November Rain
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Já estava no fim de novembro e Gaara tinha resolvido mandá-la em missão diplomática até Konoha. Até aí tudo bem, mas o que realmente a deixava irritada era o tempo chuvoso que pairava sobre a vila e dava a certeza de que logo cairia uma forte tempestade. Por que ele tinha que esquecer o fato de chover muito no País do Fogo durante o verão? Como não adiantava nada ficar pensando nessas coisas Temari decidiu apressar-se, ou não chegaria no hotel. O que ela não contava era que a tempestade fosse começar naquele exato momento, mais forte do que qualquer outra que já enfrentara. Os pingos grossos molhavam sua roupa e faziam seu corpo doer, os raios eram tantos que seria arriscado andar até o centro da vila para chegar no hotel. Foi quando ela viu um bando de cervos correndo para se esconderem e lembrou-se de quem morava ali, tão afastado da vila. Não pensou duas vezes, correu até a luz fraca da casa que aparecia em meio à neblina e bateu na porta com força por diversas vezes, até que ele veio atendê-la.
-Temari?! O que faz aqui? Ainda mais nesse estado...
-Não tenho culpa, Gaara me mandou em missão e começou a chover.
-Isso eu já percebi, mas...por que veio até a minha casa?
-Tem muitos raios caindo, não é seguro eu andar até o hotel. Acredite, foi minha única opção.
-Tá, entra.
-Finalmente você resolveu perceber que eu ainda estava na chuva.
-Ainda reclama é? Se quiser posso te mandar de volta pra lá.
-Tsc. Foi mal entrar assim, mas eu não tive escolha.
-Tá, tudo bem. Agora vai lá em cima tomar um banho e trocar essa roupa, porque se dona Yoshino chega e encontra a casa toda molhada...não queria nem ver.
-Peraí...você vai limpar isso aqui? É um milagre?
-Não, é só garantia de sobrevivência.
-Exagerado.
-Anda logo mulher, quer me dar mais trabalho ainda?
-Sabe que não seria má ideia?
-Tsc, problemática.
Ela subiu as escadas e ficou parada, olhando para as diversas portas que haviam.
-Última porta. Pode usar meu banheiro, depois eu levo uma toalha pra você.
Temari se dirigiu até a porta indicada e encontrou um quarto totalmente arrumado que a surpreenderia, não fosse a lembrança da vez em que conheceu Yoshino, a mãe de Shikamaru.
~FLASHBACK~
-Mãe essa é a Temari, irmã do kazekage. Ela vai me ajudar nos preparativos para o chuunin shiken.
-E VOCÊ ME TRAZ A MOÇA SEM AVISAR? AI KAMI-SAMA OLHA O ESTADO DESSA CASA! TÁ TUDO FORA DE LUGAR! NARA SHIKAMARU O QUE SIGNIFICA AQUELE PACOTE DE SALGADINHOS EM CIMA DA MESA DE CENTRO?!
-Foi o Chouji...
-NÃO ME INTERESSA, O AMIGO É SEU ENTÃO LIMPE VOCÊ!
-Querida...
-QUE É?
-Você está assustando a Temari-san...
-Ai perdão! É que esse moleque bagunça a casa toda, você vai entender quando tiver seus filhos.
A loira olhou em volta e viu que a casa brilhava, completamente organizada.
-Sem problemas. Ei Nara, eu já vou.
-Tá, tá.
-RESPONDE DIREITO PRA ELA, SEU BRUTAMONTES!
-Tchau Temari, tenha boa viagem nos 5 quarteirões que você andará a pé e sozinha nesse mundo.
-Tchau.
Ela saiu e riu tudo que estava segurando dentro da casa, nunca imaginou que Yoshino fosse tão neurótica. Mesmo assim a senhora Nara parecia ser o tipo de pessoa amável e cuidadosa, que lhe passava a ideia de mãe que ela nunca teve.
~FLASHBACK OFF~
Ela lembrava desses fatos embaixo do chuveiro, mas então se lembrou de que não deveria passar muito tempo no banho. Saiu do banheiro e encontrou uma toalha em cima da cama, com a qual se enxugou. Foi aí que se lembrou de um fato: todas as roupas que tinha trazido estavam molhadas! Enroulou-se na toalha e desceu as escadas, levando suas roupas consigo para estender no varal.
-Ei Nara.
-O que fo...
