que Draco comprou tal posição.

—Claro. — concordo pura e simplesmente para não discutir com minha melhor amiga.

Lucy é cegamente apaixonada por Draco. Ela o colocaria em um pedestal e o adoraria por um dia inteiro, se pudesse. Em seu quarto há um pôster com sua foto em tamanho real grudada no teto, disse que era pra dormir todas as noites olhando para ele.

—Um dia, Aninha, darei um beijo nesses lábios! — ela diz enquanto acaricia a folha de papel. — Nem que eu roube.

Não consigo conter a risada. Lucy sempre foi assim, meio maluca, meio sem noção de como as coisas realmente funcionam. Ela ignora o fato de que Draco Malfoy é praticamente algo impossível para ela e vive em seu próprio mundo, conspirando de vez em quando em qual momento ela vai para a cama com o tal "dragão".

—Pode rir! Você verá que ele será o meu primeiro. — ela comenta.

—Primeiro? Primeiro o quê?

—Primeiro, Anne... você sabe do que estou falando! — ela confessa e eu me choco.

—E como, em nome de Eru, você vai fazer isso? — pergunto, imaginando que ela já deva ter "esquematizado" o que fará para conseguir tal proeza.

—É segredo.

—Você só pode estar brincando comigo! — eu digo, voltando a rir. Lucy e suas maluquices.

—Ah, mas não tenha inveja! Nesse dia você estará ao lado do seu digníssimo futuro namorado. — ela esclarece e eu coro.

—O que diabos você tá planejando? Caramba, todos os dias você me aparece com uma ideia nova.

Planejando? Não! Ela estava viajando na maionese, isso sim.

—O que tenho planejado há anos, ora essa. Um dia dará certo. Um dia terei a meu alcance todas as coisas de que preciso para concretizar meu plano de namorar Draco Malfoy.

—Lá vem você de novo com esse papo de vira-tempo. Lucy, vamos cair na real! Como diabos conseguiríamos um? É quase impossível.

—Não sei! Mas, me diz uma coisa: se eu conseguisse, você partiria nessa ao meu lado, certo?

—Maluca! Acho que não está raciocinando direito; teríamos que roubar um vira-tempo, não moramos na Inglaterra, não temos passe livre para entrar em Hogwarts nem hoje, muito menos há nove anos atrás.

—Só me responda... se conseguisse todos os recursos, você partiria nessa comigo?

—Só pra você dormir com o Malfoy?

Lucy encarou-me e crispou os lábios.

—Acha que eu não sei dos seus sentimentos por um certo auror? Não paga de santa que eu te conheço muito bem. Não pode ver uma notícia do Harry Potter que já fica toda assanhada, só não admite: "Oh, Harry é tão inteligente. Harry é tão corajoso. Harry é tão lindo, amo os olhos de Harry!" — ela provoca.

—Credo, está bem! Como você é chata quando quer. — comentei, voltando a rir. Eu não dava muita importância a isso, Lucy não conseguiria o vira tempo no fim das contas. Acho que no máximo voaria até a Inglaterra e levaria um fora do Malfoy quando o visse. E, quanto a minha admiração por Harry Potter... Bem, todo mundo tem um ídolo, não é? E daí que ele era o meu?

—Diz que está comigo nessa! — ela exige, mais uma vez.

—Está bem. — Concordo. Não vai acontecer nada mesmo, afinal.

***

Escola de Magia e Bruxaria De Hogwarts

Diretor: Minerva Mcgonagall

Prezado(a) Anne Marie Loureto,

Temos o Prazer de informar que V.Sa tem uma vaga na escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.

O ano letivo começa em 1° de setembro. Aguardamos sua coruja até o dia 31 de Julho, no mais tardar.

