Novice
6 Budapest
Notas iniciais
O distanciamento de Altair durante o resto da manhã fez com que quem o conhecesse indagasse em relação ao que aconteceu, até mesmo em casa Umar estranhou o comportamento do filho. Na escola comentaram entre si que poderia ter tido que poderia ter tido outra briga na enfermaria, mas Kadar e Leo apreciando defender Altair e Malik, argumentando que não apenas eles, mas que até Abbas estava debilitado para fazer ou comentar alguma besteira.
Altair tinha devolvido a blusa de Al-Sayf naquele dia, melhor dizendo, jogado a blusa na cara de Malik e sair correndo por entre os alunos, tendo no corpo um suéter extra de Shaun, escapando quando o sinal para o intervalo e da saída mal tocavam, e podendo conversar apenas por mensagem com Kadar em como faria para não ter que comparecer ao jantar dos Sofian em casa. Eis que surgiu uma ideia estranha de Kadar.
|e se você dormisse aqui em casa? Como se fosse parte do trabalho que você está fazendo com o meu irmão|
A ideia foi tentadora para Altair? Claro que foi, valia qualquer coisa para não ver a face roxa e inchada de Abbas, mas, ouvir as indagações de Malik por ter fugido dele e por ter jogado a blusa na sua cara.
Mas ouvir as indagações de Malik por ter fugido dele e por ter jogado a blusa na sua cara faziam com que Altair se constrangesse ao preferir encarar de frente Abbas com a face toda ferrada do que ver um Al-Sayf zangado.
O problema era que no dia seguinte já era o jantar com os Sofian, então digitou antes se retirar para ir para o banho.
|você e seu irmão dormem em quartos diferentes?|
Aquilo era como um sim, tendo a confirmação de Kadar, Altair deixou o celular na cama e pegou uma muda de roupa, indo ao banheiro e relaxando com a água quente que lhe caia no corpo.
Por um fio não tinha ficado de suspensão ou pior, mas não se afligiu tanto até lembrar de Malik. Até entendia a raiva e prepotência do mesmo, mas comprar uma briga por Altair? Ele nem era um amigo de Malik ou até mesmo um conhecido de longa data, eram apenas malditos colegas de uma droga de trabalho. Só de lembrar o estrago que Al-Sayf tinha feito até então, o correto era ter implorado para Al Mualin tê-lo colocado em outro grupo ou individual, mas não, o seu lado amedrontado falou mais alto, se desvirtuando desde que viu as tatuagens de Malik.
O que eram exatamente aquelas tatuagens e até onde elas iriam? Não que fosse da sua conta, mas em comparação ao seu corpo fino, a tinta preta que contornava os braços de Malik o fazia ser um pouco mais ameaçador do que era.
Quando Altair se deu conta só por pensar em tatuagens, assustou-se ao sentir um calor no baixo ventre e trocou a água quente para a gelada, xingando tais pensamentos por sentir algo obsceno.
A vergonha ainda lhe dominava ao sair do banho e ao arrumar suas coisas, nem tocando no trabalho impresso ou dando uma olhada no que Aurora poderia ter lhe enviado por e-mail, qualquer coisa que lembrasse Malik no momento o deixaria novamente com uma vergonha extrema em relação aos pensamentos nada castos sobre o mesmo.
Novamente ao ajeitar a janta depois de se focar nos estudos, ignorou a chegada de Umar quase indo para a sala, mas ouvindo seu pai lhe chamar.
— Eu não fiz nada de errado —Adiantou-se, explicando.
— Não é a mesma coisa que o seu rosto inchado diz — Umar falou, pegando uma fruta e a mordendo.
— Foi um acidente — Era provável que aquela desculpa não seria aceita por seu pai.
