Notas iniciais
Eu gostei muito de escrever esse capítulo, demorei porque queria fazer bem feito e ando sem tempo também. Vlw pela paciência :v Só tive tempo de revisar uma vez, se encontrarem algum erro me avisem para que eu possa corrigir

–LAIS

Simplesmente amei o meu uniforme! Vesti uma camisa com mangas compridas que tinha bordado no peito uma árvore, símbolo dos Humanos, e uma saia cinza escuro de pregas, também enrolei no pescoço um cachecol de tricô cinza. Nem estava tão frio, mas gosto de me agasalhar.

As meninas também pareciam bem animadas com o uniforme, exceto a Letícia... Ela tentou inverter as cores e usar o branco como a principal cor da Classe, só que ainda assim existiam muitos detalhes em cor-de-rosa.

–Andem logo, a escola é grande e eu ainda tenho que terminar o projeto dos novatos. –Bia falou na maior pose, apoiada na porta do banheiro.

–Só um mais um minuto! –Pediu Letícia. Ela se pôs de frente para um dos espelhos e mudou novamente os cabelos, de ruivo cacheado para preto e liso até o meio das costas. –Desse jeito fica menos estranho com o rosa.

–Ai Letícia, esse truque é tão legal! Eu ia ter um cabelo diferente por minuto. –Comentou Tamires arrancando risadas da turma.

Saindo do banheiro encontramos Gui andando pelo corredor, provavelmente incomodado com a demora. O uniforme que ele usava era vermelho sangue com o ômega dourado bem grande no meio do peito.

–Finalmente! Vamos lá, quero conhecer tudo aqui. –Então ele olhou para Tami andou até ficar ao lado dela. –Olhem só, somos gêmeos.

O uniforme da Tamires era muito bonito, nas mesmas cores que o do Gui, só que nela era mais elegante. A camisa dela era sem mangas e tinha uma gola justa que cobria todo o pescoço e a camisa deixavam boa parte dos ombros à mostra e, é claro, o ômega bem grande. Acho que é coisa de Herói exibir o símbolo de forma mais chamativa, deve ser para mostrar orgulho ou a força da Classe.

–Acho que é melhor mostrar a vocês os terrenos da escola, a parte de dentro vocês vão conhecer no dia-a-dia. Primeiro vamos ver a quadra.

A quadra é muito grande e as arquibancadas devem comportar a escola inteira. Tinhas traves, cestas e várias marcações no piso dando a entender que era possível aproveitar o mesmo espaço para vários esportes diferentes.

–A maioria dos Humanos gosta daqui, nós nos damos bem nos esportes e eu não sou diferente, mas ficar me matando e correndo atrás de uma bola? Tô fora.

–Essa parte ficou pra Lais. –Disse Letícia.

–Bia é patricinha demais pra essas coisas. –Falei enquanto imitava o jeito da minha irmã andar e falar. -Todos seguraram um risinho, menos a Lê, ela se desmanchou em uma gargalhada alta e longa, do tipo que quem olha sem saber da situação não consegue dizer se ela estava rindo ou chorando, o que nos vez rir da risada estranha dela.

–Menina, o que foi isso? –Perguntou Tami tentando parar de rir segurando a barriga.

–Ela ri assim, lá em casa dava pra ouvir ela na casa dela quando tinha esses ataques. –Disse Gui depois de algum tempo tentando sufocar a risada.

–Ai gente, vocês são tão bobos. Vamos andando. –Bia seguiu na frente, chamando o restante de nós com um gesto de mão. –Já é quase hora do almoço e eu só vou ter tempo de mostrar mais um lugar a vocês, ainda tenho que terminar umas coisas...

–Aonde vamos agora? – Disseram Tami e Gui juntos.

–Vocês estando levando essa coisa de gêmeos bem a sério, hein. – Falei.

–Foi sem querer. –Respondeu Tamires.

–Nós vamos à Estufa das Fadas. Acho que nenhum de vocês vai ter aulas lá, mas é um lugar muito bonito. –Disse Bia respondendo a pergunta anterior.

–Eita! –Exclamou Gui.

