Nova Geração - Ano 1
32 Jogos de Xadrez e Duelos
Notas iniciais
– Finalmente!! – gritou Alvo ao sair da enfermaria sem sentir nem uma dorzinha se quer.
– Liberdade! – suspirou Rose de alivio.
Todos concordaram apenas aproveitando poder finalmente voltar à rotina e sair daquela enfermaria sufocante. Evan acenou para todos e saiu em direção ao corredor vazio – afinal, era sábado. Todos estavam lá fora nos jardins aproveitando o tempo fresco que estava fazendo.
– Alguém conseguiu conversar com esse garoto? – perguntou Violet enquanto ele desaparecia na curva do corredor. Todos negaram apenas Scorpio fez uma careta e disse:
– Ele é bom no xadrez, mas é bem tímido.
– Ou seja, nem o tonto aqui que passou uma eternidade lá com o menino conseguiu fazer amizade com ele. – disse Violet sarcástica.
– Ei! Xadrez é um jogo de intelecto. Você não conversa enquanto joga.
– Aham. Ou você deixou o menino traumatizado de tanto vencer dele.
– Eu não fiz isso! – protestou Scorpio.
– Ei, pombinhos. – chamou Alvo – Eu tenho que ir até a sala da diretora perguntar para onde levaram o Gordon. Alguém vem comigo?
– Eu vou. – disse Violet dando de ombros.
– Ok. E você, Malfoy? – disse Alvo piscando, sabendo que aquilo provocaria o amigo.
– Foi mal, Potter. – Scorpio revirou os olhos – Vou para a sala comunal. Tobias deve estar sentindo minha falta também, sabe?
– Tudo bem então. Te vejo mais tarde. – Alvo disse e saiu andando para o lado esquerdo do corredor com Violet ao lado.
– Bem, vocês duas vão para a torre da Grifinoria? – perguntou Scorpio para Rose e Lizzie. As duas assentiram – Legal. Posso acompanhar vocês até as escadas?
– Claro. – disse Rose ficando levemente corada.
Os três saíram andando em silencio por um tempo, até que Rose quebrou o silencio:
– Quem é Tobias?
– Meu gato. – disse Scorpio – ele passa muito tempo comigo quando estou na sala comunal. Fiquei uma semana longe, ele deve ter andado o castelo todo atrás de mim. Estou preocupado.
– Ah, que dó. Espero que ele esteja bem. – comentou Rose. Scorpio sorriu para ela.
– Então, você joga xadrez há muito tempo? – perguntou Lizzie, distraindo o menino antes que ele notasse a amiga ficando vermelha.
– Ah... Um pouco. Meu pai sempre gostou muito e me ensinou desde pequeno e ele sempre disse que uma mente afiada vence qualquer força bruta. Tenho certeza que ele não conhecia caras como Marcus e Brutus quando tentou me ensinar isso. – ele deu risada com escárnio.
– Você é muito bom no xadrez. Deixou aquele garoto, Evan, bem irritado a semana toda. – disse Lizzie.
– Eu realmente não sei como ele não percebeu o padrão das suas jogadas. – comentou Rose distraída.
– O que?! – Scorpio a olhou surpreso.
– Bem, você passou uma semana jogando com o menino varias e varias vezes e o seu cheque mate sempre vinha depois das três mesmas jogadas... É um padrão bem obvio, não sei como ele continuava dando abertura para essas jogadas toda vez.
– Você... Como você... Você sabe jogar xadrez? – Scorpio a olhava boquiaberto.
– Bem, eu... Aprendi um pouco com o meu pai. Minha mãe sempre disse que o xadrez de bruxo era um jogo de bárbaros, mas meu pai adora e me ensinou a gostar também...
– E como eu nunca soube disso? – Scorpio a olhava com um fascínio que chegava a ser engraçado. Como uma criança que acaba de descobrir que um super-herói que ela adora, também pode voar.
– Ahm... Você nunca perguntou.
– Pois agora nós temos que jogar juntos. Precisamos.
– Ok... – Rose estava quase virando uma coisa só com os cabelos ruivos.
