Novamente Herói.

15 Uma nova aliança é formada.


Notas iniciais
Bom, apaguei o capitulo anterior, porque, como já disse, não tinha gostado dele. Esse ta maior e espero que gostem.
já vou adiantando: o cato não morre hahahhahaha

No meio da noite fomos acordados por 13 tiros de canhão. No céu, a insígnia da Capital apareceu e anunciou os mortos: garota do 3, os dois do 4, garoto do 5, os dois do 6, garota e garoto do 7, os dois do 8 e 10. Muitos.

Quando Glimmer me acordou, o Sol já estava no céu. Ela estava ao meu lado, sentada com as pernas esticadas. Tinha prendido seu cabelo em um coque, mas agora já estava quase desfeito e, mesmo assim ela estava bonita. Eu ainda estava deitado, com a espada na mão.

Ao nosso lado, Clove dormia enroscada com Cato e Marvel dormia de pernas abertas, bem próximo da fogueira. Glimmer olhou para Cato e Clove e perguntou:

- Já teve alguém assim?

- Ainda tenho. – falei, me sentando.

- Katniss? – ela perguntou, ainda olhando o casal.

- Não. Annabeth é o nome dela. – contei, sabendo que não havia motivo para mentir.

- Um nome bonito. – Glimmer falou sorrindo. – Como ela é?

Fiquei em pé e perguntei para Glimmer:

- Quer comer alguma coisa?

Ela fez que não com a cabeça e apontou com o pé para uma maçã parcialmente comida perto dela. Entendi o que ela queria dizer e caminhei até os mantimentos. Peguei uma maçã de uma sacola e depois a coloquei no topo da pilha.

Eu podia jurar que havia sentido a presença de mais alguém. Mais algum semideus. Isso parecia impossível ,então ignorei e me sentei ao lado de Glimmer novamente. Já ia responder sua pergunta sobre Annabeth, mas ouvi galhos se quebrando na floresta, em algum lugar perto de nós.

Fiquei em pé no mesmo instante, mas Glimmer não parecia ter ouvido. Ela me olhava como se eu fosse maluco e quando abriu a boca para falar alguma coisa, fiz sinal para que ficasse em silêncio. Ouvi novamente galhos e, dessa vez, Glimmer também.

Eu fiz sinal para que ela acordasse Marvel e ela fez isso. O garoto resmungou, mas ao me ver com a espada na mão caminhando lentamente até o lugar do som, ele também ficou em pé e agarrou sua lança, que estava ao seu lado.

- Por favor não atire! – uma voz gritou do lugar aonde os galhos se quebravam.

- Me dê um bom motivo. – Glimmer gritou de volta, apontando o arco para lá.

O grito de Glimmer acordou Clove e Cato. Um garoto saiu de trás das arvores. O garoto do 3. Antes que eu pudesse evitar, Clove ficou em pé com um pulo e tacou a faca no garoto, que se safou por pouco. Quando ela atirou, ele previu o que ia acontecer e se escondeu atrás das arvores novamente.

- Merda, Clove. – gritei. – Deixe o garoto falar.

O garoto saiu de trás das arvores e se aproximou um pouco, poucos passos. Pelo menos agora não teríamos que nos comunicar gritando. Ele era branco, magro e com cabelos pretos. Parecia um pouco comigo, quando eu tinha apenas 11 anos.

- Meu nome é Mercur. – o garoto se apresentou.

- Ninguém se importa. – Cato gritou, enfurecido. – Fale logo o que quer, antes que eu vá aí e arranque a sua cabeça.

- Deixei que eu faça isso. – Clove pediu, com um sorriso maldoso no rosto.

Cato passou o braço ao redor do ombro de Clove e a garota sorriu.

- Continue. – falei.

- E se eu falasse que vocês não vão mais precisar se preocupar com a segurança da comida?

- Temos sentinelas. – informei.

Mercur sorriu debochando e Cato imediatamente encarou Marvel, como se algo ruim tivesse acontecido e a culpa era toda e somente dele. Marvel fez cara de ofendido e preparou-se para defender-se, caso Cato o atacasse. Antes que os dois começassem uma briga, Mercur falou:

- Foi no turno dele. – e apontou para mim.

Eu levantei as sobrancelhas, em completo ceticismo. Era obvio que isso não havia acontecido, eu tinha pegado meu turno fazia dez minutos.

- Ele acabou de pegar o turno dele. – Glimmer falou rindo. – Vamos, você conseguia mentir melhor.