–O que foi? –Perguntei

–Ah... É... Nada... –Respondeu ele, de forma evasiva, olhando sempre para a prima que o ignorava, distraída com o celular.

Percebi alguma coisa estranha no comportamento dele e quis testar para ver o que era... Deixei, todos aos poucos me passarem na caminhada, e assumi o final da fila, para poder prestar mais atenção no que ele e Letícia fariam. Não demorou muito até que a Metamorfa cochichar algo no ouvido do primo, “O que?” pergunta ele em seguida, alto o suficiente para alguém ouvir sem estar tão perto. Continuei nisso por mais um tempinho e logo fui descoberta. Letícia notou que eu os observava, digitou algo no celular e mostrou ao primo, ele leu, olhou para ela, depois para mim e concordou com a cabeça. Não falaram mais nada até chegarmos à estufa.

Ao pararmos diante da estufa, Bia olhou através do vidro procurando algo, talvez alguém (Lê e Gui ainda esquisitos).

–Pessoal, parece que não tem ninguém em casa, não podemos entrar, o tour acaba aqui. –Disse minha irmã. –Se quiserem podem ficar por aqui e dar uma olhada na escola sozinhos ou voltar para o prédio comigo.

–Ah eu quero continuar com o passeio. –Falei.

–É, eu também. –Tamires juntou-se a mim.

–Beleza, nos vemos no almoço. Não se atrasem, aqui os horários tem de ser seguidos.

Despedimos-nos dela e nos sentamos no gramado.

–Psiu, o que vocês estão armando? –Perguntei ao Herói e à Metamorfa.

–Nada. –Respondeu Gui.

–A gente veio aqui ontem depois do Carter nos levar até os dormitórios. –Letícia desembuchou.

–LETÍCIA! –Exclamou Guilherme.

–Aí uma estranha apareceu e mandou a gente sair fora. Ela saiu lá de dentro. –Contou apontando para a estufa.

–Ah entendi tudo! Vocês andaram por aí ontem, bisbilhotando a escola toda. –Supôs Tamires.

–Não, esse foi o primeiro lugar que viemos. Aí a cara-de-vela latiu com a gente e nós voltamos pros dormitórios.

–Ué? Era uma cadela? Pensei que fosse uma pessoa. –Disse Tamires.

–Era uma “pessoa”. –Corrigiu Lê fazendo gestos de aspas com as mãos. –Ao menos parecia.

–Mas o Gui disse que ela latiu.

–Ah lerdeza, modo de falar po! Ela latiu, rosnou e avançou em nós mesmo não sendo uma cadela. –Explicou Gui contando nos dedos o que a mulher havia feito e todos gargalharam.

–Vocês são doidos, eu não andaria por aqui sozinha assim, não sem antes conhecer as pessoas daqui... Essa escola é gigante, se alguém de der uma surra e te jogar na floresta pros Lobisomens terminarem o serviço, ninguém vai saber. Até darem falta, vocês já viraram adubo. –Falei mais para colocar medo neles do que por realmente pensar essas coisas.

–Lais, é seguro ficar aqui tão perto da floresta? –Perguntou Tamires receosa.

–É sim, durante o dia eles são amigáveis, eu acho. Só não cheguem muito perto... –Eu estava louca para rir, mas não podia estragar o momento e entregar a verdade, então mantive a expressão se seriedade no rosto.

–Isso aqui ta ficando cheio né? Tem bastante gente chegando. –Disse Letícia depois de algum tempo.

–Verdade. Olhem ali, aquela menina parece meio perdida. –Comentei indicando com a cabeça uma garota muito alta para a idade (aparentava ter a mesma idade que eu), pele negra e cabelos castanhos e enrolados que iam até um pouco abaixo dos ombros, onde ficavam mais claros. –Vamos falar com ela!

–Vão vocês, vou ficar por aqui mesmo. –Falou a preguiçosa Letícia sacando o celular de um dos bolsos e pondo-se a digitar.

Andamos até a menina, ela havia parado em frente a um daqueles mapas que indicam sua posição para tentar decifrá-lo.

–Hiii! My name is Lais, this is Guilherme and Tamires. What's your name? You seem to be lost, can we help you?

