Novamente Alice ~sendo reescrita~
1 Novamente Alice e White Rabbit
Notas iniciais
Imagine estar sonhando com algo maravilhoso, e bem na melhor parte alguém bater na sua porta como um louco, ou melhor, louca... Pois é, é o que me acontece todo santo dia.
Mas dessa vez, por bem ou por mal, ao acaso ou por obra do destino, sair desse sonho maravilhoso foi o ponta pé inicial para minha descoberta do real;
— Alice! Alice! Levanta logo e abre essa porta.
— Será possível? — Reclamei quando me levantei, com os olhos apenas entreabertos chutei o ar e fui até a porta. — O que é? Não sei se sabe, mas uma garota precisa de tempo para dormir e se recompor...
— Não quando já passam das dez horas. — Judith começou a falar entrando no quarto e deixando umas peças de roupa em cima da cama. —Vamos deixe de enrolações e se arrume, temos visitas.
— Quem?
— Seu tio Marcos veio vê-la, isso não é ótimo? – Seus olhos castanhos brilharam e ela escancarou um sorriso sonhador na cara, como sempre fazia ao ver Tio marcos, francamente, ela esta cansada de saber que desde que Tia Eley o abandonou ele não está querendo nada com essa coisa romance.
¬— Até ele começar a contar os causos de suas viagens, é sim com certeza.
Eu sempre gostei muito do meu tio, mas sempre achei que ele inventava muito em suas histórias, o que me fazia perder a paciência.
— Não fale assim Alice, seu tio gosta tanto de você até mesmo ajudou a escolher seu nome...
— É claro que isso é um ótimo argumento mesmo... Tudo por causa da minha avó, que cá entre nós está cada vez mais doidinha da cabeça. – Resmunguei e Judith pareceu querer me socar, mas se conteve, graças a Deus.
— Não fale assim, ela é uma senhora muito respeitada.
— Ah sim claro, é muito respeitada ainda com aquela história toda de magia e...
— Alice! Já chega disso, seu tio veio de longe só pra te rever e ele certamente a verá, não é mocinha?
"E eu por acaso tenho opção?” pensei me encarando no espelho, como sempre teria que ser a garota ideal e perfeita, como se essa vida sem graça não pudesse piorar.
— Isso não muda o fato de que ela é louca, louca e vocês querem que eu seja igual a ela, daqui a pouco vai vir o coelho branco me levar para o país das maravilhas!
— Alice! Chega! — Ordenou minha mãe entrando pela porta, Judith saiu no mesmo instante e eu comecei a fitar o chão.
— Desculpa! – Murmurei quando notei que ela tinha ficado chateada. — Mas é que é sempre a mesma coisa, vocês vivem me comparando com ela, mas ela é louca.
— Pare de falar o que não sabe! Você não pode julgá-la dessa forma, não pode julgar alguém só porque ela acredita em alguma coisa que você não acredita!
— Eu sei, eu sei, mas... – Tenho que admitir, sou péssima em argumentar com a minha mãe, ela é muito boa nisso.
— Mas nada! Uma hora você vai aprender que a vida é mais do que isso, de hoje para amanhã talvez eu posso não estar mais com você, e ai? Se você precisar da ajuda de outros, o que vai fazer se eles não te ajudarem por te acharem louca? Ou será que você não vai aceitar a ajuda por ter achado eles loucos? Você tem que aprender a respeitar aqueles que são diferentes de você, as pessoas têm sentimentos, que são muito mais complexos do que você imagina e você tem que aprender a respeitá-los ouviu bem?
— Sim... – Resmunguei e ela me abraçou, seu abraço aconchegante me deixou mais calma, eu adorava seu aroma do campo, pois sempre me lembrou do tempo da minha infância, em que ainda era aceitável eu ser feliz do jeito que queria. — Te amo! E você não vai morrer de hoje para amanhã!
— O futuro ninguém sabe querida! – Ela sorriu uma ultima vez e saiu do meu quarto.
Um bom tempo depois eu já estava pronta com meu vestido preferido, que era todo rodado, meio curto e verde, minha cor preferida, este vestido sempre suavizava os meus olhos exageradamente verdes e davam mais realce aos meus cabelos dourados e ondulados de forma desnecessária.
Arrumada para a guerra, eu respirei fundo e sai do quarto.
— Ora vejam se não é a minha linda sobrinha Alice. — Ele falou, ou melhor, berrou, enquanto corria para me abraçar.
— Olá tio Marcos há quanto tempo.
— Digo o mesmo querida, queria ter vindo antes, mas você não vai acreditar em quanta coisa aconteceu.
— Ó, mas eu imagino!
Depois de uma longa sessão de abraços, meu tio finalmente me soltou, cumprimentei meu pai, que estava presente na sala de visitas e fui me sentar perto de minha mãe para ouvir as 'Histórias' do tio Marcos, eles ficaram conversando por um bom tempo até que meu pai o convidou para dar um passeio pela residência, e assim todos foram, menos eu que preferi andar pelos jardins com a desculpa eles teriam muitos assuntos a tratar e que eu só iria atrapalhar e seria melhor irem sem mim, oque era um fato, afinal eu nunca entendo nada que eles falam mesmo, e olha que eu já tentei.
Então assim fui circulando de jardim a jardim até chegar ao meu preferido, o Jardim leste, por possuir uma linda passagem para um bosque que vivia abandonado e que cada vez mais me atraia por seus mistérios e encantos.
O lugar era realmente lindo, o chão estava coberto pelas folhas roxas das árvores, o sol iluminava em tons adequados aquele bosque e as árvores tinham um misto de verde e roxo em suas folhas.