- Sei que ele acabou de pegar. Quando ele pegou a maçã, ficou de costas durante alguns minutos. E, como você estava distraída, a garota do 5 conseguiu furtar uma faca e um pão.

O pior é que eu sabia que ele estava certo. Eu havia realmente sentido a presença de mais alguém, apesar de pensar que fosse um meio sangue. Cato sacou seu facão e estava indo na minha direção, mas Clove se intrometeu, perguntando para Mercur:

- Proteger exatamente como?

- Antes de a contagem estar completa, quando íamos entrar na arena, os idealizadores ativaram minas ao redor da cornucópia. Desse modo, se alguém tentasse sair antes da hora, explodiria. Eu conseguiria facilmente recolocar essas minas em posições estratégicas, ao redor dos mantimentos, e depois as ativar novamente. – garoto falou com confiança.

Cato ergueu as duas sobrancelhas e sorriu, visivelmente a favor da ideia. Antes que Cato pudesse aceitar a proposta, Marvel se pronunciou:

- E como faríamos para pegar os mantimentos?

- Eu as desativaria. – o garoto falou como se fosse obvio e Cato riu do olhar de ódio que Marvel lançou para Mercur.

- Isso seria intere... – Cato começou a falar, mas Clove o interrompeu:

- Você sabe que se fizesse alguma besteira estaria morto, não sabe? Eu juro que eu mesma arrancaria seu coração com a mão, se preciso.

O garoto empalideceu por um segundo, mas logo ficou confiante novamente e deu de ombros. Afirmou que não faria nenhuma besteira. Duas horas depois, a mina esta novamente instalada. Cato pareceu estar contente com o resultado e, então, tirou o facão do cinto.

Aparentemente, o garoto não era mais útil. Cato caminhou com a faca na mão até o garoto, que estava de costas para ele. Previ o que ia acontecer, então avisei, me colocando entre os dois:

- Como você pretende pegar a comida depois que matar ele? Só ele e Deus sabem como desativar essa merda de mina.

Cato parou no momento que ouviu minhas palavras. Ficou em silêncio por alguns segundos e eu quase podia ouvir as engrenagens da sua mente trabalhando para pensar. Quando percebeu que eu estava certo, deu um passo para frente e parecia pronto para arrancar a minha cabeça. Sabia que em uma luta entre nós dois, eu venceria, então permaneci olhando desafiadoramente para ele.

- Percy está certo, Cato. – Clove falou, evitando uma provável morte.

Cato se afastou. Seus ombros ficaram tensos por um segundo, mas então se virou para Clove e tinha sua confiança costumeira. Era engraçado o que o amor fazia. Marvel falou:

- Agora que está tudo certo, podemos sair para “caçar”.

Merda. Ele tinha razão. Agora eu não precisaria ficar protegendo a cornucópia como antes. Eu queria que esse jogo acabasse logo e não via a hora de voltar para casa. Estava com esses pensamentos na cabeça quando o canhão soou mais uma vez. 14 mortos em dois dias.

Cato sorriu, acompanhado de Clove.

- Vamos, então? – Glimmer perguntou.

Cato sacou seu facão, Clove pegou uma de suas facas, Marvel preparou sua lança, Glimmer pegou seu arco e um facão, um pouco menor que o de Cato,e eu saquei minha espada. O garoto do 3 ficaria, assim ele evitaria que alguém chegasse perto demais. Entramos na floresta, enquanto todos, menos eu, riam e conversavam.

Eu sentia o rio perto de mim e torcia para que não virássemos para lá, sabendo que Katniss estaria ali. Ela com certeza iria seguir o conselho de Haymitch e ficar perto da água. Eu estava rezando em silêncio quando ouvimos um grito de dor vindo do lado direito, o lado do lago. Praguejei baixinho.

- Opa, opa. – Cato zombou. – Vamos mudar a nossa rota, então.

Ele virou e começou a caminhar na direção do rio, com Clove ao seu lado. Marvel e Glimmer foram depois, eu hesitei por um momento, mas por fim os acompanhei. Se fosse Katniss, não deixaria que ninguém a fizesse mal.

Quando conseguimos ver o rio, vi também Katniss. Ela estava deitada no leito e seu rosto estava pálido. Ela parecia bastante machucada. Foi então que eu percebi, bem perto de onde estávamos, era possível ver uma grande linha de fumaça que começava na floresta e terminava no céu.

Aquilo não era uma fogueira, sim um incêndio. Estava pensando em como tirar Cato e os outros sem que eles a vissem, quando Clove gritou:

- Olha só quem está aqui!