–Hi, my name's Ester. I'm new here and, yeah... I can't find my room. –Respondeu a menina. Perto dela eu pareço um gnomo por causa da diferença das nossas alturas [Risos].

–Well, pleasure to meet you. So, Ester, what's your class? –Tamires parecia entender quase tudo o que eu dizia, Gui mostrava esforço, mas dava pra perceber que ele estava voando.

–I'm a Wizard.–Disse enquanto recolhia as malas do chão.

–Pode deixar que eu levo, menina. –Guilherme tomou a bagagem das mãos dela. –Pra onde levo?

–O nome dela é Ester, seu banana! Isso você deveria saber, não é tão difícil. –Ralhei de brincadeira (Ester ria graça da situação).

–Ah Queixo, eu nem prestei atenção... Pra onde vamos com isso?

–Dormitório dos Feiticeiros. –Respondi

–Exchange students? –Ester Perguntou.

–Yeah, we just got here last night, we came from Brazil. -Tamires respondeu antes de mim.

–Cool! And he doesn't speak english? –Ester perguntou quando entrávamos na mansão.

–Nope, he don't. And also does not his cousin. –Falei. -And knowing him as I do, I bet he'll try to teach portuguese to everybody here, but will not "be defeated" and try to learn some english. –As meninas riram e eu acabei rindo junto, apesar de não ser bem uma piada.

–Vocês estão rindo de que? Ouvi meu nome, sei que estão falando de mim. –Disse Guilherme se atrapalhando com as malas ao passar por uma das portas.

–Quer saber? –Tamires perguntou de forma sínica. –Aprende.

–Você tem que dançar conforme a música. –Completei rindo.

–What are you saying? –A Feiticeira quis saber.

–Oh, nothing really, just mocking with him.–Respondeu Tami apontando para o Gui com o polegar. Ele seguia frente do grupo andando a passos largos... Zangadinho provavelmente.

Quando chegamos ao dormitório, Ester agradeceu a companhia, abraçou todos nós, se despediu e entrou. Então nos viramos para voltar e encontrar Letícia, a porta do dormitório tornou a abrir, e de lá surgiu outra vez o rosto de Ester.

–See you soon, guys. -Gritou -At the First Festival!

–Bye, Ester! -Falei

–See you later! -Disse Tamires.

Gui só acenou. -Ela parece legal, mas não entendo droga nenhuma que ela diz.

–E quando você entende, garoto? –Tamires alfinetou.

–Boa pergunta. –Concordei.

–Touché! –Ele respondeu.

–---------

O restante do dia seguiu normalmente. Almoçamos cada um na mesa de sua respectiva Classe, eu detestei isso, quero sentar onde eu tiver vontade (!), tive que ficar longe dos meus amigos, tudo bem que porque eu faço amizade depressa, só que ainda assim queria poder me sentar onde me der vontade, eu hein!

Como eu ia dizendo, o dia foi normal. Almocei bem e provei um pouco de cada coisa, vi Letícia comendo só as sobremesas enquanto Tamires e Guilherme também experimentavam cada um dos pratos, não consegui ver Ester na mesa dos Feiticeiros que agora estava bem cheia de alunos e minha irmã não apareceu pra almoçar.

Agora eu estou de volta à mesa dos Humanos, ainda faltam alguns minutos para o inicio do Primeiro Festival, e o salão já está lotado, então creio que todos os alunos já chegaram e se alojaram. O barulho das conversas estava bem alto, assim como as risadas.

Duas pessoas estavam de frente para as mesas das Classes. Vai começar! Luzes fortes caíam sobre as silhuetas, olhando melhor dava pra ver que uma pertencia a um rapaz e a outra, a uma moça. Uma música começou a tocar e as luzes diminuíram um pouco permitindo que eu enxergasse melhor o palco e as pessoas sobre ele.

Os dois vestiam roupas brancas, e usavam um capuz na cor rosa para cobrir o rosto. Ambos abaixaram o capuz ao mesmo tempo. São gêmeos.

