Nova Geração - Ano 1
26 Hogsmead, Lobisomens e Doces - Parte 2
Notas iniciais
Victorie e Roxanne passaram uma manhã mais do que agradável em Hogsmead, como sempre. As duas simplesmente amavam o vilarejo. Foram à Dedos de Mel, compraram alguns doces e viram seus primos saindo da loja com sacolas cheias, mas sem sinal de Dominic com eles. Victorie estranhou, mas não fez questão de parar e perguntar.
Elas passaram na loja do pai de Victorie e compraram mais algumas coisas só para agradá-lo do que qualquer outra coisa, mais tarde provavelmente Vic daria todos aqueles apetrechos para Dominic, ele saberia como usar aquilo.
O dia estava om um vento gelado o que fez com que elas entrassem no Três Vassouras para pegar algumas cervejas amanteigadas. O que é claro, não deveriam ter feito por que deram de cara com Rob e uns amigos dele da Lufa Lufa.
– Vic! – ele parecia animado em vê-la.
– Rob! – ela forçou um sorriso e o abraçou – O que você esta fazendo aqui?
– Só rindo com alguns amigos. O que você esta fazendo aqui? Faz dias que não consigo falar com você, eu nem achei que você viesse a Hogsmead hoje.
– Ah, você me conhece, não perco uma oportunidade de vir aqui nunca. – ela tentou forçar outro sorriso, mas parecia que ela estava rasgando a própria boca cada vez que o fazia.
O sorriso de Rob se fechou também.
– Vic, você esta mesmo bem? Toda vez que te vejo você parece prestes a vomitar. – ele olhou para Roxanne em busca de apoio, mas tudo o que ela fez foi dar de ombros.
– Estou. Eu juro. Eu... Só preciso de ar. Só isso. – ela lançou um ultimo olhar para Rob e Roxanne a sua frente e se virou.
Victorie só não correu para fora do estabelecimento porque não queria todos os olhares postos nela. Mas as lagrimas não demoraram a descer assim que ela se virou. Ela saiu apressada pela porta do Três Vassouras e virou para a direita. Mal tinha dado dois passos ela trombou em algo. Ou melhor, alguém.
– Victorie?! – Teddy a olhava com os lindos olhos azuis cheios de preocupação.
– Ah, não. – ela resmungou entre as lagrimas.
– Meu Merlim, Vic, o que você tem? – ele a segurava pelos ombros.
– Será que todo mundo pode parar de me perguntar o que eu tenho! – ela disse mais para si mesma do que para ele.
– Tudo bem. O que você quer que eu faça?
– Me abrace. – Victorie se surpreendeu com as palavras que pularam de sua boca.
Mas felizmente, Teddy não hesitou ao ouvir seu pedido. Ele a envolveu em um abraço firme e tão quente e familiar que deixou Victorie assustada. Ela colocou os braços em volta da cintura dele e apoiou a cabeça em seu peito. Pela primeira vez em dias ela se sentiu realmente bem.
O abraço deve ter demorado mais do que o segundo que tinha parecido a Victorie porque ela ouviu quando passos apressados se aproximavam atrás dela e a voz de Rob disse ofegante:
– Vic... O que ele esta fazendo aqui?
Victorie de soltou dos braços de Teddy contra a sua vontade e olhou para Rob, ela não queria, mas estava bem irritada com ele agora.
– Espera, ele é a razão pela qual você esta deprimida todos esses dias? – algo parecia estar fervendo dentro de Rob.
– Não Rob eu não estou assim por causa dele...
– Você esteve deprimida? – perguntou Teddy atrás dela.
– Bem, sim...
– Por que você não me disse nada? – Teddy parecia quase ofendido.
– O que adiantaria? – Victorie sentia como se sua cabeça fosse explodir.
– Bem, pra começar, eu poderia não ter aparecido aqui por acaso e sim pra te ver! Eu pensei que você tinha parado com essa historia de me evitar.
– Eu parei! Nós estamos bem, sério! É só que...
– Vocês voltaram? – a voz de Rob soou magoada.
– Acho que isso não é da sua conta garotão. – Teddy olhava hostil para Rob e Victorie viu quando seus olhos mudaram para o vermelho.
Rob fechou a cara e deu um passo a frente para enfrentar Teddy. Ele era visivelmente um palmo mais alto que Teddy e mais musculoso também, mas o menino de cabelos coloridos parecia não ter notado a diferença quando se preparou para ir enfrentar Rob.
– Parem com isso vocês dois! – a voz de Roxanne soava como a de uma mãe dando bronca – Rob, você vem comigo, a Vic precisa conversar com o Teddy e eu e você precisamos tomar uma cerveja amanteigada para esfriar a cabeça.
Roxanne puxou Rob pelo braço e o fez entrar de volta no Três Vassouras. Antes de entrar atrás dele ela olhou para Victorie que formou a palavra “obrigada” com os lábios. Roxanne sorriu e assentiu.
Teddy puxou Victorie para uma ruela afastada da movimentação da rua principal abarrotada de alunos e a colocou sentada num banco de pedra.
– Pronto. Agora, respira. – ele se abaixou na sua frente e olhou dentro dos seus olhos.
