Nove Meses
15 Descobrindo...!
José Miguel estava dirigindo pelas ruas devagar, cheio de pensamentos, às vezes ele sorria, imaginando que em poucos meses estaria segurando seus pequenos nos braços.
Homens também sabiam sonhar com seus filhos. Com ele não era diferente.
Uma menininha, delicada, com os trejeitos da mãe, o jeito doce de olhar para ele, de estender os bracinhos cada vez que se aproximasse dela.
Ou um garotinho, que talvez mesclasse os dois, cabelos dele, olhos dela, ou talvez o contrário, mas que fosse a alegria daquela casa, a razão pela qual ele amasse ainda mais aquela mulher que tinha entrado em sua vida com o propósito de lhe dar felicidade.
Ele suspirou, enquanto esperava o sinal abrir pacientemente, batia os dedos no volante e olhava ao redor, o bairro próximo à fazenda era calmo e as crianças podiam brincar nas calçadas, andar de bicicleta, skate, patinete.
Valentina havia saído mais cedo, estava um pouco indisposta e cansada, o trabalho para ela estava começando a ficar puxado e seus pés inchavam com facilidade. José Miguel tinha algumas coisas para terminar e havia se demorado um pouco mais.
Seus olhos encontraram um menino com uma bicicleta de rodinhas azuis, sendo observado de perto por um homem, que deveria ser seu pai.
Um dia também passaria por aquilo. E viu que tudo o que mais queria era exatamente o que estava vivendo. Sentiu-se realizado e confortável.
…..
–Valentina?
A casa estava em silêncio, ela estaria descansando, teriam uma consulta logo mais à tarde.
Ele entrou devagar e ouviu um barulho estranho, parecia um choro.
– Valentina? — Ele repetiu, mas ela não respondeu.
Aproximou-se temeroso, ainda sem acender as luzes, notando que ela parecia ainda dormir.
Ela estava sonhando, encolhida de lado e agarrada ao travesseiro dele.
José Miguel tocou seus cabelos, enquanto notava seu corpo estremecer, era um sono ruim.
– Bonita?
– Hum…
Ela levantou a cabeça, os olhos pareciam molhados e ele ouviu um longo suspiro.
–Oi… eu… que bom que era apenas um sonho.
–Você estava sonhando…
Ela se sentou na cama e ele fez o mesmo a abraçando.
–Quer me contar?
–Foi horrível... Acho que estava muito cansada, meu corpo parecia pesado, alguém tirou um dos nossos bebês dos meus braços e o levou, não consegui alcançar… Mi cielo, não tive forças para lutar por ele.
–Calma… meu amor… está tudo bem…
–Sabe… quando era criança, sempre sonhava que alguém levava… minhas bonecas, meus brinquedos…
Ele entendeu que sua infância tinha sido complicada, talvez seu subconsciente estivesse apenas se defendendo, ela tinha uma coisa e mais uma vez sonhava que alguém tiraria dela! Era assustador.
Mas agora era diferente, ele estava ali, e nada de ruim poderia acontecer com eles, jamais permitiria. Ele teve uma ideia para afastar aquele clima ruim de seu pesadelo.
Com ela em seus braços, ele sorriu e a deixou perceber.
– No caminho de casa, fiquei imaginando o quanto me faz sentir um homem realizado, o quanto tem sido maravilhoso estar com você, com os bebês! Sabia que nunca me senti tão feliz em toda minha vida? Vi um garotinho com uma bicicleta minúscula e achei que quando fosse a minha vez, ia estar feito bobo, como o pai deles!
– Jura?
Ela enxugou as lágrimas feito uma criança com as costas das mãos.
– Um menino?
– É…
– Mas eu juro que imaginei uma menininha também… não me importo.
– Uma menininha teimosa na sua vida?
– Talvez tenha sorte e ela puxe a mim!
– Mas estava falando de você!
– Hey… assim não vale, não sou teimoso… sou…
– Cuidadoso! Quantas vezes já ouvi isso?
Ele sorriu e a embalou.
– Eu vou ser um bom pai, Bonita!
– Eu sei… Mi cielo… eu acreditei… desde a primeira vez que ouvi você dizer… e tenho orgulho disso! Bem… pensando bem… pode ser que eu tenha “três” homens teimosos na minha vida!
– Valentina… está sendo cruel! – Ela gargalhou alto.
– Estou brincando… está com fome?
– Não! Só muito cansado.
Ele se aconchegou na cama, a puxando para seus braços.
– Preciso de um tempo, algumas horas de sono, com você assim… bem pertinho, fique aqui comigo!
Eles se aconchegaram um nos braços do outro e acabaram adormecendo, esquecendo pesadelos e coisas ruins.
….......
– Como tem passado?
– Muito bem, Dr. Sergio, apenas um pouco mais cansada, meus pés incham com facilidade.
– Isso é normal, coloque-os para cima e massagens bem aplicadas são sempre bem-vindas!
– Tenho um bom massagista em casa!
Ela se virou para ele, tocando seu rosto, suas mãos estavam entrelaçadas e o médico percebeu o quanto eles pareciam ligados.
– Muito líquido e boas horas de sono.
–Tenho seguido à risca suas instruções, não se preocupe.
– Dr Sérgio e… quanto as relações sexuais? — Ela precisava saber e tinha a impressão que José Miguel estava ensaiando a mesma pergunta.
