Notas iniciais
Bom, esse é o POV da Annabeth. Fiz a pedido de Luah Dy Grace, que tem me apoiado super. Obrigada!
ps: isso se passa no passado, ok?

- Boa noite, sabidinha. – Percy disse.

- Até amanhã, cabeça de alga.

Estávamos na porta do chalé de Atena, o toque de recolher já havia passado fazia tempo. Sabíamos que se fossemos pegos, estaríamos bastante ferrados. Mas desde quando isso importou?

Ele me deu um beijo de boa noite e depois caminhou, com seu jeito decidido até o chalé de Poseidon. Só entrei quando a imagem dele sumiu de vista. Todos já estavam dormindo fazia uma ou duas horas, mais ou menos. Caminhei até a escrivaninha onde eu trabalho e peguei uma folha de papel em branco.

Comecei com rabiscos aleatórios e quando me dei conta, a imagem de Percy estava ali estampada. Não era uma obra, como seria se Rachel tivesse feito, mas era um desenho de uma filha de Atena.

O rosto dele era tão familiar que se me mandassem fechar os olhos e desenhá-lo, a copia seria exata. Teria seus olhos verdes expressivos, seu sorriso sem-graça, seu cabelo desarrumado e suas duas covinhas perfeitas.

Levei minha mão até minha boca. Eu estava tão acostumada com seus lábios que beijá-lo já havia virado natural. Apesar de ser lerdo, ele era inteligente. Tão inteligente quanto possível para um filho de Poseidon. Mal sabia eu que quando acordasse, aquilo tudo mudaria.

- Annie, acorda. Acorda, Annie. – uma voz conhecida me chamava.

Abri os olhos, mas a luz que entrava pela janela me fez fechá-los novamente.

- Que foi? – resmunguei.

- É sobre o Percy.

Levantei na hora. Para terem me acordado no meio da madrugada, algo havia acontecido. Grover olhava para mim e seu rosto estava triste. Para ter sido permitida a sua entrada no chalé, algo realmente grave havia acontecido. Fora isso, seu rosto esta preocupado.

- O que aconteceu? – perguntei, exaltada.

Grover baliu baixinho e pegou uma almofada de uma das camas. Antes que eu pudesse o impedir, ele já havia começado a mastigar o estofamento. “Eca” pensei. Ele andava de um lado para o outro, sinal que estava nervoso.

- Desembucha bode! – gritei.

- O Percy... Ele sumiu. – Grover contou. Depois acrescentou: — Ele havia pedido para que eu o ajudasse em uma coisa, então era para eu o acordar mais cedo. Quando entrei no chalé, estava tudo vazio. Não havia nem mesmo sinal de que ele houvesse dormido ali durante a noite.

Olhei irritada para ele. Grover só podia estar de brincadeira. Ele me acordou para me dizer que o Percy acordou mais cedo? Me taquei de volta na cama e fechei os olhos:

- Me deixe em paz.

- Já procuramos por todo o acampamento, ele não esta aqui. Mandamos que o procurassem nas florestas, na praia, ligamos até mesmo para a mãe dele. Nem sinal do Percy. Pedimos para que o chalé de Hermes procurasse mais uma vez na floresta, mas não o acharam.

Abri meus olhos imediatamente. Percy não seria burro o suficiente para entrar na floresta durante a noite, ou seria? Levantei da cama e, mesmo estando de pijamas, sai do chalé. Um Grover balindo veio atrás de mim, gritando:

- Pijamas Annabeth, pijamas!

- Para o tártaro com os pijamas! – gritei de volta.

Corri até o chalé 3. Sem nem pensar em bater, abri a porta. Estava tudo organizado. Nenhuma roupa no chão, nenhuma coberta amassada, nenhum rastro de pacotes de biscoitos. Estava exatamente como eu havia deixado para ele no dia anterior, quando o ajudara a arrumar suas coisas.

Caminhei até o armário que ficava em uma das paredes. Abri a porta lentamente, como se ele pudesse pular lá de dentro e gritar “Surpresa”, mas não. Todas as suas roupas estavam lá, o que significava que ele não tinha feito uma mala.

No fundo do armário, encontrava-se uma caixinha de madeira. Ela era decorada por várias conchas e quando a peguei, pude sentir o vento que o mar traz, o cheiro de maresia e me lembrei de como Percy costumava dizer que eu era mais bonita que qualquer onda, qualquer mar.

A abri. Fotos de nós dois, de Grover e ele, de Thalia, eu e ele, de Silena, de Charles... Fotos de todos os amigos dele. Ali dentro também estava a foto do dia que começamos a namorar.

Grover que tinha tirado. Percy me segurava no colo, enquanto minha boca estava aberta em total espanto. Atrás de nós, se estendia o mar de Long Island. Na foto não mostrava, mas era obvio o que acontecia a seguir. Percy corria comigo até o mar e pulava, me deixando encharcada, mas ele não se molha em nenhum centímetro do corpo.

Sorri com a lembrança, mas logo depois comecei a chorar. Lágrimas involuntárias desceram por meu rosto, deixando uma trilha pela minha bochecha. Eu me ajoelhei no chão, abraçada com a foto, como se fosse a única parte que sobrara de Percy.

Grover sentou hesitante ao meu lado e me envolveu com um abraço. Ele nada disse, só ficou ali junto de mim, sofrendo comigo. Ele também estava chorando, mas parecia estar suportando mais que eu.

Com um pulo eu me lembrei:

- O elo de contato entra vocês dois!

O rosto de Grover se iluminou. Ele me soltou e fechou os olhos, fazendo força para se concentrar. Seu rosto começou a ficar pálido e eu fiquei com medo de ele descobrir que algo horrível aconteceu a Percy, mas ele só balançou a cabeça negativamente quando perguntei.

- Não consigo senti-lo. Se ele estivesse morto, eu também estaria. Isso é uma boa noticia, não é?

- É uma ótima noticia. – respondi, o abraçando com força. — Enquanto você estiver vivo, ele também está.

Notas finais
Escrever uma review não doi :)