Novamente Alice ~sendo reescrita~
20 Legítima!
Notas iniciais
White o abraçava com força e o homem ainda parecia em choque, ele se afastou um pouco e fitou o rosto do pai, percebi que White tentava parecer calmo, mas eu senti que no fundo não estava se saindo muito bem.— É mesmo você Alli? – Perguntou o homem ainda tentando acreditar, White sorriu.
— Sou eu pai... Só um pouco diferente, mas sou eu! – O tom de voz dele era tão doce e gentil que eu comecei a me perguntar se era mesmo ele, e ainda tinha a parte do Alli, sempre quis saber como o chamavam antes de W. Rabbit e tenho que admitir, Alli é bem mais fofo do que eu pensei.
— Seus olhos... – O homem notou tocando no rosto de White, que baixou os olhos de imediato. — O que aquela bruxa fez com você meu pequeno? Olhe pra mim, Alli! – Se antes eu achava que ele fazia um esforço enorme para no mínimo parecer calmo, agora eu nem podia imaginar o tanto que se controlava. — Allister! — Ele olhou nos olhos do pai e o abraçou novamente, logo começando a chorar, eu juro que fiquei chocada ao vê-lo chorar, e que senti uma grande vontade de ir até lá, mas eu não podia, e ao mesmo tempo eu entendia o que ele estava sentindo, eu passei por algo semelhante, mesmo que em proporção menor, afinal, meu pai desapareceu por horas, dias eu não sei, mas com ele é diferente, considerando como o tempo aqui é complicado eles devem ter ficado afastados por anos, tantos que eu nem consigo imaginar.
A expressão do homem passou de confusa para terna, enquanto abraçava White ele nos encarou pela primeira vez e sorriu docemente, o mesmo sorriso tímido e hipnotizante que me fascinava no filho, quando White pareceu se acalmar um pouco, ele se afastou e começou a nos observar com mais calma ainda sorrindo, mas seu sorriso diminuiu consideravelmente quando seus olhos pararam em Ches, que só agora notei que tentava se esconder nas sombras:
— Erick? – Ele perguntou e eu encarei Ches, que sorriu e saiu das sombras, o homem aparentemente teve a mesma reação que eu, quando me deparei com o olhar de Ches a primeira vez: Choque e medo, pois era isso que aquele olhar passava, eram olhos assassinos, claro que agora eu não o via mais assim, mas eles continuavam me dando nervoso as vezes.
— Oi tio Will! – Ele cumprimentou sem jeito enquanto o homem parecia se recuperar do choque, Will suspirou e pude ouvir algo como um uau, ele começou a se aproximar de nós, puxando White/Alli junto.
— Erick... – Ele murmurou, apontando para Ches. — Allister! Nós precisamos mesmo conversar. – Ele estava ficando mesmo sério e dessa vez foi à rainha/mãe de Let que interferiu:
— Acalme-se Will, por favor. – Ela disse calmamente e Will a encarou, parecendo pensar um pouco, mas sua raiva não parecia querer passar.
— Eu quero mesmo saber oque aquela bruxa maldita fez com meu filho e com meu sobrinho, esse não é o Erick que eu conheço, ele não tem um olhar tão frio, ele é um menino bom e gentil, ele é prestativo e educado, muito esperto e astuto, devo admitir que mais até que o normal, mas ele não era tão frio assim. – Ches/Erick baixou os olhos, e Will prosseguiu. — E oque fizeram com meu Alli, ele sempre foi doce e meigo, meu pequeno... – Ele virou-se para White e o abraçou novamente. — Porque você parece tão triste e distante?
— Tio Will... – Ches começou. — Desculpa, eu tentei impedir que ela usasse Whi... Alli, mas ainda assim... Desculpe. – White o encarou e Will começou a se aproximar de Ches, que por sua vez parecia querer evitar contato visual a todo custo.
— Não se culpe você é só mais uma vitima dessa bruxa, que mesmo morta nos atormenta. – Ches o encarou e ele, sorrindo, o abraçou. — Meu irmão tinha orgulho de você parceiro, obrigado por cuidar do Alli tão bem. – Ches sorriu para Will e para White/Alli que retribuiu, senão fosse por algumas diferenças físicas óbvias eu podia jurar que Will e White/Alli eram a mesma pessoa, o mesmo sorriso e o mesmo jeito seguro de falar, os dois eram encantadores, eu observava tudo de longe ao lado da rainha branca e de Let, que não se continha de felicidade.
