Nova Geração - Ano 1
33 Encontros e Desencontros - Parte 1
Tinha sido uma semana de aulas exaustiva. Cheia de trabalhos imensos para entregar e aulas cada vez mais intensas. Victorie estava aliviada de saber que era sábado e era dia de visitar Hogsmead. Teddy iria encontrá-la no vilarejo para tomarem uma cerveja amanteigada juntos, parecia que fazia séculos que ela não o via. E ele tinha dito na ultima carta que tinha novidades sobre o caso do seu pai.
Ela saiu da sala comunal da Corvinal bem animada e foi para o Salão Principal tomar seu café da manhã com Roxanne na mesa da Grifinoria já que ela não gostava tanto assim de se sentar com seus companheiros corvinos.
– Ei, Roxy. – ela deu um beijo na bochecha da amiga e se sentou ao seu lado.
– Vic! Vejo que você está de bom humor. – ela disse enquanto passava geleia em uma torrada.
– Muito! Teddy vem me ver hoje.
– Jura?! – era impressão dela ou Roxanne parecia aliviada?
– Roxy... Por que você parece estar mais feliz do que eu pelo fato do meu namorado vir me ver?
– Ahn... Bem...
– Roxy! O que a senhorita está armando?
– É que... Bem... O Charlie me chamou para passar o dia com ele hoje...
– E como você só me conta isso agora?!?!? – Victorie agarrou o braço da amiga e a chacoalhou animada.
– Vic, para, você vai deixar meu braço roxo!! – ela dava risada enquanto tirava as mãos da amiga do braço.
– Desculpa, desculpa! – ela soltou os braços erguendo as mãos em sinal de rendição – Agora me conte!
– Não tem nada pra contar! – ela ficou vermelha – Ele só me chamou para ir para Hogsmead com ele, tem algo que ele quer me mostrar... Só isso.
– Uma coisa que ele quer te mostrar? – Victorie gargalhou alto, todos na mesa da Grifinoria a olharam – E o que isso seria? A boca dele?
– Vic!! – repreendeu Roxanne olhando em volta.
– Você é muito ingênua cara amiga. Mas fico feliz que seu dia será tão bom quanto o meu. – ela piscou para Roxanne
– Você não presta sabia?
– Ah, eu sei. Mas você me ama mesmo assim. – respondeu Victorie sorrindo.
– Olhe só quem voltou ao seu antigo eu convencido e insuportável. – Roxanne cutucou o braço da amiga com o dedo provocando-a.
– Ah Roxy, não podemos sofrer para sempre não é mesmo? – Roxanne a olhou surpresa e Victorie completou – Teddy tem me escrito três vezes por semana e me ajudado bastante. – ela deu um sorriso torto e começou a ficar vermelha.
– E eu achando que não fosse viver para ver o dia em que Victorie Weasley estaria perdidamente apaixonada por alguém.
– Idiota! – Victorie bateu no braço da amiga, se levantou e estendeu a mão sorrindo — Vamos? Tem dois caras lindos nos esperando lá no vilarejo.
– Vamos! – Roxanne aceitou a mão e as duas foram abraçadas e rindo pelo caminho.
...
Lucy. Estava. Em. Pânico.
Era sábado, dia de visita a Hogsmead. Ela sempre adorou as visitas ao vilarejo, mas ela nunca sentiu tanta ansiedade antes. Nem no seu terceiro ano, na sua primeira visita ela sentiu o estomago revirar assim.
A coruja de Sarah chegara dois dias depois do dia em que ela dissera que mandaria. O que surpreendeu – e muito – Lucy que não achou que fosse receber coruja alguma, muito menos tão rápido. A carta dela dizia o seguinte:
Oi! – “oi?” quem começa uma carta com “oi”?
Eu espero que não tenha demorado muito a escrever. Não sabia muito bem como começar. (E aparentemente ainda não sei)
Enfim, está tudo correndo como o planejado aqui, o que significa que estarei totalmente livre para ir a Hogsmead em duas semanas. As visitas ainda são aos sábados né?
Ok. Estou apenas enrolando nessa carta. Me encontre na praça, no centro do vilarejo, mal posso esperar para vê-la.
Beijos, Sarah.
Lucy escrevera a resposta dois dias depois dizendo que mal podia esperar para vê-la também e confirmando que a encontraria na praça. Mas agora ela preferia ter mais duas semanas para esperar. Ela não sabia por que estava tão nervosa, era apenas uma saída casual. E ela precisava mesmo distrair a cabeça, tinha sido difícil evitar Olivia por duas semanas inteiras. Lutar contra o próprio impulso de ir falar com a menina foi uma tortura, mas os treinos de Quadribol tinham ajudado bastante ela se ocupar.