Ela não conseguia entender por que pela primeira vez, olhando dentro daqueles olhos instáveis, ela se sentiu segura. Se sentiu calma.
– Obrigada. – foi tudo o que ela conseguiu dizer.
Ele sorriu e se sentou ao seu lado. Passou um braço por suas costas e a trouxe para perto dele. Ela podia sentir o calor da pele dele. Victorie puxou as pernas para cima para se encolher mais ainda perto dele e pegou sua mão livre. Ela começou a brincar distraidamente com seus dedos e sem nem perceber acabou contanto tudo o que acontecera antes de ela voltar à Hogwarts, o que ela tinha passado nas ultimas semanas, a sensação de preocupação constante que ela estava desde que saíra de casa e como ela não conseguia pensar em mais nada.
Quando ela finalmente terminou ele disse:
– Mas, pelo o que você disse, o processo é bem lento, talvez ele nunca vire um lobisomem de verdade.
– É o que todos esperam. Mas os picos de raiva estão ficando mais frequentes, meu pai fica agressivo de repente. Ele tentou machucar minha mãe. – ela sentiu que ia começar a chorar novamente.
– Vic – Teddy soltou sua mão e ergueu levemente seu queixo fazendo com que ela olhasse para ele – ele vai ficar bem. Algumas anotações do meu pai que estão encaixotadas falavam algo sobre uma poção para controla-lo na lua cheia, talvez, em uma dose menor, funcione para o seu pai. Vou procurar e entregar para ele.
– Não! Ele não pode saber que te contei isso.
– Tudo bem. Eu entrego para você, você da pra ele. Combinado?
Ela assentiu sentindo uma parte do peso em seu corpo ir embora. Ele a puxou para mais perto – se é que isso era possível – e ela olhou para ele de novo.
– Acho que eu vou ter que te agradecer de novo. Você esta treinando para essa coisa de resgatar donzelas em perigo?
– Treinando? Eu sou o mestre dessa arte! – ela riu e ele pareceu ficar mais relaxado – Eu vou sempre estar pronto para te resgatar Vic. Por mais que você tente me evitar.
– Ei, isso foi uma coisa de momento. Não vá se acostumando em me ver chorar e sair correndo para os seus braços toda vez que eu tiver um problema. – ela não conseguia tirar o sorriso do rosto ao olhar para ele.
– Ah, mas eu nem sonhava com isso. Merlim que me ajude se um dia eu tentar tirar toda essa sua independência. Foi por ela que me apaixonei. – ele aproximou o rosto do dela e disse em tom de provocação – Mas não tem problema precisar de ajuda às vezes. – e então ele lhe deu um beijo na testa.
Ela se aconchegou no peito dele e não conseguiu parar de sorrir para o suéter dele.
...
Alvo e Scorpio saíram das masmorras juntos em um silencio quase cômico. Eles estavam no Hall de entrada quando Alvo resolveu falar.
– Então... Como foi o seu natal em casa? – perguntou Alvo tentando quebrar o silencio.
– Nada bom. O seu?
– Ah... Você sabe. Família grande, natal movimentado. Nada de mais.
– Não tem problema dizer que você adorou o seu natal, Al.
– É... Bem, não foi lá essas coisas também. Só a comida. A comida estava ótima!
Scorpio soltou uma risada. Alvo sorriu tambem.
– Eu pensei que estivesse ficando louca! Mas são mesmo vocês dois juntos e não estão tentando se matar! – brincou Violet que estava saindo do Salão Principal.
– Estou tão surpreso quanto você. – disse Alvo olhando para Scorpio.
Scorpio simplesmente deu de ombros.
– Estávamos indo lá fora. Quer vir também? – Alvo perguntou para Violet.
– Mas está frio. – ela resmungou.
– Pegue um casaco. – Scorpio retrucou – Nós te esperamos aqui.
Ela concordou e foi na direção das masmorras, para o dormitório da Sonserina. Enquanto eles esperavam mais alunos do primeiro e segundo ano foram saindo do Salão Principal. Até eu Rose, Lizzie, Lorcan e Lysander saíram e os viram parados do outro lado do Hall. Todos os quatro olharam para Alvo procurando uma explicação, ele deu de ombros e os chamou.
– Vocês dois estão se falando agora? – perguntou Lorcan.
– Ou isso ou eles estão prontos para se bater e fazer outra visita para a Diretora. – comentou Lysander.
– Nós não vamos nos bater. – afirmou Scorpio.
– Primeira opção então. – disse Lorcan como quem conclui um assunto – Pague. – ele disse para o irmão.
De cara feia Lysander passou um sicle para a mão do irmão.
– O que vocês dois estão fazendo? – perguntou Rose enquanto lançava um olhar de repreensão para os gêmeos.
– Estávamos indo lá para fora. Vocês querem vir? – dessa vez quem convidou foi Scorpio.
– Pode ser. – disse Rose olhando para os outros em busca de confirmação. Todos concordaram.
