Nova Geração

9 Preocupações necessárias


Notas iniciais
Faz tempo que eu estou ausente, desculpinha por isso, MAS semana que vem começam as minhas férias (eu ouvi um amém?) e eu serei mais dedicada.

Já estavam andando por mais de uma hora. Mantinham um ritmo bom, mas Boruto sentia as pernas formigando a cada passo, o estômago afundando enquanto tentava respirar e não ficar para trás. Sarada e Noriko estavam lado a lado e Mitsuki ia vigiando pelas árvores, não era possível vê-lo, mas conseguia senti-lo. Sasuke trocava palavras com Gecai. Boruto, porém, sentia o suor na nuca coçando e a cabeça doer. As sensações desconfortáveis aumentavam cada vez enquanto andava. Para manter o foco e não desmaiar, ficou encarando a forma com que as pontas do cabelo de Sarada – que beirava a cintura de tão longos, ao contrário de quando era mais nova – se mexiam e balançavam, sendo guiadas pelo vento. Observou e sentiu os olhos vesgos, mas a sensação de enjoo não saia dele. O rapaz sentia o próprio corpo gritando que havia algo errado e suas tentativas de mantê-lo calado eram em vão.

Noriko e Sarada conversavam baixinho sobre amenidades da vila, e Mitsuki parecia estar comendo algo na copa das árvores acima deles. Depois de aproximadamente duas horas andando, Boruto havia melhorado e piorado de forma estranha enquanto andavam e paravam, sempre disfarçando. O que quer que havia com ele só podia ter a ver com o que tinha comido no dia anterior, só pode.

A cada minuto, sentia que tudo diminuía e a sensação de estar sufocando aumentava, uma sensação de solidão repentina, mesmo estando acompanhado, o coração acelerado e a boca seca, os olhos marejando e ardendo, o buraco negro no estômago, a pele arrepiada e o frio que o congelava dentro de si.

Boruto engoliu em seco quando Sarada parou de andar repentinamente. Por um momento, ele pensou que haviam notado seu estado, mas então ela simplesmente foi em direção à Sasuke, parecendo pergunta-lo algo, que Boruto não conseguia ouvir, mas qualquer que fosse a pergunta, foi redirecionada à Gecai.

O pânico invadiu Boruto. Ele não ouvia mais nada. Seus ouvidos estavam completamente tampados, a luz o cegava do nada. As bocas de seus companheiros mexiam em perguntas e respostas, piadas, que ele não escutava. As árvores se remexiam em uma dança cuja trilha sonora era o vento e isso também não o alcançava. O ar fugia de seu pulmão e o menino sentiu que seu corpo tentava veemente levar oxigênio para dentro de si. Nada vinha e pontos pretos começaram a aparecer na sua frente.

O silêncio era absoluto, não ouvia a própria respiração, até mesmo seus próprios pensamentos haviam se calado. Não havia mais nada a não ser a sua falta de ar que o suprimia e queimava silenciosamente. A agonia de não ser ouvido nem ouvir.

Ele nunca havia presenciado o silêncio total, nem mesmo quando deitava no telhado de casa e deixava o frio anestesia-lo. Havia sempre o vento, até mesmo a energia que corria no poste de luz e a própria respiração se condensando no ar dos dias frios. Agora não mais.

Seus olhos tinham dificuldade em focar nos colegas, mas conseguiu discernir quando Sarada o olhou, falou alguma coisa que ele jamais saberia e franziu as sobrancelhas de forma preocupada. Ela estava preocupada? Ele ficou se perguntando. As pessoas se mexiam lentamente, os movimentos ao seu redor pareciam estar em câmera lenta.

Sarada foi se aproximando com uma mão estendida, uma mão que Boruto queria poder alcançar, mas os comandos que mandava ao próprio cérebro, ele não obedecia. Seus braços continuaram caídos ao redor do corpo. Seus olhos permaneciam abertos e ardiam porque não obedeciam à ordem de fechar. Estava tudo errado.

Sarada estava ao seu lado, o segurando pelo cotovelo, tentando leva-lo a algum lugar. Suportá-lo. Apoia-lo. A única coisa que sentia eram as duas mãos da companheira de time, envoltas em ataduras, segurando-o. As pontas dos dedos eram frias e macias e o resto da mão ele não sentia direito.