Atenciosamente,

Minerva Mcgonagall,

Diretora De Hogwarts

*

20 de janeiro de 2005

A coruja bicava minha janela insistentemente, me fazendo despertar das poucas horas de sono que tive. Eu não consegui dormir bem depois de saber da possível separação dos meus pais no dia anterior. Derel Loreto e Marie Nunes eram, sem dúvida, grandes bruxos responsáveis pelo Ministério da Magia no Brasil, porém como pais não se saiam muito bem e como parceiros de matrimônio muito menos. Me surpreendi que ambos tiveram maturidade suficiente para conversar comigo e resolver as coisas com cautela, normalmente eu ficava de fora de todo e qualquer assunto sério numa tentativa ridícula de ser poupada. Nossa família nunca foi tão unida, raras vezes nos juntávamos para fazer algo. Ocasiões como festas natalinas pareciam uma tortura, principalmente para meu pai, que não tinha muita paciência para comemorações e era frio com os demais, como se um espectro estivesse sugado sua alegria de viver. E nisso, digamos que fui praticamente criada por duas pessoas diferentes, que mal se encaixavam em seus planos.

Aparentemente Marie, antes mesmo de tentar esclarecer-me sobre os planos dela e de Derel, contatou pessoalmente a Minerva, agora diretora de Hogwarts, para que eu fizesse um intercâmbio por lá até as coisas se acalmarem e o processo de divórcio deles acabasse. Como mamãe é responsável pelas relações exteriores dos ministérios com o Brasil, não teve muita dificuldade em falar com Minerva. Não sabia então se ir para Hogwarts seria bom ou ruim para mim. Quando voltasse para casa as coisas estariam muito diferentes do que são agora e meus pais não seriam mais casados. Ela contou-me isto ontem, e eu ainda estou em choque

Abri o envelope cuidadosamente, tentando não encher meu coração de expectativa pelo seu conteúdo. Faltava apenas oito dias para que a Castelobruxo retomasse as aulas, porém fiquei feliz: esse ano eu não voltaria. Não que eu não amasse minha escola, mas Hogwarts é quase o sonho de todo bruxo, não é? Quando terminei de ler a carta meus pulos de alegria denunciaram o que estava acontecendo em meu quarto. Felizmente fui aceita, vou estudar na mesma escola que Harry Potter e Hermione Granger! Não conseguia acreditar naquilo. Meu lado fã estava em festa e não consegui me conter.

—O que foi querida? – Mamãe entrou no quarto, desesperada ao ouvir meus gritos.

—Eu fui aceita! Vou para Hogwarts fazer o quinto ano lá. Não acredito nisso!

— Minerva conseguiu? – Perguntou enquanto olhava a carta em minhas mãos. – Meus parabéns minha filha! Um ano em Hogwarts é uma honra!

— Pena ser só em setembro. Eu iria agora se fosse possível. — respondi, voltando meus pensamentos para toda a informação que tive no dia anterior. Hogwarts me distrairia do divórcio, porém estava meses à frente.

— Passará rápido, vai ver. Você fará seus Nom’s lá! Se for bem, quem sabe não faça os Niem’s também? Imagina a quão reconhecida você seria por isto!

— Será que eu poderia? — Perguntei num pulo. Isso seria magnífico! Infelizmente a Castelobruxo ainda não tinha tanto prestígio quanto as demais escolas. Muitos bruxos do Brasil faziam os Niem's em Ilvermorny para conseguir algum destaque. Meus pais fizeram isto.

— Não custa tentar. A passagem de entrada você já tem!

—Eu preciso contar para Lucy! Oh, estou tão empolgada...

Marie puxou-me antes mesmo de correr pra pegar o telefone.

— Querida eu não lhe contei, mas, eu também pedi uma bolsa para Lucy para que não ficasse só. Espero que tenha dado certo para ela também...

— O que? E ela sabe disso?

— Não. Não quis contar porque se acaso só você for aceita, ela não fique chateada.

— Claro... Vou descobrir se ela obteve sucesso. Obrigada.

