O natal finalmente tinha chegado, bem, quase. Faltavam dois dias para a noite de Natal e todos os alunos de Hogwarts que iriam para casa durante aquela semana de férias já estavam com as coisas prontas esperando as carruagens para leva-los até o trem. Alvo passava pela ultima vez no Salão Principal para ver a decoração incrível que tinha sido feita pelo grandalhão que o abraçara, Hagrid. Ele tinha cortado e carregado todas aquelas arvores lá pra dentro, o que Alvo achava bem incrível. Ele fez um lembrete mental de ir agradecê-lo pela decoração quando voltasse à escola. Para a surpresa de Alvo ele não era o único lá, alguns alunos estavam espalhados pelo Salão Principal, inclusive Scorpio e Violet que estavam perto da mesa da Sonserina observando o quão alta era uma das arvores e Rose e Lizzie do outro lado do salão olhavam como eram lindos os enfeites de outra arvore. Alvo sentiu como se estivesse numa encruzilhada e então sentiu um nó se formar no estomago. Ele queria tanto fazer com que isso funcionasse. Que todos eles fossem amigos, mas Scorpio não falava com ele desde o incidente com seu pai, Violet e Lizzie viviam brigando e às vezes nem Rose parecia gostar de Violet, o que ele não entendia, a menina era muito legal, um pouco irritante às vezes, mas todos tinham seus momentos. Ele não conseguia sair da porta quando seus gêmeos favoritos no mundo o surpreenderam colocando os braços em volta de seu pescoço e levando-o pelo braço até onde Rose e Lizzie estavam. Ele se sentiu grato por não ter que escolher.

– Alvo! – Rose gritou entusiasmada ao vê-lo com Lorcan e Lysander, ele sabia que o grito dela podia ser ouvido do outro lado do Salão vazio como estava. Pensou em Violet e Scorpio.

– Achamos esse ai perdido na entrada do Salão Principal. – disse Lorcan.

– Talvez ele estivesse sonambulo. – concluiu Lysander.

– Não, gente, não estou sonambulo. – disse Alvo por fim, rindo dos amigos.

– Não importa! Estamos contentes que esteja indo para casa.- disse Rose animada.

– Por que eu não iria? – perguntou Alvo.

– Por nada, só estou muito ansiosa! Estou morrendo de saudades de todos!

– Até do Hugo? – perguntou Alvo.

– Até do Hugo! – ela quase gritava novamente – Da Lily, Louis, papai e mamãe, seus pais, Teddy!

– Rose, Rose, folego amiga, você ainda precisa de ar para sobreviver. – disse Lizzie – Não se preocupe, ela esta assim a manhã toda. – ela se dirigiu a Alvo.

– Mas como vocês dois são insensíveis! – exclamou Lysander.

– Completamente insensíveis! – concordou Lorcan.

Os outros três olharam confusos para os gêmeos.

– Estão ai pensando na enorme família que verão ao chegar em casa e nem se lembram dos pobres amigos. – explicou Lorcan.

– Pobres amigos esses – Lysander passou o braço em volta de Lizzie – que vocês só verão de novo...

– Se não nos perdermos ou morrermos... – acrescentou Lorcan.

– Daqui a duas semanas. – finalizou Lysander com Lizzie olhando-o confusa.

Alvo olhou para Rose e eles entraram em um consenso mental. Abriram os braços juntos e envolveram os três amigos num grande abraço grupal.

...

– Você tem certeza Scor? – perguntou Violet pela milésima vez.

– Tenho Violet. Eu só vou causar desconforto para nós dois indo até lá. Ele nos viu aqui e não quis vir até nós. Claramente ele já superou todo aquele drama da semana passada. E eu fico feliz por isso, torna as coisas mais fáceis para mim. E para lidar com meu pai. Se alguém diz pra ele que eu fui visto desejando Boas Festas ao filho de Harry Potter ele com certeza me transfere daqui no meio das férias de natal.

– Eu vou enfrentar aquela loirinha irritante para ir falar com ele! Você pelo menos podia estar lá para me dar apoio.

– Eu vou estar te dando apoio. Daqui. – disse ele resoluto ao chegar às portas do Salão Principal.

Ela o olhou com repreensão, mas não insistiu. Fez seu caminho em direção ao grupinho mais estranho que já vira. Chegando lá cutucou Alvo no ombro e ele se virou surpreso para trás.

