Nova Geração
4 A primeira aventura
Tive o sonho mais estranho de sempre. Com um fantasma sem cabeça... Depois o Neville estava a dar uma aula e a falar sobre uma planta num quadro cujo fruto era a cabeça do fantasma...Acordei com uma sensação muito estranha, como se tivesse demasiada energia nas minhas veias e precisasse de a soltar.
Não precisei de olhar para a janela para adivinhar que ainda era demasiado cedo para me levantar. Olhei para o medalhão com relógio que tinha em cima da mesinha de cabeceira, eram três e meia da manhã. Olhar para o relógio fazia-me pensar em casa. A minha mãe tinha-mo dado depois de eu ter lido que objectos electrónicos não funcionam em Hogwarts, logo não podia levar o meu despertador digital. Sabia que o meu pai e o tio Harry tinham chegado atrasados à sua primeira aula do primeiro ano e isso era a ultima coisa que que queria que acontecesse.
Não consegui estar deitada mais tempo. Vesti o meu casaco preto com carapuço, calcei os chinelos e sai do dormitório.
A Sala Comum estava vazia, pelas janelas entrava a luz suave das estrelas e da lua brilhante no céu limpo. Fiquei uns minutos a pensar o quão mau seria sair da Sala Comum... Era proibido, eu sabia-o, mas não aguantava mais. Setia-me presa dentro daquela sala e ainda sentia a energia nas veias. Além disso a ideia de ter um castelo gigantesco à espera de ser explorado do outro lado do retrato era demasiado tentadora para conseguir conter-me.
Puz o carapuço na cabeça,agradecendo por me esconder grande parte da cara, e passei pelo retrato o mais silenciosamente possivel.
O corredor estava totalmente escuro e as pessoas nos retratos estavam todas a dormir. A Dama Gorda pareceu mexer-se quando o retrato voltou ao sitio. Por um segundo o meu coração parou. Mas a Dama Gorda não acordou e voltou ao seu ronco suave. Por momentos permiti-me sentir alivio, depois lembrei-me que teria que voltar a entra... e teria que dizer a palavra passe, ou seja teria que acordar a Dama Gorda e provavelmente toda a gente ficaria a saber que me escapuli a meio da minha primeira noite em Hogwarts. Podiam até expulsar-me! "Bem se vou ser expulsa no primeiro dia de aulas mais vale ver o que posso enquanto ainda cá estou".
Afastei-me o máximo possivel do corredor da Dama Gorda às escuras. Quando achei que estava longe o suficiente, tirei do bolso secreto do casaco um frasquinho com fogo eterno. Tinha-o "levado emprestado" do escritório da minha mãe há alguns anos, quando eu e o Albus decidimos sair a meio da noite para observar corujas a caçar no bosque atrás da sua casa. Os nossos pais ficaram super chatiados, expecialmente porque o Hugo e a Lily decidiram seguir-nos para ter a certeza que não nos metiamos em sarilhos. Ficámos todos de castigo durante uma semana, durante a qual eu e o Albus não falámos com os nosso irmãos mais novos. Foi tal o sermão que eu nem me lembrei do fogo e não consegui encontrar a altura ideal para dizer que o tinha tirado e a verdade é que é muito util, funciona como uma lanterna.
- Desliga a luz!!!- resmunga um homem barbudo a dormir num retrato.
- Peço muita desculpa- sussurrei muito baixinho. Tentei manter-me o mais afastada possivel dos retratos. Fui apalpando as paredes nos locais onde havia paredes lisas, espreitando atrás das tapeçarias, analisando os quadros que não tinham pessoas retratadas, pois não quis que um quadro me denuncia-se. Acabei num corredor cheio de armaduras, sem quadros nem tapeçarias. Pensei voltar atrás, mas a verdade é que quase todos os corredores do castelo têm passagens secretas. Já tinha encontrado algumas, mas ainda só tinha passado por uma que se abriu qd desloquei um quadro de uma praia. Se aquele corredor tivesse alguma passagem eu ia encontrá-la.
Passei quase uma hora à procura da passagem. Revistei cada uma das armaduras o mais silenciosamente possivel. Apanhei um pequeno ataque de coração quando a mão de uma armadura quase caiu, se eu não tivesse reflexos rápidos não precisava de me preocupar em tentar voltar a entrar na Sala dos Gryffindor, porque de certeza que acordava meio castelo e me enviavam directamente para casa.
Estava quase a desistir do corredor das armaduras, no entanto já só faltavam três armaduras, estava decidida a pelo menos revistá-las até ao fim. E foi nessa antepenúltima armadura, que ao levantar a viseira, a parede ao lado da armadura começou a recolher e deu passagem para uma escada em caracol ascendente. Era assustador. Aquela passagem era muito estreita, sem qualquer luz além do meu pequeno frasquinho.
Quando as escadas acabaram já estava ligeiramente zonza e não fazia ideia de quanto tinha subido. Abri a porta que estava à minha frente e fui dar a uma velha sala de aulas que, obviamente não era usada há anos. Tinha teias de aranha nos cantos das paredes, um quandro de giz muito empoeirado, varias mesas e cadeiras empiladas umas nas outras e no topo da torre de mesas um fantasma.
Ali estava ele, parado a olhar para mim. Devia ter a minha idade quando morreu, o cabelo caia-lhe nos olhos em ondas, antes devia ter sido loiro-areia agora era loiro embaciado, a pele era tom pérola e as suas roupas pareciam sujas e rasgadas.
