Nova Vida

1 Capítulo 01 – Conhecendo Papai


Notas iniciais
Olá. Hoje eu (Little Princess) e P P Gonçalves estamos em uma parceira para uma nova história para vocês.Ai vai o primeiro capítulo. Esperamos que muitas pessoas leiam e comentem.Já nos decidimos de que não haverá data certa de postagem de novos capítulos, já que ambas temos compromissos. Então sempre que possível um novo capítulo para vocês!! Little Princess

Hoje é dia 10 de dezembro de 2012. Deveria ser um dia de comemoração para minha madrinha, também irmã de minha mãe, pois é o dia de seu aniversário, mas acabou que hoje é um dia de sofrimento. Ontem minha mãe, meu padrasto e minha irmã saíram de carro para comprar o presente da minha madrinha e queriam que eu fosse junto. Acabou que houve mais uma discussão entre eu e minha mãe e eu não sai com eles mais uma vez, mas acontece que desta vez eu estaria livre de todas as saída possíveis. Minha família faleceu em um acidente de carro na volta para casa. Eles perderam o freio do carro, de acordo com a policia, e não conseguiram frear em uma curva importante.

Hoje me encontro em um cemitério tendo que encarar três caixões de uma única vez e ver o olhar de todos com pena de mim. Juro que queria estar naquele carro com eles e poder morrer também. Ao meu lado estão minha madrinha, Silvana e minha avó Zenilde.

Elas assim, como eu, estão inconsoláveis. Nunca, jamais, imaginamos que uma coisa dessas poderia vir a acontecer conosco, mas de uma hora para a outra perdemos muito, ou melhor, elas perderam muito, eu perdi tudo.

Vi os caixões serem enterrados e vi pessoas, de ambos os lados da família, vindo prestar condolências, mas eu admito que nem prestei atenção. Ainda achava que estava em um pesadelo e que logo acordaria e veria minha mãe arrumando-se para ir trabalhar chamando minha irmãzinha para se arrumar para ir à escola enquanto meu padrasto terminava de arrumar a mesa do café da manhã para que pudéssemos comer e logo sairmos para nossos afazeres.

Mas mesmo que eu tivesse uma parte de mim que queria acreditar nisso, bem lá no fundo eu sabia que essa cena jamais se repetiria. Eu jamais veria minha mãe brigando com minha irmã e teria meu padrasto pegando no meu pé porque deixei de fazer alguma “tarefa” doméstica. E também jamais voltaria a ouvir minha mãe brigando comigo, porque me recusava a lavar a maldita louça e também jamais voltaria a ouvir minha irmãzinha pedir para eles, tanto minha mãe quanto meu padrasto, pararem de brigar comigo, e que ela ficava totalmente do meu lado.

Depois da missa que padre Jorge, um amigo da família de meu padrasto, rezou na igreja próxima a minha casa eu me despedi de todos, minha avó Zenilde se prontificou a vir comigo para casa, mas eu me recusei a ter alguém comigo. Queria ficar sozinha. Queria pensar.

Eu ainda era menor, tinha 16 anos. E sabia que minha guarda seria passada a alguém da minha família. Possivelmente um de meus padrinhos, a tia Silvana que era irmã da minha mãe ou para o tio Willian que é meu padrinho e também irmão de minha mãe. Ou então até dariam minha guarda para minha avó, mas eu jamais imaginei que eles fossem passar a minha guarda para meu pai.

No dia 12 de dezembro um oficial de justiça foi até minha casa. Eu jamais esperaria receber a noticia que eu recebi naquele dia. Ele veio com uma carta/ordem judicial informando que minha guarda havia sido transferida para meu pai. Um homem que eu não conhecia e informou que dentro de algumas horas ele estaria chegando ao país.

Eu sabia que meu pai biológico chamava-se Carlos Lopes e que era o dono de uma empresa que fazia marketing para outras empresas ou até ajudava famosos com slogans ou com possíveis campanhas publicitárias.

Sua matriz fica em Nova York. E pelo que eu ouvia era muito famosa e bem sucedida. Até onde eu sabia ele era bem rico e mandava a “pensão” mensalmente para minha mãe que administrava os valores. Uma parte do valor que ele mandava ela colocava em uma poupança em meu nome, mas que era uma poupança de um banco internacional. Ela pedia que eu tentasse não utilizar aqueles valores e que me contentasse com o que ela me dava e com o meu salário.