Eu saí cantando e dançando sem olhar por aonde ia ou aonde pisava, isso até que de repente um pequeno animal passa por mim rapidamente:
— O que? — E de novo um animal atravessou ligeiro pra perto de uma outra árvore e eu pude ver claramente que se tratava de um coelho branco, ele entrou mais ainda pelo mato e eu fui atrás dele, mas depois de um tempo ele desapareceu e eu ouvi o som de passos ao meu redor . — O que foi isso?
— Fui eu. — disse do nada uma voz me assustando, a princípio era uma voz distante e até mesmo vaga, parecia um pouco humana, mas as características animais prevaleciam.
— AH! Oque foi isso, quem está falando? — Perguntei com um misto de curiosidade e medo, ninguém ia naquele lugar a anos.
— Não faz nem ideia?
E do nada eu senti uma súbita presença se aproximar, abri a boca preparada para gritar o mais alto que pudesse, mas a presença tampou minha boca com a mão:
— Tudo bem Alice, não vou te machucar. -Disse uma voz masculina e jovem, doce e ao mesmo tempo autoritária. — Esta tudo bem eu vim te ajudar.
Ele soltou minha boca, eu comecei a me virar bem devagar e me surpreendi ao ver que se tratava de um garoto, ele parecia possuir a mesma idade que eu, mas um garoto um tanto estranho, ele usava uma calça de um tom cinza claro e uma blusa social branca, seu cabelo, curto e branquinho como a neve estava um pouco bagunçado, mas o mais curioso eram seus olhos, eles eram um pouco cor-de-rosa, meio avermelhados, como os de um... Coelho!?
— Quem é você? — Olhei ao redor — Oque faz aqui? Como me conhece?
— Muitas perguntas para pouco tempo. — Ele parecia decepcionado.
— O que? Do que está falando?
— O que você faz aqui? — Ele retrucou me surpreendendo.
— Eu estava atrás de um...
— De um?
— Coelho! — Respondi pensativa, eu devo ter endoidado, mas ao invés de rir e dizer que sou maluca por perseguir coelhos, ele perguntou:
— Não faz nenhuma ideia de pra onde ele foi?
— Não... Eu acho!
— Tem certeza? — Eu o encarei e uma pequena hipótese passou pela minha cabeça, mas logo tentei jogar fora por acreditar ser impossível, mas o estranho pareceu ler minha mente. — O que você está pensando Alice, acha que não pode ser real?
— Eu pensei... – Eu devia mesmo ter ficado louca. — Você? É você?
— Exato! — ele respondeu orgulhoso, a princípio, pensei que fosse uma piada, mas ele estava sério e realmente tinha cara de coelho e era igualmente fofo.
— Como? Espera! Está me dizendo que aquele coelho-
— Sou eu menina! -Ele me interrompeu impaciente. — Mas será possível...
— Co... Como?
— Muitas perguntas, pouco tempo, o que há de errado com vocês aqui? Eu já estou cansado desse mundo louco, tenho que terminar essa missão logo. – Ele reclamou e saiu andando.
— Espere aonde vamos? Espere! — A essa altura o estranho estava bem adiantado nos passos e com muita pressa e eu o acompanhei para fora do bosque, e claro, fazendo perguntas inevitáveis. — Pelo menos me diga quem é você? O seu nome? Oque quer de mim?
O estranho finalmente parou e respondeu com um tom apressado: — Quero que me leve a Alice...
— Mas Alice sou eu, ah espere, está falando de minha avó?
— Como vou saber se é ou não sua... Avó? Ela já esta tão velha assim?
— É... Sim!
— Então temos menos tempo ainda. — Ele se virou e recomeçou a andar, volta e meia ia olhando seu relógio, me deixando ainda mais confusa.
— Mas minha avó nem está aqui e você nem disse seu nome.
— Não, mas vai estar em breve não é? – Ele retrucou, Deus do céu, o que ele tinha de fofo, tinha de irritante.
— Sim, mas como sabe?
— Sabendo! Assim como todos sabem, por isso, tenho que encontrar Alice bem rápido, não temos tempo vamos, ou o pior pode acontecer.
— Espera! Como assim o pior? — Sem resposta, ele parecia bem focado em toda essa história e já tinha voltado a caminhar.
— O que importa é que precisamos encontrar sua avó, ela vai entender tudo isso.
— Ta de brincadeira? Minha avó é louca! — Eu comentei com ironia. Ele parou e me olhou revoltado:
— Sua avó não é louca! Não no sentido que você está falando. — Ele me repreendeu, seu tom de voz afirmava que ele falava sério.
— Você a conhece? — Perguntei cruzando os braços.
— Não exatamente.
— Então como sabe? — Eu perguntei e isso pareceu irritá-lo ainda mais, ele me puxou pelo braço e voltou a andar rapidamente.
— Eu sei que se não agirmos rápido as coisas vão acabar mal, sua família pode acabar morta e você também, por isso precisamos nos apressar, ou ela nos encontrará logo.
— O QUE?- Eu perguntei assustada, ele parecia estar falando sério, mas o estranho não respondeu nada e eu tive que me acalmar para poder entender o que estava acontecendo. — Me diga pelo menos como é seu nome? Por favor!
— Você não sabe de nada mesmo! É White, White Rabbit.
— White Rabbit? Isso é nome de gente? – Ele ia retrucar, mas nessa hora um grito nos surpreendeu. —Isso foi a mamãe?
— Eles se adiantaram, Ás está aqui.
Fale com o autor