Novamente Alice ~sendo reescrita~
16 Amor, uma maravilha?
Notas iniciais
Eu estava sentada vendo o tempo passar enquanto Ches jogava um pouco de lenha na fogueira, ele pegou um dos cobertores mais finos e cobriu White e Let que estavam dormindo, White ainda estava ferido e cansado, segundo Ches o cansaço era uma consequência por ele ter usado bastante energia na luta, principalmente para criar a barreira e além de ele ter forçado a própria habilidade em si mesmo, isso tudo deixaria qualquer um cansado e claro ser acertado em cheio daquela forma só piorou tudo, Ches afirmou que sem dúvidas ele ficaram bom logo e que deveríamos tentar entender o quebra-cabeças, mas eu não consegui nem sequer me concentrar, não conseguia parar de pensar se ele estava mesmo bem.
No fim anoiteceu um pouco mais rápido que de costume, ou eu que me acostumei com o tempo, mas não isso não é o que importa, eu estava até cansada, mas não consegui me imaginar dormindo, eu sentei e encostei na árvore e Ches depois de um tempo se sentou ao meu lado:
— Não fique tão preocupada minha flor.- Ele disse assim que se sentou.— Ele já passou por coisa pior.
— Como sabe que estou preocupada com ele? — Indaguei e ele fingiu estar indignado.
— Porque é obvio. — Ele disse em voz baixa e eu o fitei, seu olhar estava tão suave, que por um instante eu pude esquecer que ele costuma ser assustador.
— Você é até mais legal. — Eu disse e ele me lançou uma olhar confuso. — Quando não tá com aquela cara de psicopata ou coisa do tipo.- Completei e ele riu.
— Acho que sim. — Ele disse começando a observar as estrelas.
— Parece que você e White se conhecem a bastante tempo.- Comentei enquanto o observava dormir tão tranquilamente, Ches ainda observava as estrelas e fechou os olhos forçando um sorriso de leve.— Vocês parecem até irmãos.
— É algo mais ou menos por ai, sabe... Mas eu sou o mais velho...
— E Let parece bem apegado a White.
— É, bastante, ele vê White como um irmão, sabe na cabecinha oca dele, eu e White somos irmãos mais velhos legais, palavras dele próprio, mas ele sempre gostou mais de White, até porque White já o salvou uma vez, mas isso é uma longa história.
— Sério? Que fofo.
— Fofo será o dia em que alguém descobrir como funciona a mente de uma criança que pensa assim.
— Ah, eu não sei como vocês vivem por aqui, mas vendo pelo ponto de vista dele, todos aqui são como uma grande família, e isso é incrível, isso é, uma maravilha.
— Uma maravilha? Esse país é tudo, menos uma maravilha.- Ele riu baixo, abrindo os olhos e observando White.— Esse moleque sempre foi arrogante se quer saber. — Eu ri imaginando um mini White, Ches diminuiu o sorriso um pouco e abaixou a cabeça. — Até hoje, nada por aqui foi fácil pra nós, mas a gente vai vivendo e aprendendo e às vezes, no fim, acaba sendo até divertido.
Ele continuou com a cabeça baixa e eu apenas abri minha mochila, retirei de lá o envelope e o devolvi a Ches, ele apenas pegou sem dizer nada e guardou no bolso da calça — Você se importava de verdade com ela não é? — Perguntei lembrando da conversa que ouvi, ele entendeu, mas fingiu que não.— A Lebre seu idiota... Você gostava dela não é? — Ele suspirou, levantou a cabeça, eu o encarei e me surpreendi ao ver algumas lágrimas, ele parecia triste, muito triste, mas ainda sorria:
— Eu a conhecia muito bem, e sabia que era errado me aproximar, que seria errado ir até lá e a consolar, porque ela não permitiria, e porque eu tinha medo...
— Ah Ches! — Eu disse com ternura, ele ainda mantinha o sorriso.
— E eu fui covarde, preferindo que outros a salvassem, por medo... Observando de longe, com medo de olhar nos olhos dela e ver a escuridão consumi-la... Eu perdi de vista meu verdadeiro objetivo e agora, parece que meu mundo vai desabar! — Ele sussurrou a ultima parte, com a voz um pouco trêmula.
— Por isso me mandou pra lá? Porque que achou que eu, eu, eu conseguiria salvar alguém, eu? — Brinquei percebendo que ele tentava conter as lágrimas.
— Mais ou menos isso, afinal você arrasou lá, com aquele pássaro. — Ele deu um tapinha de leve na minha cabeça e se levantou, sorrindo, um sorriso digno do legítimo Cheshire. — O dia amanhã vai ser longo e não quero ver a flor mais bela de todo jardim e estrela mais brilhante que todas as outras, desanimada ao acordar, por isso acho bom dormir logo.
— Digo o mesmo! E digo também, por favor, reveja seu repertório de cantadas, acho que nem minha avó cairia nessas suas. — Eu disse me levantando e ele riu de si mesmo.
— E acha que não tentei com sua avó, mas ela tinha um sério problema?
— O que?
— Ela não era você — Ele completou confiante e eu ri um pouco alto.
— Essa foi ótima. — Eu disse e ele sorriu sem jeito.