Marie acenou positivamente para mim e saiu do meu quarto um tanto feliz. Peguei o telefone e disquei os números da casa da minha melhor amiga, torcendo os dedos para que ela também tivesse sido aceita. Com apenas um toque ela atendeu cheia de euforia.

"Eu fui aceita em Hogwarts!!!" – Lucy foi logo gritando para mim, mesmo sem saber que era eu no outro lado da linha.

— Eu também! – Dei um grito identificando-me pela voz.

"Aninha? Sério? Nós fomos aceitas em Hogwarts? Por quê? Quem mais foi? Por favor não me diga que o insuportável do Phill também foi..."

— Eu creio que apenas nós duas, isso é obra da Marie.

"Sua mãe? Por quê?"

— Ela pediu a Minerva e ela acatou. Bem, pelo menos foi o que me disse.

"Minerva? Sério? Não acredito que vou conhecer a Minerva! Não acredito que nós vamos para Hogwarts. Não acredito que... Oh meu deus! Vou conhecer Draco Malfoy..."

— Calma amiga, não sabe se vai ver o Draco.

"Eu sei que sim! Oh, Anne, esse é o início, não vê? Meu plano dará certo, estou sentindo! Não gostaria de ver seu amado Harry? Daremos um jeito de vê-los."

— Meu amado? Ele não é meu amado, Lucy. Ele é casado, já tem filhos. E eu tenho 15 anos, não sou ao menos da idade dele. Eu só o admiro, é o máximo que uma fã faz por seu ídolo.

"Se desse pra voltar no tempo, talvez..." –Lucy começava com aquela velha história.

— Não comece Lucy.

"Ah qual é amiga, você sabe que agora é mais possível ainda."

Lucy estava falando do vira-tempo, mais uma vez. Desde que descobrimos um exemplar no cofre de Marie no Ministério, ela não me deixa em paz querendo mais informações. Mas eu não poderia roubar da minha própria mãe! Eu complicaria sua vida e sua carreira. Lucy estava louca, louca!

Marie preferia usar o tradicional cofre dos trouxas, alegando que nenhum bruxo conhecia tal artefato e que seria mais seguro.

"Nós poderíamos voltar no tempo... – Lucy continuou. – Poderíamos ir pra Hogwarts e voltar na mesma época deles, na mesma idade deles, ter uma chance de nos aproximar. Esse é um ótimo planos! O quinto ano é perfeito, já que não tem o torneio Tribruxo e as coisas, por mais difíceis que estavam, nós poderíamos fazer parte delas sem chamar atenção."

— Isso é loucura! Você sabe que não podemos fazer isso. Fora que teríamos que dar umas mil voltas no vira-tempo. Eu não vou fazer isso, Lucy.

"Isso não é problema! Eu faço, faço tudo o que precisar. Só preciso de você ao meu lado."

—E aí minha filha? Lucy foi aceita? – Marie voltou ao meu quarto para perguntar, me pegando de surpresa.

— Eu preciso desligar Lucy, mais tarde nos encontramos e conversamos sobre isso. – Desliguei o telefone e me virei pra ela, tentando disfarçar minha cara de espanto. – Sim, ela vai pra Hogwarts.

— Ótimo! Então, que tal um jantar para comunicarmos para a família as novas notícias?

Não sabia se isso seria, então, algo positivo ou negativo.

— Tudo bem. — Concordei e suspirei. Esses meses que estavam por vir seriam exaustivos.

Depois de toda a euforia da família por minha causa e do choque ao descobrirem a separação de meus pais, chamei Lucy para ir dormir em minha casa. Pedimos uma pizza e refrigerante e nos enfiamos no quarto para conversar. As ideias que ela tinha deveriam ser analisadas antes de tomarmos qualquer decisão, mas o que mais me surpreende é que eu ainda estava dando ouvidos a ela. Confesso que me é tentador voltar no tempo pra entrar em Hogwarts exatamente no mesmo ano que Harry Potter e seus amigos, eu poderia aprender muitas coisas com eles, fazer parte da história, porém é completamente arriscado!