Ele ficou encarando a kunoichi com o rosto extremamente vermelho, até se dar conta de sua expressão patética.
-Você não tem roupas pra vestir, não é?
-Ah, finalmente parou de olhar pras minhas pernas e resolveu pensar um pouco!
Ele coçou a cebeça, muito sem graça, e parou para pensar um pouco.
-Bom, abre meu armário e pega uma camiseta minha. É o que eu posso arranjar.
-Tá. Já pendurei minhas roupas no varal, assim sua mãe não te mata.
-Valeu.
Passaram-se vários minutos até que Shikamaru tomou coragem e foi ver o que tinha acontecido. Abriu a porta de seu quarto já esperando apanhar por entrar sem bater, mas encontrou-a deitada em sua cama e tremendo. Aproximou-se e colocou a mão em sua testa, retirando-a de imediato quando sentiu que estava muito quente. Desceu as escadas correndo e pegou um pano e uma bacia com água e gelo. Subiu novamente, tomando todo o cuidado para não derrubar a água pela casa e sentou-se ao lado dela após colocar o pano úmido e gelado sobre sua cabeça.
-Por que está fazendo isso?
-Que susto, pensei que estivesse dormindo.
-Não me respondeu.
-Eu não vou deixar uma mulher passando mal só porque ela é uma problemática.
-Droga, por que isso está acontecendo?
-Você está acostumada com o calor de Suna e de repente encarou uma tempestade dessas.
-Não é disso que eu estou falando.
-É do que então?
-Do fato de você de repente deixar de ser um preguiçoso e se tornar alguém tão...
-Tão?
-Amável.
Para quebrar todo o clima, Yoshino abriu o portão e entrou gritando. Foi só aí que eles se deram conta de que a chuva tinha passado.
-Já volto, vou tentar amenizar a fúria da minha mãe.
O Nara saiu correndo e conseguiu pará-los antes que entrassem na casa.
-Pai, mãe...aconteceu uma coisa.
-Ai Kami-sama, o que foi dessa vez?
-Estava chovendo...
-Isso a gente já percebeu.
-A Temari foi enviada em missão e não conseguiu chegar no hotel a tempo, então ela entrou aqui e agora está com febre lá no meu quarto.
Ele tapou os ouvidos, esperando um grito daqueles, mas dona Yoshino simplesmete entrou na casa e foi pegar algo no armário.
-Mãe...o que está fazendo?
-Pegando um remédio ué. Depois eu faço uma canja para ela. Não vou deixar uma moça tão amável ficar assim, doente.
-É impressionante como essa problemática tem o dom de apaixonar todo mundo!
-Todo mundo?
-Eu disse isso alto?
-Sim, disse. Parece que você puxou a mim, Shikamaru: gosta de mulheres prolemáticas.
Shikaku apenas riu e deu tapinhas nas costas do filho, que coçava a cabeça um pouco envergonhado. Logo Yoshino voltou, indo direto para a cozinha.
-Shikamaru, vá ficar com a Temari-chan enquanto eu faço uma sopinha para ela.
-Tsc.
Ele foi até seu quarto e sentou-se ao lado dela.
-Sua mãe é incrível.
-Duas mulheres problemáticas tinham mesmo que se dar bem.
-Não reclame dela. Eu daria tudo pra ter uma mãe na minha infância.
-Desculpe mas...o que aconteceu com a sua mãe?
-Ela morreu assim que Gaara nasceu.
Temari sentou-se na cama e olhou para cima, tentando afastar as antigas lembranças que teimavam em invadir sua mente. Só parou de pensar na época em que sua mãe morreu quando sentiu o abraço de Shikamaru envolvendo-a.
-Será que só você não vê que eu te amo, problemática? Eu sei que você me ama também, então pare de conter isso! Todo mundo precisa de alguém, então se você precisa de mim é só dizer e eu ficarei do seu lado!
Ela retribuiu o abraço e deixou que apenas duas lágrimas escorressem de seus olhos.
-Eu não disse que você está estranhamente amável hoje?
Ele sorriu, um pouco envergonhado, limpou as lagrimas dela e beijou-a docemente.
-Shikamaru! Venha buscar a sopa da Temari-chan, ela não pode fazer muito esforço!
-Deixa eu ir antes que ela venha me arrancar daqui pelos cabelos.
Temari riu. Aquela com certeza seria uma família perfeita para que ela passasse o resto dos seus dias.
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