Sim, eu já trabalhava. Eu era uma recuperadora de crédito em uma empresa de cobrança e devo admitir, trabalhava somente seis horas por dia e meu salário era acima dos R$ 800,00 – claro contando com a comissão que nos pagavam – e eu não tinha nenhuma conta fixa que me impedisse de me divertir com o que sobrava. Vivia saindo com os meus amigos da escola. Havia acabado de me formar no ensino médio com apenas 16 anos e já iria começar um curso técnico na área de enfermagem. Sabia que essa não era a minha vocação. Sempre sonhei em ser uma grande atriz de sucesso, mas vi que antes de lutar pelo que realmente queria teria que ter minha estabilidade financeira e era isso que eu iria fazer. Usar uma parte do meu salário para pagar o curso e o que sobrasse juntamente do que minha mãe me passasse da minha pensão eu iria ficar para gastar durante o mês com os meus amigos.

Mas isso jamais iria acontecer. Se meu pai ficasse com minha guarda me obrigaria a ir com ele para os Estados Unidos e sabe-se lá o que iria acontecer enquanto eu morasse lá com ele e sua nova família. O problema do idioma seria facilmente resolvido. Nos últimos anos, mais especificamente quando eu estava no primeiro ano do ensino médio, ele contratou um professor particular para que me desse aulas de inglês e que depois de toda a matéria dada era para continuar me ensinando para que eu falasse inglês fluentemente. Eu achava um desperdício de tempo, pois sabia que jamais sairia do país.

Meu pai podia ser rico, mas eu jamais havia visto ele e mesmo que o conhecesse jamais sairia do Brasil. Sabia que poderia vir a ganhar bem um dia, mas nunca me imaginei saindo da minha zona de conforto.

Umas três ou quatro horas depois de receber a bomba de que teria que morar com meu pai. Ele finalmente chegou a minha casa. Minha avó já estava lá comigo. Tinha ligado para ela imediatamente assim que recebi a ordem do oficial.

Ele era alto, bronzeado, cabelos castanhos já começando a aparecer os fios grisalhos e aparentava ter por volta dos 40 anos, talvez uns 50 anos. Vinha vestido de um sobretudo marrom, e isso que aqui estava calor, e por baixo dele estava vestido com um terno cinza. Seus sapatos pretos estavam bem engraxados e carregava uma maleta também preta e parecia ser de marca, mas eu nem me dei ao trabalho de confirmar se era ou não, mas vindo dele, possivelmente deveria ser.

Ele veio em um carro com motorista, possivelmente alugado, e ao chegar aparentou ser um pouco arrogante com o pobre coitado, algo sobre ele ter demorado demais a chegar. Eu estava na frente de casa, no escritório de minha tia. Uma das irmãs de meu padrasto e ele nem precisou chamar, como acontece com a maioria.

“Boa tarde. Por favor, poderiam chamar a Pâmela.” Ele entrou falando, mas em nenhum momento olhou para qualquer uma das pessoas ali presentes. Estava compenetrado mechando em seu telefone, um blackberry preto.

“Estou aqui.” Respondi no mesmo nível de arrogância dele. “Quem é você e em que posso ajuda-lo?” É claro que eu sabia quem ele era, mas queria dar uma de desentendida, assim como ele, pois tinha quase certeza de que ele havia me visto, mas mesmo assim pediu que me chamassem.

“Me chamo Carlos.” Ele disse estendendo sua mão para que eu apertasse, mas eu simplesmente fiquei olhando para a mão dele e esperei até que ele desistiu, recolheu sua mão e continuou a falar. “Como você deve saber sou seu pai e atualmente tenho sua guarda.” Ele falava me olhando, mas sinceramente parecia que ele falava com uma garotinha de cinco anos e não com uma adolescente de 16 anos. “Estou aqui para agilizar todos os papeis e assim organizar a nossa partida para Nova York.”

“Você realmente vai leva-la?” perguntou minha avó, e ela parecia incrédula.

“Sim. Ela é minha filha e eu já tinha planos de que ela viajasse para lá e fosse me visitar.” Ele disse olhando para ela como se fosse óbvio. “Então espero que não demore muito com a papelada. Agora poderiam me mostrar onde vou ficar enquanto vejo toda a burocracia?” falou, mas desta vez olhava para mim.

Eu não sabia o que faria. Jamais havia o visto em minha vida e agora ele chega como se fossemos velhos conhecidos. Olhei para minha avó em busca de ajuda e a mesma assentiu com a cabeça positivamente indicando que eu deveria leva-lo para minha casa.