Mas agora ela mal conseguia escolher uma roupa direito. O que tinha de errado com ela?
Depois de vários minutos revirando seu malão, Lucy se vestiu – uma blusinha de manga comprida azul escura, calça jeans e botas pretas. Seus longos cabelos ruivos ela deixou soltos e escolheu sair de lentes de contato naquele dia, seus óculos a incomodavam quando usava muito tempo – e quando chegou no fim da escadaria em frente as enormes portas principais do castelo encontrou com sua irmã.
– Ei, Lucy, pra que a pressa?
– Oi Molly! Eu vou... No vilarejo, hoje é dia de visita sabe?
– Eu sei. O melhor dia para de ficar no castelo, quando não tem quase ninguém para te incomodar.
– Ah... Que bom pra você então. Eu vou indo. Quero tentar comer algo antes de ir...
– Desista. Acabaram de retirar o café da manhã. Não tem mais nada lá.
– E você não pegou nem um bolinho pra mim?
– Eu não sabia que você ia demorar um mês pra colocar uma roupa e tomar café... – Molly revirou os olhos.
– Você é uma péssima irmã sabia disso?
Lucy não esperou pela resposta da irmã. Ela se virou se saiu do castelo em direção ao vilarejo na esperança de comer algo por lá antes de ir encontrar Sarah.
...
Dominic tinha vindo a Hogsmead sozinho. Ele vira James, Fred e Lisa entrarem na Dedos de Mel quando estava lá dentro. Fez de tudo para sair sem ser visto e acabou não comprando nada.
Ele não estava mais bravo com James, ele nem sabia por que tinha ficado bravo em primeiro lugar. Ele não gostava de Danielle tanto assim. Quando viu eles se beijando seu primeiro pensamento foi o de rir, mas ai ele olhou em volta e viu todos o olhando, com pena, como se ele fosse algum coitado e aquilo o deixou nervoso. Ele não queria ninguém com pena dele. Ninguém achando que ele tivesse sido traído ou trocado. E quando James, seu amigo, sua família, o colocou nessa posição ele perdeu a razão.
Agora ele nem sabia mais por que tinha agido como agiu e estava envergonhado. Não conseguia mais conversar com os amigos e não queria ninguém por perto.
Ele entrou no Três Vassouras e foi até o balcão pedir uma cerveja amanteigada. Ele ia se encostar no balcão de madeira quando de repente uma menina quase vinte centímetros mais baixa, de cabelos castanhos cacheados na altura do ombro atravessou na sua frente chamando a dona do estabelecimento. Madame Rosmerta.
– Tia Rô, um menino derrubou toda a caneca dele no chão lá no canto. Você pode me dar o esfregão? Eu limpo pra você.
– Ei, você é... Alice, certo? – perguntou Dominic olhando-a.
– An... Sim. Oi, Dom! – ela parecia surpresa por vê-lo.
– Oi! Acho que não falei com você desde a festa né?
– Sim... Você andou... Ocupado. – Alice se esforçou para esconder o desprezo na voz quando disse “ocupado”.
– Ah... É, pois é. Você está sozinha aqui?
– Sim, vim ajudar minha tia. – ela acenou com a cabeça em direção a Madame Rosmerta carregando cervejas amanteigadas até o balcão.
– Você é parente da Madame Rosmerta? Que legal! – ele olhou para uma mesa que acabava de ficar vazia – Você acha que ela te libera por alguns minutos?
– An... Eu não sei... – era impressão dele ou ela estava ficando vermelha?
– Mas é claro que libero. Vá conversar com seu amigo Ali, eu cuido de tudo aqui. – disse Madame Rosmerta aparecendo de repente do lado deles e colocando duas cervejas no balcão a sua frente.
– Mas tia eu...
– Não se preocupe, eu sei me virar. Agora vá. – ela os enxotou dali.
Dominic tirou dois sicles do bolso e colocou no balcão antes de pegar as cervejas. Então ele se sentou na mesa e Alice sentou a sua frente.
– Então, por que você está aqui sozinho? – ela perguntou olhando-o séria.
– Ah... Eu ainda não consegui me acertar com o James e queria ficar sozinho.
– Se queria ficar sozinho, por que me chamou? – ela deu risada.
– Por que eu nunca seria louco de dispensar a sua companhia. – ele piscou para ela.
Alice ficou vermelha e sorriu sem graça. Seus olhos verdes pareciam brilhar.
– Você devia tentar se acertar com o James. Vocês são melhores amigos.
– Eu sei. Eu não estou mais com raiva...
