Nova Geração

5 Primeiro dia de aulas


Parecia que tinham passado apenas segundos desde que adormeci, mas o barulho da conversa animada das minhas colegas de quarto dizia-me que já era hora de levantar. Quando ganho coragem para abrir os olhos, sinto-me como um vampiro e preciso de piscar os olhos várias vezes para eles pararem de arder.
— Rose, o Albus está lá em baixo à tua espera — disse a rapariga de quem não me lembrava o nome.

-Estou a ir.

-Nós vamos descendo podemos dizer-lhe que estas a ir. Vens Camilla? – (Ah era assim que ela se chamava!)
-Obrigada Jean.
Levantei-me de um salto e vesti-me a correr. Tal era a pressa que ia caindo a calçar os sapatos, era bonito começar o primeiro dia de aulas com um olho negro. Desço as escadas do dormitório a correr enquanto tento dar um jeito ao cabelo, o resultado foi conseguir escorregar no ultimo degrau e só não cair de rabo no chão graças ao Al.

- Estas a tentar ir para a enfermaria no primeiro dia Rose?

James também estava atrasado, mas em vez de estar a correr como todos os outros que ainda estavam na Sala Comum, ele estava completamente calmo.
-Estou a tentar não chegar atrasada. Não devias estar a fazer o mesmo?
-Ná. É o primeiro dia, os profs dam sempre um desconto por não sabermos bem onde são as salas e assim.
— Mas tu passas a vida a gabar-te que conheces o castelo melhor que ninguém. -disse Al.

- Isso não quer dizer que não me possa perder acidentalmente de propósito. –James pisca-nos o olho e vai ter com um grupo de amigos que vinha mesmo a trás de nós.

-Dormiste bem Rose? Pareces cansada…
-Para dizer a verdade não dormi lá muito mas conto-te tudo mais tarde.

Entrámos no Salão quando Neville estava a acabar de distribuir os horários.
-Ah bem me parecia que não vos tinha visto ainda. Que se passou para estarem tão atrasados?- perguntou-nos ao mesmo tempo que nos entregava os horários.

-A Rose adormeceu…

Eu e Al pegamos em alguns bolinhos de gengibre e seguimos a multidão para a rua. Achei estranho o Neville vir connosco até que olhei para o horário e vi qual era a nossa primeira aula- Herbiologia.
-Eu também adormeci no meu primeiro dia e depois perdi-me a chegar à sala de aula, a minha sorte foi que os vossos pais conseguiram chegar ainda mais atrasados do que eu e assim não pareci muito mal.

Al e eu trocamos um sorriso, os nossos pais também tinham sido melhores amigos em Hogwarts. Vocês devem conhece-los, toda a gente os conhece. Salvaram o mundo dos feiticeiros e dos muggles da escravidão, o Neville também estava na batalha final e teve um papel decisivo na vitória.

Al e eu evitamos dizer os nossos apelidos quando conhecemos feiticeiros, a menos que queiramos muito impressiona-los. Por vezes, como agora, nem precisamos de dizer nada porque as pessoas ficam especadas a olhar para nós enquanto falamos normalmente com pessoas como o Neville e o tio Harry. É horrível ter as espectativas da reputação dos parentes a controlarem a nossa vida. Eu quero que as pessoas me conheçam por aquilo que eu fizer, não pelo que os meus pais fizeram (mesmo que tenha sido fantástico).
O ar estava fresco para inícios de Setembro e uma ligeira neblina cobria os campos de Hogwarts. Ao longe a Floresta Proibida parecia ainda mais misteriosa. Qualquer dia hei de lá entrar, nem que tenha de me meter em sarilhos para isso…

Neville conduziu-nos até à estufa número3 onde iriamos ter aula. A maioria dos alunos já lá estavam, em pequenos grupos ou sozinhos, a parecerem excitados ou assustados. No canto da estufa, a parecer um gato assustado estava Camille, mas não estava sozinha. Scorpius já tinha feito amigos e aparentemente tinham o mesmo gosto, por atormentar os outros, que ele. Camille era o tipo de pessoa tímida e simpática, que gosta de ficar no seu canto e que não consegue defender-se. O tipo de pessoas com que pessoas como o Scorpius gostam de imbicar.

Deixei Al e Neville para trás e dirigi-me ao sítio onde Camille estava.
— Hei Camille, o professor Longbottom já chegou, não vens?

- Sim, sim Rose eu vou contigo.

Camille correu para o meu lado e andámos juntas até à estufa com Scorpius nos nossos calcanhares. Sentei-me perto de Neville com Albus de um lado e Camille do outro. Scorpius passou por nós e sussurrou ao meu ouvido: Sempre a defender os pobres e oprimidos…
— Vamos lá a sentar meus senhores.- gritou Neville para que toda a turma ( Slytherin e Gryffindor) o ouvisse- O meu nome é professor Longbottom e eu vou ser o vosso professor de Herbologia. Aviso desde já que qualquer aluno que tente usar as minhas plantas contra qualquer aluno, professor, funcionário, ser ou criatura, dentro ou fora das minhas aulas será severamente punido. As minhas plantas não são feitas para batalhas! Pensei nesta estufa como um spa e vocês são os massagistas. Estamos entendidos!