Os óculos escorriam pelo nariz, o que vivia acontecendo. Sua boca mexia, mas mais uma vez seu ouvido o abandonara.

Não houve muito mais que sentir a não ser quando Boruto desmaiou, caindo em cima de Sarada, que logo de prontidão sentou no chão e colocou a cabeça do companheiro em seu colo. Tudo ficou escuro e a sensação que o afundava parecia latejar sua barriga, como mil socos ao mesmo tempo. O desmaio foi rápido e tão repentino quanto os sintomas que sentia.

Boruto passar mal foi surpresa para todos. Sarada fez os primeiros socorros do colega de time assim que ele desmaiou, mas todo o grupo concordou que não podiam realizar os tratamentos necessários ali. Rapidamente, Sasuke carregou Boruto e todos retornaram correndo à mansão de Imitsu, que logo de prontidão chamou seus melhores curandeiros. Sarada era a única ninja médica presente, então todos pareciam obedecê-la. Isso foi um pouco estranho, porque quando ela fizera as aulas com sua mãe, todos seguiam Sakura. Ela era o sol dos médicos e enfermeiros ao redor, dando ordens e cuidando dos seus preciosos pacientes. Sarada se sentiu como a mãe enquanto dava ordens e era ouvida.

Boruto estava com muitos sintomas estranhos e sua pele ardia em febre. Ela não sabia a razão, era muito estranho aquela reação. Depois que Sarada tratou do rapaz, ao tirar um momento para descansar, muitas horas depois do acontecido, milhões de possibilidades passaram pela sua mente.

Podia ter sido algo que ele havia comido, mas era improvável, já que infecção alimentar não gerava febre e desmaio. Ela chegou a pensar em envenenamento direto, mas quem é que iria envenená-lo? Não havia razão para isso. Sarada levantou da cadeira ao lado da cama em que Boruto dormia. Já do lado de fora, ela pediu que deixassem alguém de vigília e para chama-la caso o paciente acordasse. Suas ordens foram bem diretas e rapidamente impostas.

Sarada foi correndo pelo corredor, mas seus passos não eram ouvidos por conta do carpete fofo que cobria o chão. Ela procurava por Gecai e, depois de muito perguntar a todos que via, finalmente o achou, escondido em uma das muitas bibliotecas do grande castelo.

Ele parecia bem entretido olhando a paisagem pela janela. Gecai era um homem corpulento e grande, seu tamanho avantajado e recheado de músculos fazia com que, automaticamente, quem o visse, o imaginasse destruindo coisas ou lutando numa batalha empolgando em que ele possuía a vantagem. Ali, o guia parecia calmo e pacífico, pensando em algo que talvez Sarada jamais adivinharia. Ela se sentia culpada em atrapalhar seu sossego, mas era pelo bem de Boruto. A jovem se aproximou cuidadosamente e quando Sarada já estava ao lado de Gecai, sem nem olhá-la, ele disse:

— Aconteceu alguma coisa? – a pergunta a pegou desprevenida. – O seu amigo melhorou?

— Hm... Ele continua na mesma. Boruto não piorou, mas a recuperação dele está sendo lenta. Lenta demais.

Gecai respirou fundo e olhou para Sarada, os olhos castanhos eram iluminados pelo sol que entrava pela janela que ocupada a parede inteira logo na sua frente.

— O que a traz aqui, então?

— Desculpa incomodá-lo enquanto não está em serviço conosco, mas eu queria perguntar algumas coisas.

— Pode falar. – ele franziu as sobrancelhas de curiosidade.

— Já que você foi escolhido para ser nosso guia, eu supus que você conhece bastante a mata da região...

— Sim.

— Eu estive observando os sintomas do Boruto e eu estive pensando que talvez ele tenha sido envenenado.

— Envenenado? Por quem?

— A pergunta não é por quem, mas sim pelo que. Eu acho que ele possa ter tocado de relance alguma planta venenosa ou algo do tipo e isso o fez passar mal. – ela explicou.

Gecai ficou encarando as próprias mãos, pensando.

— Bem, existe um espinho venenoso na região. – disse depois de alguns minutos de silêncio. – Não acredito que tenha sido ele, no entanto. Esse espinho é caracterizado por estar presente em mata fechada e em lugares escuros, mas nós estávamos andando em uma trilha aberta e em local que pegava sol o dia inteiro.

