Novice
4 Lips Are Movin
Notas iniciais
O cheiro dele era extasiante, viciante e por estranho que poderia parecer, causava um efeito que Altair se negava em admitir que gostava. A presença dele era intimidadora, mas para quem conhecia Malik Al-Sayf não parecia se importar com o seu pavio curto e sim com o que ele realmente era. Mas a indagação sempre batia em Altair, pois... Como Malik realmente era? Não apenas como amigo ou irmão, ou talvez até conhecido do Abbas e seus brutamontes, mas como ele seria sozinho sem todas essas pessoas? Altair pode ter ficado poucas horas a sós com o outro, mas o que tinha ficando entre eles foi o silêncio e o constrangimento por parte de Altair.
Lamentou até no momento que Malik não tinha tacado um foda-se por ambos serem homens e ter tirado a blusa molhada para que Altair pudesse ver na sua frente, mas naquele dia Malik era sim um ser intimidador e Altair lamentou ter pensado isso só depois, quando chegou em casa com sua blusa que emprestou para Al-Sayf jogada na cama, ao lado da outra que ele tinha esquecido ou deixado.
A palavra deixar era inexistente, por que ele deixaria sua própria peça de roupa na casa de um cara da qual nem conhece? Só por Altair ser um alvo fácil e nerd que poderia ser considerado gay e que iria se tocar com a blusa branca e duas vezes maior que si? Nem pensar! Mesmo que aquela vestimenta tivesse cobrindo as tatuagens que Altair tanto quisesse ver só por curiosidade, não chegaria a tal ponto, mas seria meio que engraçado se fosse essa a intenção de Malik.
O papel com o número anotado de Kadar fazia seriamente com que Altair o encarasse, pensasse e repensasse e deixasse sobre a escrivaninha, arrumando-se para poder estudar o resto da tarde, aproveitando a água quente que descia e cobria seu corpo até acabar e colocar alguma roupa confortável.
— Altair? Filho? — Umar era diferente de Altair, tendo apenas como semelhança o olhar castanho claro, tendo como aparência parecida com a mãe já falecida — Muito ocupado?
Eram raras as vezes que Umar interagia com o filho, tendo apenas breves diálogos, mas mesmo não tendo uma intimidade familiar forte, o amor paterno que ele demostrava não era fraco, sempre tentando manter a casa com um pouco de núcleo familiar.
— Não, apenas estudando — Fechava o caderno e desligava a tela do computador, virando-se para ver o pai — Aconteceu alguma coisa?
— Não exatamente... — Essas palavras fizeram Altair revirar o olhar, rindo amargo.
Não bastava o que tinha passado na escola e ter sua camisa com o cheiro de Malik na mesma, seu pai tinha algo que não seria tão agradável poderia acabar com as expectativas da sua semana.
— Ontem eu não voltei cedo para casa, falei que passaria na casa de Ahmad, pai do seu amigo Abbas.
— Por favor, pai, não me faça rir — Franzindo o cenho, tentando digerir as palavras de Umar — Pode pular para a parte em que eu posso discordar do que você decidiu sem que eu goste.
Levantando-se e arrumou a cama, tendo notado que seu pai observava a blusa branca da qual não era de Altair.
— Os Sofian irão jantar aqui em casa, mas isso é apenas na sexta, queria lhe deixar avisado já que conhecer Abbas.
Claro que Altair conhecia o traste, como não reconhecer um cara de quase dois metros de altura, com a cara amassada e de quem comeu o lanche da mamãe e não gostou? Era quase impossível! Como Kadar poderia controlar um garoto do colegial como Abbas? Espere, Altair já sabia a resposta, Malik era seu irmão mais velho e por consequência de um destino que adora piadas, é o parceiro de grupo de Altair, talvez a ideia de ter tido Malik no mesmo ambiente vazio que ele e esse foi o seu quarto, nunca reclamaria das encaradas que Malik lançou de manhã no intervalo.
— Umar, quero dizer, pai... O senhor é um ótimo pai, mas chamar uma das pessoas que eu menos considero para ter uma conversa clara e sem algo vermelho, não é muito agradável — Falou Altair, jogando as blusas no armário e virando-se para o pai — Abbas me odeia — Soltou de uma vez, tirando o óculos que ocupada seu rosto e o deixando sobre a cama, massageando a têmpora.
— Não é o que Ahmad falou para mim — Soltou e Altair quase engasgou com a própria saliva — Ele disse que o filho sempre está falando de ti, mas me diga, por que ele lhe "odeia"?