A apresentação começou com a menina contando uma história que ninguém estava entendendo sobre um tal de Gineu não-sei-do-que enquanto o menino ficava parado, logo depois surgiram mais dois garotos inteiramente de branco incluindo o capuz. Eles seguravam um aro prateado e eu não entendi de início, mas o a aro representava um espelho. Vou explicar melhor: os de branco seguravam o aro e enquanto a menina contava a história o irmão do outro lado dublava o que ela dizia. Aos poucos ele foi se transformando na irmã e parando de dublar, passando a usar a mesma voz da menina. No fim da história os quatro se curvaram para o público (os gêmeos em uma reverência muito exagerada e engraçada), e se retiraram. Apresentação dos Metamorfos nota dez, não acredito que a Bia perdeu isso! Todos aplaudiam e assobiavam.

Dando sequência, um trio composto por duas moças e um rapaz, todos pálidos como velas, vestidos com roupas de cor azul-marinho (que pareciam ser de séculos passados), subiu ao palco. A menina da esquerda era a mais pálida, usava um piercing do lado direito do lábio inferior e tinha cabelos vermelhos e lisos que caiam até a cintura, a da direita era a mais baixa do trio, tinha cabelos louros que desciam até a metade das costas e escondia um dos olhos atrás de uma franja, o garoto no meio tinha cara de azedo, expressões fechadas e parecia ser bem arrogante, os cabelos eram muito escuros e contrastavam com a pele branca.

Então o rapaz começou a cantar ópera (bem... eu não sei o que era, mas acho que é ópera), e as duas meninas o seguiram no canto. Tinham vozes bonitas, porém a música que escolheram era muito caída e parecia sinfonia de funeral. Quando terminaram, boa parte do salão aplaudiu (sem o ímpeto de antes, mas aplaudiu), o mais estranho foi que a própria mesa que usava aquela cor entrou em guerra. O lado direito aplaudia e o esquerdo vaiava. Foi aí que percebi que todos na apresentação eram Vampiros... Não havia nenhum Lobisomem representando a Classe dos Noturnos. Esse era o motivo da briga e, creio eu, esse evento irá repercutir o ano inteiro... Principalmente se os Lobisomens foram impedidos de participar, como eu imagino que aconteceu.

Agora chegou a vez dos Feiticeiros. Na ponta esquerda do palco estavam Carter e um garoto alto e magro usava óculos e tinha um totem de raposa laranja (como eu enxerguei? Desde o começo das apresentações eu saí do meu lugar e andei até ficar ao lado do palco). E no outro extremo estavam duas garotas, a que estava de frente para o Carter tinha usava um totem de lobo que brilhava roxo, ela tinha cabelos muito vermelhos e cacheados que quase tocavam a cintura... Ao lado dela, estava uma menina levemente mais alta que a primeira, o totem dela era uma ampulheta, ela tinha cabelos negros e ondulados que iam até pouco abaixo dos ombros e também usava uma maquiagem escura.

Carter e o garoto criaram bolas de fogo, miraram, e jogaram nas garotas (esse foi um daqueles momentos que todos se assustam e prendem a respiração), só que elas estavam prontas, e antes que o fogo as tocasse ele foi minguando até desaparecer por inteiro. Os rapazes agora jogavam rapidamente várias bolas de fogo enquanto as meninas as vaziam murchar e desaparecer. Para o ato final, eles fizeram um jato contínuo de fogo com as mãos estendidas na direção das moças que continuaram anulando a magia dos dois, avançavam em direção a eles também com as mãos esticadas para frente. O fogo continuava a desaparecer a poucos centímetros das mãos delas. De repente, como se houvessem se cansado de brincar com os dois marmanjos, as garotas correram até eles e quando as mãos delas tocaram nas deles o fogo acabou de vez, e os totens se apagaram... Na verdade “o totem”... Carter não estava usando o dele, deve ter perdido. O grupo de Feiticeiros deixou o palco sob fortes aplausos.

Dando continuação ao espetáculo, um grupo enorme. Eles formaram um cordão de isolamento e afastaram as pessoas de perto do palco, lá em cima dois garotos armados cada um com uma espada e um escudo além da armadura, preparavam-se para lutar. Alguns dos que isolavam a área ergueram estandartes com o característico ômega dourado sobre o fundo vermelho berrante dos Heróis.

