Nove Meses
7 “Minha doce tempestade”
Notas iniciais
José Miguel estava sentado na cama, lendo o livro dela, bastante concentrado.
–Se um dia, você não for mais um arquiteto, podemos abrir um consultório.
–Como é?
–Um consultório diferente… você poderia dar aconselhamentos para gestantes… como parte de um programa de acompanhamento, e eu poderia ser sua secretária .. para afastar algumas engraçadinhas !
Ele a encarou com um misto de surpresa e diversão, enquanto ela o olhava, fingindo inocência.
Ele deixou o livro de lado, puxou o lençol e se deitou.
–É impressão ou a minha mulher está fazendo gracinhas comigo?
Ela sorriu, se divertindo, deslizando um dedo pela camisa de seu pijama listrado, depois parando na linha de sua cintura, brincando com o elástico da calça.
–Huhum …
Ele olhou para baixo, exatamente onde pousava seu dedo ousado e arqueou uma sobrancelha.
Por iniciativa dela, seus lábios se aproximaram, quentes, exigindo atenção. Logo mais abaixo, sua mão se insinuou para dentro o acariciando por cima da cueca, brincando em seu quadril largo.
–Você é quente!
Ele era quente? Ela sim é quem o deixava em brasa, com um simples olhar.
Valentina sempre o desejou, mas nos últimos tempos, em vez de sentir repulsa por ele, como era mais comum, ela o desejava ainda mais, a gravidez havia potencializado os efeitos que ele exercia sobre ela e era imensamente bom!
–Eu quero você!
Ele a abraçou com cuidado e o puxou para cima dele, depois acariciou seu corpo macio puxando a barra de sua camisola curta para cima.
–Ainda vai me desejar quando estiver gigantesca?
Ele riu.
–Claro que sim …sempre ! Que tipo de pergunta é essa? Vai continuar sendo a minha Bonita!
–De verdade?
Ele cruzou os dedos sobre os lábios, brincando com ela.
–Eu juro.
Valentina puxou a camisola para cima, depois o ajudou a se despir.
Fizeram amor calma e suavemente, quando por fim, saciados, ele a aconchegou em seus braços, murmurando o quanto ela o fazia feliz !
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
–Quer ajuda?
Valentina sorriu par ele, o medindo de cima a baixo.
Ele havia acabado de sair do banho e estava secando o cabelo com uma toalha branca, vestindo apenas o calção de seu pijama azul marinho.
–Você gostaria?
–Sim… muito!
Ela espalhava delicadamente uma pequena quantidade de creme de amêndoas em suas pernas, para acalmar suas veias quase aparentes, pelo aumento do fluxo sanguíneo.
–Seus enjoos melhoraram bastante, não é?
–Sim… mas por outro lado, eu acho que preciso mesmo fazer mais caminhadas, tenho sentido minhas pernas um pouco pesadas.
–Vamos fazer isso…. eu quero ir com você !
As mãos grandes dele deslizavam com maestria pelas pernas esguias, trazendo uma deliciosa sensação de carícia e não apenas uma massagem.
–Acho que vou contratá–lo… para ser meu ajudante. Tem horário disponível, senhor?
–Todos que você desejar.
Os olhos cheios de malícia dela acompanhavam o caminho que ele fazia, e era infinitamente excitante.
Ele conhecia aquele olhar, ultimamente alguma coisa nela parecia se acender com o mínimo toque
Sem que ela soubesse, ele pesquisou sobre o aumento do desejo em estágios da gravidez e constatou que as estatísticas favoreciam o quadro em um grau bastante impressionante.
Só pedia aos céus para ter fôlego para aplacar sua fome quase insaciável.
Sem que percebesse um pequeno sorriso surgiu no canto de seu lábio.
–Em que está pensando?
–Em nada, querida…. em nada.
–Huhum… Vida?
–Sim.
Ele estava adorando a nova missão, ela tinha lindas pernas macias e a sensação era mesmo gratificante, sem contar que era muito prazeroso.
–Isso é tão bom...
–Está gostando?
–Demais.
Ela tinha que admitir que aquela fase de sua vida estava superando todas as adversidades por que passara.
Tinha um homem carinhoso que a amava de uma maneira deliciosa, os cuidados dele a faziam se sentir a mulher mais feliz do mundo, além do mais, a expectativa de ser um pai tão dedicado a fez acreditar que seu amor só poderia a cada dia, crescer ainda mais. Se é que fosse possível!
Em dado momento, ela o puxou, sentindo as mãos lisas dele se entrelaçar nas dela.
–Venha cá… acho que preciso fazer um pagamento extra… pelos seus serviços…
Ela o viu sorrir antes de beijar sua boca com vontade.
“Minha doce tempestade”
….......
Sentado em frente à sua mesa, ele mal ouviu quando bateram à sua porta, sem resposta, a pessoa entrou e ficou observando aquele homem absorto em seus pensamentos, analisando em uma papelada, alguma coisa que parecia interessante.
–José Miguel?
Ele levantou a cabeça, depressa.
–Sofia? Você por aqui?