— Pai, se eu soubesse a resposta para essa sua pergunta, teria feito algo em relação ao fato de Abbas querer tirar todos os dentes que tenho — Suspirou — Mas era apenas isso? Eu provavelmente saberia disso amanhã ou pior, bem no momento de pisar no ambiente escolar — Riu amargo.
— Terei uma reunião com a família Auditore — Comentou e Altair franzia o cenho novamente — Mario gostaria que eu o ajudasse novamente com os negócios da família.
— Sendo guarda-costas deles? Conheço pelo menos os filhos dos Auditore, mas não é meio perigoso? — Indagou.
— Por acaso pensou na mesma coisa ao conhecer e ser amigo de alguns deles? Por favor, Altair, não me julgue sendo que só o faz quando lhe convém — Umar falou, finalmente saindo do cômodo e deixando Altair sozinho.
Se as coisas não fossem tão caras e se não dependesse tanto do pai, teria revirado suas coisas, ou pelo menos algumas dela, mas o máximo que fez foi se jogar na cama e gritar contra o travesseiro, preferindo deixar de jantar e pensar em mil maneira de não estar em casa a noite na sexta-feira. Só faltava Umar ter pedido que Altair viesse acompanhada de Abbas para casa, graças a alguma divindade que ele não o pediu.
Mesmo com seu pai lhe chamando para comer alguma coisa, se negou a descer e buscou ajuda a alguém que não era Shaun ou muito menos Aurora, pegou o papel na escrivaninha e tomou o celular debaixo do travesseiro, desbloqueando a tela e adicionando o número aos seus contatos.
Digitando e redigitando diversas vezes, pensava a maneira qual seria a maneira mais adequada de tentar falar com a outra pessoa que nem quer tinha seu número.
|Kadar? Sou eu, Altair. Eu preciso de uma ajuda sua com aquele assunto|
Digitava, deitando-se na cama e esperando uma resposta e nada de Kadar por cinco minutos. Ele poderia estar fazendo alguma coisa e o ignorado ou estar realmente ocupado, acabou por pensar na segunda escolha, pois o mais novo era bom demais para fazer algo como lhe ignorar, foi o que concluiu depois de hoje de manhã.
|é urgente, se você puder responder... Me pouparia a vergonha de procura-lo na escola e esbarrar naquela "pessoa"|
|meu irmão está ocupado, o que quer com ele, novice?|
Essa foi a resposta e que deixou Altair estático. Não, não, não. NÃO! Droga, pensou Altair.
|ele passou o número dele para que quando precisasse de ajuda, pudesse vir pedi-la| Explicou, uma péssima ideia explicar algo a alguém como Malik, mesmo tendo jurado não reclamar dele.
|Kadar ajudar alguém? Meu irmãozinho? Faça-me rir, novice|
|já fiz|
|o quê?|
|aposto que deve ter rido com o que lhe contei, não é|
Teve que perguntar algo assim para descontrair a estranheza, não sabia se era o próprio Kadar que estava fazendo tal coisa ou se realmente era Malik conversando consigo.
|muito engraçado, pode ir contando o que quer logo com o pirralho do Kadar ou eu mesmo posso fazer algo em questão a essa ajuda que tanto está desesperado em ter|
Altair queria desmaiar, tendo as mãos suadas segurando o celular e o rosto ardendo com a possibilidade de Malik o ajudando, mas negou segundos depois de se lembrar que Abbas e Malik era do mesmo time da escola de futebol americano e ter ajuda dele com tal coisa não seria de grande diferença.
|deixe quieto, conversarei com ele amanhã|
|pode ir colocando o que quer logo, novice?|
Se não fosse mensagem de texto e se a imaginação de Altair não falhasse, poderia ter jurado em imaginar a voz de Malik impaciente e entediada ao insistir naquilo.
|sou um nerd, não posso pedir ajuda a alguém como você Al-Sayf|
Sabia que ele não gostava de ser chamado pelo sobrenome, o irmão dele tinha dito, mas não resistiu ao faze-lo e rir quando a resposta veio de forma obvia e previsível.
|vá se foder, Ahad|
|parabéns, você saber digitar meu sobrenome e ainda sabe a existência do mesmo, gostaria de saber como|
Provocar, umas das habilidades que Altair se orgulhava até aquele momento e se perdia na conversa que tomava proporções maiores, se antes tinha medo de ter respondido Malik, ali não sabia se sentia orgulho ou medo, mesmo que pouco.
