Faziam semanas que Scorpio estava evitando Alvo. Desde que o Sr. Malfoy estivera em Hogwarts Scorpio andava apenas com Violet e sempre que Alvo tentava se aproximar dos dois ele saia de perto com alguma desculpa e Violet lhe lançava um olhar de “Sinto muito” e saia atrás dele. No começo Alvo se sentira bem deprimido, afinal eles eram amigos não eram? Mas isso tinha sido no começo, agora Alvo estava com raiva. Ele tinha virado as costas para ele só porque o pai dele não gostava da família dele? Quem ele pensava que era? Alguma classe superior ou algo do tipo? Pois não era! Era só mais um calouro da Sonserina que Alvo teria o maior prazer de dar uns tapas para ver se voltava ao mundo real.

– Quer relaxar? Ficar encarando ele do outro lado da sala não vai ajudar em nada! – dizia Rose em uma das aulas que a Sonserina tinha junto com a Grifinoria.

Eles estavam fazendo dupla naquela aula, o que não deixou Lizzie muito contente, mas Alvo não estava prestando atenção na caneca que eles tinham a frente. Tudo o que ele conseguia pensar era em como Scorpio podia fazer isso com ele. Eles tinham sido amigos desde o primeiro dia! E agora ele fingia que ele nem existia? Não, isso não ia ficar assim.

– Alvo! – ele se assustou com o grito de Rose – Otimo, você ainda não esta surdo.

– O que foi? – ele perguntou irritado.

– Era pra gente estar trabalhando nisso juntos lembra?

Alvo olhou para a caneca que estava em sua mesa, mas ela não era uma caneca mais, era um cálice de cristal cheio de suco de abobora.

– Mas você esta indo muito bem sozinha! Alem disso, eu estou muito distraído, só iria atrapalhar.

– Bem, não custa tentar, custa? – insistiu ela.

– Por Merlim Rose! Eu não quero esta bem? Eu não ligo para esta estupida aula de transfiguração, não ligo para essa estupida taça e muito menos para a minha estupida nota! Se você quiser dizer à professora que eu não fiz nada, fique a vontade, eu não ligo! – explodiu o menino.

– Pois eu ligo! Eu ligo para a sua nota, para a aula e ligo para o seu bem estar! Mas parece que a única coisa estupida aqui é você! Desde do que aconteceu com o pai do Scorpio você esta insuportável! Era para a gente estar se divertindo aqui, lembra? Juntos. Mas parece que eu só sirvo pra você quando você não tem mais ninguém não é mesmo?

Alvo ficou sem reação, ele não esperava que Rose reagisse desse jeito, ele nunca tinha visto ela tão nervosa.

– Bom saber. – disse ela por fim com os olhos cor de âmbar ficando marejados – Nós terminamos aqui, vou avisar a professora.

E então ela se levantou e foi até a mesa da professora, logo em seguida com um aceno da professora ela saiu da sala quase correndo e Alvo podia jurar que viu uma lagrima escorrer em seu rosto enquanto ela fechava a porta. Ele começou a arrumar suas coisas para sair já que faltavam cinco minutos para o fim da aula.

...

Scorpio estava bem ciente dos olhares acusadores de Alvo durante a aula. Ele fingia não ver e estar super concentrado na sua tarefa de transfigurar a caneca em uma taça, mas tudo o que conseguiu foi alongar a caneca um pouco e Violet teve que corrigir todo o trabalho.

– Você podia falar com ele. Explicar o que esta acontecendo. – disse Violet enquanto tentava transfigurar a caneca novamente.

– Não dá. Meu pai ficaria sabendo. Muitos alunos aqui têm pais que são empregados do meu e ficariam felizes em me espionar. Não posso deixar meu pai mais irritado.

– Então você não vai falar com ele?

– Não. Pelo menos não até depois do natal.

Ela abanou a cabeça em reprovação, mas continuou concentrada no feitiço que ela estava tentando fazer inutilmente para transfigurar a caneca, até que a caneca ficou transparente como cristal, mas ainda era uma caneca.

– AH! Isso é impossível! – disse ela frustada.

Nesse mesmo momento Rose se levantou da mesa onde estava com Alvo e foi até a mesa da professora, Violet viu a taça perfeita na mesa da menina e resmungou:

– Ela vive querendo se exibir! Olha lá, tem até suco dentro da taça!

– Ei, não vá ficar com muita inveja só porque ela é boa com magia. – disse Scorpio rindo da amiga.

– Eu não estou com inveja! Pare de rir! Pare! – ela começou a bater no braço dele.

Mas de repente a graça se foi, e Scorpio viu uma lagrima escorrer pelo rosto de Rose enquanto ela corria em direção a porta da sala.

– O que...? – ele ficou olhando para a porta por alguns segundos e então começou a arrumar suas coisas.

– Aonde você vai? – perguntou Violet surpresa.

