Nove Meses
9 De volta
Notas iniciais
Aquela noite ela quase não conseguiu dormir. O cansaço era enorme e assim que o horário rompeu, ela pulou da cama, tomou um banho rápido e desceu para o salão, para se encontrar com seus companheiros.
–Ei … bom dia !
Samuel a abraçou carinhosamente.
–Vou sentir sua falta, gostei de reencontrar você, de verdade !
–Oh eu também…. obrigada Samuel!
–E cuide bem desses garotões aí!
–Garotões?
–Serão dois meninões!
–Que nada, vão ser duas menininhas moreninhas como pai!
Lucy havia reparado mesmo nele. Valentina sorriu em simpatia quando foi abraçada por todos.
Valentina tomou um táxi até o aeroporto e algumas horas depois, pousava em Pachuca.
Ela procurou seu marido por todo canto, mas não conseguiu encontrar.
–Acho que vou pegar um táxi.
Estava se virando para pegar sua mala quando sentiu alguém tocar seu braço.
–Senhora Valentina?
–Greg ? Cadê o José Miguel?
–Estou feliz em te ver também!
Ela sorriu, que falta de tato da parte dela.
–Oh… desculpe… Greg, estou feliz por estar de volta.
Ele era um garotão, de muito bom humor e que conquistava logo de cara a simpatia de todos. Ela tocou seu rosto com carinho.
–Assim está bem melhor! O senhor José Miguel ficou preso em uma reunião com os supervisores de cada setor da fábrica. Acho que teremos novidades.
–Como assim?
–Vamos, eu te conto no caminho. — Ele se abaixou para pegar sua mala.
–Está tudo bem?
–Sim… está.
Ela parecia ansiosa.
– Senhora, a senhora emagreceu?
–Acho que não! Talvez seja o contrário.
Ele olhou para seus olhos cansados, seus braços pareciam ainda mais magros e precisava olhar com bastante atenção para notar sua barriguinha proeminente. Talvez fossem suas roupas.
–Me parece tão cansada!
–O que é isso, Greg? Está recebendo extras do meu marido para me supervisionar?
–Não … hei … se acalme, foi apenas uma observação !
–Estou tão mal assim?
Greg não podia negar que ela parecia mesmo um tanto diferente, ele olhou diretamente para sua barriga, e instintivamente ela pousou a mão sobre ela.
–Meus bebês estão bem, antes que pergunte.
–Tudo bem … me desculpe …
Neste momento o telefone dela tocou.
–Valentina!
–Olá Bonita.
–José Miguel!
–Já está indo para casa?
–Sim.
–Desculpe não poder estar com você, terminei uma reunião agora mesmo.
Ela olhou pra Greg, com toda aquela investigação, não tiveram tempo de falar no assunto.
–Reunião de que?
–Política da empresa e algumas mudanças.
–Boas?
–As mudanças são satisfatórias, quanto à política, confesso que para nós dois foi bastante providencial.
–Estamos chegando em casa, você vai demorar ?
–Não muito, depois conversamos melhor. Eu te amo!
–Eu também te amo.
Greg estacionou e foi até o porta malas pegar sua bagagem.
–O Alex vai se candidatar a um cargo de maior visibilidade na fábrica, sugeriu algumas mudanças no departamento e está parecendo um político de verdade!
–Meu Deus! Isso parece assustador. — Ele era um bom funcionário, porém autoritário demais, ao ponto de às vezes esquecer de que ali ele é como qualquer outro empregado.
Seu amigo deu uma gargalhada alta, enquanto ela abria a porta.
De imediato sentiu um leve odor de tinta.
–Que cheiro é esse?
–Parece tinta.
–O que o José Miguel aprontou?
Greg levantou as duas mãos para cima e encolheu os ombros magros.
–Não faço a mínima ideia.
Ela caminhou até o quarto de hóspedes para confirmar suas suspeitas.
–Céus!
Seus olhos estavam surpresos e cheios de carinho. Greg estava logo atrás dela e parecia igualmente surpreso!
–Puxa! Ele parece mesmo engajado nessa nova fase! Ficou perfeito.
Valentina ficou calada, observando cada pedacinho daquele quarto. Suas mãos deslizaram pelas paredes de cor bastante suave, de efeito calmante.
–Que lindo!
A bicama estava arranjada de maneira a compor um equilíbrio no ambiente, havia bastante espaço e para surpresa dela, alguns bichinhos de pelúcia envoltos em sacos transparentes, jogados sobre ela.
–Aquilo é… uma aranha?- Ele confessou a ela uma vez que gostava de estudar a vida e o desenvolvimento de alguns animais e que das aranhas eram os mais fascinantes.
Ela desatou a rir, até que era bonitinha! As pernas enormes coloridas, o bichinho tinha uma carinha simpática e exibia um sorriso bordado em cinza escuro.
Haviam ainda um simpático leãozinho caramelo e branco, um enorme dado também colorido e um cachorro branco com manchas pretas e cara de preguiçoso.
–Hey!
Eles se viraram de repente para a voz conhecida à porta.
–Você fez isso sozinho?
–Sim!
Ela o abraçou se esquecendo da presença de Greg !
–Você não existe!
–Gostou?
José Miguel acariciou seu rosto com uma das mãos, enquanto pousava outra em sua barriga.
–Eu amei!