– Então por que não está falando com ele?
– Eu não sei o que dizer... – ele segurou a caneca com as duas mãos, envergonhado.
Como era tão fácil se abrir com essa menina? Ele mal a conhecia.
– Que tal dizer pra ele que ambos foram infantis e que a Danielle não valeu nem um segundo da magoa de vocês?
– Ahm... É um bom começo. – ele riu sem graça.
– Sério, além da beleza o que mais essa menina tem? Ela tem que ser muito perfeita pra valer a pena estragar sua amizade por isso.
– Ela... – Dom pensou em dizer algo, mas... Quem ele estava tentando enganar? – Nada. Ela não tem nada.
– Que bom que você percebeu. – ela revirou os olhos.
– Fica fácil perceber como ela não tem nada de especial falando com você. – ele sorriu.
Ela ficou vermelha de novo e Dominic não conseguiu parar de olhá-la. Como era fácil se perder naqueles grandes olhos verdes. Ele se lembrava de ter pensado a mesma coisa quando a conheceu na festa após o natal. Ela era realmente linda.
– Por que você está me olhando assim? – ela perguntou ainda envergonhada.
– An? O que... ? – ele pareceu acordar de um transe – Ah! – ele se recuperou, sorriu com o canto da boca e respondeu – Estou olhando você, oras. Você é linda.
– Eu?! – ela engasgou com a cerveja amanteigada que estava bebendo.
Dominic sorriu para ela e perguntou se ela não queria dar uma volta pelo vilarejo. Ela aceitou e eles saíram juntos, conversando.
...
Lucy chegara a Hogsmead por volta das dez horas. Ela olhou para o relógio na entrada do vilarejo calculando se daria tempo de entrar em alguma loja e comer alguma coisa. Ela tinha por volta de uns vinte minutos. Um vento frio passou por ela e ela puxou as mangas da blusinha que estava até o pulso. Correu para o Três Vassouras e viu que estava lotado. Uma fila enorme, ela demoraria séculos para sair dali. Saiu e tentou a Dedos de Mel. Lotada também e ela teve certeza de que viu Olivia lá dentro com Lisa e Fred. Não, era melhor tentar outro lugar. Ela passou pelo relógio mais uma vez e viu que estava quase atrasada. Desistiu e começou a caminhar em direção à praça.
Seu estomago revirou conforme ela se aproximou do lugar. Ela olhou em volta, apenas alguns estudantes, não estava muito lotado. À direita no meio de duas grandes árvores ela avistou o lugar onde ela jogara “Eu Nunca” – versão doce – com seus amigos. De repente o pensamento a atingiu como um soco, a ultima vez que estivera ali, foi quando beijou Olivia e tudo ficou estranho. Tudo desmoronou. Ela começou a se sentir mal ali, desviou o olhar do lugar que trouxera tantas lembranças desagradáveis e se levantou. Ela tinha que sair dali. Lucy se virou bruscamente e bateu de frente com alguém levemente mais alta que a segurou pelos ombros.
– Ei, eu só me atrasei dez minutos. Já cansou de me esperar? – Sarah sorriu para ela.
– Não! – ela sorriu sem jeito – Eu só... Estava distraída.
– Você tem um certo habito de estar distraída sempre que nos encontramos. – ela sorriu de novo.
O sorriso daquela menina era de outro mundo, Lucy não podia entender como alguém podia ver aquela menina sorrir assim e não se apaixonar. Sarah era a menina perfeita que todos sempre quiseram na vida. Por que diabos Teddy tinha deixado essa menina escapar?
– Desculpe. – Lucy sentiu o rosto esquentar – Então... O que você quer fazer?
– Eu não pensei nisso ainda. – Lucy a olhou curiosa e ela sorriu sem graça – Pensei em só... Sentar em algum lugar, conversar. Nos conhecermos.
– Parece um bom plano pra mim.
– Ótimo. Então, pra onde quer ir? Quer ficar aqui, aproveitar que o clima está mais ameno?
– Ah não. Não quero ficar aqui. Que tal... – Lucy parou de falar olhando em volta, pensando.
– Já sei. Vem comigo.
Sarah a pegou pela mão e a puxou. Elas saíram andando para fora da praça por um tempo, saíram da área comercial do vilarejo e começaram a entrar na área residencial. Era difícil os alunos de Hogwarts irem ali, poucos tinham parentes no vilarejo e um menor numero ainda se interessava por algo alem das lojas no centro.
