Nove Meses

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Notas iniciais
Charllote vai pedir conselhos a sua mãe, na tentativa de sanar suas dúvidas sobre o que aconteceu entre ela e seu melhor amigo Erick, que esta fora há duas semanas depois "daquela" noite, e ainda não deu nenhuma notícia. Esse capítulo mostra um pouco da relação de Charllote com sua mãe, que ao decorrer da história vai se mostrar importante. Esta um pouco atrasada a postagem, mas tentarei postar um capítulo por semana daqui pra frente. Bem é isso, boa leitura!

Já era a terceira vez que Charllote batia na porta da casa de seus pais, estava toda escura e o clima frio na rua não ajudava muito, as vezes as noites em Manhattan podiam ser congelantes. Ela estava prestes a bater pela quarta vez quando a luz da frente acendeu, pode sentir a tensão deixar seu corpo, pelo menos um pouco dela.

— Quem esta ai? — Era a voz de sua mãe, fazia cerca de cinco anos desde que retornara para casa, a voz de sua mãe trazia-lhe lembranças da sua infância, mas isso foi há muito tempo.

— Sou eu mãe, abra por favor — Parecia um pouco desesperada, e estava de fato.

— Charllote? — Assim que abriu a porta, Lola pode ver um misto de surpresa e felicidade nos olhos de sua mãe. — Não acredito, você esta mesmo aqui?

— Sim, Sra. Barlleta, eu estou. — Ela pode notar que em cinco anos de ausência dela, sua mãe não havia mudado muito. Os mesmos olhos azuis, o mesmo cabelo louro que ao passar dos anos se misturava ao fios brancos que apareciam,e o olhar carinhoso ainda era o mesmo. — Posso entrar mãe? Esta realmente frio aqui.

Ela abriu seu sorriso habitual — Claro filha, vamos entre! — Assim que Lola atravessou a porta, foi puxada para os braços de sua mãe.

— Também continua o mesmo... — O abraço acolhedor e calmo que só sua mãe tinha, ainda estava ali.

— O que é o mesmo, querida?

— A casa, continua do mesmo jeito — Sua mãe sorriu e a levou em direção á cozinha.

— Quer café? Ou outra coisa?

— Café por favor, forte. — Ela soltou um leve riso e começou a trabalhar na cozinha, mexendo no armário quando necessário e logo já havia um fraco aroma de café no ar.

— Vamos me diga, Charllote — Servindo uma xícara, ela se sentou de frente para a filha. — O que houve?

Sua mãe a conhecia bem, e afinal, não havia motivos para esconder.

— É que... aconteceu algo inesperado. Algo entre, eu e.. Erick.

— Hum, vocês transaram.

— Mãe!!

— Estou errada, meu bem? — Sorrindo e pousando a xícara na mesa, ela pegou a mão livre de Charllote. — Você pode me contar tudo que ache necessário, pode confiar em mim para qualquer coisa. Sabe muito bem disso. — Tomou um longo gole de seu café, Lola fez o mesmo, porque o que estava prestes a contar era sério. —Vamos diga logo, o que houve?

— Eu vou dizer de uma vez, e pode parecer confuso, mas é mais fácil se eu contar tudo e você só escutar e digerir, tudo bem?

Sua mãe agora estava séria, e acenou para ela.

— Sim, vá em frente.

Charllote tomou um grande fôlego antes de começar.

— Eu e Erick bebemos de mais a cerca de duas semanas atrás, e então acordamos na minha cama, juntos e... quase sem roupas, só que somos melhores amigos há tanto tempo e, isso já aconteceu antes mas, dessa vez eu tenho certeza de que nós... bem, nós...

— Transaram, fizeram sexo, acasalaram. — Metade da preocupação de sua mãe não estava mais lá, agora ela apenas se divertia com a situação. — Sabe filha, isso era esperado e até demorou pra acontecer, considerando que vocês moram juntos há tanto tempo, é normal, eu sempre achei que uma hora vocês iam acabar juntos.

— É que... — Não podia culpar a mãe por pensar assim, ela não sabia da preferência sexual de Charllote, muito menos da de Erick. — O grande problema não é o fato de termos...dormido juntos.

— Hum, então o que é?

— Bem, nós... não usamos preservativo.

— Oh Deus! — Agora sua mãe estava ainda mais surpresa do que antes — Céus Charllote por quê não usaram?

— Estavamos bêbados, mãe. Se não estivessemos isso não teria acontecido.

— E você acha que pode estar...

— Eu não sei, é algo recente, faz só duas semanas, não tem como saber.

— Mas é claro que tem! — Ela agora estava de pé, andando de um lado para o outro na cozinha. — Compre um teste de farmácia, ou faça um exame de sangue que é mais preciso, sai no mesmo dia o resultado!

— Mãe fale baixo! — Ela estava quase gritando — Eu pensei em fazer, mas... estou com medo, só isso. Essa é a razão de ter vindo até aqui.

— Challote, meu bem. — Abraçou-a novamente, e ainda mais apertado dessa vez. — Vai ficar tudo bem minha menina, amanhã nós vamos fazer esse exame, e tirar essa dúvida da cabeça, certo?

