Nova Geração - Ano 1
13 A Reunião na Sala da Diretora
– Vocês fizeram o que?!?! – exclamaram Violet, Rose e Lizzie juntas.
Era domingo e o grupo estava sentado perto do lago no meio da tarde. Logo de manhã Violet pedira explicações sobre o olho roxo de Scorpio, mas com tanta gente da Sonserina amiga de Fabian era perigoso contar essa historia na mesa do café. Então esperaram até ficarem sozinhos, mas com tantas coisas para fazerem de dever para as aulas do dia seguinte acabaram se distraindo e no seu único momento de paz à tarde os três foram para os jardins, onde encontraram Rose e Lizzie que ao olharem para Scorpio já começaram a fazer perguntas. Definitivamente Scorpio andar por ai como um panda caolho era um péssimo jeito de ser discreto.
– Vocês dois são loucos? Aqueles dois podiam ter quebrado vocês no meio! – gritou Lizzie.
– E eles iam, se não fosse pela ajuda que tivemos estaríamos na enfermaria agora.
– Mas é onde vocês deveriam estar! Olha para isso! – disse Rose apontando para o olho roxo de Scorpio.
– Você mal consegue respirar Alvo, seria melhor que vocês dois fossem mesmo para a enfermaria. – disse Violet olhando preocupada para o rosto azulado de Alvo.
Ambos negaram os pedidos. Não iam para a enfermaria de jeito nenhum. Era verdade que Alvo tinha que tomar cuidado para não respirar muito forte devido as pancadas que levara nas costas, e se tivesse que se curvar ou rir ou qualquer coisa que exigisse que ele se dobrasse ele não tinha certeza do que doeria mais, as costas ou o abdômen. E Scorpio mal conseguia abrir o olho esquerdo que tinha assumido uma coloração de roxo e azul. Mas assim como Rose, Lizzie e Violet, Madame Pomfrey iria querer explicações sobre o que acontecera com eles. E até onde Alvo sabia, eles iriam parar na diretoria se descobrissem o que acontecera no dia anterior.
– Alvo, esta me ouvindo? – Rose estalava os dedos na frente dele – Você não esta bem, precisa tomar alguma coisa pra isso agora, você pode estar muito machucado e nem sabe. Às vezes quebrou alguma coisa ai dentro. – ela apontava para o tronco dele ao falar.
– Eu estou bem Rose. Não é nada, serio. – era mentira. Alvo estava sentindo muita dor.
– Ahn, será que poderíamos sair do sol? Esta machucando meu olho. – reclamou Scorpio cobrindo os olhos com a mão.
Rose lançou um olhar de repreensão aos dois, mas puxou Alvo e Scorpio para uma sombra que vinha do castelo. Assim que todos se sentaram – Lizzie e Violet em extremos opostos – eles permaneceram assim por um bom tempo, em silencio, apenas curtindo o final da tarde – e o fim do verão também. Enquanto Alvo via o sol se por lentamente e tentava manter uma respiração equilibrada um homem veio andando pelo gramado em direção ao grupo. Alvo não notara quem era até ele estar a uns cinco metros deles e gritar:
– Sr.Potter! Sr. Malfoy! Para a sala da diretora agora. – era o pai de Lizzie, Prof. Longbottom.
Scorpio se levantou com um salto, Alvo começou a ter uma crise de tosse que lhe deu vertigem, obrigando-o a se apoiar em Rose para levantar. O Prof. olhou preocupado para ele, mas rapidamente mudou sua expressão para “façam o que eu digo....por favor.”
– Pai, ele esta machucado, cuidado! – exclamou Lizzie olhando para Alvo como se ele fosse um filhote de foca ferido.
– Meninas, voltem aos seus afazeres, não tem nada para ver aqui. – disse o Prof. Longbottom ignorando o comentário da filha e levando Alvo e Scorpio pelos braços para dentro do castelo.
– Escutem aqui meninos, a diretora esta muito nervosa com essa situação. Ela queria vir buscar vocês dois pessoalmente, mas eu não deixei. Então tentem não estressa-la mais. Falem o mínimo possível e sempre com respeito. Aquele menino, Fabian, já fez a caveira de vocês, então é bom terem uma explicação bem convincente. – a expressão do Prof. Longbottom era de pura preocupação.
