Novamente Alice ~sendo reescrita~
38 Como NÃO ser amada pelo destino
Notas iniciais
~P.O.V Sinara~
A graça de ser eu? O destino conspira contra mim!
Sinceramente, não é possível que exista alguém com tanto azar assim neste mundo ou no outro, eu simplesmente não tenho sorte!
Ontem foi um dia lindo, fui sequestrada, fugi, fui parar num bar que acabei de descobrir que é quase uma pensão e como se isso não bastasse todos têm a brilhante ideia de ir á embaixada decaída, ou maldita como alguns ousam chamar, simplesmente assim, eu juro a mim mesma que nunca mais quero ver nem sombra daquele lugar e oque acontece? O universo conspira contra mim. Magnifico!
Ah! E esqueci-me de enfatizar que eu fiquei tão irritada que dormir no sofá daquela grande sala de antes, acordei com um péssimo humor e com uma maldita vontade de chorar, mas é claro que eu, mesmo odiada pelo destino como sou, não chegaria ao ponto de sentar no chão da sala e chorar em plena manhã, certo? Errado!
Simples assim, acordei, passei a mão pelo cabelo, escorreguei do sofá para o chão e tudo oque consegui fazer foi chorar de raiva de mim mesma e do mundo, ontem eu fui atrás de Erick, (Não ousem fazer uma cara de ‘isso é óbvio’), eu fui por um motivo, estava disposta a saber como ele conheceu minha mãe, tudo bem a maioria das pessoas que viveram ou vivem a mercê de copas a conhece, mas a forma que ele falou, ele a conheceu de verdade, e eu precisava saber como.
Acha-lo não foi difícil, ele estava no bar, ao que parece Doogue o encontrou vagando por ai e o recrutou para ajudar a arrumar as mesas e tudo mais, alias foi só nessa hora que eu realmente notei que estava tarde, quando me viu ele sorriu e entregou uns copos de vidro para Doogue que disse alguma sorrindo, acenou para mim e logo saiu deixando só nós dois, eu me sentei em uma das mesas, o bar já estava fechado a muito e o silencio imperava, oque me incomodou, Erick se sentou na minha reta e, por mais incrível que possa parecer, ele estava sério, sem sorrisos, sem piadas, ele somente se sentou e me encarou em silencio.
—A... – Tentei começar, mas não sabia como, ele baixou os olhos por um segundo e depois voltou a me encarar.
—Sabe... – Ele tomou vez, sua voz pela primeira vez não soava como a de uma criança que acabou de assistir a um bobo da corte e sim de uma pessoa séria e decidida. —É complicado, mas vou ser direto, oque está tentando fazer?
—Como é? – Retruquei sentido o coração acelerar e ele respirou fundo, debruçando os braços na mesa e aproximando o rosto um pouco mais.
—Falei com Doogue, você é mesmo filha dela não é? Da Nicole?
Eu apenas o encarei, sem dizer nada, “Ótimo tudo que eu não queria.”, pensei olhando nos olhos dele, quando ele sorria os olhos amarelos e desafiadores o deixavam sinistro, um pouco medonho, com um ar meio assassino, mas quando ele ficava sério sinistro era pouco, olha-lo dessa forma me faz pensar que mereço morrer, sua voz séria é mais cortante que vidro, qualquer um perderia a coragem para qualquer coisa.
—Sim! – Foi oque conseguir dizer.
—Sabe que o que esta tentando fazer pode lhe custar um alto preço.
—Do que está falando? – Tentei disfarçar o óbvio, ele já percebeu tudo, mas como?
—Sabe do que estou falando Sinara, Nicole tentou isso e as consequências não foram as melhores.
—Acha que não sei. – Minha voz começou a ganhar força, senti minha mente se escurecer, ansiedade e raiva. —Acha que não sei? Acha que já não pensei?
—Sei que sabe, que já pensou antes, mas veja oque quer fazer... Sinara oque quer fazer é loucura.
—Loucura? Acho que é um assunto que temos em comum então. – Retruquei e ele fixou os olhos intensos no meu.