“Tudo bem.” Disse olhando para ela. “Venha comigo.” Pedi e já fui saindo pela porta lateral do escritório onde dava para o pátio de nosso terreno. Minha casa fica nos fundos do terreno e é de dois pisos. Ao entrarmos em minha casa ele a analisou tudo. Ela é bem grande na parte de baixo. Com uma sala de estar razoavelmente grande com vista para a sala de jantar. E ao lado da sala de jantar fica a cozinha e também a entrada para o banheiro. A escada que da o acesso para o segundo andar fica na sala de estar, logo ao lado da porta de entrada. Ao cegar no segundo piso a esquerda é a entrada para o quarto de meus pais. A direita fica a entrada do meu quarto logo ao lado um banheiro e ao lado do banheiro fica o quarto da minha irmã. Seguindo o pequeno corredor chegamos à entrada de uma sala de estar e logo ao lado a entrada para a área de serviço/lavanderia.

Eu percebi que no segundo andar ele fez menção de ir diretamente para o quarto de meus pais. Fui mais rápida que ele e entrei na frente de seu caminho bloqueando sua passagem.

“Esta proibida a entrada neste quarto.“ Eu disse olhando para ele e completei. “Assim como no quarto de minha irmã. Se quiser um lugar para dormir vai ter que arrumar uma cama no chão da sala ou então dormir em um dos sofás. No quarto deles ninguém entra.” Disse olhando para ele com determinação.

“Você não pode estar falando sério, não é?” ele disse com ar de deboche. E eu continuei olhando para ele com uma expressão séria. “Tudo bem. Arrume roupas de cama para mim que eu estarei na sala de estar do fim do corredor.” Disse virando-se para a direita e seguindo até a sala de estar.

Assim que o vi sumir pela porta entrei em meu quarto e peguei algumas roupas de cama e meu travesseiro extra e levei para ele. Quando cheguei à porta da sala pude ver que ele estava sentado no sofá com sua pasta sobre na mesa de centro da sala, a mesma estava aberta e ele já tinha tirado de lá de dentro um notebook e estava digitando algo nele.

Parecia descontraído e como se estivesse fazendo algo normal. Entrei e deixei as roupas de cama sobre o sofá e acho que só neste momento ele percebeu a minha presença. Virou-se para mim e deu um pequeno sorriso.

“Poderíamos conversar?” questionou e indicou o chão ao seu lado convidando-me a sentar com ele. “Gostaria de explicar para você o que exatamente vai acontecer com você de agora em diante.”

Eu ainda estava em duvida se poderia gostar ou não dele, mas eu teria que conviver com ele e precisava de informações também. Sentei-me a seu lado e esperei que ele falasse algo.

“Bem, como já disse antes, vim para que pudesse agilizar os papeis que me deixam como seu guardião legal até seus 21 anos.” Disse me olhando. “Espero que entenda que tenho minha vida lá em Nova York e que também tenho uma família lá.”

A cada frase que ele ia falando eu somente ia concordando, sinceramente não dava a mínima para o que ele estava me dizendo a única informação que penetrou no meu cérebro foi a parte ...guardião legal até seus 21 anos... Isso significava mais cinco anos com ele e tudo que eu fosse fazer teria que ter a permissão dele.

“Vou fazer de tudo para que você adapte-se bem lá, mas também gostaria que você desse uma oportunidade para eles, minha esposa e meu enteado, antes de julga-los.” Ele continuava falando e dessa vez eu voltei a prestar mais atenção. “Você acha que poderia tentar?”

“Posso ver o que estará ao meu alcance.” Disse já me levantando. “Agora eu vou para o meu quarto. Qualquer coisa que você necessite pode procurar pela casa desde que não invada os locais de zona proibida.” Disse já saindo da sala e indo para o meu quarto.

Minha vida iria mudar e muito, mas sinceramente, já não importava mais. Perdi tudo que eu tinha na minha vida, tudo que me motivava a viver já não existia. O que eu iria fazer seria sobreviver. Somente isso. A partir de hoje eu vou somente sobreviver!

Notas finais
Isso ai Galerinha. Estamos em um projeto de divisão de trabalho. Já temos uma ideia do que queremos e do que não queremos, mas aceitamos sugestões. Little Princess sabe como plantar uma ideia brilhante na sua mente e deixá-la de lado, como se estivesse esquecida até que um dia você percebe que não dá para deixar de lado e é convencida pela ideia original, uma parceria.Como ela deixou claro, não haverá datas exatas de postagens mas sempre que possível vocês receberão atualizações.- P P Gonçalves
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.