– Violet! – ele exclamou feliz e a abraçou.

– Eai, Al. – ela estava feliz de poder falar com ele depois de tanto tempo e o abraçou de volta.

– Tudo bem? – ele perguntou preocupado ao solta-la e ver os olhos verde musgo dela cheios de lagrimas.

– Estou ótima! – ela tentou enxugar as lagrimas – É só que... Senti sua falta.

– Eu também senti falta de vocês! – disse Alvo dando mais um abraço rápido nela.

Apesar de estar feliz de falar com Alvo antes de ir para casa, algo no que ele disse a incomodou. Não era exatamente o que ela queria ouvir. Ela queria saber se ele sentira falta dela e não dela e Scorpio.
Ela achou melhor espantar esses pensamentos e ir direto ao ponto.

– Eu vim aqui só para te desejar Boas Festas. Talvez não nos vejamos no trem e eu não queria perder a oportunidade.

– Eu estava indo desejar o mesmo a vocês! Não vi que já estavam saindo.

– Eu sei que estava. – ela achou melhor não discutir aquilo agora e deu um sorriso forçado.

– Ei, eu estava mesmo. Pode perguntar a eles. – ele apontou pra o grupo atrás de si.

Por um segundo Violet desviou o olhar para o grupo atrás de Alvo e os viu de verdade. Rose a prima de Alvo observava os dois com um olhar complacente, os gêmeos loiros com olhar de malucos a olhavam com um interesse assustador e Elizabeth. Ah, Elizabeth a olhava com um uma expressão de desprezo que ela fazia questão de retribuir.

– O que esta olhando tampinha, sua faixa de cabelo esta muito apertada? – disse Violet por cima do ombro de Alvo.

– Escute aqui sua nojentinha de uma... – Rose segurou o braço da amiga e a puxou antes que fosse para cima de Violet.

– Violet... – Alvo a olhava como se a repreendesse.

– O que foi? Não sou obrigada a gostar de todo mundo que você gosta sabia?

– Mas devia guardar certos comentários para você. – ele olhou para trás para se certificar que Lizzie não estava se preparando para atacar Violet e a puxou mais para longe do grupo – Olha, eu sei que ele não quer falar comigo, – ele fez sinal com a cabeça em direção a Scorpio na porta do Salão Principal – mas quer ele queira ou não, diga a ele que desejei Boas Festas a ele e que espero que tudo isso se acerte um dia.

– Eu também Al. Eu também. – ela bateu em seu ombro e deu mais um abraço nele. Lançou um olhar venenoso na direção de Lizzie, que correspondeu mostrando a língua, e foi embora.

...

Todos os alunos estavam ansiosos para voltar para casa. Então, é claro, a viagem de volta pareceu mais longa do que a de ida. E Alvo batia o pé incansavelmente no chão de madeira da cabine. Aquilo estava deixando Lizzie louca, então ela esticou a perna e pisou no pé dele de leve, apenas com pressão o suficiente para segura-lo.

– Ei! – ele protestou.

– Você esta me irritando. – disse ela.

– Eu estou ansioso.

– E esta me deixando mais ansiosa do que já estou.

– Você não me disse como vai ser o natal na sua casa. – disse ele se inclinando para frente e apoiando os cotovelos nos joelhos e a olhando.

– Você não perguntou. – ela parou de olhar pela janela e o olhou – Estava mais ocupado chorando com a Violet.

– Ei, eu não chorei! – ele riu e deu um soco de leve no joelho dela que estava a sua frente.

– Ok. Ela chorou. Falsa como uma nota de três libras, mas chorou.

– Por que você não gosta dela? – perguntou Alvo.

– Por que você gosta dela?

– Ela é legal. – disse ele levantando as costas e dando de ombros.

– Ótimo, então eu não gosto dela porque ela é legal. – afirmou ela dando o assunto por encerrado.

Alvo olhou para Rose que dormia ao seu lado e depois para a janela do trem como se esperasse ver Londres a qualquer momento. Lizzie o olhou mais demoradamente dessa vez. E então perguntou:

– Você gosta de mim? Quer dizer, acha que sou... Legal? Ou você só anda comigo porque sou amiga da sua prima?