Pronto. Todos os outros a viram também. Começaram a rir e fomos chegando cada vez mais perto do rio, de onde Katniss tentava sair. Com a mente, fiz com que o rio a ajudasse a sair dali. Ela conseguiu mancar e subir em uma arvore, mas já estávamos perto demais. Glimmer atirou nela, mas errou.

- Só isso? – Katniss implicou.

Cato ficou irritado e começou a subir na arvore, atrás de Katniss. Mas ele era muito pesado e caiu, gemendo. Era minha chance. Empurrei Marvel no chão e quebrei sua lança, a atirando longe. Clove percebeu o que eu estava fazendo, mas foi lenta demais. Com uma rasteira a derrubei no chão. Cato veio para cima de mim, mas juntei toda a força que tinha e o empurrei no peito. Ele voou e caiu no chão.

- Desce, Katniss! – pedi.

Glimmer estava apontando o arco para mim, mas parecia incerta. Clove já estava se levantando, assim como Marvel e Cato. Eu estaria realmente em apuros se Katniss não descesse logo. Glimmer puxou a corda do arco, ainda apontando para mim. Mas ao invés de atirar em mim, se virou para Marvel e o acertou no peito e um canhão soou.

Glimmer se preparou para atirar em Cato, mas Clove já havia tacado sua faca. Pulei em Glimmer, para que ela não fosse atingida. Mesmo assim, a faca raspou no braço da garota, rasgando sua blusa. Clove já havia saído correndo para pegar sua faca, que havia sido jogada longe quando ela caiu, e Cato tinha sacado sua espada, deixando de lado seu facão.

Katniss atingiu o chão com um impacto e gemeu de dor. Percebi que a perna de Katniss estava com algum machucado, que parecia uma queimadura séria. Ela se virou para Glimmer e implorou:

- Me dê seu arco.

Glimmer hesitou por um momento, mas logo que viu Cato e Clove cada vez mais perto, entregou para Katniss. E então começou a chover flechas. Infelizmente, Clove era muito rápida e se desviava com facilidade. Cato estava escondido atrás de uma arvore, tornando impossível para Katniss o acertar. O rio estava perto o suficiente? E se...?

Com toda a força de vontade que consegui juntar, fiz com que o rio se tomasse a forma de um punho. Sabia que a névoa disfarçaria, mas para minha surpresa, Cato gritou assustado. Clove não parecia ter percebido nada demais, mas havia se escondido atrás de uma arvore, recuperando o fôlego perdido durante sua corrida.

Com a mente, fiz com que um dos punhos chegasse até Clove e a água a envolveu. Deuses, como aquilo cansava. Com o resto de força que tinha, lancei a bola de água, em que Clove estava envolta, no rio.

- Clove! – Cato gritou, desesperado.

O canhão não soou. Cato sabia que Clove estava viva e em apuros, mas Katniss continuava tentando acerta-lo com as flechas. Fora isso, ele parecia ter visto o punho de água e parecia chocado demais. Glimmer observava tudo atônita, assim como Katniss. Pude perceber que a nevoa havia feito seu trabalho.

Katniss parecia prestes a desabar, ela olhou para mim com os olhos cheios de lágrima e sussurrou:

- Precisamos ir.

Eu sabia que ela tinha razão. Sua perna estava começando a ficar com uma coloração estranha, meio verde. Fora isso, ela olhava para o topo de uma arvore a cada cinco segundos. Dirigi meu olhar para onde ela observava e segurei um grito.

A menininha do 11 estava na árvore, pouco metros a cima de Cato. Se o garoto a visse, teríamos um grande problema. Ela parecia estar muito machucada e fazendo força para não desabar dos galhos. Aparentemente, Katniss tinha uma aliança.

Glimmer percebeu que Cato tentava chegar ao lago e fez algo realmente estúpido. Ela começou a correr na direção do garoto, com seu facão empunhado. Desse jeito, Katniss não poderia tentar atingir o garoto sem correr o risco de atingir Cato. Além disso, a força de Cato superaria a de Glimmer facilmente.

- Não! – Katniss gritou.

Mas já era tarde. Cato havia desferido um golpe com sua espada, atingindo Glimmer na panturrilha. A garota gritou de dor e caiu no chão. Cato fez com que a garota se levantasse e colocou-se atrás dela, com a espada em seu pescoço.

- Mais uma maldita flecha e Glimmer perde a merda a cabeça. – Cato ameaçou.

Katniss continuava apontando o arco para ele, mas eu sabia que ela não iria atirar. Cato começou a andar lentamente em direção ao rio, onde Clove estava desmaiada no raso. Ele ia levando Glimmer junto, que gritava de dor todas as vezes que sua perna tocava o chão. Depois de alguns passos, eles chegaram ao rio.