Eles finalmente chegaram às escadas e Scorpio se despediu das duas e desceu, elas começaram a subir juntas até que Lizzie comentou assim que teve certeza que Scorpio não podia mais ouvir:
– Vocês dois me dão ânsia.
– O que?
– De tão doces. Me fazem passar mal.
– A é? E você e o Alvo hein?
– O que tem? – Lizzie começou a corar.
– O que tem? Eu ouvi muito bem quando minha tia disse que você e ele iam para todo lado de mãos dadas. E você ficou muito vermelha, como está agora! – ela empurrou a amiga com o quadril provocando-a.
– Rosalie Weasley venha já aqui, vou lhe mostrar o que é ficar vermelha mocinha. – disse Lizzie tentando pegar Rose pelo braço.
Rose escapou e subiu as escadas correndo na frente em rindo. Lizzie foi atrás rindo e tentando pegar a melhor amiga.
...
– Eu juro que já não sei mais o que fazer com eles. – suspirou Fred enquanto olhava se levantava.
Era sábado e o sol resolvera a dar as caras por Hogwarts nessa rara ocasião. Mas o dia ainda estava bem fresco, o vento frio. Fred estava nos jardins deitado na grama com a cabeça nas pernas de Lisa enquanto ela estava encostada numa arvore lendo e com uma das mãos nos cabelos cacheados dele, enrolando os dedos nos cachos e depois arrumando de volta. Devia fazer quase duas horas que estavam ali e Fred estava quase adormecendo quando a confusão começou.
Dominic estava a alguns metros com um grupo de meninos jogando Snap Explosivo quando James – que estava vindo encontrar com Fred e Lisa – foi parado perto do lago por ninguém menos que Danielle.
– O que você quer? Já te disse para ficar longe de mim. – disse James olhando a menina a sua frente com ódio. Ele nunca pensou que fosse capaz de sentir tanta raiva de alguém assim.
– Ah James. Que isso? Vai me rejeitar agora? – ela disse já se aproximando dele e colocando a mão em seu rosto.
– Vou sim. E devia ter rejeitado antes. – ele se desprendeu das mãos dela e passou por ela sem olha-la mais.
– James querido, não precisa mais me tratar assim. Todos já sabem, não precisamos mais nos esconder do Dominic. – Danielle disse alto o suficiente para que o menino mencionado se virasse ao ouvir seu nome.
Dominic olhou para os dois com fúria. James parou onde estava e se virou para olhar Danielle em vez do menino raivoso que vinha em sua direção. Ele parecia pronto para lançar uma das maldições imperdoáveis em Danielle. Mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa Dominic tirou a varinha do cós da calça e gritou:
– Levicorpus!!
James foi erguido do chão pelos pés e ficou de ponta cabeça. A varinha escorregou de dentro do tênis de cano médio que ele estava e ele a pegou no meio da queda apontando para Dominic e gritando:
– Aguamenti! – um jato d’água saiu da varinha de James atingindo Dominic no rosto e cortando o feitiço que o suspendia no ar.
James caiu no chão e se levantou limpando a sujeira da calça.
– Dom, cara. Não é verdade, eu nunca quis...
– Cale a boca! Depulso. – o feitiço de Dominic arremessou James uns três metros para trás.
– DOM! Pare agora! – gritou Fred, finalmente chegando onde os meninos estavam.
A escola toda parecia estar nos jardins naquela hora. Em volta, apenas olhando o duelo que havia irrompido. Rachel apareceu ofegante ao lado de Lisa.
– O que está acontecendo aqui?
– Danielle provocou outra briga entre esses dois. – disse Lisa.
– Ah, por Merlin. Essa menina não sabe quando parar não é mesmo?
– Não. Não sabe. – disse Fred rancoroso.
James finalmente conseguiu levantar da pancada que tinha dado com as costas no chão quando foi arremessado. Olhou para Dominic ressentido.
– Eu não quero brigar com você.
– Você não tem escolha. – respondeu Dominic sombrio – Diffindo!
