Nova Era - Alvo Severo Potter

1 Capítulo 1 - O roubo dos presentes


Notas iniciais
Muito bem, vamos lá. Eu realmente nãos ei como começar essas notas iniciais, então desejo apenas uma boa leitura e que vocês gostem do meu conteúdo.

Ainda não revisado

As sombras que os galhos de arvore projetavam através da janela assustavam Alvo Severo Potter. O menino se remexia impaciente, mirando seu relógio – despertador acima da mesinha de cabeceira de cinco em cinco segundos. Desde sua última olhada, faltavam dolorosos seis minutos para a meia noite que daria início ao dia um de agosto, quando estaria completando seu décimo primeiro aniversário. A ansiedade em seu peito só crescera com o pensamento de que em poucos minutos se tornaria um rapaz pronto para ingressar em seu primeiro ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e que sua carta chegaria nas próximas horas sob a assinatura de seu padrinho, o vice-diretor Neville Longbottom.

Afastou as cobertas e sentou – se na cama; não conseguiria dormir nem se bebesse dúzias de poções para sono. Com cautela para que o chão de madeira gasta não rangesse e tomando o máximo de cuidado para que seus movimentos não acordassem a mãe, que dormia delicadamente no quarto ao lado, caminhou até a janela – onde pode observar com dificuldade a ruazinha em que moravam os Potter, em Godric’s Hollow. A rua iluminada pelos fracos lampiões tremeluzentes era decorada com belos jardins frontais de gramado normalmente muito verdes e grandes variedades de flores e plantinhas, pouco perceptíveis a noite, sempre cobertas pelas sombras dos chalés a que pertenciam e que não as deixavam ser iluminadas pela luz dos lampiões.

Os Potter sempre preferiram morar entre trouxas, onde podiam passar facilmente despercebidos, então escolheram como morada um antigo chalé no povoado popularmente conhecido pelos grandes (e alguns terríveis, teria de admitir) feitos que ali que ali ocorrera, tais como o brutal assassinato de Lilian e Tiago Potter na noite do dia trinta e um de outubro, ou então o nascimento do grande bruxo Godric Grifinória -, mas Alvo só saberia disso se passasse tanto tempo lendo livros do que jogando quadribol com o irmão.

O pequeno Potter já não prestava mais atenção no que ocorria na sossegada ruazinha de pedras, e sim no espelho a porta de seu armário. Alvo Severo era um garoto estranho, de nome curioso e uma aparência peculiar. Seus cabelos escuros e teimosamente bagunçados caiam sobre seu rosto magro, seus olhos verdes pareciam estar anormalmente inchados e o garoto podia jurar que a espinha próxima a sua sobrancelha esquerda era mais um dos testes de seu irmão mais velho.

Lembrou – se do que todos diziam ao observar seu corpo magricela e miúdo no espelho, do quanto ele, Alvo Severo, era parecido com o seu pai, o Sr. Potter.

O Sr. Potter era um homem importante e extremamente ocupado, trabalhava como chefe do Quartel – General dos Aurores no Ministério da Magia. Alvo nem se quer lembrava da última vez que o pai dormira em casa sem ter que sair no meio da noite em um chamado importante do Ministério da Magia, o que deixava sua mãe irritadíssima, ou então todas as vezes que ele saia correndo de um compromisso com a família.

Ainda era fresca na memória do garoto o dia em que seu irmão mais velho, Tiago Sirius, completou seus onze anos e que seu pai tivera que sair correndo pouco antes dos parabéns, deixando o filho mais velho realmente aborrecido. Levou pouco mais de dois meses e um suborno recheado para que Tiago voltasse a falar com o pai normalmente. Alvo nem se quer sabia se o pai viria para o seu aniversário, ou faria como fez com seu irmão, mas só esperava que dessa vez ganhasse um presente decente.

A galhada bateu contra o vidro de sua janela, fazendo – o pular de súbito. Mas, ao mesmo tempo que o assustara, também lhe deixou alerta pois seu despertador anunciava que já se passara dois minutos desde da meia noite.

— Feliz aniversário, querido. – A imagem em seu espelho sussurrava sonolenta.

Alvo apenas sorriu, mirando o céu. Talvez sua coruja de Hogwarts viesse ainda aquela noite, como ocorrerá com seu irmão, ou só na manhã seguinte, assim como no caso de seu pai e o invade das cartas na casa de seu tio – avô Valter, mesmo que Alvo duvidasse muito que milhares de cartas entrariam pela lareira como seu pai narrara.

A casa estava mergulhada em um silencio profundo. O garoto pode jurar que ouvira tudo minimamente, como a torneira do banheiro de seu irmão pingando sem parar, ou o gato de Lilian andando sorrateiro pela casa atrás de seu lanche da madrugada. Checando o relógio mais uma vez, Alvo constara que já estava mais do que na hora de ir para cama e tentar descansar. Apagou a luz do abajur e deitou – se na cama novamente, não que isso garantisse um sono profundo.

