Notas iniciais
Oi! Espero que gostem! beijo!

Finalmente entramos na cafetaria. A sala é enorme, com azulejos brancos e pretos, muitas mesas e principalmente, alunos com tabuleiros nas mãos.

-Vem, vou-te apresentar as minhas amigas.

Caroll guia-me entre os rapazes e as raparigas e levam-me até a uma mesa com duas raparigas.

-Bom dia meninas. Constipada e Thata esta é a Raquel. Raquel, esta é a Thata – diz apontando para uma rapariga com cabelos cinzentos e olhos rosa.

-Muito prazer, Raquel.

-E a constipada é a Havena.

Uma rapariga de longos cabelos pretos e olhos azuis assoa-se antes de se apresentar.

-Muito prazer. E Caroll, não gostei dessa tua apresentação. Eu não tenho culpa de estar doente.

Caroll encolhe os ombros.

-Não interessa. Estás assim desde ontem de manhã. E ainda não te livras-te dessa echarpe horrorosa?

-Não posso… a Sr.ª Diretora disse que estava comigo quando me encontraram. É uma recordação.

-Aaaa… pode ser alergia! – Digo.

-Mas é claro! Alguém tem um lenço? – Pergunta Havena

Eu e Thata damos-lhe um lenço ao mesmo tempo.

-Obrigada meninas… mas o que faço eu com dois lenços?

Uma rapariga de cabelos loiros e olhos azuis passa na mesa e diz disfarçadamente:

-Podes usá-lo para te assoares depois de espirrar.

-Depois de eu… ATCHIM! – Fez Havena

-Santinho. – Dissemos todas. A rapariga mistério foi até a uma mesa distante e sentou-se.

-Quem era aquela? – Pergunto

-Ela chama-se Mel – Diz Caroll – É meio que muito misteriosa. Nunca a tinha ouvido falar até agora.

-Está no segundo ano – continua Havena – mas como é um génio, anda sempre em turmas diferentes a “estudar”, como diz a diretora. Ela é mesmo inteligente. E aprende rápido.

-Eu ouvi dizer que ela derrotou um finalista do terceiro ano com um feitiço nível 398. Muitos até dizem que ela é do mal. Sabes, que o ajuda…

Olho para Mel, a comer sozinha. Tão… indefesa.

-Bem, vamos comer? – Caroll cutuca-me e leva-me até a uma mesa do lado esquerdo da sala. Uma senhora de bata diz bom dia e pergunta se nos pode servir.

Caroll pede um copo de leite e três panquecas. Eu fico-me pelos cereais.

Quando chegamos á mesa está lá um rapaz de cabelos cinzentos e olhos verdes e dourados.

-Bom dia, Lysandre. – Diz Caroll

Ele diz um distraído “olá” para Caroll e continua a falar com Havena. Thata olha com má cara para nós.

-Ele é bastante mal educado. – Digo

-Não, nem por isso – Desculpa-o Caroll – enquanto fala com a Havena está desligado do mundo exterior. Vê, até se notam os corações à volta dos dois…

-Eles namoram?

-Isso queria ela – diz Thata brincando com uma maça – ele e ela são só amigos, mas quando estão juntos é só love, love.

-E a Thata está com ciúmes… — Diz Caroll tirando-lhe a língua

Lysandre vai-se embora e Havena senta-se muito contente.

-Então, o que queria ele desta vez? – Caroll põe comprimidos no copo de leite. Ponho duas colheres de cereais na boca e espero a resposta.

-Oh, ele queria que eu lhe explica-se porque é que o irmão Leigh anda tão estranho. Parece que ele perdeu o dom para a música.

-Oh, que pena! – Diz Caroll irónica.

-Quem é o Leigh?

-Quem é o… ah, pois. Tu és nova na escola. – Thata aponta um rapaz de cabelo preto e olhos castanhos. – Não é LINDO? Que pena ter namorada…

-Pensava que gostavas do Lysandre! – Digo.

Thata cora e olha para Caroll a fazer-se de ofendida.

-Olha, ser tua companheira de quarto dá resultado. As tuas más influência já estão a torna-la parva como tu.

Rasgo um bocado do meu guardanapo e atiro-lhe a cima. Havena ri e começamos uma luta com pão e bocados de papel. Eu sei: é infantil mesmo, mas é bom fazer destas coisas com as amigas.

TRIM!

-Olha a campainha! Vamos! – As meninas levantam-se e levam os tabuleiros até ao caixote do lixo.

-O que se passa?

-O que foi, pensavas que ias ficar o dia todo a comer e a atirar-me com coisas acima? Temos aulas, oh cabecinha no ar. – Diz Thata

-Aulas? Às sete e meia da manhã?

-Não a confundas, Thata. É apenas o primeiro tempo, Raquel. É meio que uma apresentação, falamos sobre as férias e conversamos com os colegas. Se te calhar o professor Faraize estás com sorte! Dizem que ele canta muito bem karaoke!

-Ehehe, possivelmente vão as duas aturá-lo.

-Como assim? – Pergunta Thata

-Bem, esta burrinha aqui tem quinze anos e está na mesma turma que tu.

-Caroll!

-Há! Há! – As meninas riem-se.