Sofia foi uma amiga de José Miguel. Eles nunca namoraram, porém meses antes dele decidir entrar para o seminário e tornar-se padre, ela se declarou a ele, mesmo sabendo que não era correspondida.
–Ei… e aí, como vão as coisas?
–Muito bem…
Ela se sentou de frente a ele, com um sorriso de orelha a orelha.
–Eu estou reforçando uma equipe intermediária que contrataram essa semana aqui na fábrica.
–E... suas pretensões… para morar fora do país? A última vez que conversamos há alguns anos atrás, era esse seu projeto principal.
–Ainda na luta, mais uma etapa…
De repente, ela parou de falar, o encarando!
–Isso no seu dedo é… uma aliança?
–Sim!
Os olhos dela se arregalaram, surpresos.
–Muita coisa aconteceu aqui… em pouco tempo em que estive fora.
Ela viu o meio sorriso naquele rosto bonito.
Ele já a intrigara, mas acabou por se dar conta que ele apenas a admirava como uma profissional, nunca como uma mulher. Talvez bem no começo, mas ela parecia mais como uma fuga do que propriamente um interesse mais profundo. Com toda certeza, a dona de seu coração era aquela que estava gravada ali, naquela peça prateada de brilho ofuscante.
Ainda guardava um resquício de interesse, mas aquilo tinha sido um balde de água fria.
Jamais imaginou uma coisa daquelas. José Miguel casado, ainda mais depois que decidiu tornar-se padre!
Ela ficou sem palavras, depois de sua própria observação.
Quem seria a dona daquele coração de ouro? Por um momento se imaginou no lugar dela e sentiu uma pontada de tristeza.
Agora podia sair dali e estar aberta a novas possibilidades, ele estava inacreditavelmente indisponível.
–É alguém que conheço? — Sofia conseguiu por fim, desabafar.
–Acho que ainda não…
–Sofia?
–Oi Sandra! – Sandra, esposa de Felipe era a secretária de José Miguel, já que eram amigos há anos e ele confiava nela.
–De volta?
–Apenas dando um alô! Revendo os amigos.
Sandra olhou bem no fundo de seus olhos e viu uma certa melancolia. Certamente já havia descoberto sobre José Miguel! Ela sempre notou um certo interesse da loira em relação ao seu amigo. Agora era tarde!
–A Valentina saiu com o Greg para uma vistoria na nova casa de repouso que ela e Felipe estão construindo e... pediu para te avisar que depois vai direto para casa !
“Valentina? A mesma que fez a entrevista com ela???”
Então era ela? Já devia ter desconfiado, a aliança que ela usava era idêntica a dele!
–Tudo bem…. não devo me demorar também !
–Então … você se casou com ela ?
–Sim… há alguns anos!
–Parabéns!
–Obrigado, Sofia.
–Bem… eu já vou indo… foi bom ver vocês! — Ela não tinha muita coisa a fazer ali, já ouvira o bastante!
–Igualmente.
–Nos esbarramos por aí!
Eles sorriram com simpatia, depois Sandra se virou para seu amigo.
–Ela pareceu surpresa! Deve ter sido um susto para ela!
–Por que?
–Ora José Miguel… vocês dois nunca tiveram nada mesmo?
–Não! Fomos apenas bons companheiros. Gosto dela, mas não como está pensando!
Ela levantou as mãos se defendendo.
–Não está mais aqui quem falou! Além do mais… se a Valentina… ouvir, ela me mata!
Ele olhou para o relógio.
–Se não se importa, estou saindo… até amanhã Sandra!
A amiga ficou olhando para ele, com uma mistura de alegria e encantamento.
Ele parecia adoravelmente diferente. Aquilo se chamava “amor”!
….......
Ela estava em frente ao espelho, apenas de lingerie, olhando para seu perfil, quando ele abriu a porta. Parecia ter saído do banho.
Todo o cansaço que ele estava sentindo parecia ter se esvaído com aquela cena.
Embora disfarçasse o tempo todo, ele ainda se pegava rindo à toa, mesmo que discretamente.
–O que está fazendo?
–Imaginando quando minha barriga começar a crescer!
–Está ansiosa?- Ele se postou atrás dela e lhe beijou a nuca com tanta doçura que ela quase se derreteu feito gelatina.
–Não sei…. acho que sim!
Seus olhos se encontraram através do espelho e só então ela se deu conta do quanto ele parecia cansado.
–Puxa vida… Mi cielo… parece tão cansado!
Valentina se virou e o abraçou carinhosamente. Precisava cuidar dele, retribuir tanto carinho que recebia. Ele merecia cada gesto dela.
–Vá tomar um banho enquanto preparo um bom café para nós dois, depois quero você na cama para descansar bastante!
–Valentina… eu é quem tenho que cuidar de você!
–Que nada! Estou muito bem, não quero que se preocupe comigo… ou com os nossos bebês!
–Acho que não vou conseguir!
As mãos dele passearam pela barriga dela, um sorriso sonhador iluminou seu rosto, e Valentina teve vontade de carregá-lo no colo.
Ela abriu os botões de sua camisa o incentivando a entrar logo no banho.
–Vou preparar uma mesa bem gostosa para nós dois, estarei te esperando, não demore!
Fale com o autor