No meio da madrugada, ouviu – se um sussurro vindo do corredor, depois uma voz, por último um estrondo que fez a porta de seu quarto abrir e bater na parede com um estrondo. Parado a porta, seu irmão mais velho sorria pelo feito.

Atrás dele, ouvia – se o bocejo do membro mais novo da família Potter. A garotinha de pele pálida com uma salpicada de sardas abaixo dos olhos castanhos claros, cabelos ruivos e lisos presos em marias – chiquinhas que iam até pouco abaixo do ombro, estava agarrada a um urso enquanto limpava as pestanas. Enquanto diziam que Alvo se parecia com o pai, não havia dúvidas de que Lilian Luna era a cara da mãe.

— O que vocês fizeram com a minha porta? – murmurou, analisando o buraco na madeira negra. – E o que deu em vocês?

— A porta não queria abrir, então eu a chutei – Tiago explicou calmamente.

Tiago Sirius era o irmão mais velho, porém só completava ano alguns dias depois de Alvo dando ao irmão mais novo um sentimento de igualdade mesmo que momentâneo. Diferente dos irmãos, o mais velho tinha inconfundíveis olhos verdes tão claros que poderiam se assemelhar aos de um gato que brilhavam como se o garoto sempre estivesse tramando alguma coisa, seus cabelos diferentes dos de Alvo, era castanho claro e ele era indiscutivelmente menos pálido do que o restante da família. Mas, assim como Alvo ou como o pai, Tiago era magricela e alto e seu sorriso transbordava maldade.

— Ma... mamãe vai me matar! – gaguejou, atônito. – Por culpa de vocês eu vou morrer no dia do meu aniversário.

— Se acalma, princesa – Tiago riu com sarcasmo. – Posso consertar essa porta antes dela acordar.

— Por Merlin, Tiago, por que você sempre me mete nessas situações? – a única coisa que Alvo queria naquele momento era xingar o irmão, mas se conteve ao perceber a presença de Lilian.

— É um dom – o mais velho sorriu vanglorioso. – Agora venha conosco.

Alvo pareceu relutar; andar no meio da casa altas horas da madrugada correndo risco que sua mãe os pegasse não era uma de suas ideias para celebrar seu décimo primeiro aniversário.

— Vamos, Al! – antes que pudesse retrucar, Lilian o agarrou pelo braço, animada.

— Se a mamãe acordar... – Alvo estremeceu com a imagem do castigo que a Sra. Potter lhes daria.

— Eu já disse para não se preocupar. – Tiago revirou os olhos, impaciente. – Mamãe está dormindo feito pedra. Agora vem com a gente...

Com um movimento rápido, Tiago apanhou a casaco de Alvo em cima da cômoda, atirando – o para o irmão. Lilian e Tiago saíram do quarto, e Alvo refletiu seriamente em segui – los ou não. Se não o fizesse, Tiago provavelmente o perseguiria pelo resto do ano o chamando de frangote ou de sonserino, como já fizera diversas vezes durante aquele iniciozinho de férias o que deixava Alvo profundamente irritado. Mas se o fizesse e fosse apanhado pela mãe, poderia esquecer a vassoura que tanto desejava.

— Vamos, Al, você vai gostar! – Lilian deu meia volta, o puxando pelo pulso e aquilo deu a Alvo um fiapo de esperança. Nunca se metiam em confusão se Lilian estivesse no meio.

— O que deu em vocês hoje? – resmungou, seguindo de perto os irmãos.

Contribuindo com o aumento de sua irritação, nem Tiago nem Lilian falaram uma palavra até todos os três estarem no andar de baixo. O mais velho checava a casa atrás de feitiços de proteção para no caso de assaltos, o que Alvo achava totalmente desnecessário, já que a casa era escondida por um feitiço de desilusão mas tendo em mente que eram conhecidos do velho Mundugo Fletcher, era melhor prevenir do que remediar.

— Então poderiam me contar o que está acontecendo? – Alvo tornou a perguntar, dessa vez seu tom de voz parecia calmo, então virou – se para a caçula. Sabia que Lilian não mentiria para ele: — então, Lily?

— Tiago andou mexendo nas tralhas do papai lá na garagem e descobriu onde ele guardou nossos presentes! – Lilian bateu palmas animada.

Naquele momento, qualquer resquício de irritação ou raiva que sentia pelo irmão mais velho desaparecera. Alvo não pode evitar de sorrir. Ele sabia que era extremamente errado o que estavam fazendo, mas ainda era uma sensação gostosa. Tiago reapareceu de repente, fazendo sinal para que o seguissem.

