Novamente Alice ~sendo reescrita~
29 Só você me entende
Notas iniciais
Ches, que estava ajoelhado ao lado de White, se levantou e se aproximou de mim devagar:
— Ele vai ficar bem? – Perguntei quando ele parou ao meu lado.
— Vai... Isso sempre acontece na verdade, sabe é sempre igual, ele sente muita raiva da mãe, mas muita mesmo, só que querendo ou não ela é mãe dele e o Will é pai, ele vê esse tipo de cena desde pequeno, melhor dizendo, brigas piores que essa, e sempre reagiu do mesmo jeito. – Ele respondeu baixinho.
— Você parece bem acostumado com tudo isso! – Comentei, enquanto notava que White ia se acalmando, Ches deu de ombros.
— É eu estou, sabe essas brigas constantes e o comportamento da Maira em relação a ele o afetou muito, até mesmo quando começamos a viver aqui ele demorou muito a se acostumar com a ideia de paz, bem pelo menos naquela época a gente tinha um pouco de paz, mas isso passou um pouco, pelo menos é oque eu achava. – Ele concluiu suspirando. — O importante é que ele vai ficar bem até porque ele tem você não é mesmo?!
— O que disse? – Perguntei chocada e Ches sorriu balançando a cabeça.
— Nada, me ignore sou louco. – E assim ele saiu de perto de mim sorrindo e se aproximou de Sinara dizendo algo sobre ajuda-lo em alguma coisa e os dois saíram da sala, “louco”, penso o observando sair, isso me fez lembrar a nossa primeira conversa, a forma como ele disse essa palavra, como se ela possuísse um sentido maior, um sentido que só ele entendesse, seria por que era louco? Ou seria por que ele é o único que está em sã consciência? “Louco”? Eu acho que não, ele é o que esta mais perto da barreira entre a lucides e a loucura que qualquer um de nós, sempre esteve e sempre estará.
— Alici. – Eu ouvi uma vozinha me chamar, então eu olhei pra o lado e encontrei Let, ó céus, ele deve ter vindo atrás de Will, olhei ao redor, mas não encontrei a rainha, Let estava a ponto de chorar e esticou os bracinhos pra mim, eu o peguei em meu colo e ele ficou observando White. — Porque ele ta tisti? – O pequeno perguntou querendo chorar junto. — pú causa da mulher má? – Ele prosseguiu me encarando.
— É... Mas ele vai ficar bem eu sei. — Respondi sorrindo.
— Vai mesmo?
— Vai sim! – E assim que eu confirmei, ele sorriu, Will se levantou e White fez o mesmo, ele já tinha se acalmado um pouco e começou a andar na minha direção, quando chegou perto de nós, Let se esticou e ele o pegou.
— Não fica tisti. – Let o consolou fofamente e White sorriu. — Eu ti amo, não fica tiste.
— Tá. – Ele respondeu e Let sorriu de novo. — Eu também te amo tampinha. – Ao fundo ouvimos o som da porta se abrindo e a rainha entrando, Let desceu do colo de White e correu até a rainha, Will se aproximou de nós sorrindo.
— Sabe ele faz lembrar você quando era mais novo Alli, a diferença é que a cada cinco palavras dele uma está errada e você nem chegava a falar todas as cinco sem abreviar ao menos duas. – Ele comentou e eu ri baixo, White revirou os olhos sorrindo também, mas logo o diminuiu, Will suspirou e bagunçou o cabelo do filho, que foi logo arrumando com pressa. — Você não pode voltar a ter seis anos não? Sinto falta! Você parece mais velho que eu ás vezes.
— E porque você parece uma criança quase o tempo todo. – White retrucou e Will sorriu, dando um tapa de leve na cabeça de White e começando a andar até a rainha, quando se encontraram saíram juntos da sala, deixando apenas nós dois e um silencio mortal.
— Ei... – White começou, quebrando o silencio, eu o encarei e nossos olhos se encontraram — Desculpa por tudo isso é que... Essa confusão me trouxe lembranças e eu... – Ele virou o rosto e percebi uma pequena lagrima que ele se esforça para esconder.
