Nova Geração
1 A viagem
A mãe, o pai, os tios, Hugo e Lily ainda nos acenavam quando o comboio virou a esquina. Albus e eu sentamo-nos no unico compartimento vazio que encontramos. Ficámos a olhar as casas que passavam rápidas por nós e se iam tornando cada vez menos, até restar apenas os campos com animais a pastar.
–Espero bem ficar nos Gryffindor, sei que a minha mãe não se importaria se ficasse noutra equipa, mas o meu pai ia ficar desapontado...- disse tagarelando nervosamente.
– Não te preocupes — respondeu Albus — o tio Ron estava só a brincar, mas confesso que também não ia gostar nada de ficar nos Slytherin.
Voltámos os dois a olhar para a janela. Apesar do nervosismo que ambos sentíamos, notei que o Albus estava mais calmo do que estivera quando chegou à estação.
Somos amigos desde sempre, assim como os nossos pais, passamos imenso tempo juntos e conheço o Albus melhor que ninguém. É optimo poder ir para Hogwarts com ele.
–Rose...- chamou após alguns momentos de silencio nervoso- achas que podemos escolher a equipa onde ficamos?
– Que queres dizer? Sabes que é o chapéu que escolhe.
–Sim , mas achas que tem em conta aquilo que queremos?
–Não diz nada sobre poder escolher em Hogwarts uma Historia, e acho que a minha mãe mo diria se se pudesse.
Albus não pareceu totalmente convencido com a minha resposta mas acenou e voltou a olhar para a janela.
–Acho que ouvi o carinho da comida. Queres algo?
–Estou demasiado nervoso para comer...
Aceno e saio do compartimento. Lá está a senhora do carrinho. Uma pequena fila tinha-se formado e enquanto esperava olhei para a janela com cortinas corridas de um compartimento que reflectia a minha imagem. Sou bastante parecida com a minha mae, o cabelo apesar de ruivo, como qualquer Weasley, é selvagem e impossivel de pentear; os meus olhos são azuis como os do meu pai, mas aí acabam as nossas parecenças.
Quando volto a olhar para a fila reparo que um rapaz de pele pálida e cabelo de um loiro quase branco se poz à minha frente, era o tal Scorpius que o pai queria que arrasa-se nos testes. Não gosto de julgar as pessoas pela capa, mas odeio injustiças e trapaceiros.
– Desculpa — digiri-me a ele educadamente- mas cheguei primeiro.
–Bem, quem vai ao ar perde o lugar, sempre ouvi dizer.- Respondeu de forma tão arrogante que só me apeteceu espetar-lhe um estalo. Em vez disso, empurreio para o lado.
–Quem vai ao ar perde o lugar,certo?
Olhou-me com raiva, mas antes que pudesse reagir ja eu tinha comprado comida, virado costas e batido com a porta do compartimento.
–Que se passou?- perguntou Albus um pouco assustado.
Contei-lhe o que se passou, notei que não concordava totalmente com a forma como agi, mas conhecia-me demasiado bem para discordar enquanto estava enervada.
– Queres um sapo de chocolate?- perguntei tentando acalmar.
–Claro- responde Albus, obviamente aliviado.
O resto da viagem, foi passada calmamente, trocamos alguns cartões dos sapos de chocolate e conversamos sobre como seria Hogwarts. Albus tinha algumas ideias bastante parvas que James lhe tinha conseguido por na cabeça. Se tivesse lido Hogwarts uma história perceberia como grande parte delas eram um disparate, mas cada vez que lhe dizia para o fazer ele apenas respondia:- Para que é que o vou fazer se tu já sabes de cor ?- com um revirar de olhos mudavamos de assunto.
Começou a escurecer, a paisagem ja tinha mudado tantas vezes que com a escuridão era dificil adivinhar onde estavamos. Finalmente o comboio parou, o nervosismo voltou. Saímos do compartimento para a confusão e ao longe ouvimos uma voz familiar gritar "Primeiros anos, por aqui, primeiros anos", e com um sorriso dirigimo-nos à voz.
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