— Eu também já me envolvi em brigas, Altair, mas explicar com o mínimo de palavras não vai lhe ajudar em nada — O olhar de seu pai era severo, como se já soubesse a causa da briga — Acho que você já sabe que eu e Ahmad éramos colegas de trabalho e agora estamos trabalhando para os Auditore e pelo que eu ouvi hoje... — Agora que Altair estava perdido, não sabia qual a mentira que Abbas tinha contado, mas era provavelmente uma que o deixasse mal com seu pai — Que um garoto chamado Malik brigou contigo.
A não... O que Abbas tinha na cabeça para contar algo assim? Ele bebeu ou a pancada do dia anterior foi muito forte?
— Não, Malik não brigou comigo e sim ele e Abbas brigaram — Explicou.
— Então por que essa marca roxa no rosto? — Insistiu e Altair bufou impaciente.
— Porque eu tentei separá-los? — Umar franziu o cenho, parecendo não acreditar — Pai, estou falando a verdade... Malik não me machucou e sim Abbas.
— Mas o filho de Ahmad não parece ser desse tipo — Umar resmungou, mordendo novamente a fruta.
— Pai, Abbas pode ser muitas coisas, mas santo não é uma delas.
— E esse Malik não parece ser um amigo seguro, se Abbas não é o significado de santidade, esse tal Malik também não é — Deu de ombros — Não fique perto dele — Como se isso fosse possível — E eu não estou pedindo.
— Não me faça rir, Umar.
— É pai para você e estou falando sério, Altair — Encarava em desafio seu pai descrendo totalmente na ordem.
— Eu não sou um garotinho que precise de ordens para andar com alguém ou não, e não, não vou deixar de falar com Malik só porque o considera perigoso — Aquilo era meio contraditório a tudo que Altair pensava de Malik, pois estava até defendendo a imagem dele por causa do pai e das mentiras de Abbas — E queria avisar que eu tenho que ir a casa de um amigo amanhã para fazer um trabalho, não se preocupe, irá ser depois do jantar e ele virá me buscar — Falou apressadamente, saindo da cozinha e jantando no quarto.
Só depois de meia hora que vieram as batidas na porta de seu quarto, ouvindo seu pai chama-lo e o ignorando até quando o mesmo retirou a ordem de que não deveria mais conversar com Malik.
Defender Al-Sayf na frente de seu pai pode tê-lo deixado desconfiado, mas não se superaria com a desconfiança de Altair em relação a Abbas. Onde aquele traste queria chegar com todas essas mentiras? Ele deveria se lembrar que coisas do passado ficavam no passado, mas pelo visto a teimosia do mesmo reinava na cabecinha dele até hoje.
Colocando os óculos e deixando o prato de lado, tomando em mãos o celular e refletindo bem no que digitaria.
|preciso que venha me buscar amanhã, Kadar|
|e por que meu irmão deveria ir busca-lo? Alias, o que vocês estão aprontando?|
A não, de novo não. Justo quando o tema da discussão com seu pai tinha sido sobre Malik e olhe só quem decide aparecer mesmo que por mensagem? Ele mesmo, Malik!
|estou sem paciência, Al-Sayf. Passe a droga do celular para o seu irmão ou...|
|ou o quê? Vai ficar vermelho na minha frente e tacar a minha própria blusa da qual você usou sem querer na minha cara?|
Ele estava revidando de maneira suja e Altair estava ficando vermelho, mas vermelho de raiva.
|Malik, Abbas vai jantar na minha casa amanhã e eu estou puto de raiva agora então, por favor, passe o celular para Kadar e deixe com que os adultos resolvam as coisas!|
O celular era esmagado em suas mãos e Altair tremulava de raiva, por que defendeu Malik mesmo?
|eu não sabia|
|ainda que soubesse, qual seria a diferença? Por favor, Malik|
|eu lhe busco, minha mãe não deixaria Kadar sair de noite e como já sei onde você mora, chegarei cedo. Mas por que a minha casa?|
|Kadar|
|defendendo os inocentes, bem a cara dele...|
|e por que você está com o celular dele, de novo?|
Queria apenas saber a resposta do outro, com uma pequena curiosidade.
