2012

Antes de fecharem o portão dava-se para ver e ouvir todo o barulho de fora. As pessoas gritando, crianças chorando e idosos sendo deixados pelo caminho.

As luzes vermelhas começaram a piscar, indicando que o portão já estava sendo fechado. As pessoas que ainda estavam entrando se exprimiam umas nas outras para conseguirem entrar.

Uma senhora – que aparentava ter mais de setenta anos – estava caída no chão, aparentando não poder mais caminhar, enquanto, os outros mais novos a pisoteavam.

O barulho das sirenes começou a tocar e o portão a fechar. A senhora estava se apoiando na parede, mas não tinha muito êxito ao se levantar. Por impulso corri em sua direção enquanto as pessoas corriam cada vez mais rápidas.

Quando cheguei à senhora ela estava encolhida na parede – tentando não ser pisoteada. Estendi minha mão quando ela levantou a cabeça, mas não recebi resposta sua. A puxei pelos ombros, tentando levanta-la, quando ele finalmente me encarou.

– Me deixe aqui. – disse ela, quase como um sussurro. – O meu tempo já passou. Deixe-me aqui.

Sua voz era rouca, de alguém que já tinha vivido muito e não esperava mais nada da vida. Mas eu não podia deixa-la, esse não era o fim que ela merecia.

Peguei novamente, dessa vez com toda a força que ainda me restava, e finalmente ela se levantou. Coloquei seu braço esquerdo ao redor do meu pescoço e fomos caminhando ate o portão, que estava prestes a ser fechado.

Dois homens que já estavam dentro me ajudaram a leva-la par dentro, no mesmo instante em que entrei o portão havia se fechado.

Ajoelhei-me no chão sujo daquele lugar. Respirei, tentando encontrar ar nos meus pulmões. Observei novamente o portão, agora fechado, ainda havia pessoas lá fora, batendo no metal e tentando abri-lo, desesperadas para salvarem suas vidas, mas nós sabíamos que daquele dia em diante ninguém jamais veria a luz do sol novamente.

Notas finais
Um comentário sempre deixa um autor feliz :D