— Então não tem como ser esse espinho. Não tem nenhuma outra planta ou animal pequeno que poderia baquear uma pessoa daquela forma?

— Bem, sim, existem muitas plantas venenosas, mas é a mesma linha de pensamento do espinho que eu falei. Essas plantas venenosas foram varridas da beira da trilha há muito tempo, já que crianças e pessoas de idade passam por ali o tempo todo, por ser uma rota movimentada no verão, quando somos muito visitados.

Sarada ficou desanimada. Aquela era seu último chute, depois daquilo, sua mente se esvaziou totalmente. Não havia mais nada que a iluminasse.

— Não tem mais nada que tenha passado pela sua cabeça? – perguntou Gecai. – Eu posso ajuda-la a investigar, mas não garanto sucesso, já que o único afetado foi seu amigo.

Sarada franziu a sobrancelha.

— É uma boa observação. – disse ela. – Só o Boruto foi afetado.... Eu cheguei a pensar que pudesse ter tido uma crise alérgica ou algo do tipo, mas aqui vocês usam os mesmos temperos que lá na vila.

— Você parece sem saída, mocinha. – disse Gecai. – Bem, já sabe. Estarei disponível para ajuda-la caso precise. Desejo melhoras à Boruto.

Sarada se curvou em agradecimento.

— Obrigada pela ajuda. Foi muito útil.

A jovem estava indo embora, mas ao abrir a porta da biblioteca onde estava com Gecai, tomou um susto quando Mitsuki esbarrou nela com tudo.

— Mitsuki?

— Sarada?

Ela o empurrou suavemente porta afora para dar privacidade à Gecai. Já lá fora, ela disse:

— O que aconteceu? O que estava fazendo? – sua voz estava um tanto aguda, por alguma razão.

— Eu te vi correndo e achei que precisasse de alguma coisa, poxa.

Sarada se inclinou para frente com olhar desconfiado.

— Mitsuki. – sua voz era repreensiva. – Você estava ouvindo a conversa dos outros?

As bochechas de Mitsuki coraram instantaneamente.

— Talvez.

— Talvez? Ou você estava ou não estava.

— Bem, estava. Sim, estava.

— Porque?

— Mas que coisa, quando você faz interrogatório fica igualzinha o Boruto. – ele comentou, de repente.

— Isso foi uma coisa extremamente aleatória e só prova que está tentando fugir do assunto. Porque estava ouvindo através da porta?

— Eu já disse. – ele parecia irritado, mas irritado de um jeito que o deixava engraçado. Mitsuki era uma pessoa que não se irritava, então quando ele tentava parecer bravo com algo, o garoto ficava parecendo uma criança pequena. Sarada nunca o tinha visto realmente irritado com algo, mas se isso um dia acontecesse, ela tinha medo do que poderia ter causado tamanha calamidade. – Eu vi você correndo por aí e pensei que tivesse acontecido alguma coisa. Quando você entrou aqui, não é como se eu pudesse simplesmente entrar atrás de você.

— Entendo. Você ouviu o que eu conversei com Gecai pelo menos? – Sarada perguntou, suspirando. Os dois começaram a andar pelo corredor, automaticamente seguindo em direção ao quarto em que Boruto estava acamado.

— Grande parte. – disse Mitsuki. – Você está tentando descobrir o que causou isso no Boruto.

Sarada assentiu.

— Eu ainda não entendo o que aconteceu. Boruto nunca fica doente e agora ele está desacordado desde ontem de manhã. – disse ela.

— Sim, eu concordo. Mas eu não acho que tenha sido envenenamento. – concluiu Mitsuki.

— Eu não sei mais o que pensar. Não tem mais opções plausíveis. – sua voz saiu como um choramingo. – Como médica, isso é muito frustrante. Eu queria que minha mãe pudesse examiná-lo, ela certamente descobriria o que há de errado.

Mitsuki riu, dando um tapinha nas costas da colega.

— Sarada-chan, você põe muito pouca fé em si mesma. Estamos todos no mesmo barco, não sabemos o que está acontecendo. É como o Sétimo falou, estamos andando no escuro. Você é mais capaz do que pensa.

— Realmente acredita nisso?

