Nova geração, nova turma
4 Mielly, a Filha do Contra
Notas iniciais
Ele observava tranquilamente a chuva que batia na janela enquanto arrancava mais um pedaço de seu pão com requeijão. Já eram quase oito e logo teria que ir para o trabalho, preparar a aula do dia para aquela molecada.
Sinceramente? Do Contra nunca pensou que se tornaria professor em seu antigo colégio. Ainda mais professor de história! Tudo bem que sempre adorou a matéria, mas nunca se imaginou ensinando-a. E muito menos gostando do que fazia!
– Opa! — Os pensamentos de Do Contra foram quebrados quando uma garotinha esbarrou nele. Uma garotinha plantando bananeira. — Desculpa, eu ainda não consigo muito bem.
– O que está fazendo?
– Hehe. — A menina riu, antes de dar uma pirueta para ficar em pé novamente. — Estou inventando um novo jeito de andar.
Do Contra arqueou uma sobrancelha, estranhando.
– Olha, desculpe acabar com seu invento, mas muita gente planta bananeira.
– Pode até ser, mas... — Ela voltou plantar bananeira. — Alguém anda pra trás enquanto faz isso?
Ainda com a sobrancelha arqueada, DC deu um pequeno sorriso. Essa sua filha tinha cada ideia... lembrava a ele mesmo quando era pequeno. Tanto pelo jeitinho quanto pelos cabelos e olhos escuros.
– Mielly! — Alguém chamou. E logo uma mulher apareceu na cozinha. Tinha uma belesa simples, mas ainda assim era bonita. Cabelos longos de um castanho claro, e olhos verdes.
– O que foi, mamãe? — Mielly perguntou, ainda plantando bananeira.
– Você deveria aumentar o volume do seu celular. — A mulher mostrou o aparelho. — Tem três chamadas perdidas.
Mielly ficou de pé mais uma vez e pegou o celular com a mãe.
– Bom dia. — A mulher cumprimentou Do Contra com um sorriso.
– Bom dia, Laura. — DC também sorriu. Mas não ficou apenas nisso, pois ele logo puxou a esposa para um beijo.
– Eca! — Mielly resmungou baixinho. Se tinha uma coisa que criança nenhuma contrariava (nem mesmo ela), é que era nojento ver seus pais se beijando.
Decidiu sair da cozinha, e voltou os olhos para a tela do celular. Estava retornando a ligação.
– Alô?
– Tchau, Lúcia. — Mielly cumprimentou.
– Oi, Mielly! — Lúcia se empolgou ao ouvir a voz da amiga. -Como você sabia que ela eu? Estou usando o celular do Theo.
– Simples: Seu irmão nunca me liga. — Com isso, as duas dispararam a rir.
Como o destino gosta de pregar peças. Quem diria que Lúcia e Mielly, justamente as filhas de Cebola e de Do Contra, seriam as melhores amigas. Os homens ainda não se suportavam, mas pelas filhas se esforçavam para não se desentenderem.
– Mas então, por que me ligou?
– Quer vir aqui em casa?
– Hum... tá, acho que não vai ter problema. Quem mais vai?
– O Maulo, o Cj e a Loseli.
– Quase a turma toda. — Mielly pensou um pouco. — Desculpe, se todo mundo vai, eu não vou.
– Mielly! — Lúcia brigou.
– Brincadeira! Eu logo estou aí.
– Tá bom, tchau.
– Oi. — E desligou. — Ô, mãe. — Chamou, voltando para a cozinha.
– Fala, filha. — Laura desviou os olhos de seu café para dar atenção à menina.
– Pode me dar uma carona pra casa da Lúcia?
– Claro. Vá escovar os dentes enquanto eu acabo aqui, e aí nós vamos.
– Hump! — DC resmungou quando ouviu a filha subir as escadas.- Por que sempre a casa da Lúcia.
– Ora, DC. — Laura repreendeu. — Lúcia é uma menina legal, e ela e Mielly são amigas desde bebês.
– A Lúcia pode até ser legal, mas o pai dela... — Do Contra fez uma careta.
– Eu nunca vou entender essa richa entre vocês. — Suspirou. — Nem eu, nem a Mô.
– Mamãe, tô pronta! — Avisou Mielly.
Ela não demonstrava, mas estava anciosa. Adorava ficar com seus amigos.
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