– Eu vou... É... – ele enfiava tudo dentro da mochila de qualquer jeito e não notou quando jogou seu tinteiro aberto para dentro junto com seus pergaminhos.

– Você vai atrás dela. – concluiu Violet de cara amarrada.

– É.

– Mas e a nossa tarefa? – disse ela apontando para a caneca de cristal na mesa.

– Pode dizer à professora que eu não fiz nada. – ele jogou a mochila no ombro e correu até a mesa da Prof. Le Blanc.

– Professora, eu preciso ir no banheiro, urgente.

– Mas faltam só alguns minutos até o fim da aula Sr. Malfoy. – disse ela com aquele sotaque francês.

– É, mas eu estou muito apertado! – ele se esforçou para fazer cara de quem estava sendo torturado.

– Esta bem, esta bem! Vá logo. – disse a professora acenando com as mãos como se limpasse uma poeira no ar.

Ele saiu correndo da sala e olhou em volta no corredor vazio. Todos estavam nas aulas agora, não devia ser difícil achar uma menina ruiva andando sozinha por ai. Ele decidiu ir pela direita e saiu correndo pelo corredor. Ele tinha certeza que ela não tinha ido muito longe já que a próxima aula dela seria naquele mesmo andar – Historia da Magia. Ele tinha acabado decorando o horário da Grifinoria quando ele e Alvo ficavam combinando de se encontrar com Rose e Lizzie nos intervalos e ele sabia que ela não ia arriscar se atrasar para a aula.

Ele desacelerou o passou para escutar melhor e tudo o que conseguiu ouvir eram as vozes dos alunos em suas varias aulas atrás das portas fechadas, então ele virou a direita de novo e escutou um soluço. Ele parou com um tranco no corredor e ficou escutando, outro soluço. Ele andou em direção a uma estatua no corredor e teve a impressão de que o soluço vinha lá de trás. Olhou melhor e viu os longos e encaracolados cabelos ruivos de Rose. Scorpio se espremeu para passar entre a estatua e a parede e chegar aquele espaço atrás do grande e feio dragão.

– O que aconteceu? – disse ele tirando a mochila do ombro e agachando.

Ela tirou a cabeça de entre os joelhos e o olhou diretamente nos olhos. Apesar de vermelhos e inchados como estavam, os olhos âmbar dela ainda o deixavam tonto.

– O que você esta fazendo aqui? Como me achou?

– Eu vi você sair chorando.

– Bem, não era pra ninguém ver.

– Desculpe.

Ela o olhou com mais atenção e então disse:

– Sua mochila, esta pingando.

– Ah não! – ele pegou a mochila e a abriu, o que encontrou lá dentro não era bonito – O tinteiro estava aberto! Seu burro! – ele bateu na testa.

Scorpio começou a tirar alguns pergaminhos de dentro da mochila que estavam pouco manchados até que puxou um pergaminho todo molhado de tinta preta e pingando.

– Bem, pelo menos agora tenho uma desculpa para estar droga de trabalho que fiz para a aula de poções. – ele sacudiu o pergaminho.

Rose riu olhando para o pergaminho e Scorpio se sentiu um pouco mais animado também.

– Ah, a minha desgraça te diverte? – disse ele sorrindo.

– Não! – disse ela entre risos – Desculpe!

– Bom saber que você gosta de rir à custa do outros! – ele continuava sorrindo.

– Não é bem assim! – disse ela tentando controlar o riso – Se quiser, posso tentar dar um jeito nisso. É só que, você teria que começar o trabalho de poções e todo o resto que tinha ai de novo.

– Não precisa. De verdade. – disse ele ainda contente consigo mesmo de tê-la feito rir – Quer dizer, talvez só na minha mochila, sabe como é, essa mancha preta não fica muito bem aqui.

– Sem problemas. – ela pegou a varinha e disse algumas palavras enquanto a sacudia. Em um piscar de olhos sua mochila parecia nova em folha.

– Obrigado. Meu pai teria me matado se visse isso.

Assim que ele mencionou seu pai desejou ter voltado atrás e mordido a língua. O sorriso no rosto de Rose desapareceu na mesma hora e ela o encarou seria.

– Você devia falar com ele.

– Eu não posso. Ainda.

– Você concorda com tudo aquilo que o seu pai disse?

– Não! Claro que não!

– Então porque se afastou da gente?

– Por que... – ele não conseguia explicar – Olha, é complicado.

– Complicado como?

– Você não entenderia.

– Tente fazer com que eu entenda.

– Olha, você não conhece o meu pai esta bem? Não sabe como lidar com ele, eu sei.

– E o jeito de lidar com ele é deixando que ele diga com quem você deve ou não falar?

– Não! Eu só estou... – ele respirou fundo e disse – Eu sei o que estou fazendo.

– Estou vendo que sim.