– Protego! – gritou James surpreso. O feitiço ricocheteou e voltou para Dominic fazendo um corte em seu braço – Você está louco?!
– Meninos, por favor, não briguem por minha causa. – disse Danielle com uma voz de falsa preocupação que deixou Rachel com raiva – A gente pode resolver isso, juntos.
– Ah, por Merlin. Cale a boca Danielle! – Rachel tirou a varinha do bolso e apontou para Danielle – Densaugeo.
Os dentes perfeitos de Danielle começaram a crescer descontroladamente até seu queixo. A menina começou a gritar e a soltar xingamentos para Rachel que saíram ininteligíveis. Rachel gargalhou enquanto Danielle saia correndo para dentro do castelo, gritando.
Isso distraiu os dois por um tempo. Fred olhou para Lisa e ambos se entenderam. Os dois sacaram as varinhas e gritaram:
– Locomotor Mortis! – colando as pernas de James e Dominic uma na outra ao mesmo tempo.
Ambos caíram no chão desequilibrados e com a surpresa soltaram as varinhas na queda. Rachel pegou as duas varinhas na grama e entregou a Fred.
– Finite incantatem. – Fred soltou as pernas dos dois – Vocês dois, me sigam. E eu falo sério. Quem ficar para trás eu deduro para a McGonagall.
Fred saiu andando em direção ao castelo e os dois meninos o seguiram.
Assim que chegou ao pátio praticamente vazio ele puxou os dois amigos e os encostou na parede com força. Às vezes Fred esquecia que era um ano mais velho e, portanto, maior que esses meninos. Mas agora ele usou isso a seu favor.
– Eu não faço ideia de como isso começou, mas vocês tratem de acabar. Vocês dois são primos e melhores amigos desde sempre, essa menina não vale um pingo de suor que vocês estão tendo sentindo raiva.
– Não interessa. Ele beijou a minha namorada. – disse Dominic sem olhar para James.
– Cara, quando você começou a sair com ela você já sabia da reputação dela. Sabia que ela colocou chifre em pelo menos dois terços dos caras que ficaram com ela. E você mesmo com ela vivia dando em cima de outras meninas. – James balançou a cabeça concordando e Fred se virou para ele – Você não vá pensando que é inocente. O que passou pela sua cabeça de estragar sua amizade por uma menina daquelas?!
– Eu sei que estava errado! – disse James e olhou para Dominic que o olhava de canto de olho – Desculpa cara. De verdade. Ela começou a dar em cima de mim e eu não soube dizer não. Não foi certo e eu me senti culpado desde o segundo em que aconteceu. Eu não sinto nada por ela e se você ainda gosta dela, por favor, não deixe que meu erro estúpido estrague isso.
– Eu nem quero mais nada com ela. – comentou Dom com uma voz de criança emburrada.
– Então por que você está bravo? – James o olhou confuso.
– Por que você é meu melhor amigo. Você é minha família cara. E ai você vai lá e não pensa duas vezes antes de beijar a garota que eu estou ficando, por mais que ela não preste, você me traiu.
– Me desculpe Dom. – James abaixou a cabeça e olhou para os pés – Eu queria poder desfazer essa confusão toda.
– É. Mas não pode. – Dominic olhou para James e depois para Fred – Que seja... Vou sair daqui.
E então o menino loiro estendeu a mão para Fred que lhe entregou sua varinha e saiu andando para dentro do castelo. Quando ele passou pela enorme porta de madeira James olhou para Fred e disse:
– Você acha que ele vai me perdoar?
– Vai sim. Só de um tempo a ele. Você realmente pisou na bola cara.
– Eu sei.
– Bom, isso já é um começo. – Fred entregou a varinha de James a ele – Eu vou voltar lá para fora. Lisa ficou lá me esperando, você vai ficar bem?
– Vou sim. Valeu por intervir.
– Os três mosqueteiros, certo?
– Certo. – James sorriu e abraçou o amigo.
Fred começou a descer em direção ao lago novamente e James ficou ali em pé, encarando sua varinha, tentando absorver o que acontecera.
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