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31 Capítulo 31


-Posso saber o que você está fazendo aqui? – Murakami perguntou para Shintaku.

-Posso saber porque ele esta aqui e o porque de você estar com ele aqui? – Kajiyama perguntou pra mim indignado.

-Desculpe – dissemos ao mesmo tempo e eu continuei a falar – foi no dia da janta.

-Aquilo já faz quase dois meses! – Kajiyama segurou meus ombros e pude ver que no fundo dos seus olhos havia tristeza – porque você não me contou?

-Nós ficamos com medo da reação de vocês – eu disse com a voz tremendo, na verdade todo o meu corpo está tremendo, como se um terremoto estivesse ocorrendo dentro de mim – principalmente da sua reação Kaji.

-Eu estou muito decepcionado com vocês dois – Murakami disse se levantando da mesa – principalmente com você Shintaku, vamos Masato.

-Espera! – Shintaku os segurou pela mão – nos perdoem, não queriam que fizessem exatamente como estão fazendo agora, por isso não contamos nada.

-Nos deixe ir embora, amanhã ou depois nos falamos – Kajiyama se soltou dele e puxou Murakami saindo da minha casa.

-Pronto, agora nossa amizade de anos está por um fio – me sentei no sofá da sala completamente deslocado.

-Não fique assim, eles vão voltar amanhã... ou depois – ele me deu um beijo na testa – nós aceitamos muito bem eles quando nos disseram que estavam saindo, nós aceitamos melhor do que a própria família deles.

-Eu sei que eles vão voltar e espero que seja logo – eu abracei ele fortemente, estava com medo de que eles não voltassem nunca mais .

--//--

Uma semana se passou desde que Kajiyama e Murakami saíram da minha casa sem falar nada. Eles não atendiam meus telefonemas e nem os do Shintaku, talvez aquele fosse o fim.

-Acho que eles não vão perdoar agente – eu disse assim que desliguei o celular novamente – será que eles foram de novo para a Inglaterra?

-Acho que não, eles não fariam isso com agente – Shintaku tomou mais um gole de café, tentando fingir que não estava nem ai para o assunto – desista por uns tempos.

-Você quer que eu desista de uma amizade de mais de 15 anos? – estava indignado com o que ele havia acabado de me dizer – eles foram às pessoas mais importantes dos meus tempos de escola.

-Não diga como se eles também não fossem importante para mim – ele segurou meu rosto – eles são mais importantes pra mim do que a minha própria família, ou melhor, eles são a minha família.

-Eu também sinto isso – abracei ele fortemente – só me resta você e a banda.

-Não diga isso – ele beijou minha testa – tem o Nakamoto e os outros.

- Duvido muito que eles vão querer saber de mim depois que souberem que eu estou saindo com a pessoa que eu mais odiei nos meus tempos de escola – eu queria muito poder voltar no tempo pra fazer tudo diferente.

-O Nakamoto também não gosta de mim?

-Não que ele não goste de você, só que ele e os outros não te conhecem direito – soltei ele do abraço – como vocês só se falavam quando o Kaji tava por perto ele não conhece como você realmente é.

-Mas aposto que o Atoda vai querer olhar na sua cara depois disso.

Havia me esquecido completamente do Takahito. Ele iria matar eu ou o Shintaku após saber disse, alguém não ia se dar bem nessa historia.

-É melhor eu não atender os telefonemas do Atoda por uns tempos – fechei o celular e joguei em cima da cama – algo bom não vai acontecer.

- YUUSHI! – pude escutar uma voz berrando do outro lado da porta e a esmurrando – ABRA ESSA PORTA AGORA, EU SEI QUE ELE ESTA AÍ!

-Eu sabia que não ia dar em boa coisa – fechei os olhos.

Shintaku fez menção de ir até a porta, mas eu o segurei.

-Daqui pra frente é comigo, confie em mim e me deseje boa sorte – fui em direção a porta e olhei pelo olho mágico, realmente era Takahito – oi Takahito!

-Oi é o cacete, cadê ele? – ele me empurrou e entrou estressado no meu apartamento.

-Estou bem aqui – Shintaku não fez menção de se mexer da onde estava – quanto tempo.

-Eu vou acabar com você! – Takahito avançou pra cima do Shintaku, mas eu o segurei pelas costas.

-Quer fazer o favor de parar? – falei pra ele em voz alta.

-Eu não vou sair daqui sem acabar com ele!

-Não importa o quanto e o que você faça com ele, não vai mudar o que eu sinto dentro de mim por ele! – assim que eu disse isso ele pareceu parar um pouco de querer se “vingar” de Shintaku – ele é o meu namorado.

-Então você quer estar com ele? – ele se virou para mim um pouco cabisbaixo, eu concordei com a cabeça – então saiba que eu não vou te entregar para ele de braços cruzados! – e então, Takahito saiu da minha casa batendo a porta.

-Eu sabia que ele ia dar algum escândalo – eu sentei no chão sem me mover um centímetro – ele não vai aceitar isso mesmo e com certeza vai querer ficar no seu lugar.

-Duvido que você vá me trocar por ele – ele sentou na minha frente e encostou nossos lábios pela primeira vez naquele dia, estava até com saudades daquele gosto.

-Pela amor de Deus, o que aconteceu com o Atoda pra sair daquele jeito daqui? – Kajiyama entrou na minha casa sendo seguido pelo Murakami que fechou a porta educadamente – quase me atropelou na rua com o carrão importado que ele tanto tem orgulho.

-Nem me fala – Murakami sentou do lado dele – não quero nem saber o que ele faria se acontecesse alguma coisa mínima com aquele carro dele.

-Eer, posso saber o que esta acontecendo aqui? – Shintaku perguntou.

-Como assim? – Kajiyama o olhou desentendido – nós só viemos visitar os nossos amigos!

Naquele instante eu pulei em cima do Kajiyama e o abracei fortemente. Shintaku fez a mesma coisa, só que com Murakami, que no final das contas virou um abraço em grupo.

-Eu amo todos vocês!