Eles chegaram em frente a uma estatua de um pássaro enorme e o Prof. Disse a senha – “hipogrifo” – e eles subiram na escada magica para que ela levasse-os até a porta do escritório da diretora McGonagall. Quando a escada parou o Professor bateu na porta e lá de dentro veio um grito de “entre” e então o Prof. Longbottom entrou com Alvo e Scorpio atrás dele. McGonagall encarou demoradamente os dois recém-chegados. Alvo se recusou a desviar o olhar da diretora, mas Scorpio olhava para seus pés tentando esconder o olho roxo.
– Vá buscar os outros. – disse a diretoria sombriamente.
O Prof. Longbottom assentiu e se encaminhou para fora da sala. Alvo tinha certeza que assim que James entrasse na sala coisa ia ficar feia. Por enquanto estavam apenas Alvo, Scorpio, Fabian e seus dois armários de estimação em pé em frente a diretora. Ela lançou um olhar para Alvo e Scorpio que o assustou. Não era raiva, repreensão, decepção, nem nada disso, era... divertimento. A diretora disse:
– Potter e Malfoy. Nunca pensei que fosse viver para ver esses dois nomes do mesmo lado de uma briga. – um leve sorriso passou pelo rosto da diretora.
Scorpio olhou para Alvo pelo canto dos olhos e se mexeu constrangido. É claro que Scorpio tinha contado para Alvo tudo sobre a rivalidade de seus pais na época do colégio. Algo de que Alvo nunca tinha ouvido falar, uma vez que sempre que o nome do pai de Scorpio aparecia no Profeta Diário o pai de Alvo o elogiava como um bom profissional, mas nunca mencionara se quer que eles estudaram juntos. Assim que Alvo e Scorpio começaram a andar juntos de verdade, até mesmo por que eram da mesma casa, Scorpio explicara tudo a ele e dissera que no futuro talvez causasse problemas para ambos. Alvo apenas dissera que Scorpio estava se preocupando a toa, afinal seus pais já eram homens adultos e aquilo era coisa do passado. Mas agora Alvo já não estava tão certo disso. Com certeza uma carta seria enviada a seus pais. Será que seu pai pensaria que a culpa era de Scorpio? Que ele era uma má influencia para ele e o proibiria de ver o amigo? Não! Isso era um absurdo. Seu pai era mais racional que isso. Não era?
Toc toc.
O professor entrou com o irmão de Alvo, Dominic, Fred e Vic atrás dele. Mas o que Victorie estava fazendo ali? Ela nem tinha entrado na briga! Com certeza aquele nojentinho do Fabian tinha dito muito mais do que acontecera.
Com um aceno de mão a diretora dispensou o Prof.Longbottom e ele se retirou da sala lançando um ultimo olhar de advertência para Alvo. Ele escutou a porta se fechar atrás dele e então fixou o olhar na diretora que examinava os rostos de cada um deles ali. Alvo seguiu o olhar da diretora até Fabian e pode perceber por que ela fazia uma expressão de repulsa toda vez que olhava o garoto.
O rosto de Fabian estava desfigurado. Seu rosto inteiro estava roxo, seus olhos pareciam duas uvas gigantes estragadas. Sua boca estava inchada e ele tinha um corte na sobrancelha esquerda. Seus capangas estavam com uns hematomas no rosto, mas as marcas mais aparentes eram as protuberâncias gêmeas em suas testas, avermelhadas onde eles tinham batido um no outro. Alvo teve de se segurar para não rir.
Antes que a diretora dissesse alguma coisa depois de examinar atentamente as expressões de culpa de todos na sala, James pulou em cima de Fabian fazendo com que o menino se chocasse contra a parede.
– Seu imprestável, eu vou te matar!! – gritava James.
Tudo o que Fabian sabia fazer era choramingar por ajuda.
A diretora se levantou e disse:
– Basta! – e com um aceno da varinha ela separou os dois garotos.
James ainda olhava para Fabian com um olhar assassino, mas a diretora se pronunciou.
– Eu vou libera-los do feitiço. E se eu vir outra demonstração de quanto vocês se parecem com primatas como essa, eu juro que estarão no Expresso de Hogwarts de volta a Londres logo pela manhã. E podem esquecer a magia pelo resto de suas vidas!
James a olhou com pavor. Como se não acreditasse que ela fosse capaz e tal atrocidade.
– A senhora não faria isso comigo não é Diretora McGonagall? – disse Fabian no seu tom mais bajulador – Eu sou apenas as vitima aqui. – ele tinha dificuldade de falar devido ao inchaço dos lábios e... o que era aquilo? Ele estava sem um dente? O dia de Alvo acabara de melhorar!