Glimmer havia perdido muito sangue e estava pálida. Clove estava, infelizmente, no lugar mais perto de Cato. Ele esticou a mão e a puxou Clove para fora do rio, mas continuou com a espada apontada para Glimmer. Clove parecia um cadáver. Seu corpo estava mole e ela estava com os olhos fechados, com o corpo estendido no chão atrás de Cato e Glimmer.

Cato estava em desvantagem, mas tinha uma refém. Glimmer não iria suportar por mais tempo e eu precisava tirá-la de perto de Cato. Katniss estava prestes a cair no chão e eu não conseguia mais ver Rue. Cato não tinha muitas escolhas: ou arrastava Glimmer para o meio da floresta com ele ou corria o risco de perder Clove, se não entregasse Glimmer.

- Seja sensato. – implorei. – Clove precisa de você e Glimmer de nós.

Cato sabia que eu estava certo. Com a rapidez de um relâmpago, empurrou Glimmer para o chão e pegou Clove no colo, correndo na direção da floresta. Katniss ia atirar, mas a detive:

- Não, deixe.

Ela fez que sim com a cabeça e deixou o arco cair no chão, junto com seu corpo. Katniss olhou para a árvore e entendi: queria que eu fosse até ela. Corri primeiro até Glimmer, que estava estendida no chão com os olhos fechados. Sua panturrilha sangrava muito, então arranquei minha camisa e a prendi no corte.

- Deixe que eu faço isso. – Katniss disse e se arrastou até Glimmer

E então eu subi na árvore. Eu era o único de nosso grupo que não estava ferido, mas mesmo assim estava exausto e seria inútil em uma luta. Rue havia conseguido, de alguma forma, subir mais um pouco e se esconder entre as folhas. Ela me viu e sorriu:

- Obrigada.

Seu pequeno corpo estava coberto por queimaduras e ela parecia estar sofrendo muito. Eu não tinha a mínima ideia de como poderia tira-la lá de cima sem que suas feridas sangrassem. Com cuidado, a ajudei e subir em minhas costas. Eu estava em pé em um galho grosso e me segurava em um galho que estava a cima de mim. Quando Rue estava “segura” em minhas costas, com os braços ao redor do meu pescoço, comecei a descer.

Por duas vezes quase caímos, mas nas duas consegui me segurar em algum lugar. Ela gemia de dor todas as vezes que eu fazia um movimento brusco demais, mas era muito difícil descer com uma pessoa em minhas costas. Quando chegamos no chão, o corpo de Marvel já havia sido recolhido.

- Graças a Deus! – Katniss gritou ao me ver com Rue e correu ao nosso encontro.

Coloquei Rue no chão com cuidado. Glimmer estava deitada no chão perto do rio e sua panturrilha estava envolta em minha blusa, já ensopada de sangue. Mesmo assim, ela parecia muito melhor que Rue. Fui até onde Glimmer estava e me ajoelhei ao seu lado.

- Sinto muito. – falei. – Isso tudo é minha culpa.

Ela balançou a cabeça, fazendo que não. Glimmer esticou a mão e tocou minha bochecha:

- Eu que fui estúpida.

Ri, mas sabia que ela tinha um pouco de razão. Glimmer retirou a mão de minha bochecha e parecia sem graça.

- O que foi? – perguntei.

- Você tem namorada. – ela falou e desviou o olhar, virando a cabeça para encarar a água do rio.

- Sim. – falei.

Ficamos em silêncio. O único barulho era de Rue, que gemia de dor baixinho. Olhei para as duas. Katniss havia posto a cabeça da menina em seu colo e chorava, com medo. Sabia que não poderia fazer nada, nem Katniss. Rue estava realmente mal. Foi então que algo maravilhoso aconteceu:

Um pequeno bipe começou a tocar e um pote, preso por um paraquedas prateado, desceu do céu e parou ao lado de Katniss e Rue. Katniss abriu o pote com ferocidade e gritou:

- Obrigada, obrigada, obrigada!

Ela pegou um pouco do creme que estava dentro do pote e começou a espalhar pelo pequeno corpo queimado de Rue. A garota sorriu aliviada. Me juntei as duas. O pote estava cheio de um creme branco. Peguei um pouco com o dedo e passei na perna queimada de Katniss, que sorriu.

Glimmer veio se arrastando até nós e nos ajudou a cobrir Rue com a pomada.

Notas finais
Melhor que o outro? reviews?
hahaha