Ela assumiu uma expressão tão teimosa, com a cabeça erguida, braços cruzados e as sardas em volta do seu nariz passando de pequenas pintinhas para pontos vermelhos por todo o rosto dela que ele desistiu de tentar se explicar. Pegou suas coisas e se levantou. Antes de sair para o corredor disse:

– Eu estou tentando resolver tudo da melhor maneira que conheço. Desculpe se isso não agrada vocês.

E então ele saiu pelo corredor agora lotado de alunos em direção a sua próxima aula.

...

Alvo saiu tão irritado da aula de transfiguração que resolveu matar a ultima aula antes do almoço. Ele não estava nem um pouco afim de ir para a estufa ter mais uma aula entediante de Herbologia. Quando o relógio finalmente marcou meio dia, ele correu para o Salão Principal e se sentou na mesa da Sonserina onde tinham alguns poucos alunos. Conforme os outros alunos iam entrando no salão ele enchia seu prato de tudo o que via na frente. Frango com batatas, lentilhas, um pouco de salada, molho, mais frango. E comeu tudo tão rápido que sentiu uma pequena dor no estomago quando terminou. E foi ai que ele avistou Scorpio entrando no salão com Violet ao lado. Alvo tinha que falar com ele. Era agora ou nunca.

Ele se levantou e foi até o menino loiro que procura um lugar para se sentar e o puxou pelo ombro fazendo com que se virasse para olha-lo.

– Será que da pra você deixar de ser um esnobe e falar comigo por um instante? – perguntou Alvo.

– Alvo eu... Não posso agora.

– Eu não quero nem saber o que o seu pai pensa! Você não sabe pensar sozinho, precisa escutar tudo o que ele diz?

– Alvo, agora não. – ele implorou.

– Agora sim! Você tem me evitado por semanas!

Scorpio viu pelo canto do olho Fabian e seus capangas entrarem no salão, o pai de Brutus e Marcus era melhor amigo de seu pai, ele não podia falar com Alvo na frente deles.

– Deixe de ser um bebe mimado Potter! – disse Scorpio um pouco alto demais.

Era a primeira vez que Scorpio se referia a Alvo daquela forma, e Alvo sentiu uma pontada de irritação quando ele disse.

– Olha só quem fala! O garotinho que deixa os amigos de lado por que o papai mandou!

– Eu estou te avisando Potter! Saia do meu caminho.

– Ou o que, Malfoy? – retrucou Alvo.

Escutar Alvo falar com ele daquele jeito o deixou nervoso. Ele tentou sair andando dali e deixar Alvo falando sozinho, mas quando tentou se virar Alvo o segurou e ele revidou com um empurrão.

– Não me faça te machucar Potter.

– Há! Pode vir Malfoy.

Ambos correram um em direção ao outro e se atracaram no meio do caminho, um tentando empurrar o outro, mas nenhum com coragem o suficiente para dar um soco. Eles ficaram alguns minutos nessa briga de força até que Scorpio sentiu um puxão do estomago e foi arrastado para trás ao mesmo tempo que Alvo era arrastado também. Mas não tinha ninguém puxando, ele olhou para os lados a procura do que tinha feito isso e viu os olhos severos da Diretora McGonagall encarando os dois com a varinha estendida.

– Já chega. Não vou aturar mais nenhum comportamento de bárbaros dentro dessa escola. Os dois, na minha sala agora.

Ambos sentiram a força invisível sumir e então seguiram a diretora para fora do salão. A caminhada pelo castelo até a sala da diretora foi silenciosa. Nenhum dos dois tinham coragem de se olhar. Ao chegarem lá ela sentou em sua cadeira, cruzou as mãos sobre a mesa de disse:

– Expliquem-se.

Nenhum dos dois se dignou a falar.

– Sr. Malfoy? – a diretora insistiu.

– Eu não sei diretora.

– A culpa foi toda minha diretora. – disse Alvo prontamente.

Scorpio o olhou surpreso.

– Sim?

– Eu comecei a briga e peço desculpas. Não vai se repetir.

Ela olhou para os dois e pareceu desapontada.

– Entendo. Sr. Potter, mandarei uma coruja a seus pais sobre este incidente, você sabe disso não é mesmo?

– Sei sim senhora.

– E ainda afirma que a culpa é toda sua?

– Sim senhora.

– Bem, podem ir então.

Ambos saíram em silencio da sala da diretora e foi só quando chegaram no corredor em frente a estatua que levava a escada magica que subia para a sala que tinham acabado de sair que Scorpio disse:

– Por que você fez aquilo?

– O seu pai acabaria com você se você fosse culpado de outra briga.

– Sim, mas você não... – ele olhou Alvo e disse – Obrigado.

– Esqueça isso. – disse Alvo começando a andar.

– Ei, Potter. – chamou Scorpio e Alvo parou – Eu estou tentando resolver as coisas com o meu pai. Desculpe se parece o contrario.

– Faça o que tem que fazer Malfoy.

E então Alvo sumiu na curva do corredor em direção ao Salão Principal.

Notas finais
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