— Uhum. Totalmente. – Mitsuki sorriu, os olhos quase se fechando. Os braços estavam cruzados, escondidos debaixo da manga longa e larga do seu uniforme. – Você é Sarada Uchiha, futura Hokage de Konohagakure, e eu, seu companheiro de time, acredito que você é capaz.

Asato e Asuya eram irmãos e eram gêmeos. Ambos com cabelos pretos, posturas certas, magros e fortes. A única coisa que os diferenciava eram a cor dos olhos, Asuya com os olhos pretos que mal se podia ver a pupila, que vivia dilatada por conta da hiperatividade correndo nas suas veias e cérebro, e o irmão, Asato, com um par de balas de caramelo no rosto como olhos, brilhantes e sempre alegres, mas que se irritavam facilmente. Com seus coletes verdes com o semblante da vila, os dois faziam missões junto com sua companheira de time, Noriko, mas no momento, com a amiga fora, os dois se ocupavam com um voluntariado no prédio do Hokage, organizando documentos ou auxiliando em investigações básicas, por serem extremamente inteligentes. Não se desgrudavam um do outro e estavam no início da idade adulta, a mesma idade de Noriko.

Naquele dia, Asato e Asuya esperavam na entrada da vila para recepcionar a família de Shikamaru: Shikadai e Temari, que voltavam naquele dia de Suna, a Aldeia da Areia. Asato era curioso e – tinha que admitir – um tanto fofoqueiro, gostava de saber tudo antes dos outros, então queria que assuntos a família do braço direito do Hokage tinha a fazer com o Kazekage, Sabaku no Gaara.

Tudo bem que Temari era irmã de Gaara, mas depois que havia se casado, todos sabiam que as visitas ao irmão diminuíram bastante, principalmente acompanhada do filho, que fazia missões importantes e era uma peça crucial a formação Ino-Shika-Cho.

— E aí, o que você acha que aconteceu? – perguntou Asato, cutucando Asuya com o cotovelo. Em troca, recebeu apenas um olhar desentendido e de quem queria deixar a conversa desnecessária para depois, e também, Asuya não entendia a necessidade do irmão de saber das coisas, principalmente quando se tratava da vida dos outros. Por outro lado, sempre quando queria saber de algo, sabia com quem podia falar, então não reclamava da compulsão estranha de Asato.

— Eu não sei. Assuntos políticos?

Asato negou com a cabeça, os olhos brilhando de curiosidade.

— Não, não, não. Porque a família do Shikamaru-san estaria indo e não ele se fossem negócios políticos?

— Então só resta ser um assunto pessoal, o qual não te interessa saber. – Asato pareceu quase ofendido com a recomendação. Franziu o nariz com concentração e continuou olhando para o portão vazio esperando que as pessoas que escoltaria chegassem.

— Que ridículo seu pensamento pequeno, Asuya-ani. O que custa saber?

Asuya revirou os olhos.

— O que custa não saber?

Asato deu um peteleco na orelha coberta de cabelo do irmão, que o olhou irritadiço, porém não revidou.

— Ali eles. – Asuya apontou para o adolescente e mulher que o acompanhava. Shikadai tinham as mãos nos bolsos, um gesto que lembrava muito o pai. Na verdade, tudo em Shikadai lembrava Shikamaru, exceto os olhos, que eram certamente os de Temari. Ela tinha um sorriso suave no rosto e uma bolsa nos braços. Parecia feliz, já o filho parecia muito cansado.

Asato acenou animadamente para os dois, que os encararam.

— Temari-sama!

Mãe e filho foram na direção dos gêmeos, franzindo as sobrancelhas.

— Asato? Asuya? O que estão fazendo aqui? – perguntou Shikadai, em dúvida.

— Seu pai pediu que viéssemos pegar os dois. – explicou Asuya. – Ele não avisou?

— Não nos falamos muito enquanto estávamos na Areia. – esclareceu Temari. – Mas tudo bem, se meu marido acha que não sabemos onde é nossa casa, o que devo fazer, não é, meninos?

Asato e Asuya se olharam, desconfiados, mas indicaram com as mãos que Temari podia ir na frente enquanto Shikadai era indicado para ficar entre os dois. Obviamente, o movimento não foi muito sutil.

— O que os dois querem? Não deveriam estar em missão? – perguntou, mau humorado.