— Você tem que analisar a situação. Qual é? Nós temos quase quinze anos e podemos organizar e lidar com qualquer consequência. Será nossa responsabilidade! Se algo der errado, assumimos. Sua mãe não levará a culpa.

— Como você é teimosa! Não conseguiríamos entrar em Hogwarts com intercâmbio há quase dez anos. Isso era raro naquela época, quase inexistente, ainda mais com uma pessoa como a Umbridge lá. E, quem seríamos? Não podemos ser nós mesmas! Precisamos roubar a identidade de outras pessoas além do vira-tempo, e não podem ser pessoas comuns.

— Eu já pensei sobre isso, Anne! Pensei em tudo, e saiba que isso não me impediria. Porém, nesse ano duas amigas de mesma idade foram convidadas a fazer intercâmbio em Hogwarts, pois suas famílias são muito importantes na Espanha e era ano dos Nom's delas e, assim como você, tentavam ganhar mais visibilidade estudando numa escola melhor. Eu arquiteto esse plano desde que soube do vira-tempo. Nós podemos dar um jeito de substituir elas antes de chegarem lá!

— Mas como? Você vai prendê-las enquanto tomamos seus lugares? Vai dar sonífero de um ano?

—Essa é uma ideia a se pensar...

— Lucy!

— Estou brincando, Anne! Mas, vou pensar em algo, prometo. — ela suplicou com seus olhos além de suas palavras. – Se você garantir o vira-tempo, eu garanto que entramos.

— Mas se não der certo, ficaremos presas por um ano sendo indigentes. Fora que não sei se o feitiço de volta que precisaremos fazer junto com o momento da ida, dará certo. É extremamente arriscado!

Lucy pareceu chatear-se. Mesmo sabendo do tamanho amor que ela nutria por Draco Malfoy e por toda sua história, eu não podia aceitar tamanha loucura. E, mesmo me sentindo totalmente tentada a conhecer Harry Potter, eu sabia que nada era garantido. E se ele me odiasse? Se eu não conseguisse sequer virar amiga dele? Ele era famoso, rodeado por amigos sempre, de holofotes...

— E o seu Harry? – Lucy quebrou o silencio.

— Ele não é meu! Vai fazer 25 anos agora, é casado, tem filhos. Ele pertence a Gina Weasley. Pare de dizer que ele é meu, você sabe que mesmo que eu fosse da mesma época que ele, não conseguiria.

— Do que está dizendo? Você é linda, talentosa, inteligente. Aposto que conseguiria. E mesmo se não conseguir, e daí? Você vai ficar orgulhosa por ter tentado. Por favor! Eu não conseguiria ter paz se eu soubesse que algo assim está em minhas mãos e eu não faço nada.

— Poderíamos morrer Lucy. Mudar a história, a situação. Falar demais, contar o futuro deles. Eu teria pena do Harry, Sirius vai morrer, Dumbledore também, fora Snape: eu não conseguiria olhar pra ele e fingir não gostar, ele sofreu demais e ninguém compreendia suas atitudes, mas agora que todos sabemos da história vai ser complicado ignorar sua bravura.

— Então faremos um pacto. Não vamos contar nada, por mais tentadas, por mais dó. Não faremos nada que mude a história, coisas importantes, no caso. Topa?

— Lucy...

— Temos até setembro. Por favor, vamos tentar pelo menos. Se até lá não conseguirmos o vira-tempo e as demais informações necessárias, nós desistimos. OK?

— Tá bom! Eu aceito, mas precisamos agir caladas. E o vira-tempo só pego no último instante.

— Sério? – Lucy disse dando pulos de alegria.

—Sim. Mas você se encarrega de tudo, porque eu não vou correr atrás de informações sobre essas intercambistas.

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Notas finais
Seus comentários são bem-vindos! Beijos e até a próxima.