November 3th

1 Capítulo único


Notas iniciais
Acho que já falei tudo no Disclaimer.

Espero que gostem, gentem!

Ele podia ver. Via o sorriso singelo de Remus enquanto lhe entregava uma caixa azul embrulhada para presente. Ouvia a risada de Dorcas quando contou uma de suas piadas e a expressão birrenta de uma Lily esforçando-se para ficar séria. Sentia o toque macio das mãos de Mellani e ria das caretas infantis que James fazia cada vez que ele fazia uma piada com os 145 dias em que era mais velho. “Respeite os mais velhos, Prongs. Dumbledore, sua mãe, eu.”

Mas então o grito de uma das almas torturadas e torturadoras que ali estavam desfez toda sua fantasia, e Sirius Black voltou para o lugar onde realmente estava: uma cela escura e fria em Azkaban.

A realidade atingiu-o como um soco: ele estava preso e seus amigos, mortos. Com exceção de Remus, é claro, mas o Black não sabia se Moony conseguiria suportar a dor sozinho por muito tempo. E era o terceiro dia de novembro: seu aniversário. Sirius estava lá, sozinho.

Outra constatação atingiu-o: Peter era o culpado. Ele havia traído James e Lily, ele havia matado Mellani. Ele premeditara tudo para que o amigo fosse preso em seu lugar. Ele deixou Remus viver sozinho com a dor. Ele deveria morrer.

Sirius rosnou, finalmente abrindo os olhos e olhando para o teto. Encostava-se no canto mais afastado das grades da cela, tentando aquecer-se. Tudo era escuro, vazio e empoeirado. Como seu coração.

“Eu sou inocente,” repetiu em sua mente, como um mantra. Ele percebera que com isso deixava os pensamentos sombrios fora de sua mente por um tempo. “Eu sou inocente, eu sou inocente, eu sou...”

E então ele via o crânio rachado e sanguinolento de Mellani, os olhos frios e sem vida do seu melhor amigo, o corpo contorcido de Dorcas, o choro sentido de Harry enquanto observava o corpo caído da mãe. Via olhos ofídicos e ouvia uma risada maligna, seguidos de uma levemente asmática e olhos castanhos apavorados. Cerrou os punhos, respirando forte e tentando impedir-se de socar a parede com raiva.

Sentiu o rosto molhado por lágrimas ou suor; ele não saberia dizer qual era qual. E não era como alguém se importasse com sua aparência no momento. Todos estavam mortos, e Sirius não sabia de quase nada além disso. Mas duas coisas estavam fixas em sua mente: ele era inocente e precisava matar Peter Pettigrew.

Arrastou-se para uma parte da cela mais coberta em poeira e começou a desenhar com seu indicador. Um cartoon de bolo com velas tomou forma, e Sirius sorriu tristemente. James quem era o cara dos desenhos. Em uma outra vida, todos estariam celebrando juntos no Três Vassouras.

E, sem nem mesmo imaginar que em onze anos um garoto sentiria-se tão miséravel quanto ele no dia de seu aniversário a ponto de desenhar um bolo parecido com aquele no chão empoeirado, cantou baixinho:

— Parabéns para mim, nessa data querida... Muitas felicidades, muitos anos de vida.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!