— Ah, não faça pouco caso de nós. – reclamou Asato.

— Sim, faça pouco caso somente de Asato. – disse Asuya.

— Você é sempre tão mau, irmão. – os dois se encararam, mas logo a atenção de Asato se voltou novamente para Shikadai. — Parece cansado. Como foi a viagem até Suna?

Shikadai deu de ombros.

— Foi tudo bem, eu acho. É um trajeto muito longo e demorado, só isso. E minha mãe ainda disse que vamos ter que ir até lá mais vezes ao longo do mês. Chocho vai me matar. Isso tudo vai ser muito problemático. – ele parecia realmente cansado e cada vez mais a cada palavra.

— Mas porque tudo isso? Aconteceu alguma coisa com o Kazekage e o mestre Kankuro? – perguntou Asuya, para a surpresa de Asato, que geralmente era o curioso entre os dois.

— Não, nada de ruim pelo menos. Tio Gaara e tio Kankuro estão bem.

— Então o que houve? – Asato parecia prestes a explodir de curiosidade.

— Bem, os dois não podem contar ao Hokage do que se trata por enquanto, já que minha mãe quer esperar até todos saberem para entregar o convite. Entendem isso? Principalmente agora que ficam fazendo bico no prédio do Hokage.

— Noriko nos abandonar não é nossa culpa, mas tudo bem, continue. – disse Asuya num tom amargo.

— Que seja. – Shikadai respirou fundo. – Daqui a alguns meses, não sei a data ao certo, tio Gaara vai casar. A oposição dele andava reclamando a anos que ele ainda era solteiro, mesmo que isso não seja da conta deles, mas enfim, já faz um tempo que Gaara está namorando, então ele apenas oficializou para a minha mãe, que, enlouquecida, quer fazer parte de todos os preparos.

— E o Kazekage não contou para ninguém ainda? – questionou Asato.

— Só para a família. Como eu mesmo disse, os dois não podem sair espalhando nada.

— Com qu... – a pergunta de Asato foi interrompida.

Asato não teve chances de terminar sua pergunta e Shikadai não teve chance de responder, quando Temari olhou para trás com olhos cerrados e assassinos.

— Shikadai! Não ouse contar mais nada! – Shikadai estremeceu e assentiu, dando mais passos para frente, ficando ao lado da mãe e se distanciando dos gêmeos, que riam por dentro. Até mesmo eles tinham medo daquele tom de Temari-sama. Eles ouviram mais um murmúrio entre os dois. – Seu tio deixou claro que não quer nenhuma balburdia sobre isso por enquanto. Você não ouviu anda que eu lhe falei no caminho?

A vingança de Asuya foi dar um peteleco na orelha de Asato em troca.

— “Não vai contar nada, ein”. – ele disse, imitando a voz de Shikadai, que suspirou alto na frente deles, ainda ouvindo o que a mãe falava.

Eles subiram rapidamente e Sarada ia na frente, ainda toda vermelha. Estava feliz que Mitsuki pensava daquela forma. Era muito reconfortante saber que um amigo, que ela considerava como o irmão que nunca teve, tinha tanta fé nela. Ao mesmo tempo, era assustador, já que o medo de desapontá-lo era tão grande quanto a felicidade que permaneceria se obtivesse sucesso.

Sem que houvesse percebido, Sarada ficou parada em frente a porta do quarto de Boruto. Só percebeu isso quando Mitsuki a cutucou o seu ombro. Ela balançou a cabeça para espantar as próprias ideias e pensamentos, como fazia quando pensava no pai em momentos inoportunos e onde a distração não era bem-vinda. Sarada achou estranho que o guarda e a médica de plantão que haviam sido deixados do lado de fora haviam sumido. Ela não sabia se interpretava aquilo como um bom ou mau sinal. Com apenas um olhar direcionado à Mitsuki, o colega saiu correndo atrás dos oficiais que haviam cuidado para zelar pelos cuidados de Boruto.

Não sabia o que esperava encontrar dentro do quarto. Quando não viu o guarda e a médica treinada esperando do lado de fora, ficou muito preocupada. Depois, pensou no que poderia acontecer de mais. Estavam dentro de um grande castelo, cheio de seguranças, já que aquele que vigiava a porta de Boruto não era o único, muito menos exclusivo. Ela mesma era médica e treinada, porque se preocuparia com a ausência da enfermeira local? Esses pensamentos, infelizmente, não lhe ocorreram quando abriu a porta.