A luta começou, e logo de início um dos gladiadores quase perdeu a cabeça, ele esquivou se abaixando de um golpe que o atingiria em cheio no pescoço, quem pagou o preço foi o elmo, saindo do golpe com a penugem em frangalhos, mas ele não deixou barato (!) saltou de onde estava sobre o oponente atingindo-lhe no rosto com o escudo. A mesa vermelha vibrava com a adrenalina causada pelo duelo. Em seguida, foi empurrado para trás com um chute bem dado no peito... De onde estavam, os dois partiram brandindo a espada e urrando como bárbaros na direção um do outro. Desta vez o do elmo depenado foi esperto, interrompeu a corrida e passou uma rasteira no rival, que na queda perdeu o escudo. Daí o do elmo estragado também se desfez do escudo para equilibrar a luta e agora armados só com espadas os dois se atacavam e gargalhavam a cada golpe que acerteiro no oponente. A luta terminou quando o garoto do elmo depenado atingiu o queixo do outro em um golpe de baixo para cima arrancando-lhe o capacete e finalizando com um chute no peito que o jogou de costas no chão. A espada deslizou para longe e o derrotado disse algo estranho que eu não entendi e sorriu para o vitorioso quando este lhe ajudou a levantar-se do chão.

Depois que os lutadores se retiraram junto com o cordão de isolamento e os urros dos Heróis cessaram foi a vez dos Caçadores subirem ao palco.

Eram seis garotos ao todo vestindo calças camufladas e camisas laranja, três armados; um com arco e flechas e os outros dois com espingardas. Os três restantes ficavam fora do palco e eu não entendi o que faziam ali até começarem.

Os desarmados abriram cada um a mochila que carregava e de lá tiraram vários objetos como bichos de pelúcia, jarros de cerâmica e cadernos velhos. Esses objetos eram jogados sobre as pessoas das mesas e antes que caíssem na cabeça de alguém, eram atingidos por tiros ou flechas. Era uma apresentação muito impressionante e muito bem planejada, só que perigosa demais e ninguém gosta de ter tiros zunindo tão perto de suas cabeças.

Agora só faltavam os Humanos, a apresentação deles é a que eu mais quero assistir. As luzes enfraqueceram por cerca de cinco segundo e logo em seguida aumentaram tanto que faziam doer os olhos e junto a isso veio uma música instrumental baixinha. Daí a iluminação tornou a enfraquecer, permitindo que eu enxergasse no palco duas silhuetas, a da esquerda era de um rapaz e a da direita a uma garota. Quando a claridade enfim voltou ao normal, eu fiquei pasma, o garoto eu desconheço, mas a moça era minha irmã, Bia! Isso explica as ausências dela e também a pressa.

O show ia começar, então que o menino se sentou em um banquinho e alguém na platéia passou um notebook a ele. Bia continuava de pé com os braços cruzados e bocejando. Pelo que entendi, ele trocou a música instrumental de antes por uma eletrônica mesmo sem usar o painel de áudio e também fez as luzes piscarem em várias cores, o Humano havia transformado o salão em uma balada.

Os alunos gritavam de euforia, mas logo cessaram quando o ritmo mudou. Bia pegou o próprio celular do bolso e começou a mexer no aparelho, em seguida as luzes mudaram para um tom delicado de verde e a música eletrônica para uma valsa muito bonita. Cinco segundos depois, a balada voltou e o menino sorriu para minha irmã, que não se deixou abalar (!), jogou os cabelos loiros para trás, e com poucos toques no celular trouxe de volta a música que escolhera.

Eles estavam hackeando o sistema de iluminação e áudio do salão (O funcionário que operava a mesa de som tentava restaurar a música instrumental, mas ela não durava nem dois segundos e voltava a ser substituída pela valsa ou pela eletrônica), e ao mesmo tempo hackeavam um ao outro, fazendo com que a música e a luz mudasse em um piscar de olhos!

Dessa vez parecia que era o golpe final da Bia. A valsa continuava a tocar por uns trinta segundos ininterruptos e o menino já parecia estar perdendo o controle da situação, suor escorria por sua testa.

Eu estava perto o suficiente e pude ouvi-lo gritar –You don't REALLY think I'm gonna lose, do you? I win or no one does!

