Nova Geração - Ano 1

35 Cicatrizes de Batalha e Ciúmes


James e Rachel afastaram-se do corpo imóvel de Lucas dando risada, mas algumas quadras a frente toda a valentia de James se foi e em vez de sorrir ele fazia caretas de dor.

– Anda, senta aqui. – disse Rachel puxando-o para um banco perto de uma loja que já estava fechando.

– Nós temos que voltar para o castelo. – reclamou James que sentou contrariado.

– Seu rosto parece uma uva deformada Potter, se você aparecer assim no castelo McGonagall te manda direto para a enfermaria junto com uma carta para seus pais sobre o que aconteceu aqui.

– Ei, ele quem começou! – ele protestou e logo em seguida fez careta levando a mão até pouco abaixo do olho – Ai.

Rachel fez uma expressão de repreensão enquanto sacava a varinha de dentro da bota e apontava para o rosto de James.

– O que você pensa que vai fazer com isso Shaw?! – ele a olhou espantado.

– Quer mesmo ter que explicar para o seus pais por que eles estão recebendo o que deve ser a quinta carta de reclamação esse ano?

– Não, mas não quero acabar com o rosto deformado. – ele parou um segundo para pensar e então completou – Mais deformado.

– Fico feliz que seu senso de humor esteja intacto. – ela debochou, mas logo assumiu uma expressão séria e olhou diretamente nos olhos dele – Confia em mim?

Ele a encarou por alguns segundos. Seu rosto todo doía, ele sentia seus olhos inchando e sua boca já deveria estar parecendo uma aplicação de botox que deu errado, nem queria imaginar os tons de roxo que seu rosto deveria estar. Sentia gosto de sangue no corte da boca e um filete de sangue também escorria por sua sobrancelha rosto abaixo. Se fosse qualquer outra pessoa ali – até mesmo seus melhores amigos – ele nunca admitiria ou demonstraria quanta dor estava sentindo, mas ao olhar nos olhos negros como a noite de Rachel ele só conseguiu pensar no quanto se sentia aliviado de estar com ela.

– Sim. – ele respondeu por fim. Ele confiava nela mais do que gostaria de admitir.

Ela tentou segurar o sorriso que se formou em seus lábios ao ouvir isso, falhou adoravelmente, fazendo com que James sorrisse com o canto da boca também. Ela preparou a varinha e se concentrou no rosto dele. Sussurrou alguma coisa que James não entendeu e então ele sentiu o alivio quase instantâneo. Seus olhos desincharam e sua boca também. A dor foi embora quase completamente, o canto do olho ainda estava dolorido quando sorria – o que ele fez instantaneamente assim que sentiu o rosto parar de doer – mas não era nada que ele não pudesse suportar.

– O inchaço já era, mas não sou muito boa com esse feitiço ainda, os cortes não se fecharam completamente. Quer dizer, sua sobrancelha está praticamente curada, mas o corte na boca... Acho que pode ficar uma cicatriz aí. – ela torceu a boca como se pedisse desculpa.

– Ei, as garotas adoram cicatrizes! – ele sorriu e piscou para ela.

– Você é um idiota, Potter. – ela fechou a cara enquanto colocava a varinha dentro da bota novamente.

– E você é incrível, Shaw. – ele lhe deu um beijo no rosto e se levantou puxando-a pela mão. Passou o braço por seus ombros encostando se nela – Vamos, precisamos voltar para o castelo antes que tranquem os portões com a gente para fora.

– Eca, Potter! Não precisa ficar meloso assim, — Rachel o empurrou se desgrudando dele e andando ao lado dele esperando que ele não notasse o quanto seu rosto estava vermelho – só não quero você perdendo mais pontos para sua casa ou o direito de jogar no próximo jogo. É contra a melhor casa sabe? E eu odiaria perder a chance de te dar uma bela surra naquele jogo. – ela sorriu convencida.

– Você deve estar confusa, já que a melhor casa é a minha. E olha que fui eu quem tomou as pancadas na cabeça!

– Engraçadinho. – ela riu sarcasticamente.

James sorriu para ela e ambos continuaram se provocando por todo o caminho até Hogwarts.

...

Lucy e Sarah voltaram de Hogsmead pouco antes do fim da tarde, elas foram de mãos dadas o caminho todo, conversando e sorrindo sem parar. Lucy não podia acreditar que estava com uma menina incrível como aquela e mais absurdo ainda, que a tinha beijado há poucas horas atrás. As duas pararam a alguns metros do imenso portão do castelo que ainda estava aberto.