Boruto estava sentado na cama, claramente desperto. Suas mãos repousavam no colo, as pernas esticadas debaixo do edredom fino eram nítidas e estavam retesadas. Na poltrona onde Sarada estava prostrada horas antes, Ayumi havia tomado seu lugar. Ela estava inclinada na direção de Boruto, seu rosto em frente ao do rapaz – realmente na frente – e seus cabelos formavam uma cortina ao redor dos dois. Os dois braços dela se apoiavam na beira da cama, para poder se aproximar de Boruto sem cair, provavelmente. Os dois estavam apenas milímetros distantes.

Sarada sabia o que estava prestes a acontecer, porém isso a assustava de um jeito que não deveria, a matava por dentro como muitos golpes sendo aplicados na sua barriga. Lutar com Boruto a sério como quando apostaram sua habilidade com espada seria menos doloroso do que aquela cena.

Estava prestes a se retirar, correr, vazar dali com toda a força que tivesse, treinar até suas mãos ficarem sem forma, procurar pelo pai e fazer algumas perguntas despretensiosas, bater a cabeça em uma árvore até desmaiar, de toda forma poderia decidir o que fazer quando seus olhos não estivessem mais sendo expostos àquela calamidade.

Do nada, ouviu sons de passos. Para Sarada ter conseguido ouvir sons de passos ali, significava que Mitsuki já estava voltando e pelo eco, provavelmente sozinho e correndo. Com todo o estardalhaço, Sarada foi tentar correr. Sua mente gritava por fuga e estava desesperada por ar fresco.

Da catástrofe que já estava preste a acontecer, nasceu mais uma. Ao tentar correr, Sarada desencadeou o ciclo da desgraça, um conjunto de ações que não seriam nem um pouco favoráveis a ninguém ali, mas talvez se tornasse um quadro apreciativo para quem estivesse passando no corredor.

Sarada, que deu vários passos para trás para poupar seus olhos do que, infelizmente, já haviam visto e Mitsuki, que corria diretamente na sua direção, se bateram pela segunda vez naquele dia. Diferente da primeira vez, na biblioteca, Sarada caiu no chão. Foi quase vergonhoso cair daquela forma, ela sendo uma ninja que já era chuunin e era muito bem treinada, mas no fundo culpava a situação. Mitsuki a acabou ajudando, esticando seus braços elásticos, que se agarraram numa pilastra próxima. Infelizmente, isso custou um vaso de flores, que caiu com força no chão. Com isso, o beijo que parecia prestes a acontecer entre Boruto e Ayumi foi evitado. Com sucesso, mesmo que sem querer. Sarada se xingou de nomes inapropriados por estar aliviada e por ter agido daquela forma ridícula perante a situação.

Mitsuki largou a pilastra e encarou com rosto inexpressivo o vaso estilhaçado no chão, parecendo visualizar soluções para o problema. Depois de dar de ombros, ele se virou para Sarada, que ainda estava envolta no braço do colega.

— Você está bem? – ele perguntou.

Sarada olhou rapidamente para o quarto, onde Ayumi sentava adequadamente na cadeira agora, com os olhos violetas ardendo em fúria, mas não parecia arrependida de nada. Boruto, porém, estava vermelho até o fundo, com a boca aberta de choque e seus olhos dançavam entre encarar Ayumi, Sarada e as próprias mãos que repousavam no colo.

Não, por alguma razão que ela não compreendia, Sarada não se sentia bem, mas não disse isso em voz alta. Ela levantou, como quem apenas havia recebido um escorregão inoportuno, agradeceu Mitsuki por tê-la ajudado, sorriu – um sorriso que doeu mais do que esperava – para Boruto e sua nova amiga íntima e saiu andando, como quem não havia visto nada, nem sentido nada, e nem como alguém que parecia prestes a vomitar. Ela saiu sem agir como ela mesma. Saiu fria, calculista e ereta, sem olhar por onde ia e ignorando completamente seu nome que era chamado pelas suas costas.

Notas finais
Espero que gostem dos personagens novos, eu tenho muito amor por eles. E por vocês, por lerem a fic ♥ Até semana que vem!