|você fugiu de mim ontem quando voltamos para a sala e hoje só pude ver o seu vulto passar em todo os lugares e na sala você parecia um bicho assustado. Eu fiz algo de errado?|
O que ele achava que ele tinha feito de errado além de ter dado uma surra no Abbas por Altair? O que Malik poderia achar que fez para afastar Altair?
|nada... Não fez nada de errado, Malik|
Altair fez com que o outro pensasse das constantes fugas que era culpa dele.
|não me chame de Al-Sayf, faz com que eu pareça alguém para você temer e como somos colegas, não quero deixar essa impressão, mesmo eu já tendo deixado-a|
|se você pede com tanta educação...| Provocou |não se atrase amanhã, na escola eu lhe falo a hora que você tem que vir|
|isso se você não fugir de mim|
Altair não iria fugir. Desligando o celular e desfazendo o sorriso no seu rosto, deixou o aparelho de lado e despiu-se para poder dormir.
Parecia que o dia seguinte passou as presas, desviava de alguns alunos e mexia em seu material no armário, indo até a sala que deveria estar no momento, mas acabou que Altair franziu o cenho ao ver Kadar cansado e se escondendo atrás de Altair.
— O quê? — Tentava ao máximo em não rir de Kadar e no fato do mesmo olhar temeroso para algo a frente, mas tudo o que Altair pode ver foi Arno Dorian procurando algo, ou melhor, alguém— Sério, eu tenho motivos melhores para me esconder, diferente de você, Kadar.
— Finja que eu não estou aqui... — Sussurrou e Altair rolou o olhar, rindo.
— Claro, mas lembre-se que você é alguns centímetros maior do que eu — Zombou e segurou a risada ao notar que finalmente Arno tinha achado Kadar atrás de Altair — Ele está chegando...
—Droga...— Resmungou o outro atrás de si, encolhendo-se.
Mesmo sendo estrangeiro e com um sotaque forte, Altair não era tão próximo de Arno para poder falar como o francês era com os outros, mas se o mesmo já andava com Malik poderia ter noção de como o mesmo era, até mesmo depois de ter tido uma discussão com Kadar.
— Olá Arno — O sorriso de Altair crescia ao ouvir os resmungos de Kadar.
— Kadar? Poderíamos conversar? — Pediu, franzindo o cenho— Será breve, juro.
— Quem jura é mentiroso — Kadar suspirou, saindo de trás de Altair e arrastando Arno para longe.
Ver alguém maior que o próprio Kadar ser arrastado pela escola era uma cena engraçada, principalmente quando o pequeno Al-Sayf tinha um fator semelhante à Altair, fugir de pessoas com o sinônimo problema.
Ao chegar na sala e sentir o olhar cúmplice de Malik sobre si, Altair sorriu de canto e esperou o restante do dia passar a sua maneira, trocando pela primeira vez bilhetes de conversa com alguém, lendo e rindo da curiosidade de Aurora e escondendo os bilhetes, fazendo uma feição de inocência já que sua fama de nerd colaborava.
No intervalo foi puxado pelo casaco por Aurora para ficar com o irmão da mesma e os amigos dela, conseguindo escapar de Abbas que o encarava de longe. E pensar que ele manteria distancia depois do que Malik fez com ele, mas só de Altair estar ao lado dos irmãos Kenway, Abbas nem chegaria perto por temer Edward.
Sentia-se deslocado em meio a um grupo em que nem conhecia direito as pessoas, mas sorria quando Edward ou até mesmo Mary Red o enturmava e ria descontraído ao ser lembrado que tinha se envolvido na briga com Abbas e Malik, sendo chamado de tolo corajoso por Vane.
Quando o sinal tocou e o restante das três aulas passou, Altair arrumou seu material as presas e correu para encontrar Leonardo fora da escola e pegar uma carona até em casa. Seria mais agradável fugir de Abbas até chegar a noite do que esbarrar com o mesmo e ser forçado por circunstancias daquele dia a levá-lo para casa, mesmo o outro quase espancando Altair.
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