Herbologia não era a única aula que tínhamos com os Slytherin. História da Magia e Astronomia também eram com os Slytherin, Encantamentos, Transfiguração e Voo com os Hufflepuff e Poções e Defesa contra as Artes das Trevas com os Ravenclaw.
À hora de almoço já tinha recebido uma carta do pai, da mãe e até uma do Hugo, juro que não percebo porque não escreveram tudo numa só carta. Todos me parabenizaram por ter ficado nos Gryffindor e eu percebi que, apesar de não ficarem chateados se eu tivesse ficado noutra equipa, estavam particularmente orgulhosos por ter ficado na mesma equipa que eles. Para além disso, o pai queria saber com quem tinha cada uma das aulas e quais os professores que tinham mudado desde o seu tempo, algo que ele provavelmente já sabia visto que ia bastantes vezes à escola e mantinha contacto corrente com a maioria dos professores. Mas este era o meu pai sempre a mostrar que se importava e que queria saber da minha opinião sobre cada um deles e curiosamente também queria saber quais eram os membros da equipa de Quiditch e aconselhou-me a ser amiga deles para tentar entrar no próximo ano. A carta da minha mãe era mais sentimental sobre como ela tinha saudades minhas e a ter a certeza que eu ainda não me tinha metido em sarilhos, achei melhor não lhe contar da minha aventura a meio da noite. A carta do Hugo era tudo o que eu tinha esperado, aposto que tinha mandado a carta ontem à noite se a mãe o tivesse deixado. Estava super excitado e curioso, queria saber tudo sobre Hogwarts e tudo o que já tinha feito e visto até agora e se já tinha visto algum unicórnio …

Passei toda a hora de almoço a escrever-lhes de volta, porque estava tão entusiasmada que não consegui esperar até ao final do dia. O resultado foi ainda não ter contado ao Al a minha aventura noturna.
Num pequeno intervalo que tínhamos para mudar de sala Tate apareceu mesmo à minha frente tão de repente que não tive tempo de travar e passei diretamente por ele. Vocês podem não saber, mas não é mesmo nada agradável passar por um fantasma.

- UOW Onde vais com tanta pressa Rose?- perguntou ele com ar esperto.

- Para as aulas! E já estou atrasada, não posso falar agora.
Al estava a olhar para mim como se eu fosse alguma rockstar por um fantasma me conhecer. Continuamos a andar a passo rápido e Tate seguiu-nos a deslizar pelo ar como se estivesse deitado numa espreguiçadeira.

— Oh então calculo que não possas vir comigo até à cozinha os elfos estão super ansiosos por te conhecer.
— Claro que agora não posso e já agora porque haveriam os elfos de querer conhecer-me?
— A maioria deles idolatra os teus pais e o teu tio.
— Como é que tu sabes quem são os meus pais e o meu tio?
— Fui ver à sala da Diretora enquanto todos estavam a dormir, estava curioso. –Disse ele com um sorriso.
— Fazes muito isso de vasculhar os arquivos dos alunos?
-Às vezes…
-Bem eu agora não posso, vou contigo à cozinha depois das aulas. Já agora este é o Albus, Albus é o Tate.
— Muito prazer- disse o Tate com uma cara de aborrecimento e desvaneceu-se.
— Quem é aquele? E como raios é que tu conheces um fantasma não te vi a falar com um o dia todo e estivemos sempre juntos…
— Eu conto-te ao jantar
Miss Campbell de Poções já estava no seu lugar e parecia ansiosa por começar a sua aula lançando olhares aborrecidos a todos os que ainda estavam a entrar.
Al passou o resto do dia a chatiar-me por causa do Tate e assim que soou o toque do fim das aulas obrigou-me a despejar a história toda, mesmo no meio dos corredores. Quando chegámos ao dormitório para deixar as nossas coisas já o Al estava a fazer um monte de perguntas e obrigou-me a leva-lo quando Tate apareceu à entrada da Sala Comum para me levar à cozinha, algo que não agradou muito o Tate.
Este passou o caminho todo a falar comigo e ignorou Al completamente.

- Então hoje vens ter comigo outra vez à noite?

- É claro que ela não vai! Foi uma sorte ela não ter sido apanhada ontem, com certeza não queres ser expulsa no teu segundo dia em Hogwarts.

Estava prestes a dizer que apesar de ter razão não quer dizer que me pudesse dizer o que fazer quando uma voz soou no fundo do corredor.
— Foi uma sorte não teres sido apanhada a fazer o que Cenourinha? – perguntou o intrometido do Scorpius Malfoy.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.