Saímos da cafetaria e vamos até aos corredores. As meninas despedem-se e aconselham-me a encontrar a diretora.

Ao fim de andar um bocado, acho uma senhora de cabelos brancos, óculos e fato cor-de-rosa.

-Bom dia, sabe onde está a diretora?

-Á sua frente.

-Oh, é a senhora. Sou nova na escola.

-Ah, deves ser a Raquel.

-Certo.

-Bem, eu agora estou um bocado ocupada. Podes ir falar com o representante de turma, na sala de representantes de turma?

-Mas é claro!

Afasto-me um bocado e começo a ler a placa das portas.

-Mas é claro que sim, eu procuro o representante de turma e a diretora fica olhando o jardineiro…

Ao fim de um bocado, acho a porta, bato e entro.

-Bom dia, viu o representante de turma?

Um rapaz de cabelos loiros e olhos azuis (?//!) olha por cima do monte de papéis em que estava mexendo e diz:

-Está a falar com ele.

-Ah – Boa. Nessa escola todo o mundo está sincronizado – Eu sou nova, e a diretora mandou-me falar contigo.

-Ah, és a novata.

Sim, a novata. No meu primeiro dia e já tenho uma alcunha! Yuppie!

Ele mexe nos papéis e eu olho a sala. É grande, tem uma mesa, janela e uma daquelas coisas com água. Nunca sei como se chama.

-Bem, parece que falta uma taxa, uma foto e uma folha.

-Tanta coisa…

-Disseste alguma coisa?

-Não. Mesmo nada… tens a certeza? Quer dizer, a minha mãe arrumou isso tudo para mim e… sabes que mais? É melhor confirmar, mesmo.

Vejo na mala se tenho uma foto minha e dinheiro suficiente. Encontro trinta dólares e uma foto de quando ainda usava aparelho. Ah, deve servir.

-Toma. O dinheiro, é suficiente?

-Claro. – Ele olha para a minha foto e sorri

-Que foi? Não estou gira aí?

-Nada disso… — diz corado. – Bem, eu vou procurar a folha, por isso podes ir dar uma volta.

Volto-me para ir embora e ele agarra-me no braço.

-Aaaa… se precisares de alguma coisa, procura o Nathaniel. E… — ele mexe na carteira e tira uma foto – Toma.

-Obrigada…

Saio da sala a pensar “que convencido, deu-me uma foto!”, mas quando olho para a foto, vejo que é de um rapaz com aparelho. O representante de turma mais parvo da história.

Saio da escola e sento-me num banco. Canso-me pouco tempo depois e decido ir comprar roupas, só que acabo por me perder (eu sei, numa aldeia do tamanho de um campo de futebol). Vejo uma garagem e resolvo pedir ajuda.

-Aaaa… desculpe, mas pode-me dizer onde fica uma loja? De roupas?

Debaixo de uma moto preta e vermelha sai um rapaz de cabelos vermelhos. Sim, os das gémeas Olsen.

-Olha, olha, olha… — Começa. Dou meia volta e preparo-me para voltar para a escola, mas ele agarra-me no braço e impede-me. – Não vá já embora. – Pede.

Volto-me para trás.

É, eu sei. Toda fula com ele, e faço o que ele me pede. Mas tenham dó, ele tem uns olhos tão lindos! (Sem comentários).

Ele sorri e reparo que tem uns loucos olhos verdes muito escuros (como os meus, menos a parte de serem escuros!).

-Então, perdida?

-É – Digo num fio de voz. Porque é que as pernas estão a tremer?

-Talvez eu te possa ajudar. – Pronto, ok. Talvez ele não seja assim tão mau.

-A sério?

-Claro. És virgem?

Pronto. O meu mundo de fantasia desmorona-se á minha volta.

-Eu sou o quê? – Digo vermelha

-Virgem. V-I-R-G-E-M.

Faíscas saem dos meus dedos de tão irritada que estou.

-Seu tarado! Pervertido! Eu transformo-te num sapo! Deixa que eu te apanho!

Ele levanta as mãos no ar.

-Calma!

-Calma? Que raio de perguntas são essas? A minha virgindade interessa-te para quê?

Ele olha para mim com a cara numa careta. Antes de eu lhe atirar com qualquer coisa á cabeça, a sua expressão suaviza e diz com o tom de voz mais calmo de sempre.

-Eu perguntei-te se eras virgem…

-Eu sei, eu ouvi.

-… no sentido de signo.

-Sim e tu… o quê?

-No sentido de signo! Sabes, nasces em Dezembro és Sagitário, em Novembro…

-Eu percebi. – Olho para ele envergonhada. – Acho que te devo um pedido de desculpas…

— Porquê? – Um sorriso aparece nos seus lábios – Sua pervertida!

-Nã… não sou nada! Eu… — Gaguejo. – Mas porque achas-te que eu era virgem?

-Porque os de signo virgem estão sempre a perder coisas.

-Ah… — Faz sentido. – Mas espera aí, a única coisa que perdi foi a direcção!

-Isso e a dignidade quando me perguntas-te a direcção.

Fico muito vermelha. Então aquilo foi tudo um plano? Para me envergonhar? Ai, ai, ai… alguém vai pagar. Oh se vai!

Notas finais
O que acharam?