Nova Ordem
3 Capitulo Dois
Era por volta de onze horas da noite quando fui acordado por alguém. Me levantei, mas demorei para recuperar a visão. Ouvi cochichos ao meu lado e reconheci aquelas vozes.
– Pam? Chris? São vocês? – falei finalmente me levantando da cama.
– Não. É o Papai Noel e a fada dos dentes. – disse Chris.
Procurei os meus óculos ao lado da cama e o coloquei.
Pamela estava com um vestido preto, que sempre que podia usava. Ela disse, quando nos conhecemos, que aquele vestido foi dado pela sua mãe no dia em que ela morreu.
Christian estava com uma das roupas que usava no treino, e com uma sandália que mostrava o quanto seus pés estavam desgastados.
– O que vocês estão fazendo aqui?
– Pergunta isso a Pam, ele me acordou agora desse mesmo jeito. – disse indicando pra ela com a cabeça.
– Vamos sair. – ela disse sem muita animação.
– Essa hora? – perguntei olhando novamente pra o relógio. – É quase meia-noite, o toque de recolher...
– ...Esquece o toque de recolher. Vamos realizar seu maior desejo de aniversario.
– Meu maior desejo de aniversario é acordar amanha e descobrir que nada disso é real.
– É basicamente isso que vamos fazer. – disse ela, e fazendo levantar o rosto e encara-la. – Amanha você completa dezoito anos e já vi poder começar o treinamento.
– Você fala como se isso fosse uma coisa boa. – reclamou Chris.
– Claro que é, ou vocês não querem descobrir um jeito de sair daqui?
Nos olhamos por alguns segundos, mas ninguém a retrucou.
– Pois bem. – continuou. – Só vamos mostrar alguns lugares para você não ficar perdido quando começar.
– Tanto faz. – me levantei da cama e peguei uma mala onde estavam as poucas roupas que eu consegui desde que cheguei. – Eu já perdi o sono mesmo.
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– Você tem certeza de onde está indo?
– Relaxa. Eu já conheço esse lugar com a palma da minha mão.
E isso era verdade. A Pamela esta no alistamento há três anos e conhece esse lugar como ninguém.
Já o Christian é um iniciante como eu. Completou dezoito anos a uma semana atrás, mas ainda não pegou o jeito.
Nos conhecemos na segunda noite que chegamos. Eu estava procurando algumas roupas que me servissem quando resolvemos pegar a mesma camisa de Doctor Who, que eram exatamente o nosso numero.
– Eu estou congelando de frio. – exclamou Chris que estava a poucos passos atrás de mim.
– Onde estamos indo? – perguntei.
– Vamos a um lugar que eu descobri há pouco tempo. – Pam parou e esperou que chegássemos perto dela. – Eu sugiro que vocês façam o máximo de silencio agora. Nesses lugares mais afastados sempre pode ter algum guarda.
Concordamos com a cabeça e a seguimos, sem dizer uma palavra.
O lugar era muito escuro e o pouco de luz que chegava era fraca demais. As paredes eram feitas de metal e nessa parte da “cidade” tinham cheiro de ferrugem. O chão não era diferente, mesmo calçado era possível sentir que estava molhado.
– Como você encontrou esse lugar? – perguntei. Tentando afastar o pensamento de que a qualquer momento poderíamos ser pegos ali.
– Faz pouco tempo. Estávamos fazendo varredura de espaço quando eu vim parar por aqui. Eu marquei as paredes com um X – ela pontou pra mais a frente, onde tinha um X desenhado bem na entrada. – para depois procurar e vasculhar com mais calma.
– E você decide nos trazer aqui sem conhecer o lugar? — resmungou Chris.
– Não perceberam que eu estou fazendo isso pra ajudar vocês? Logo, logo eu posso ser escolhida como uma dos cinco para sair e explorar o que restou do nosso mundo. E se isso não der certo. – ela fez uma pausa, como se estivesse escutando algo, mas não se podia ouvir nada. – Se não der certo vocês podem ser os próximos. – completou.
– Vai dar tudo certo. – digo.
Pam volta a explorar o lugar desconhecido quando novamente se vira para observar alguma coisa, mas dessa vez todos nos ouvimos algo.
Ouvimos passos vindos em nossa direção e algumas vozes gritando: Eles devem estar por aqui. Procurem.
– Ótimo! Descobriram que não estamos onde deveríamos estar: dormindo. – Chris começa a se desesperar.
– Hoje não é dia de inspeção. – Pam fala consigo mesma. – Talvez eles tenham isso ver você por conta do seu aniversario.
– É exatamente meia-noite. – digo olhando no relógio preso em meu pulso.
– Talvez eles passaram para te dar um presente de aniversario. – disse Chris.
Pamela começou a procurar algum lugar para nos escondermos. Comecei a vasculhar todo o corredor, que parecia não te fim, quando me deparei com uma abertura na parede. Corri, fazendo-os irem atrás de mim, quando cheguei em frente, me deparei com uma porta e uma pequena janela onde olhei, mas não consegui ver nada.
– Que lugar é esse? – Chris perguntava. Já em desespero.
– Eu não sei. – Pam quase gritou, mas consegui manter o tom da voz baixo.
– Vamos entrar de qualquer jeito. – disse.
Não esperei resposta de nenhum. Abri as duas portas quando vi luzes se aproximando de nos e entrei. Pam me seguiu imediatamente e Chris entrei por ultimo, me ajudando a fechar as duas portas.
Nos sentamos no chão, perto a porta quando os passos estavam atrás de nós. Ficamos em silencio enquanto a luz da lanterna iluminava a sala entre as brechas da porta.
Ficamos sentados e apenas ouvindo a respiração ofegante uns dos outros ate termos certeza de que poderíamos sair.
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