|tenho minhas maneiras de saber, mas eu poderia sim ajuda-lo, Alt|
|quem lhe deu essa intimidade toda, Al-Sayf?|
|e quem lhe deu autoridade para me chamar pelo sobrenome?|
|touché!|
Desafiar alguém como Malik era interessante, mas deveria parar. É, mas ele o chamou de Alt, quem o chamaria assim? Se Altair tivesse uma mãe ou um irmão esse apelido “carinhoso” até ficaria legal, mas vindo de um cara de quase o dobro da sua altura e olhar penetrante era no minimo estranho, mas Altair aceitou não reclamar.
|se quer tanto saber, quero ajuda em relação a um cara|
|você é gay?|
Por tudo que era sagrado... A vontade de tacar o celular na parede nesse momento foi enorme. Pegou os óculos e respirou fundo, segurando com mais firmeza o aparelho e pensou por segundos em alguma desculpa ou explicação.
|se eu fosse, algum problema com isso? Só quero falar com Kadar, passe o celular para ele, Malik... Por favor|
|ainda vou saber o que é...|
Suspirando mais tranquilo e ignorando o ronco por falta de ter comido. Agora sim poderia falar com o bonzinho dos Al-Sayf.
|espero que tenha se dado bem com Malik|
|não deixe o seu celular ao alcance de crianças, Kadar|
|posso concluir que se deram muito bem... Quer falar do assunto?|
|sim! Abbas vai jantar aqui em casa e você é o único que pode contar como lidar com alguém como ele|
|se você soube lidar com meu irmão, Altair, lidar com Abbas é a mesma coisa|
Altair não tinha lido isso...
|seu irmão é um lorde comparado ao babaca do Abbas, ele me odeia, que me ver amarrado a um mastro! Kadar, socorro!|
E mais uma vez Altair tinha entrado em pânico.
|por que não começa a andar comigo e meu amigos, ele não pode nem chegar perto do Edward ou da Aurora e a Kenway ao meu lado pode afasta-lo|
|Kadar, você é um lindo e maravilhoso anjo, mas isso não vai me fazer evitar a morte certa com ele e o pai no mesmo ambiente que eu, nem mesmo meu pai vai reconhecer o sorriso de psicopata do Abbas|
|... Altair, seja otimista, vamos arrumar um jeito, mas até lá tente não fazer algo que dispare a bomba dentro de Abbas|
|obrigado, Kadar|
E mais uma vez o dia foi salvo graças a Kadar Al-Sayf! E que Malik não ficasse lhe perturbando na sala amanhã cedo, pois teria três problemas contado com o dono de tatuagens que podia serpentear e nunca serem vistas por Altair.
Dormindo com o celular em mãos, acordou apenas quando ouviu o celular vibrar em sua mãos, mas não por causa do despertador e sim por falta de carregamento, se assustando ao ver a hora e notando que tinha miseráveis minutos para poder se arrumar e ainda chegar na escola a tempo.
Pulando ao tentar tirar a calça e pegando uma blusa qualquer no armário, foi uma bagunça ao tentar se arrumar e correr como um desesperado pela calçada, fechando a mochila e terminando de comer a torrada na boca, guardando os óculos no bolso por temer que o mesmo caísse, nem respirando aliviado ao por os pés na escola.
E por mais um assustador momento pensou ter esquecido os óculos ou tê-los deixado cair no chão durante o empurra-empurra do pátio, buscou como louco na mochila e até nos bolsos da calça.
— Procurando por isso, Altair?
Aquela voz, o arrepio que passou por sua espinha foi inevitável de sentir e fitou o olhar maroto que o cara a sua frente tinha.
— Ei, essa por acaso não é a minha blusa? — Indagou e naquele minuto Altair queria morrer.
Olhando para a vestimenta e sentindo o olhar dos alunos lhe rodearem, o rosto ardia ao notar que não era uma das suas blusas e sim a do Malik, aquela que Altair se recusou a devolver por ter como motivo para falar com o outro por causa do trabalho.
— Eu...
Talvez Ezio tivesse razão, a sorte de Altair realmente era fodida e logo ele também estaria, pois só em pensar em explicar ou tomar os óculos oferecidos por Malik, Abbas vinha quase que trotando na direção dos dois, com o olhar cheio de fúria.
Ótimo, pensou Altair, um anjo seria muito útil no momento, Malik não servia por ser um diabo, temia até que ele se voltasse com Abbas e ambos brigassem com ele, naquele momento Kadar seria muito necessário, pois Altair estava morrendo por dentro.
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