–Gente… preciso ir! Minha missão foi cumprida.
Eles mal ouviram, seus olhos estavam grudados um no outro. Ele sentira tanta falta dela!
–Eh.... eu … fecho a porta ...não se preocupem!
–Por favor… — José Miguel respondeu sem olhar para ele, estava hipnotizado pelo brilho ofuscante dos olhos dela, segundos depois ele se abandonou de vez a apertando dentro de seus braços e a beijando com uma vontade incontrolável, murmurando dentro de suas bocas unidas.
–Senti tanto a sua falta ….
–Eu também !
Por longos minutos, eles não se separaram. Sentir o gosto dela era tudo de que precisava, como se ela tivesse o ar para abastecer seus pulmões, a água para saciar sua sede e as batidas para manter seu coração vivo !
–Ei … estou ficando sem ar!
Ela desatou a rir quando, gentilmente, forçou as mãos em seu peito para afastá–lo e poder respirar!
–Desculpe, Bonita… eu…. eu… — Ele já não suportava mais!
–Como você está?- Ela quis saber, enquanto ainda abraçados, tocava seus cabelos, que parecia necessitar urgentemente de uma bom corte, assim como sua barba macia.
–Bem… eu é quem quero saber de você! — As mãos dele apalparam suas costas, sentindo os ossos das costelas mais proeminentes, depois deslizou pelos seus braços. -É impressão minha ou você me parece mais magra?
–Impressão…- Ela se sentia exausta, de verdade, mas admitir estava fora de questão naquele momento.
– Valentina ! Você tem se sentido bem? Não esconda nada de mim!
–Estou….
Ele segurou seu rosto entre as mãos e observou cada detalhe.
–Olheiras, essa não é a sua cor…
– José Miguel…
Ele pareceu nem ouvir o tom quase grave que ela usou para chamá–lo, estava preocupado, era visível a mudança de sua aparência.
–Por favor, Valentina… se não está se sentindo bem, me conte!
Era uma súplica, e por alguns segundos pensou em refutar, mas aquele olhar dele a desmanchou.
–Eu juro a você que é apenas cansaço e … nada mais.
Ele a apertou em seus braços, depois a levou para a sala, se sentando com ela.
Não era apenas ela quem tinha uma aparência esgotada, ele também!
–E você? Esqueceu o caminho da barbearia? Olhe só suas olheiras também!
–Estou realmente tentado a deitar naquela cama e dormir por uma semana... -Ele riu docemente. -Mas não é a mim com quem deve se preocupar!
–Nós tivemos atividades muito puxadas, eu confesso, mas me recupero facilmente, tem alguém que por acaso, vai estar no meu pé as vinte e quatro horas do dia.
–Está crescendo.- Ele pousou uma mão em sua barriga, sorrindo em adoração, depois depositou um beijo delicado ainda com aquele sorriso bobo nos lábios.
Ela balançou a cabeça afirmando e tocou seu rosto, o ouvindo dizer pela centésima vez.
–Sabe o quanto me…
–Preocupo com você. Mesmo que eu esquecesse, você me lembraria a cada instante!
….......
Valentina havia tomado um longo banho relaxante e vestido roupas confortáveis, enquanto ele preparava o almoço, regado a muitas verduras, suco de soja e algumas frutas.
Ela havia insistido para que fossem almoçar em algum restaurante, assim ele também descansaria, mas ele respondeu com simplicidade que queria estar na casa deles, com ela!
–Hum… o cheiro está ótimo.
Ele se virou para encontrar a doçura. Valentina vestia uma calça de agasalho fina em tom claro, uma camiseta branca que realçava sua barriguinha proeminente e prendera os cabelos.
–Que bom... está com fome? — Ele se sentou em uma cadeira e a chamou para seus braços, rodeando sua cintura.
–Um pouco! Quer que eu termine?
José Miguel distribuiu muitos beijos em seu ventre, depois acariciou bem lentamente cada pedacinho daquela forma arredondada bola que parecia tão graciosa.
–Não!
–Nada disso… vá tomar um banho, enquanto finalizo por aqui!
Com sua testa encostada nela ele disparou.
–A mamãe está brava! Vocês acham que devo obedecer? Mulheres devem mandar nos homens?
–José Miguel !!! Não influencie nossos filhos, se forem menina devem estar rindo de você!
–E se forem meninos, devem estar concordando comigo!
Algumas risadas e ele se levantou, beijou de leve seus olhos e desapareceu pelo corredor, assoviando uma canção que ela não conhecia.
Uma surpresa. Era a primeira vez que o ouvia assoviar alguma coisa.
Por alguns momentos, ficou imaginando o que seria de sua vida se ele não tivesse a procurado. Com toda certeza, estaria longe dali, buscando caminhos incertos, em lugares que talvez nem gostasse, apenas para se afastar dele.
Mas as coisas tomaram um rumo totalmente diferente. Um rumo delicioso que a fazia se sentia a mulher mais amada de todo o universo.
De repente, ela se lembrou das mudanças que pareciam acontecer na fábrica e a curiosidade foi maior. Desligou a chama do fogão, depois de conferir que estava pronto e partiu para o quarto.
O barulho do chuveiro denunciou que ele ainda estava no banho, ela empurrou a porta e se sentou em um pequeno banquinho funcional que mantinham no banheiro.
...
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