Nesse mesmo instante Violet veio do corredor atrás deles que levava para as masmorras com um casaco que parecia ter sido feito para alguém bem maior que ela. Ela olhou para o grupo que tinha se formado na sua ausência, lançou um olhar de desprezo na direção de Lizzie e então perguntou:
– Vamos?
Todos se dirigiram para as grandes portas que levavam para fora do castelo.
Eles andaram pela neve rindo por um bom tempo. Scorpio e Alvo ficaram um pouco a frente do grupo andando lado a lado.
– Você vai me explicar essa mudança repentina de comportamento? – perguntou Alvo.
– Eu percebi que não fazia sentido me afastar dos meus amigos por que o meu pai tem alguma espécie de rixa sem sentido com os pais de vocês. Seja ela qual for.
– Fico feliz que você tenha percebido isso.
– Eu também. – Scorpio sorriu para a neve a seus pés.
Surpreendendo tanto Alvo quando Scorpio, uma bola de neve voou e acertou a cabeça de Scorpio em cheio. Eles se viraram para trás e Rose os olhava com as mãos na boca e olhando como uma criança que é pega em flagrante. Scorpio deu risada e começou a arremessar bolas de neve na direção dela.
Alvo seguiu o exemplo e começou a jogar bolas de neve na direção de Lizzie e os gêmeos até que foi acertado por uma no estomago que Violet tinha jogado.
Rindo e correndo pela neve, eles passaram o resto daquela tarde de sábado em uma Hogwarts quase vazia.
...
James tinha saído daquela brincadeira um pouco zonzo. Mas que ideia idiota aquilo tinha sido! Lucy era louca e todos eles também por aceitar! O que Fred estava pensando? E aquela menina, Rachel, qual o problema dela?
James decidiu que era melhor não pensar naquilo por enquanto e andando por uma rua razoavelmente vazia de Hogsmead ele pensou ter visto os cabelos azuis de Teddy em uma ruela entre duas casas. Quando ele ia voltar para olhar alguém tocou em seu ombro.
– Olha, Shaw aquilo foi só uma brincadeira ok...? – sua voz foi morrendo quando ele viu quem estava na sua frente – Danielle!
– Nossa. Essa é a primeira vez que alguém fica decepcionado em me ver. – ela sorria afetada.
– Hm... Desculpe. Eu só... Não estava esperando te encontrar. Onde está o Dom? – ele tentou relaxar, mas olhar para ela fazia seu estomago se contorcer de ansiedade. Ela era tão impossivelmente linda. E ela sabia disso.
– Ah esqueça o Dominic. Eu já procurei por ele em todos os cantos e não consigo acha-lo. Agora você pode me fazer companhia. – ela piscou para ele. James sentiu o estomago dar um salto.
– Se você quiser, posso procurar por ele com você.
– Isso seria maravilhoso! – ela se agarrou em seu braço e eles começaram a andar.
– Então, faz tempo que chegamos a Hogsmead, achei que vocês dois estivessem juntos desde que ele colocou os pés aqui.
– Nós estávamos. Mas nós discutimos e eu sai andando. Agora não consigo acha-lo.
– Ah. – James estava mais do que ciente das mãos delicadas e de dedos finos ao redor de seu braço. As unhas longas e rosa pink tamborilando em seu suéter de tempos em tempos como se ela estivesse esperando algo. Devia estar impaciente para achar Dominic. Com certeza.
O dia começava a escurecer e em algumas horas eles deveriam voltar para a escola. Hogsmead parecia cada vez mais vazia. Poucos alunos ainda estavam nas ruas ou nas lojas. A temperatura caia e todos só queriam voltar para perto das lareiras quentinhas dentro do castelo. James sugeriu a Danielle que eles deveriam começar a voltar para o castelo e ela poderia achar Dominic lá.
– Você esta certo. Mas antes – ela parou de andar e puxou seu braço fazendo com que ele voltasse como um elástico na direção dela.
James trombou levemente de frente com ela e riu sem graça. Ela olhou para ele como um gato que encurralou sua presa exatamente onde queria e então, antes que James pudesse entender o que estava acontecendo, ela o beijou.
Foi um beijo lento, sensual e exatamente como ele imaginava que seria beijar uma garota daquelas. Incrível. Mas não demorou muito até que a mente de James voltasse à realidade, infelizmente. Ele se afastou de repente.
– Ah, merda. – os poucos segundos que o cérebro dele demorou para processar o que tinha acontecido tinham passado e agora ele repetia – Merda, merda, merda, merda, merda, merda. Você e o Dom... Vocês... E eu... Você! Ah meu Merlim!
– Esta tudo bem querido. – ela se aproximou dele, puxando-o para perto, seduzindo-o – Eu e o Dom não tínhamos futuro mesmo.
– O que? Não... Não! – ele a empurrou – Ele é meu amigo.
– James, ele não precisa saber... – ela tentou toca-lo novamente.
– Não encoste em mim! – vendo a expressão no rosto dela ele acrescentou – Por favor.
Como quem pede desculpas ele ergueu os ombros e então saiu correndo de lá em direção ao castelo. O vento frio que a noite trazia cortava seu rosto, as mãos sem luvas pareciam cubos de gelo, mas nada estava mais gelado que seu coração naquele momento.
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