A porta da garagem estava entreaberta e os três precisaram ser bem cautelosos ao entrarem, tomando um excessivo cuidado para que a porta não rangesse. O carro da família não estava lá como de costume, e Alvo pode supor que seu pai saíra com ele, a única coisa que ainda ocupava um espaço relativamente grande era a antiga moto de Sirius, uma triumph bonneville t120, modelo de 1959 e montanhas de objetos nunca usados, ou usados em excesso.

— Eu sei, sou demais. – Tiago piscou para o irmão ao ver sua cara de incredibilidade. – Falando nisso, feliz aniversário boboca.

Tiago arremessou um embrulho nos braços de Alvo antes de sair andando pela garagem, atrás do controle do portão. Depois de travar uma batalha contra o embrulho que não queria rasgar, um minuto depois Alvo tinha em mãos um misero espelho. Um espelho inútil. Mas, aquilo não lhe decepcionou de verdade. Seu irmão nunca lhe daria algo útil, ou então divertido.

— Ah... obrigada. – murmurou com um falso tom de agrado.

— Isso é um espelho de duas faces. – Tiago explicou ao perceber a falsidade do irmão. – Pegue um pedaço, entregue – o a uma pessoa que confia muito, e se quiser falar com ela depois ou simplesmente vê – la, é só dizer seu nome que ela aparecerá.

Alvo estava certo que sua cara fora de alguém sendo muito falso a alguém verdadeiramente impressionado. Poderia dá a outra metade do espelho ao seus pais, para poderem se falar sempre, ou até mesmo a sua prima Rose para lhe pedir ajuda sempre que precisasse. Sorrindo para Tiago, guardou o espelho novamente.

— Uau! – Lilian pulou animada ao seu lado. – Você vai me dá um também, Sirius? Quando eu completar meus onze anos?

— Claro. – Tiago piscou para a irmã, balançando a chave da garagem. – Vamos ver nossos presentes?

Tiago arrancou a lona preta que cobria a moto e Alvo notou que dentro do sidecar estavam três embrulhos diferentes, com as letras inicia de cada um pregadas.

— Particularmente eu acho que papai foi muito tolo em achar que eu não daria uma espiada nessa belezinha uma única vez. – Tiago riu em tom de zombaria, retirando a lona que cobria a moto. Era bem nítido três pacotes de tamanhos e cores diferentes ao fundo o sidecar. – Aqui Lily, o seu...

O coração de Alvo acelerou. Ele estava traindo a confiança de seus pais como nunca fizera antes. Se o Sr. Potter, ou até mesmo a Sra. Potter, descobrisse o que os filhos andaram fazendo naquela madrugada ficariam primeiro furiosos com Tiago por incentivar o ato, em seguida, olhariam para Alvo e Lilian com o mesmo tom decepcionados que faziam quando os filhos erravam.

Tiago lhe jogou um pacote fino e comprido com um braço ao passo de que o outro estava ocupado com um embrulho gordo e aparentemente fofo; Alvo tentou pegar o pacote ainda no ar, mas o mesmo rodopiou e caiu em sua cabeça com um barulho oco. Segurava agora o pacote com firmeza, sentindo – se terrivelmente mal por trair a confiança dos pais.

— Não trouxe você aqui, dividindo essa informação valiosíssima que colocaria em risco a minha pele se mamãe sonhar que fiz isso, só para você admirar o pacote com essa sua cara de retardado! – Tiago rolou os olhos para o irmão, aparentemente entediado.

— Asas de fada! Asas de fada! – Lilian guinchou de animação, abraçando o presente com força. – Mal posso esperar para usa – las.

Alvo riu; Lilian sempre foi a mais positiva e mais ingênua dos irmãos, talvez pela pouca idade, então era a mais provável de escapar de uma bronca da mãe se fosse descoberta.

— Infelizmente seu aniversário só é daqui a alguns meses, então guarde essa emoção só um bocadinho, combinado? – censurou com um sorriso, a menina apenas concordou com a cabeça.

— Eu não acredito! – Tiago rosnou insatisfeito, jogando seu presente com força na pilha de caixas. – Papai usou um feitiço impenetrável no pacote. O quê, ele não confia em mim é isso?

— Tenho quase certeza de que sim, é isso. – Alvo sorriu amarelo para o irmão, que respondeu com uma careta. Seus dedos estavam mais trêmulos do que nunca, enquanto desfazia o laço que ainda sustentava o pacote. – Por Merlin!