— Ei, Alice! — Ele me chamou e eu voltei encará-lo. — Seja como for, ou aconteça o que acontecer, tente não perder o seu real objetivo de vista, lembre-se que existem pessoas que te amam e que te apoiam, não importa oque aconteça, não importa o quão anormal e diferente for a situação, nós ficaremos ao seu lado.- Ele disse sorrindo e eu o encarei sem reação, "Meu objetivo?", pensei enquanto o observava arrumar a bagunça que tínhamos deixado na hora de aprontar o suposto acampamento, depois de me fazer rir de mais algumas cantadas ridículas ele finalmente foi dormir.
Eu fiquei acordada um pouco mais depois, pensando em como vim parar aqui, é obvio que meu principal motivo era salvar a minha família, mas era só isso? Eu amo a minha família e faço isso por eles, mas depois de passar tanto tempo por aqui e de conhecer tantas pessoas, meu objetivo, é só isso? Ainda me lembro das palavras de tolke e Cinne, 'Não sei se esse amor chega a ser aquele Amor.', 'mas o amor tem que ser maior', 'Todo amor é amor', agora parando para pensar, tudo que eu tenho feito agora é por mim, eu estou preocupada com White, e chorei com a carta de Lebre, também me senti mal por White quando ela morreu e agora estou sentindo por Ches, mas isso ainda é novo para mim, em toda minha vida eu nunca me preocupei com nada que fosse diferente de mim, ' não importa o quão anormal e diferente for a situação', eu nunca respeitei o diferente, 'Isso não muda o fato de que ela é louca, louca e vocês querem que eu seja igual a ela, daqui a pouco vai vir o coelho branco me levar para o país das maravilhas!', agora refletindo melhor, as palavras que disse a White, 'QUAL O SEU PROBLEMA?! Parece que não se importa com nada... Será possível ! Você... ME SURPREENDE QUERER PROTEGER ALGUÉM!', comparadas com suas até agora: 'Não vou matar minha irmãzinha... Eu realmente me importava com você '... , eu fui... Injusta.
Eu que deveria me perguntar... 'As pessoas tem sentimentos, que são muito mais complexos do que você imagina', ah mãe, porque eu não entendi suas palavras antes? Eu é que tenho que me perguntar, como eu, assim, com meu objetivo egoísta, coloquei a vida de outros em perigos e eles nunca reclamam, exceto White, mas ele nasceu reclamando da vida, 'não importa o que aconteça, não importa o quão anormal e diferente for a situação, nós ficaremos ao seu lado', como posso eu... Querer proteger alguém?
Na manhã seguinte o sol estava um pouco fraco, mas ainda assim me atingia diretamente, a fogueira já tinha se apagado, eu acordei e sentei olhando ao redor, me sentindo um zumbi.
— Bom dia! — Let exclamou me dando um susto e me acordando de vez, eu o encarei e sorri, um típico sorriso que se dá a alguém quando você acorda cedo entende? Ao lado de Let, White estava sentado, com a cara de tacho como sempre e ele ainda parecia um pouco cansado.
— Bom dia. — Eu respondi e Let sorriu, White me encarou e eu sorri pra ele, que apenas continuou me encarando com cara de nada. — Você está bem?
— Sim, eu acho, mas Ches não acha, e Let não acha e você também não deve achar, então não, eu não to bem. — Ele respondeu indignado, revoltado na verdade, eu sorri aliviada, ele não parecia 100 % ainda, mas pelo menos um pouco ele tinha melhorado, afinal a chatice já tinha voltado e como ela representava pelo menos 60% dele...
— Aliás, cadê o Ches?
— Ele disse que foi procurar algumas frutas ou coisa assim. — White respondeu ainda me encarando com cara de nada.
— Entendi. — Eu disse o encarando de volta de um jeito tipo, "Tá me olhando por quê? Vou te encarar também porque sou dessas! "Let se levantou e correu na minha direção, se sentando ao meu lado e sorrindo pra mim.
— Posso te pidi uma coisa? — Ele perguntou fofamente e eu sorri.
— Se estiver ao meu alcance. Você pode pidir qualquer coisa. — Eu respondi rindo um pouco.
— Você pode ser minha irmã mais velha? — Ele perguntou com os olhinhos brilhando, e eu não resisti.
— Mas é claro, será uma grande honra. — Eu respondi e ele sorriu mais ainda, me abraçando e pulando de alegria, eu olhei para White e ele sorriu, um sorriso encantador que eu pouco vi, mas que senti que gostaria de ver sempre, então me lembrei de algo que li na carte de Lebre: "sei que você vai rir de mim por isso, e isso é bom, tudo que eu quero é ver novamente o seu sorriso", eu olhei para Let, uma simples criança num mundo louco e assustador, mas ainda assim, ele não perdeu a capacidade de sorrir e amar, 'porque ela é sua avó e te ama muito', 'o amor age de acordo com o coração', até agora, todos tentavam me dizer a mesma coisa, até minhas próprias palavras: 'todos aqui são como uma grande familia e isso é incrível, isso é...', Uma maravilha? É isso que todos querem dizer, uma maravilha?
Então eu finalmente entendi, Ches pode dizer quantas vezes quiser que esse país não tem nada de bom, mas eu acredito que se ainda há um único sorriso é porque alguma maravilha existe por aqui, e se tem algo que definitivamente farei neste mundo, é encontrá-la, é isso:
Eu vou encontrar a maravilha deste mundo, a maravilha do amor, que une a todos, uma verdadeira maravilha, pode apostar, eu vou encontrar e fazer valer a minha magia, a minha real magia, a magia do amor.
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