– Obrigada por me fazer companhia hoje. – Sarah sorriu.

– Eu é que agradeço. – Lucy sorria de volta – E obrigada pelas tortinhas de maçã. Eu realmente precisava comer alguma coisa!

– Disponha. – Sarah riu. A risada dela era deliciosa.

– Eu, an... – Lucy olhou apreensiva para baixo e falou rapidamente – Posso querer te ver outra vez.

– Pode é? – Sarah puxou o rosto dela para que a olhasse – E como faço para que tenha certeza de que quer me ver de novo? – ela sorria maliciosamente.

– Talvez pudesse me convencer. – Lucy deu de ombros, provocando-a. Mas no fundo ela sentia o coração bater acelerado.

– Acho que posso fazer isso. – em seguida ela lhe deu um beijo, nada demais, apenas pressionou seus lábios contra os dela e se afastou pouco depois – E então?

– Hm, não sei... – Lucy fez pouco caso.

Sarah se inclinou novamente, dessa vez passou a mão por trás da cintura de Lucy e a puxou para perto de si. O beijo foi intenso, mas curto. No entanto, quando suas bocas se separaram Lucy estava ofegante e não conseguia parar de encarar os lábios avermelhados da menina a sua frente.

– E agora? – Sarah estava tão ofegante quanto ela.

– Acho... – ela respirou fundo, recuperando o ar – Que você não deveria nem ir embora.

Sarah deu risada novamente e Lucy viu seus olhos verdes brilhando em um misto de contentamento e desejo. Ela apoiou as duas mãos em sua cintura e a puxou para mais um beijo. Foi então que ela escutou chamarem seu nome:

– Lucy?! – aquela voz era tão familiar a ela que doía ouvi-la daquele jeito. Parecia machucada.

Lucy se virou olhando-a. Olivia a encarava surpresa, indignada, ofendida, magoada.

– Olivia. – Lucy a encarava sentindo seu coração afundar. Por que elas tinham que se ver logo hoje? Logo naquela hora? – O que você... ?

– Estou voltando do vilarejo. – ela a interrompeu. Claramente ela estava irritada com alguma coisa.

– Eu acho que já vou indo. – comentou Sarah, notando a tensão que se instalara ali.

– Não! – Lucy a olhou querendo pedir desculpas, mas... por onde começar? – Essa é... An...

– Olivia. – a menina tinha os olhos castanhos fixos na morena ao seu lado.

– Prazer, Sarah. – o olhar de Sarah não se demorou em Olivia, se virou para Lucy – Eu vou. – Lucy ia protestar, mas ela não deixou – Vocês precisam conversar. Me manda uma coruja depois dizendo quando visita o vilarejo de novo? – era impressão dela ou Sarah parecia triste?

– Mando. – Sarah lhe deu um selinho e começou a se afastar de volta ao vilarejo, aparatando alguns metros depois.

Alguns segundos depois de Sarah ter se retirado, que mais pareceram horas, Olivia falou:

– Sua namorada?

– Ahm... Ela é... Não sei. – sorriu sem graça – Como você está?

– Por que a pergunta? – Olivia estava muito nervosa e Lucy não conseguia entender o por quê! Fora ela que a tinha mandado embora.

– Ouvi que o ultimo jogo foi complicado. – ela torcia a boca, apreensiva.

– Você não assistiu. – não foi uma pergunta.

– Não eu... Não estava me sentindo bem. – ela mediu Olivia e então perguntou – Como você sabe?

– Não te vi na arquibancada. Você nunca perdeu um jogo. – Olivia olhou para os próprios pés e chutou uma pedra.

Olivia não a viu? Isso quer dizer que ela tinha procurado por Lucy antes do jogo começar?

– Eu acho que você sabe por que não pude ver esse. – ela comentou se abraçando devido ao vento frio que passou por elas.

– Você tinha dito que iria deixar esse assunto para lá, Lucy. – Olivia falava quase como se implorasse que ela esquecesse o que ocorrera.

– Eu não consegui, Liv. E se me lembro bem, você me beijou. – Lucy olhou ressentida para a menina a sua frente.

– Lucy, por favor...