— Sim mãe, obrigado. — Abraçou sua mãe por mais um tempo, não queria solta-la nunca mais.

— E Erick? Como ele reagiu sobre isso?

—Ele saiu, não disse aonde foi e também não atende o celular, durante todo esse tempo. Faz dias que eu não o vejo.

— Poxa... Nunca pensei que ele era esse tipo de homem! — E lá estava a fúria.

— Ele só esta tão surpreso quanto eu. Nenhum de nós lembra de nada daquela noite, é realmente assustador.

— Tudo bem, vamos dormir. — Acariciou-lhe o rosto, de certa forma a Sra. Barlleta, ainda era a forte mulher italiana, mas parecia um pouco cansada. — Seu quarto ainda esta lá, com algumas de suas coisas, você pode dormir lá, querida.

— Tudo bem, mãe.

— Amanhã vamos cedo fazer o exame, então descanse bem.- Deu-lhe um beijo na testa.— Boa noite, filha.

— Boa noite, mãe.- Observou sua mãe subir as escadas, e ficou ali parada, pensando sobre toda a história repentina e rezando para não estar grávida. Pegou o celular e deu mais uma olhada, Erick não tinha retornado as suas ligações, e agora ela estava realmente preocupada.

***

O barulho do relógio na sala de espera do laboratório era irritante, Charllote nem ao menos sabia quanto tempo já havia pssado, o nervosismo não a deixava prestar atenção em nada além da porta da sala de resultados. Cada vez que a porta abria seu coração saltava, e ela já estava sem paciência.

— Srta. Charllote? — Uma moça de aparência espânica estava chamando da sala de resultados, ela segurava um envelope branco e varria a sala de espera com o olhar em busca da "Srta. Charllote ".—Srta. Charllote Barlleta?.

— Sim, sou eu. — Charllote levantou-se da cadeira e encontrou a enfermeira na metade do caminho.

— Aqui esta o resultado do seu exame Srta. — Ela sorriu e estendeu a mão para Charllote, esperando que ela o pegasse. Ela hesitou por um momento. — Não fique tão nervosa Srta. É só um exame de gravidez, não é um de DST, podia ser pior. — Com a mão ainda estendida ela esperou pacientemente até que Charllote por fim pegou o envelope.

— Obrigada. — Sorriu levemente de volta.

— Muito bem, boa sorte Srta. Barlleta. — Ela sorriu e voltou para a sala de resultados.

Charllote ficou ali parada por um longo momento, pensando em tudo que podia acontece, aquele papel podia mudar a vida dela para sempre, e não só a dela, mas a de Erick também. Finalmente resolveu deixar o prédio e encontrou sua mãe tomando um café ao lado da BMW estacionada em uma vaga que ela com certeza não teria achado.

— Então querida? Este é o resultado? O que diz ai? — Sua mãe estava ansiosa e um tanto preocupada.

— Mãe, eu tomei uma decisão, e espero que vicê entenda. — Ela ficou séria e arqueou as sobrancelhas.

— Charllote Eleonor Barlleta, se você estiver pensando em aborto, pode esquecer. Jamais deixaria fazer isso, ou não me chamo Henrriete! — Pequenas rugas se formaram nas testa dela, e agora Lola podia ver que a idade havia chegado para sua mãe.

— Isso nem passou pela minha cabeça, mãe. — Pela primeira vez ela foi capaz de rir. — Mesmo que o resultado seja possitivo, eu definitivamente não faria isso.

Henrriete pareceu se acalmar, um pouco.

— Então que decisão você tomou, filha?

— Bem... eu decidi que só vou abrir o resultado quando estiver com Erick. Acho que é melhor para nós dois, fazer isso... juntos.

Henrriete não pareceu triste ou frustrada, ela apenas sorriu e abraçou sua filha.

— Fico feliz que pense assim filha, e espero que Erick também tenha bom senso. Mas assim que souber o resultado, me conte esta bem?

— Sim, mãe. Você será a primeira a saber. — Dando um afago em sua cabeça, Henrriete foi em direção ao carro e sua filha a seguiu, entrando pelo lado do carona.

— Então, para onde vamos?

— Aeroporto.

— Claro.

Olhando pelo janela do carro, ela podia ver a paisagem passando como um borrão, podia ver pessoas indo trabalhar, adolescentes saindo das escolas, mulheres com carrinhos de bebês, casais sentados nos bancos do parque e, crianças brincando ao redor. Era uma vida um tanto "tranquila" e ela não estava acostumada.

Logo já estava pegando um vôo de volta para Los Angeles, e aquela vidinha simples que a pouco tinha visto, estava encoberta pelas nuvens que podia ver da janela do avião. As palavras que sua mãe havia lhe dito mais cedo, "Pode sempre contar comigo filha, eu te amo. "

Essas palavras ficaram em sua mente até que ela pegou no sono, teve sonhos, vários deles, e em todos haviam crianças lhe chamando de "mamãe ".

Notas finais
É isso, espero que tenham gostado! O próximo tentarei postar domingo que vem. E se possível, leiam a nova fic que postei hoje, " A ordem da Lua". Bem, obrigado aos que leram, até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.