Alvo a olhou surpreso com a pergunta. Depois de alguns segundos a encarando ele disse:

– É claro que gosto de você. – e então ele sentiu o rosto esquentar e desviou o olhar para o chão – Você também é bem legal. – o rosto dele parecia pegar fogo então ele não se atreveu a olhar para ela.

Ela sentiu um sorriso se formar em seus lábios e rapidamente se forçou a ficar seria. Olhou pela janela ansiosa para mudar de assunto e para sua sorte, ali estava a desculpa perfeita.

– Estamos chegando! – ela exclamou se levantando do banco e colando o rosto na janela.

E era verdade. Alvo olhou pela janela e ali estava Londres. Branca como uma folha sulfite, parecendo deserta a essa distancia, mas ele tinha certeza que as ruas estavam abarrotadas de gente se preparando para o Natal.

...

Scorpio estava ansiosíssimo para chegar em casa. Então assim que o trem parou ele se despediu de Violet com um rápido abraço e uma promessa de que ele ligaria na noite de natal e correu para a plataforma. Ele logo escutou chamarem seu nome e correu na direção da voz. Assim que achou o dono da voz sentiu a cor do mundo abandona-lo.

Apenas seu pai tinha ido busca-lo.

...

Assim que Alvo chegou em casa com seus primos e seu irmão a casa virou uma gritaria, varias pessoas se cumprimentando, pais abraçando filhos e sua mãe vindo em sua direção para sufoca-lo que ele não tinha outra reação se não sorrir.

– Ah meu querido! Como esta sendo na escola? Esta tudo bem? Ah a mamãe sentiu tanto sua falta! – dizia sua mãe abraçando-o como se quisesse quebrar seus ossos.

– Oi, mãe! Estou bem, juro. – ele se esforçava para dizer.

Assim que ela o soltou ele olhou para o pai que tinha acabado de soltar James e o olhou também, sorrindo ele veio em sua direção e o abraçou tão forte que Alvo sentiu-se como um boneco de palha. Ele achava que chegaria em casa pronto para brigar com o pai, por ter escondido o passado dele, por ter agido como se aquilo não importasse, por ter inimigos até hoje e deixar com que eles interferissem na vida dele, por criar expectativas tão altas para Alvo atingir. Mas principalmente, queria gritar com o pai pelo fato de que ele nem sequer estava bravo mais por tudo isso, ele só queria dizer ao pai o quanto Hogwarts era incrível e como ele sentira saudades de casa.

Assim que o pai o soltou ele o olhou nos olhos – olhos que eram tão iguais aos seus.

– Pai, eu... – as palavras não conseguiam sair.

– Eu sei filho. Eu sei. – ele o abraçou mais uma vez e então se levantou – Venha, sua avó fez o jantar, e você sabe como ela vai achar que você emagreceu, apesar de não ser verdade.

Alvo sorriu e ambos foram se juntar ao resto da família na mesa de jantar da casa dos Potter.

...

Scorpio estava com a sensação de que fosse vomitar a qualquer momento. Quando entrou pela porta de casa sua mãe o abraçou rapidamente e olhou preocupada para o marido. O pai de Scorpio não tinha dito uma palavra desde que o pegara na estação e Scorpio mal se atrevia a respirar.

Os três sentaram-se a mesa do jantar em silencio, e começaram a comer, o barulho dos talheres ecoava pela sala de jantar. A mãe de Scorpio tentou quebrar o gelo.

– Então filho, como você esta? Parece mais magro.

– Estou ótimo mãe e comendo bem também. Eu juro.

– Ele não esta mais magro, Astoria. – a voz entediada de seu pai cortou a sala – Ele esta mais alto, por favor, aprenda a diferença.

– Desculpe querido. – respondeu sua mãe e voltou a olhar para o prato.

Em algum lugar, em baixo de todo o medo que Scorpio sentia, ele se sentiu feliz de o pai ter reparado que ele crescera, ele queria provar ao pai que seria o homem que ele sempre quis que ele fosse, mas não conseguia nem abrir a boca para dizer isso.

– Você vai ficar me olhando com cara de quem vai vomitar até quando garoto? A comida da sua mãe não é tão ruim assim.

Ele olhou para o pai assustado. Tinha chego a hora. Ele tinha que falar com ele, e era agora.