– Por favor, o que Liv?! – ela sentiu sua voz se erguer um pouco – Eu fiz tudo o que pude. Tudo o que você achou melhor! Eu te beijei e foi um impulso idiota, eu sei, mas você correspondeu! Correspondeu e depois me pediu para esconder isso. Para esconder meus sentimentos por você. E depois de semanas sem ter coragem de tocar no assunto para não te perder eu abri o jogo com você por que pensei que se fosse realmente minha melhor amiga, entenderia. Eu me afastaria para aprender a lidar com isso, para que não fosse mais um problema!

– Eu não...

– Não terminei. – Lucy a interrompeu – Eu teria entendido você, eu teria me afastado. Mas então você me beijou no vestiário. Você. E... Aquele beijo foi o mais incrível que já dei na minha vida toda, mas depois disso o que você fez? Me mandou embora.

– Eu tenho namorado... Eu nunca... – Olivia gaguejava com os olhos cheios de lagrimas – Eu sinto sua falta Lucy. – ela soltou por fim.

– Eu também sinto Liv... – ela se aproximou de Olivia e pegou sua mão, estava quente. Apesar do frio a mão dela sempre estava quente, Lucy sempre adorou isso – Mas não posso viver desse jeito, com medo de conversar contigo abertamente por que você acha que se não falarmos sobre isso vai sumir.

– Eu estou tão confusa Lucy. Está tudo dando errado, eu preciso de você. – as lagrimas desceram pelo rosto de Olivia.

Ela não podia acreditar, Olivia Lopez estava chorando. Ela nunca vira aquela menina chorar, nem uma vezinha durante todos esses anos. Ela era forte, independente, determinada, corajosa. Tudo o que Lucy sempre admirou e quis ser. Era a garota que a inspirou e lhe acolheu quando ninguém mais o fez. Vê-la chorando daquela forma foi devastador.Ela precisa de mim.
Foi a única coisa que conseguiu pensar.

– Liv... – Lucy se aproximou mais e a abraçou. Olivia era mais baixa do que ela, o que fez com que seus olhos ficassem na altura da boca de Lucy quando se afastou. Ela viu os olhos da menina se fixarem em seus lábios. Olivia ficou na ponta dos pés e se aproximou, sua boca mal tocou a de Lucy antes que ela se afastasse – Eu não posso.

– Está apaixonada por aquela garota? Sarah?

– Eu... Não sei. Possivelmente. Mas não é por isso que não posso te beijar Liv. – a menina a olhou confusa e magoada – Você mesma disse, tem namorado, não serei seu caso escondido. Sinto sua falta mais do que pode imaginar, mas não posso ser sua amiga se não te esquecer e pra isso preciso de um tempo.

– Você estava fazendo um bom trabalho me esquecendo quando te encontrei aqui. – ela comentou com rancor.

– Não faça isso. Sabe muito bem que não você é assim. – Olivia a olhou, os olhos cheios de lagrima novamente, Lucy enxugou a que se atreveu a escorrer por sua bochecha – Ela apareceu e... Eu gosto dela. Ela me faz bem e tem certeza de que quer ficar comigo.

– Isso não é justo. Ela já sabe o que quer e quem é. Eu não...

– Eu sei. E sei que você vai descobrir mais cedo ou mais tarde e quando se decidir adoraria que você me contasse. Mas não posso sentar e esperar até lá. Estou aqui Liv, para o que você precisar, mas não... Assim. – ela fez sinal apontando as duas – Você me machucou muito e eu estou começando a juntar os pedaços de novo. Preciso que respeite isso.

– Eu não quero te perder.

– Não vai. Sou sua amiga.

– Amiga... – Olivia parecia sentir um gosto amargo na boca ao dizer aquilo – Quer saber Lucy, eu não preciso de mais amigas. Você me beijou primeiro, me deixou confusa e não se importou com isso! Só continuou insistindo, não pensou em como eu poderia estar me sentindo, só em você. Agora depois de ignorar várias vezes o pedido que te fiz de esquecer isso você quer que sejamos amigas? Eu estou bem nesse quesito. Volte para a sua namorada alta de olhos verdes, pra mim chega.

Olivia saiu andando a passos largos para dentro do castelo sem dizer mais nada. Lucy podia jurar que a viu limpar uma lagrima no caminho, mas não pode ter certeza. Tudo o que ela pode fazer é ficar ali, sentindo o coração apertar e ficar cada vez mais perdida em seus pensamentos.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.