Então do bolso da calça ele sacou um pendrive e plugou no notebook, em seguida teclou um comando rápido. A valsa começou a falhar, assim como a iluminação até tudo pifar e se apagar completamente. Ali no breu, luzes de emergência acenderam e os dois davam risadas.

–I can't believe it! You are a terrible loser. –Disse Bia entre risos. -I had it under control.

–'Till the virus spread... Come on, give me the credits for that, it was a good strategy! –Disse o Humano.

Bia rebateu -This is really a loser's tactic. I win or no one does!–Disse imitando a voz do outro. O garoto deu ombros e começou a deixar o palco junto com minha irmã debatendo o uso do vírus.

Ainda sob a iluminação das lâmpadas de emergência o diretor da Academia Woodhand subiu ao palco. Ele disse muita coisa e eu já esqueci. Parabenizou cada Classe por sua apresentação, deu boas vindas aos alunos novos e todo esse bla bla bla de volta às aulas. O Sr. Woodhand é bem humorado, mesmo a apresentação dos Humanos tendo deixado parte da escola no escuro ele manteve o sorriso no rosto e fez piadas sobre a o fato. Carter teve a quem puxar.

Enquanto todos jantavam, o menino Humano da apresentação e minha irmã junto com outros alunos da mesma Classe conseguiram restaurar a energia e o salão tremeu quando os alunos gritaram e assobiaram comemorando a volta da luz.

Terminei meu jantar e fui procurar os outros do lado de fora, mas era tanta gente junta que eu acabei desistindo. Quando me virei para voltar ao salão, dei de cara com Letícia, e juntas fomos procurar os outros. Circulamos pelo salão e encontramos Gui e Tami, na mesa dos Heróis rindo animados junto com os outros de sua Classe, estavam falando da luta e comendo, e assim que nos viram se despediram dos novos amigos e andaram até onde estávamos paradas.

–Essa galera é muito animada, nossa! –Comentou Guilherme animado.

–Eles disseram que vamos descobrir quem é nosso patrono hoje antes de irmos dormir! –Contou Tamires. –É como se fosse outro Festival, só que esse é reservado aos Heróis.

–Também vão nos entregar a espada e o escudo, eles disseram que escudos são pra medrosos, e que quase não os usam. –Gui acrescentou.

–Uhul. –Disse Lê com a voz carregada de tédio, porém só eu a ouvi.

–Que bom que estão animados, é bom ir dormir cedo porque amanhã começam as aulas. –Aconselhei.

–Depois da cerimônia do patrono eu vou me deitar, o dia foi cansativo. –Disse a Heroína.

Assim que a frase foi dita, os Heróis começaram a deixar o refeitório falando alto, rindo e empurrando uns aos outros.

–Estão indo! Tchau galera, amanhã nos falamos. –Gui disse e correu em direção aos Heróis arrastando Tamires pelo braço.

–Aposto que um deles vai tropeçar. –Letícia falou rindo e eu ri junto.

–Já fez algum amigo nos Metamorfos? –Perguntei a ela.

–Alguns. –Ela respondeu sentando-se em um dos degraus.

Tentei puxar assunto algumas vezes, porém é difícil conversar com Letícia por muito tempo, ela dá respostas curtas e não faz novas perguntas. Não faz por mal, é o jeito dela.

Agradeci mentalmente quando Bia saiu do salão e me chamou para ir para o dormitório. Ela disse que precisava da minha ajuda no tão falado projeto para ajudar os novatos a se enturmarem.

Daí eu me despedi da Lê e andei com minha irmã até o dormitório.

Notas finais
Finalmente saiu! Kkkk um super obrigado para a Heroína Mariana Upneck pela grande força com a chatice do inglês, e obrigado também aos meus amigos que cobram a fanfic e não me deixam boiar em preguiça! Nesse capítulo consegui inserir mais alguns amigos e um dos personagens participantes do concurso OMNI, Nossa queria Ester (que na fanfic irá se chamar Naomi, porque uma das minhas amigas se chama Ester kkkk) criada pela Regiane Belmonte. Outros amigos meus entrarão na história em breve :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.