– Pai, eu estava querendo falar com o senhor, sobre...

– Sobre aquela gente que você se atreve a chamar de amigos. – concluiu o pai dele com o rosto severo.

– Pai, não é justo você descontar neles algo que os pais deles fizeram. Eu gosto deles, e o senhor devia dar uma chance.

– Eu não quero ouvir meu filho defendendo os Potter, Weasley ou qualquer que seja o nome daquela família agora! – o rosto de seu pai estava vermelho.

– Draco, vá com calma... – a mãe de Scorpio esticou a mão para tocar no ombro do marido, este afastou a mão dela com um tapa.

– Cale a boca Astoria, esta conversa é entre mim e meu filho.

– Ele também é meu filho. – retrucou ela, passando uma mão da outra magoada.

O olhar que ele lançou a mulher dizia tudo, mais uma palavra e as consequências seriam severas.

– Pai, se você ao menos se desse o trabalho de conhece-los...

– Você também Scorpio. Fique quieto. Eu já tomei minha decisão.

...

Eram seis horas da tarde e os preparativos para a noite de Natal estavam quase prontos. Rose observava tudo com encanto e tentava ajudar o máximo possível. Ela adorava o natal. Seus avós trouxas viriam comemorar com eles esse ano o que deixava ela e o vovô Arthur muito animados. Sua mãe parecia mais ansiosa do que nunca. Ela andava para todos os lados e falava sem parar, até que o pai de Rose a pegou pelos ombros e a fez parar. Ele disse para ela se acalmar e ir deitar um pouco que ele ajudaria ali em baixo, ela lhe deu um beijo e seguiu o conselho. Rose devia ser a única na sua idade que não achava nojento ver os pais assim, tudo o que ela via era um exemplo a ser seguido, ela via exatamente o que queria para quando encontrasse seu verdadeiro amor. Um relacionamento igual ao dos pais.

Os únicos ocupando a casa dos Potter naquele momento eram ela, seu irmão, seus pais e naturalmente os Potter. O resto da família chegaria depois e ela estava ansiosa por isso. Apesar de Vic tambem estar em Hogwarts ela quase não vira a prima e sentia saudades de sentar e apenas escutar as fofocas que ela e Roxy tinham para dividir.

Quando tudo ficou arrumado pela casa e a ceia se encontrava quase pronta, Rose subiu para se arrumar. Quando desceu as escadas seu tio Gui, tia Fleur e os três filhos acabavam de entrar pela porta, mas parecia que tinha uma pessoa a mais na roda. Rose olhou melhor e viu um rapaz de costas alto de mais e com cabelos loiros, mas escuros de mais para ser Dominic. Quando ele se virou ela o reconheceu como Rob, um garoto do sexto ano da Lufa Lufa que era frequentemente comentado como um dos garotos mais lindos de Hogwarts. Rose ficou assustada, por mais que Vic tivesse vários pretendentes, ela nunca trouxera ninguém para casa. Talvez finalmente ela tivesse achado alguém especial.

...

Era noite de natal. Em todo o canto do mundo as famílias se reuniam felizes para celebrar. Na Rua dos Alfeneiros nº4 Dudley Dursley reunido com seus pais, esposa e filho lia a carta de Boas Festas que recebera do primo.

Em algum lugar numa mansão enorme e bem cuidada um garoto loiro de rosto fino estava deitado em sua cama sozinho enquanto os pais compareciam a uma festa de trabalho de seu pai.

Na casa dos Potter em uma mesa ampliada de ultima hora se reunia toda a extensa família Weasley/Potter. Onde todos riam e festejavam. Um garoto de cabelos azuis que no momento se encontravam pretos como petróleo encarava do lado oposto da mesa Victorie de braços dados com um grande – e com cara de pateta na opinião dele – garoto de cabelos cor de areia. Hermione ao lado do marido estava mais feliz do que nunca de estar sentada junto aos pais e toda a sua família. E na ponta da mesa, como um anfitrião satisfeito Harry olhava para a cena mais bonita que tinha visto em toda a vida, uma cena que ele não se atrevera a imaginar nem em seus devaneios mais loucos. Ao apertar a mão cheia de sardas que ele adorava tanto de sua esposa, ele se sentiu o homem mais sortudo do mundo naquela noite de natal.

Notas finais
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