– Eu nunca tive tamanho desprezo por um grupo de alunos como tenho agora. – ela olhou diretamente para Fabian ao dizer isso – Garotos que ficam se batendo por ai como se fossem bárbaros. E ainda temos uma moça graciosa como a senhora Srta. Weasley envolvida.
– Mas ela não... – Alvo tentou protestar.
A diretora ergueu um dedo para ele e continuou:
– Eu não lhe dei permissão para falar Sr. Potter. Eu sabia que seu irmão era um garoto de gênio forte, mas arranjar uma briga em seu primeiro ano escolar? Você se superou. Ambos! Imagine o desgosto do pai de vocês quando souber o que fizeram?
– Tenho certeza que ele ficará orgulhoso de eu ter ensinado a esse imbecil qual o lugar dele. – disse James encarando Fabian.
– James. – repreendeu a diretora – E você Sr. Malfoy! – dessa vez ela olhou diretamente para Scorpio – Com seu pai no hospital e você da essa dor de cabeça para sua mãe? Não esta nem um pouco preocupado de como ela deve estar agora passando noites no hospital ao lado de seu pai?
Alvo olhou para o amigo e teve certeza de que ele fosse começar a chorar.
– E você Sr. Vann Houlten. – ela olhou para Fabian – batendo em alunos do primeiro ano? Onde esta a sua honra garoto? O seu caráter?
– E ele um dia teve algum dos dois? – perguntou Dominique com uma surpresa genuína.
– Sr. Weasley, não me faça querer coloca-lo no trem mais cedo este ano. – disse a diretora seria.
– Diretora McGonagall, acredito que a Srª. esteja equivocada quanto ao que aconteceu. – disse Victorie usando de todo o seu charme – a senhora escutou apenas a versão de Fabian e, perdoe-me a ousadia, seria uma tola se se apegasse apenas a essa versão.
A diretora olhou para Victorie e ergueu uma sobrancelha. Alvo achou que era naquele momento em que ela mandaria que todos arrumassem as malas, mas então ela disse:
– Pois bem, vamos ouvir a sua versão Srtª. Weasley.
Foi então que Vic, usando de todo o seu charme, com a ajuda de Alvo e Fred – que parecia o mais racional entre James e Dom – contou o que realmente acontecera no dia anterior.
– É verdade Sr. Vann Houlten? O senhor e seus dois amigos Marcus e Brutus bateram nos senhores Potter e Malfoy sem motivo algum?
– Não diretora, eles estão mentindo, eles que começaram a me agredir primeiro!
– Mentiroso! Você estava espancando os dois e quando minha irmã foi tentar para-lo você ameaçou bater nela! – gritava Dominique com o rosto vermelho e as veias do pescoço saltando de raiva.
– Sr. Vann Houlten! O sr. ameaçou bater em uma menina?
– Não! Eu só estava... – Fabian não conseguia mais encontrar desculpas – Ela me provocou!
– Eu só disse algo sobre um bichinho de pelúcia muito querido... – disse Vic olhando para as unhas como se estivesse conversando com ela mesma.
Fabian a encarou. Talvez fosse a aparência desfigurada de seu rosto espancado, mas sua expressão parecia a de alguém que adoraria ter a chance de bater nela pra valer da próxima vez.
– Olhe o que o animal do irmão dela fez com meu rosto diretora! Olhe isso! – ele apontava para seu rosto grotesco – Ele merece ser punido!
– Você esta certo Sr. Vann Houlten. – Alvo quase caiu duro no chão ao escutar isso, mas então a diretora completou – Todos vocês merecem punição. – uma expressão cansada se apoderou do rosto da diretora – Eu estou... Decepcionada. Com todos vocês. Todos ganharam detenção. Apenas uma semana para a Srtª Weasley. Um mês para o resto de vocês.
– Mas o que... ? – exclamou James.
– Eu ainda não acabei. Cem pontos serão tirados da Grifinoria, cinquenta de cada um, – ela apontou para Fred e James – sessenta da Corvinal, cinquenta do Sr. Weasley, dez da Srtª Weasley, cento e noventa pontos serão tirados da Sonserina, cinquenta de cada um de vocês três – ela apontou para Fabian e seus brutamontes – e vinte de cada um dos dois. – ela apontou para Alvo e Scorpio – E por fim, mandarei cartas para os pais de todos vocês.
Ao escutar aquilo Alvo teve outra crise de tosse, a vertigem se apoderou dele e ele desmaiou.
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