– Geralmente não há problema nenhum com elas, isso se torna um problema quando se trata de gravidez de risco, que não é o seu caso! Tem sentido desconforto, dores ou algo parecido?
– Não! Tenho me sentido ótima!
Valentina deu ênfase na última palavra e o médico sorriu, deixando José Miguel um tanto constrangido.
– Em geral, a libido aumenta durante esse período e a mulher pode até mesmo estar ainda mais disposta a manter relações. É muito comum sentir mais desejo, pois há um aumento da sensibilidade e da umidade natural. Quanto ás interrupções aconselho até duas semanas antes da data prevista. A partir daí, começa a haver a dilatação do colo do útero e uma relação poderia acelerar o processo. Isso porque o sêmen contém substâncias conhecidas como prostaglandinas que podem provocar contrações uterinas.
– Eu estava realmente preocupado com isso! – José Miguel confessou.
– Isso também é muito comum… noventa e nove por cento dos homens temem pelas mulheres. Se tudo corre bem, não há motivo nenhum para que o sexo seja evitado. Ao contrário. Ele deve até ser incentivado, pois é através dele que o casal pode exprimir afeto e cumplicidade, e particularmente acho isso fantástico! Meu conselho? Procurem uma posição confortável e desfrutem sem problemas!
…......
– E então… podemos saber desta vez? – José Miguel estava ansioso.
– Meninos ou meninas? — Valentina estava quase impaciente, segurando na mão de seu marido.
– Hey... Desta vez estão mesmo querendo aparecer! Parabéns, vai ser um garotão... e uma linda mocinha!
José Miguel olhou para ela e lhe beijou os lábios sem se importar com a “plateia”! O médico e uma enfermeira!
– Ai meu Deus, Mi cielo... nosso casalzinho! — Ela parecia quase fora do ar.
– Eles estão bem agitados. Sapecas!
O médico deu um sorriso que parecia estar gostando da brincadeira.
Um menino! Uma menina! Seus filhos!
– Existe a possibilidade de haver um engano?
– Isso poderia acontecer com a menina, mas dificilmente com meninos. E do jeito que ela está aqui, tenho cem por cento de certeza.
Eles estavam felizes, radiantes.
…......
– E então… você não imagina sua expressão de felicidade. Seu legado vai continuar!
Ele a ajudou a entrar no carro e depois deu a volta para se sentar atrás do volante.
– É… vai continuar! Mas estaria igualmente feliz se fossem só duas menininhas também.
Ela olhou para ele, parecia tão emocionado. Deus, amava aquele homem a cada dia mais!
– Vai poder levá-lo ao jogo?
– E quem disse que não pensei nisso, mesmo que fossem só meninas.
– Como é?
– Qual o problema?
– Nenhum… meninas são apegadas ao pai e não duvido nenhum um pouco que também levará ela.
Ele sorriu de novo!
– Temos que ir ao supermercado, teremos visita “surpresa”!
– Ai… Mi cielo, estava quase me esquecendo!
– Vou ligar para o Sabino e contar a ele, posso?
– Claro… e por falar nisso, queria conversar com você sobre uma coisa…
– O que é?
– Queria que ele fosse o padrinho de um dos nossos filhos! A minha tia Isabel poderia ser a madrinha junto com ele... Se você concordar, claro!
Ele virou a cabeça rapidamente para ela.
– Sério? Eu pensei nisso, mas… achei que resolveríamos depois. Isso me deixa muito feliz, será que eles aceitam?
– Não vai ligar para ele? Seria o primeiro a saber, isso conta bastante!
– Você acha?
– Claro amor!
Ele a olhou carinhosamente da maneira que ela mais amava, com o canto dos olhos brilhantes e a cabeça inclinada de lado.
Assim que estacionou no pátio do hipermercado, sacou seu telefone.
– Hey Sabino… pode falar?
– Claro… papai!
– Hum… papai de um garotão e uma menininha!
– Um menino e uma menina! Parabéns, José Miguel! Estou feliz por vocês!
– Bem… Valentina e eu… gostaríamos de saber se aceita ser o padrinho de um dos nossos filhos!
Houve um silêncio do outro lado da linha e José Miguel parou, bem na porta do estabelecimento.
– Sabino? Ainda está aí?
– Estou… eu…
Sua voz estava diferente, parecia emocionada!
– Acho que ele está chorando!- Ele sussurrou para sua mulher, tapando o fone com a mão.
Ela abriu a boca em surpresa e seus olhos também começaram a brilhar com vontade de chorar!
– Desculpe, José Miguel… não esperava por isso… é claro que eu aceito! E quem está pensando para madrinha?
– A dona Isabel!
– Tenho que te contar uma coisa, ela estava esperando por isso!
– Ela te disse?
– Não… eu percebi… estava ansiosa demais para saber!
– Puxa… isso foi bastante revelador. Acho que vamos falar com ela esta noite.
– Ah… não esqueça! Não conte a ela que fui um padrinho língua solta!
– Não se preocupe.
– Deixa eu falar com a Valentina!
– Ele quer falar com você!
– Oi Sabino!
– Olá, querida! Estou feliz por terem me escolhido, obrigado… de verdade, estou lisonjeado!
– Fomos nós quem ficamos felizes por ter aceitado.
– Eu... Tenho que ir, nos falamos depois…
Eles se despediram e ela se virou para seu marido retomando sua mão.
– Ele parece mesmo ter gostado!
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