— Vamos você já me viu fazer drama pior. – Eu comentei e ele voltou a me encarar, ergui minha mão direita e toquei em se rosto, limpando outra lagrima teimosa. — Não precisa esconder seus sentimentos perto de mim e abrigada por me defender.
— Não precisa me agradecer, eu faria qualquer coisa por você. – Ele falava de um jeito tão sério que senti meu coração acelerar. — Só não queria que visse esse lado meu, tão fraco, inútil e odiável.
— Pois eu gostei, parece que finalmente vi seu lado real, eu gosto desse seu lado, gosto de te conhecer e gostaria de saber o que pensa e o que sente.
— Não gostaria não, mas não mesmo. Eu sou tão problemático, até mais que você acredite. – Ele brincou e eu fiz uma cara de indignada. — Mas de qualquer jeito obrigado, ninguém nunca se importa com o que eu penso ou sinto, digo, alguns até se importam comigo, mas ninguém nunca se importou com quem eu realmente sou, não como você se importa e isso conforta meu coração, obrigado Alice. – E lá estava outra lágrima insistente, ele sorriu sem jeito e segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos.
— Eu sempre vou te ouvir Al, sempre. – Afirmei, com tanta certeza que era até estranho, uma certeza desconhecida até mesmo pra mim. — Então, no que está pensando agora em?
— Ah... Acho que é meio obvio! – Ele olhou para baixo e começou a mexer com os pés, fazendo círculos no chão empoeirado. — Só queria saber por que ela me odeia tanto... Eu já perguntei pro meu pai, mas ele sempre diz que é por causa de coisas do passado, mas ele nunca me disse o porquê de verdade, não sei sinto que tem um motivo maior ou talvez ela só simplesmente me odeie, talvez ela nunca quisesse ter filhos.
— Ela não pode simplesmente te odiar, não faria sentido, ela é sua mãe não é? Ela tem que ter um motivo, porque se fosse odiar por odiar ela também odiaria sua irmã.
— É que seja. – Ele afirmou tentando parecer casual, ainda fitando o chão.
— Ei, olhe pra mim. – Pedi e ele rapidamente acatou. — Al, ela não esta mais aqui, eu estou, Will está e até mesmo Ches, pense neles, pense em mim, nós nos importamos de verdade com você.
— Eu sei... Mesmo... É só que eu queria entender... Ah, mas esquece, não vale mais a pena falar dela.
— Nisso eu concordo! – Comentei e ele abriu um sorriso torto. — Que foi?
— Você está concordando comigo? – Ele provocou, tentando não rir e eu suspirei.
— Não se ache por isso, seu coelho arrogante.
— Vocês garotas... – Ele começou balançando a cabeça negativamente. — Vai entender... Ei... – Ele apertou minha mão e fitou a porta atrás de nós, depois sorriu como uma criança que a acabou de ter uma grande ideia, o que me deixou preocupada. — Se bem me lembro, essa porta... Então, que tal um passeio em? – Ela perguntou animado o que me surpreendeu, porque é do White que estamos falando, tentem imaginar o White animado, é a coisa que mais me surpreendeu desde que cheguei aqui e olha que esse é o país das maravilhas.
— Um passeio? Aonde? – Questionei, rindo e não me aguentando de curiosidade, e ele começou a me puxar.
— Na cidade oras, ou pensou que o país das maravilhas só se resume a florestas e gente estranha, tá, talvez gente estranha tenha por toda parte aqui, mas aqui também tem civilização.
— Uma cidade? – A ideia me animou bastante. — Mas ela não congelou como parte do castelo?
— Não, na verdade a rainha até quis, mas ela não era burra, se congelasse a cidade fronteira perderia credibilidade, e também é perto de mais da vila de copas e poderia afeta-la, o que não seria nada legal.
— Vila de copas, cidade... É pelo visto tenho muito a aprender sobre esse lugar.
— Tudo bem eu te ensino, só espere um minuto vou procurar um empregado e pedir para avisar aos outros onde estamos indo, me espere na escadaria principal, é só passar por aquela porta e pronto. – Ele disse apontando para a porta pela qual Maira e Ás saíram depois se afastou e começou a andar a procura de um empregado, eu sorri satisfeita enquanto caminhava na direção da porta, White sabia ser encantador quando queria.
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