Elas passaram por algumas casas amontoadinhas, como se estivessem se esquentando umas nas outras. Alguns moradores grisalhos estavam nos jardins, outros olhavam curiosos pela janela para as duas meninas. No final da rua Lucy avistou um pequeno playground. Algo bem simples, um balanço para duas pessoas, uma pequena casinha de cimento pintada de rosa, um escorregador, um trepa-trepa roxo descascado e alguns bancos em volta.
– Está vazio. – comentou Lucy enquanto Sarah, que ainda a puxava pela mão, ia em direção aos balanços.
– Sim, não tem muitas crianças morando em Hogsmead. Ouvi dizer que durante as férias algumas crianças usam esse playground quando vem visitar parentes ou coisa do tipo, mas nunca estive aqui para ver.
Ela deu de ombros e finalmente soltou a mão de Lucy. Se sentou em um balanço e Lucy sentou no outro. Ela acariciou a própria mão sentindo o ar gelado do fim do inverno levar embora o toque quente da mão de Sarah. Estranho, era quase como se ela estivesse sentindo falta. Mas que coisa absurda!
– Então, como você descobriu esse lugar?
– Ah, Teddy achou na verdade. – ela sorriu sem jeito – Foi quase no final do nosso terceiro ano, ele sempre gostou de andar pelo vilarejo sozinho. Um dia ele me trouxe aqui com ele. Pouco antes do fim das aulas, demos nosso primeiro beijo aqui e depois eu sai correndo. – ela deu risada como se pudesse se ver com treze anos correndo dali – Não falei com ele o verão todo. Quando as aulas voltaram eu não tinha mais pra onde fugir, acabamos nos beijando de novo e ai...
– Ai vocês começaram a namorar e foram o casal perfeito de Hogwarts até seus últimos dias ali. – comentou Lucy.
– Eu estou te entediando com essa conversa do meu ex namorado não é mesmo?
– Não! – quando viu a expressão de descrença de Sarah ela completou – Não está. De verdade. É só que... Bem, eu já te conheço como a “namorada de Teddy Lupin” e você mesma reclamou que é só assim que as pessoas lembram de você por lá. Eu estava estudando em Hogwarts quando vocês namoravam, esqueceu? Essa Sarah eu conheço, todos conhecem. Agora quero conhecer você.
– Ahn... Uau! – ela sorriu sem jeito e colocou o cabelo atrás da orelha. Levantou o olhar e aqueles olhos verdes se fixaram nos de Lucy – Acho que nunca me perguntaram isso, então... Lá vai.
E ai Sarah começou a contar de como no fim do seu ultimo ano em Hogwarts ela notou exatamente isso: que ninguém a conhecia. Todos conheciam a namorada do Teddy.
Então ela terminou com ele depois da formatura – então estava explicado! – e saiu viajando pela Europa. Conheceu lugares históricos, lugares mágicos, pessoas incríveis e o mais importante: conheceu a ela mesma.
– E em um vilarejo na Itália eu conheci uma bruxa que se formou na Beuxbatons e estava de passagem por lá também. Viajamos juntas por todo o sul da Italia, namoramos por um bom tempo...
– Espera... Vocês namoraram? Você...? – Lucy parecia ter engolido a própria língua e agora estava engasgando nela enquanto tentava falar.
– Se eu gosto de mulheres? – Sarah pareceu se divertir com a expressão no rosto de Lucy, quando a menina ruiva a sua frente assentiu ela a olhou fixamente e disse – Sim.
– Mas... E toda aquela conversa nostálgica sobre o Teddy?!
– Ei, eu o amei e ainda amo. Mas como um amigo, um irmão, nós não queremos mais estar juntos, somos amigos. Ele sempre me conheceu melhor do que ninguém.
Lucy não sabia como reagir e nem o que dizer. Ela estava surpresa de mais. Por fim disse:
– Eu nunca teria adivinhado.
– Acho que você teria sim. Só não estava acreditando.
– O que você quer dizer com isso?
– Eu vi o jeito que você me olhou várias vezes hoje. – ela sorriu com o canto da boca – E acho que você notou o jeito que te olhei também.
Lucy sentiu o rosto esquentar e olhou para os joelhos do jeans rasgado. Um minuto de silencio se passou e de repente um ronco alto veio do estomago de Lucy. Morrendo de vergonha ela abraçou a barriga e olhou para Sarah que estava rindo.
– Você por algum acaso comeu antes de vir pra cá?
– Não. – o rosto de Lucy estava em brasa, ela tinha certeza que estava vermelha como um pimentão.
– Venha. Vamos comer alguma coisa. – Sarah se levantou e estendeu a mão para Lucy de novo.
Lucy aceitou e elas começaram a fazer o caminho de volta às lojas de Hogsmead.
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