- Ora ora, olhem só quem está fora da cama a estas horas da madrugada!- tinha a voz suave e doce de criança.
Não consegui falar. Estava em estado de choque. Estava completa e totalmente frita. Tinha chegado tão longe... "Porque raios tive que sair da cama? Porque não posso só ficar a dormir como os outros alunos?"
- Não te preocupes eu não mordo, nem faço queixinhas.
- Porque não? -estava espantada, pensei que ele começasse a gritar e a correr para contar aos professores que um aluno do primeiro ano estava fora da cama na primeira noite em Hogwarts.
- Porque, em tempos, eu também quebrei regras.
- Obrigada.- Não consegui pensar em mais nada para dizer.
- De nada.
- Então o que te faz estar de pé a estas horas?
- Acho que estava nervosa e ansiosa.
- Porque estavas tu ansiosa e nervosa?
- Porque amanhã é o primeiro dia de aulas...
Ele fez um olhar estranho, como se estivesse a pensar, a contar talvez.
- Em que ano estamos?
- 2017
- Hum ... pensei que a esta altura já fosse permitido aos alunos sair da cama à noite...
- Porque pensas-te isso?
- Porque todos os anos há alunos que o fazem... Talvez nem todos no primeiro dia, mas não posso dizer que és a primeira, pois na verdade não me lembro.
- Bem se for a primeira, talvez me devesse sentir orgulhosa ...
- Deixa-me adivinhar, Gryffindor!!!- Ele disse o nome da minha equipa com uma imitação da voz do Chapéu Seleccionador.
- Sim- disse com orgulho e desafio.
- Sempre tão orgulhosos e corajosos...
Como se fosse algo de mau! Não tinha a certeza se gostava deste fantasma. O melhor era voltar para o dormitório, não devia faltar muito para amanhecer.Virei costas e comecei a ir em direcção à passagem.
- Não é educado virar as costas as pessoas.
- Tecnicamente és um fantasma, não uma pessoa. E já é tarde eu devia voltar para a cama.
- Esse não é o caminho mais rápido.
- Não, mas é o que eu conheço.
- Como pretendes passar pela Dama Gorda?
- Eu cá me arranjo!-
E se eu te escoltasse à Sala Comum e ainda te ajudava a passar pela Dama Gorda?
- O que ganhavas com isso?
- Companhia. Há varios anos que só falo com fantasmas.
Ora aí está algo estranho. A maioria dos fantasmas convive com os alunos e professores, sempre dispostos a servir Hogwarts.
Decidi aceitar, não me apetecia voltar sozinha e precisava mesmo de ajuda com a Dama Gorda.
- Está bem, eu aceito. Mas primeiro dizes-me o teu nome.
- Tate, muito prazer.
- Eu sou a Rose.
- Muito bem, por este lado Rose.
Segui-o pela porta principal da sala de aula e por corredores que tinha a certeza que não tinha passado há bocado.
- Porque é que não falas com outras pessoas? Vivas quero eu dizer.
- Porque são todos iguais, ninguém é interessante o suficiente para falar ou inteligente o suficiente.
- Estavas nos Ravenclaw?
Ele acenou simplesmente.Chegámos ao corredor do retrato da Dama Gorda.
- Esconde essa luz! Muito bem, tu vais ficar ali mesmo ao lado da abertura do retrato, eu vou fazer a Dama Gorda deixar-me passar e tu entras ao mesmo tempo que eu.
- Mas tu não podes simplesmente passar pelas paredes?
- Os fantasmas também têm extravagâncias- disse ele piscando o olho.
Bem era a melhor hipótese que tinha. Puz-me no local exacto que ele tinha dito.
- Thorn Patronus -diz Tate num tom de voz normal, que me assustou e pareceu demasiado alto depois de varias horaz a sussurrar.
A Dama Gorda resmunga, mas continua a adormir.
- Thorn Patronus- repete ele.
- Mas quem é que está acordado a estas horas?- pergunta muito irritada a Dama.
- Tate Langdon senhora.
- Tate! Ma porque raios me estas a acordar?
- Porque preciso de passar senhora.
- Não podias simplesmente passar pela parede?
- Mas que desêlegancia!- conseguiu parecer genuinamente ofendido.
- Entras agora, mas Ai de ti! que me voltes a acordar.
- Entendido senhora, muito obrigado.
O retrato deslocou-se entrei ao mesmo tempo que Tate e a certa altura ele passou por mim e por cerca de cinco segundos, enquanto entrava na Sala comum, foi como se me chovesse água gelada em cima, depois ele passou para o lado e voltou tudo ao normal. E a Dama Gorda nem pareceu notar-me.
- Uau, muito obrigado.
- Foi um prazer.
- Eu devia mesmo voltar para a cama. Muito obrigada, mais uma vez Tate.
Ele acenou e começou a virar-se.
- Vou voltar a ver-te?- perguntei antes dele desaparecer pela parede.
- Da proxima vez que te escapulires, estarei lá para ajudar. Boa noite Rose.
E assim desapareceu antes de eu puder dizer mais alguma coisa. Voltei para a cama e demorei apenas dois minutos a adormecer, ao mesmo tempo que o sol começava a espreitar no horizonte.
Notas finais
O relógio que a Hermione deu à Rose - http://bijouxanciens.loja2.com.br/img/5fae4e17895753eb707862ecf4d30b76.jpg
E este é o frasquinho que tinha o fogo- http://www.spdeccor.com.br/loja/config/imagens_conteudo/produtos/imagensGRD/GRD_adic01_154_7.jpg
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