— Will. – A rainha começou e todos a encaramos. — Pode ter certeza que isso não ficará assim, como eu já disse, ela está morta, mas a filha também não é um agrado de rainha, mas o que importa agora é que finalmente teremos nossa liberdade e como nossa nova rainha é tão arrogante quanto à outra ela não vai nem notar, por isso vamos logo antes que nossa sorte vire contra a maré, aliás, como chegaram aqui? – Ela perguntou e White/Alli, mostrou o cubo mágico do chapeleiro. — Ó! Perfeito. — Ela disse se aproximando e pegando o cubo.--Venham, venham, juntem-se todos aqui. – E assim o fizemos, e novamente lá fomos nós, o lugar mudou e “puft” estávamos na casa da duquesa novamente. — Ah! Ar livre, como é bom, muito bom, muito bom.
— De fato majestade, de fato! – Will disse pegando o braço da rainha e a acompanhando pra dentro da casa, Let correu logo atrás, Will continuou falando sem parar e seu tom soava um tanto irônico, muito irônico na verdade, e eu não consegui dizer se sua raiva tinha passado oque eu logo descartei, ou que talvez ele fosse bipolar ou louco, mas nada disso me pareceu convincente e no fim concluí que ele estava apenas se fazendo de sínico, de forte, que estava se escondendo atrás da ironia, assim como White se escondia atrás de seu jeito distante e sério e Ches vivia atrás de seus sorrisos, acho que é de família, ou até mesmo, que é uma reação natural humana, fugir da dor.
— Ele muda de humor rápido. – Comentei e notei que Ches estava começando a se aproximar da porta, ele se virou pra mim e piscou.
— Você não viu nada ainda doçura. – Ele disse e eu sorri.
— Erick! Belo nome. – Eu falei e ele sorriu sem jeito, se virou e entrou na casa a passos lentos. — Ei White! – Eu chamei o coelho e ele me encarou impaciente.
—Que é? – Perguntou mal humorado.
— Posso te chamar de Alli?
— Nem sonhando! – Ele disse virando a cara e começando a andar na direção da campina, e claro que, como eu estava a fim de irritá-lo, fui atrás, eu soltei meu cabelo, que estava uma bagunça desde a caça ao tesouro e corri até onde White já tinha ido, ao me notar ele começou a andar mais devagar.
— Porque não? Alli é tão fofo. – Eu comentei e ele parou, olhou para o céu e depois pra mim.
— Isso é nome de coelho! – Ele disse sério e eu ri.
— Mas você é um coelho criatura.
— E porque você acha que me escolheram pra ser justamente um coelho? Meu cabelo é branco assim desde que nasci sabia? E ainda ficam me chamando de Alli pra cá e Alli pra lá. – Ele falou indignado de verdade e eu ri mais ainda.
— Vamos White, eu não gosto do meu nome, mas não implico com ele. – Insisti enquanto me acalmava.
— Porque não gosta de seu nome? Não me diga que é por causa de sua avó?
— E se for? Olha só, o seu motivo para não gostar do próprio nome é mais estúpido que o meu!
— Não entendo... Enquanto eu tenho que aturar esse nome “fofo” – Ele disse a palavra: “fofo” como se estivesse se referindo a alguma maldição ou praga. — Seu nome é tão lindo... E você não gosta.
— Meu nome não é lindo... O seu é que é, ele é único por aqui, Alli, Allister, é suave como uma brisa de primavera. – Eu disse o fitando e ele sorriu levemente. — Enquanto eu sou Alice, a segunda Alice, a outra Alice, nunca sou só eu, sempre tem ela, a primeira, a legítima, a minha avó e isso não é legal. – Eu terminei de dizer e ele bagunçou meu cabelo.
— Você é legítima... – Ele começou, observando as nuvens no céu. — Não sei se já notou, mas eu também não fui o primeiro W. Rabbit, não tive contato com sua avó antes, não a conheci direito, só a vi algumas vezes e conheço as histórias, a única que conheci de verdade foi você Alice, por isso você é a legítima pra mim. – Eu o observava e ele sorriu pra mim, parecia um pouco sem jeito.
— Obrigada Al! – Eu agradeci sorrindo e ele me encarou surpreso.
— Al? – Perguntou e eu pisquei pra ele.
— Vamos Al, temos problemas para resolver.
— Ei! Mas... Al?
— Anda White, como é mesmo? – Eu disse segurando em seu braço e começando a puxá-lo na direção da casa. — A é... Nós não temos tempo a perder! – Ele parecia surpreso e sorriu novamente, “eu sempre quis dizer isso”, pensei enquanto ele continuava perguntando por que do Al, eu ria sem parar e me virei para ele, senti uma suave brisa passar por nós. — Sabia que Allister significa protetor? Eu acho que li em algum livro, Alli. – Eu ri um pouco. — Mas tudo bem, a parte do “Al” vai ser nosso segredinho! White Rabbit!
— E Alice quer dizer oque? – Ele perguntou sorrindo e eu parei, olhei em seus olhos e sorri.
— Quer dizer protetora, tonto!
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