—Quer saber como fiquei louco? EU MATEI UM HOMEM INOCENTE QUE IMPLORAVA PELA VIDA DA FILHA PEQUENA QUE CHORAVA AO SEU LADO, EU O MATEI PORQUE ME DISSERAM, “FAÇA OQUE É CERTO”, MAS EU NÃO FIZ OQUE ERA CERTO... – Ele fez uma breve pausa e suavizou a voz. —Eu não fiz, pois me disseram, mate a todos, porque eles são o perigo, mas eu deixei a menina fugir e eu só tinha oito anos, oito. Sinara, a minha vida é uma soma de muitas mortes, eu não vejo mais sentido no mundo, mas você, você tem uma chance, tire essa ideia da sua cabeça e será bem mais feliz.
Eu estava pasma, sem palavras, mas de uma coisa eu sabia, ‘Não podia desistir’. Para o bem do meu psicológico Erick finalmente sorriu e pegou minha mão.
—Só estou dizendo... Não se precipite. Agora acho bom ir dormir. – E dizendo isso ele se levantou e começou a caminhar para algum lugar por ai eu apenas o observei e depois decidi andar um pouco até ter sono e assim eu dormi no sofá.
O bom de estar chorando em uma sala gigante é que é difícil alguém te achar, o ruim é que existe um ser chamado White Rabbit que tem uma curiosidade maior que a própria existência, resultado? Fui descoberta e em dois tempos tinha uma criatura que conseguiria fácil o prémio de indivíduos pálidos com habilidades para serem lindos, me encarando. Pelos céus ele é lindo de morrer, só não supera Erick, mas ainda assim Alice tinha sorte.
—Que foi? — Perguntei entre soluços e ele apenas me observava sem expressão.
—Alice ficou preocupada porque você não apareceu ontem.
—É... Eu dormi por aqui sem querer, mas estou bem.
—Bem? To vendo.
—Não me zoe e não conte oque viu a ninguém. – Levantei revoltada e ele sorriu.
—Ta, não precisa dizer se não quiser. – Ele deu de ombros, mas era óbvio que queria saber.
—Nada, só encontrei a versão não feliz do seu amigo. – Eu disse rapidamente e ele pareceu se surpreender a principio, mas depois passou a mão pelo próprio cabelo e sorriu.
—Assustadora não é? E pensar que era assim que ele era antes de vir pra cá. – Ele disse suspirando e eu o encarei. —Mas vem cá, oque você fez para ele reagir assim?
—Nada eu só... Ah! Não importa, eu só queria saber como ele conheceu minha mãe. – Eu disse por impulso, e só depois notei a dimensão do que falei, Alli me olhou curioso:
—Sua mãe?
—É... Nicole-
—ELA É SUA MÃE? — Se eu disser “ele me interrompeu” estarei sendo educada por isso assim farei, ele me interrompeu e sem desejar acabou usando um tom de voz um pouco alto de mais.
—Sim é. – Eu me sentei no sofá, esperando as acusações, os insultos, mas Alli apenas sorriu e se sentou ao meu lado.
—Sua mãe é minha heroína. – Ele afirmou e eu o encarei perplexa.
—Oque?
—Eu a via todo dia, sempre confiei muito nela, ela me ajudou a salvar o filho da rainha branca de cair de um barranco, bem na ocasião eu quase cai junto e Erick não foi de grande ajuda, mas ela sim, desde então eu a admiro. Sabe eu não acredito nas coisas ruins que dizem dela, depois que ela me ajudou eu não a vi mais, aonde ela está?
—Eu... Ah, isso não importa tanto agora a gente não tem tempo mesmo.
—É... – Ele parecia um pouco decepcionado, mas concordou. —Temos que ir até a rainha, se sairmos agora chegaremos logo.
—Então vamos? – Perguntei sorrindo e ele deu de ombros.
—É... Né. Vou na frente, tenho que trazer Jasper. Alice está la fora.
—Até mais então!
—Até! — E assim ele saiu, me deixando só comigo mesma, oque aliás não é muito recomendável a minha sanidade, ainda mais que pensar em ter que voltar a aquele lugar me da agonia. Só porque eu jurei que nunca mais voltaria.
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