Novas Realidades Talvez Existam
1 "Mas espera, esse não é o meu quarto"
Pov Natalie
Eu acordei. Eram 5 da manhã ainda. Dormi pouco. Se vocês querem saber, eu tenho insônia, e bom, insônia é igual a mim acordada de madrugada, pensando em uma vida perfeita, porque, a minha, infelizmente não é.
Prazer, Natalie, 16 anos, terceiro ano do ensino médio, apaixonada por um trouxa, órfã.
Querem saber a minha história? É o seguinte, quando eu tinha 9 anos, meus pais, e minha tia, que era próxima de nós naquela época, sofreram um acidente. Meus pais morreram. Minha tia morreu na cirurgia. Aquele dia eu e Kate,minha priminha que tinha cerca de 6 meses, estávamos com a minha vó, que também já é falecida.
Trágico, eu sei. Mas é a realidade, e como todos sabem, nós não podemos fugir dela.
Ok, coloquei os fones de ouvido, e viajei pro meu mundo. Bom, no meu mundo, todas as mulheres usavam vestidos longos, tinham belos e longos cabelos, e eram bonitas ao natural, e não como é a realidade, massa corrida na cara, e silicones no peito e na bunda. Sim, o meu mundo é baseado na idade média, e eu adoraria viver naquela época.
Depois de musicas, e viagens, eram 6 horas, e eu tinha que me arrumar para a escola, mais conhecido como o inferno, então, era o primeiro dia na escola.
Não.
Coloquei uma blusa um pouco larguinha, branca, uma calça boyfriend, e meus tênis velhinhos da nike. É, até que da pra aproveitar a herança dos meus velhos. Me olhei no espelho, vi meu liso cabelo preto caindo pela minha bunda, passei um rímel, um gloss, e eu fui né.
Peguei minha bolsa, vi se estava tudo bem com a Kate, e lá fui eu. Cheguei na escola e vi ele se comendo com uma menina no armário. Como eu ainda posso ser apaixonada por ele? Eca!
Eu, super mega equilibrada, como sempre, tropecei em meio dos meus próprios pés, e cai. Claro, todos riram de mim, inclusive ele.
“Será que é tão cega que não vê por onde anda?”
“Eu queria ser cega surda e muda, pra não olhar na tua cara, não ouvir tuas palavras imprestáveis, e pra não perder meu tempo responde-las” eu disse, enquanto me levantava, e claro, saí desfilando, porque né... Logo ouvi um berro:
“Noooooossaaaaaa, eu não deixava” isso mesmo cara, ótimo jeito de começar uma briga. Ele só deu uma risada, me olhou com um olhar de desprezo, como se eu não fosse nada, e saiu.
Primeira aula: literatura. Legal, até que eu gosto de escrever.
“Ok gente, hoje vocês podem fazer um texto sobre romance em no mínimo 40 linhas.”
Então ele falou: “Mas teacher, eu não tenho uma dupla”.
“Primeiro Rafa, eu não sou professora de inglês para me chamar de ‘teacher’, e segundo, pode sentar com a Srt. Gomes.”
Comigo? Não, não, não, não, e não.
Passaram uns 15 minutos das aulas e ouvi meu nome sendo chamado novamente: “Srt. Gomes, o Sr. Antonio, o novo guarda da escola, está na porta, e pediu para ter uma palavrinha com a senhorita.”
“Tudo bem já estou indo.” Respondi totalmente confusa.
Sai de sala tentando ser o mais discreta possível.
“Srt. Gomes, essa aqui é sua irma?”
“prima, mas diga.”
“Ela veio a secretaria da nossa escola informar que precisava falar urgentemente com a irmã dela. Então ela nos deu seu nome. Bom, vou deixar as duas sozinhas, qualquer coisa é só chamar.”
“Tudo bem, obrigada Sr. Antonio (?)” ele só me deu uma resposta de sim com a cabeça.
Então me virei para Kate, e perguntei o que ela queria.
“Nat, eu vim, porque eu tava com medo.”
“Medo do que Kate?”
“Eu tava ouvindo uns barulhos estranhos em casa”
“Que tipo de barulho pequena?”
“Eu não sei explicar, mas pareciam passos e arranhões nas paredes”
“Não tinha ninguém em casa além de você, como poderiam ser passos?”
“Eu não sei, me desculpa”
“Tá tudo bem”
Que tipo de barulho? Deve ser coisa da cabeça dela, impossível ter esses barulhos. Então o sinal bateu e Kate disse a mim que estava com fome.
Fomos a cantina que é perto da quadra onde os meninos estavam jogando futebol, inclusive ele. Pegamos uma barrinha de cereal, e sentamos na arquibancada, Kate também tinha uma paixão pelo Rafa desde quando namorávamos a dois anos atrás. Ela o adorava, e ele a adorava, era fofinho. Então ela o viu no campo, e foi correndo gritando “Rafa, Rafa!”. Ela estava no meio do campo, e eu estava atrás dela, ela poderia se machucar, vi ela o abraçando, e vice versa, então não enxerguei mais nada, apenas uma escuridão.
Acordei na enfermaria. Disse que era pra mim ficar de atestado pelo menos uma semana. Eu sai da escola, e não estava nem um pouco afim de ir pra casa com Kate, então fui a uma pracinha velhinha e abandonada que minha mãe costumava me trazer antes do ocorrido. Sentei num balanço, e fiquei lá, examinei o ambiente, e percebi que tinha um gato preto como a noite, com os olhos verdes como a grama. Ele me olhava com cuidado. E eu também. Ele era lindo demais.
Kate me distanciou dos meus pensamentos dizendo que queria ir pra casa, então nós fomos. Anoiteceu. E lá estava eu, deitada novamente na cama, revivendo mil e uma vezes o acidente da minha família. Era 2:30 da manhã, resolvi ir dormir. Puxei uma coberta mesmo não estando muito frio, pois eu não consigo dormir sem uma. Então comecei a ouvir passos ecoando pelo corredor, e aqueles arranhões esquisitos quais Kate tinha me falado. Não me importei muito e peguei no sono.
Sonhei que estava sendo perseguida, por um monte de guardas, como se fossem guardas do palácio, e eles diziam “pra onde vai a protegida do rei?”. Então eu acordei, mas espera, esse aqui não é o meu quarto. Olhei ao meu redor, e parei para a olhar aos pés da cama, tinha um espelho, então uma figura negra saiu de dentro dele, e foi se aproximando, o que era aquilo afinal?
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