A sua frente, com o cabo escuro extremamente polido e com seu nome gravado em letras douradas estava a vassoura mais rápida do mundo. Uma Flashbolt 2000, um dos modelos mais recentes e com certeza uma das vassouras mais louváveis de todas. Ele não conseguia acreditar nisso, seu pai realmente lhe dera uma das melhores vassouras no mundo sem ele ter que pedir. E agora ele era dono de uma Flashbolt, o que não poderia lhe deixar mais orgulhoso.

— Uau! – Lilian e Tiago exclamaram juntos, largando seus divertimentos para dá uma espiada na vassoura de Alvo.

— Ano passado papai me deu uma Silver Arrow para compensar o aniversário –murmurou Tiago mais para sim mesmo do que para os outros, arrebatando a vassoura das mãos de Alvo – mas ela não se compara a essa belezinha aqui mesmo!

— Se isso for um pedido de desculpa, ele está super desculpado.

— Você vai tentar a sorte no Quadribol, não é? Você vai ser a estrela do time.

Sem saber o que respondeu, o menino apenas sorriu. Lilian andava de uma extremidade a outra da garagem, batendo as asas de fada freneticamente, com um sorriso de divertimento no rosto; já Tiago continuava a examinar cada espacinho da vassoura, como se ela fosse um novo amuleto das trevas.

— Realmente incrível. – elogiou uma última vez. – Deviamos dá uma voltinha.

— O quê? – Lilian perguntou, reprovando a ideia do irmão com o olhar. – Você e suas más ideias.

— Não ouvi você dizer isso quando sugeri abrir nossos presentes mais cedo –com um sorriso maldoso, Tiago indicou a moto do pai com a cabeça. – Então, Alvo, vamos?

— Não sei – Alvo olhou para a vassoura, os dedos trêmulos formigando para monta – la.

— Só uma voltinha não vai matar ninguém.

Tanto Alvo quanto Lilian pareciam achar a ideia um absurdo. Talvez fosse só mais uma das brincadeiras sem graças do irmão mais velho para ferra – los, ou então, na mais extrema das hipóteses, ele estava tentando fazer algo legal para os irmãos se divertirem. Essa ideia quase fez Alvo rir.

— Podemos ser pegos. – Alvo falou e ficou aliviado por perceber que seu tom de voz estava menos tenso. – Mamãe pode acordar e dá por nossa falta.

— Ok, escutem – Tiago se apressou em dizer, sussurrando tão baixo como se de repente o pai fosse surgir ali lhes dando uma bronca – usei uma poção sonífera na mamãe.

— Você está ferrado! – Lilian cobriu a boca com a mão para abafar um gritinho.

— Não se vocês permanecerem de boca fechada. E eu tenho certeza que nenhum dos dois gostariam de acordar com uma bomba de bosta explodindo na boca, ou gostariam? – o tom de ameaça na voz do irmão convenceu Alvo imediatamente.

— E o que garante que o efeito não vá passar?

— Nada garante isso, mas não se preocupem. Se ela nos pegar, eu assumo a culpa. – Alvo e Lilian trocaram olhares duvidosos. – Eu prometo. Desde quando eu deixo de cumprir uma promessa?

— Você tem talento para ideias horríveis – murmurou sem olhar para o irmão.

— É, mamãe sempre diz isso – pode sentir que Tiago sorria.

Ainda encarando a vassoura, Alvo considerou a ideia. O irmão era bom nessas coisas, em aprontar, e fazia isso todos os dias; Alvo e Lilian eram os quietos, então que mal teria se provasse só um pouquinho do que Tiago parecia fazer tão facilmente? Eles sobrevoariam alguns chalés, depois voltariam para a casa no conforto de suas camas, sendo acordados por uma recepção calorosa da Sra. Potter que lhes fizera biscoitos de aniversário e depois iriam para A Toca, passar o dia com o restante da família, o vovô Weasley cantaria sua música boba de aniversário e divertiria o neto com suas histórias de trabalho.

— Certo, eu topo – Alvo se deu por vencido, agarrando o cabo da vassoura com firmeza. – Voltamos antes do amanhecer, certo?

— Puff, claro! – Tiago sorria como nunca sorrira antes para o irmão; um sorriso maldoso. – Você vem Lily?

Lilian pareceu pensar um pouco, até balançar a cabeça afirmativamente.

A ruiva se encaixava dentro do sidecar, ainda contraria a opinião dos irmãos. Tiago logo subiu na moto, prendendo o capacete a cabeça; Alvo, com os dedos ainda trêmulos de nervosismo, montou a vassoura e esperou até que o portão da garagem fosse levantado por completo.

— Certo – os gritos de Tiago foram abafados pelo barulho da moto – Vamos até Withpile e voltamos ok?

— Vamos sair do vilarejo?!

Alvo balançou a cabeça, não acreditando naquilo. Tiago realmente queria mete – los em confusão.

— Sim, ué. Sua carta está vindo naquela direção, não quer apanha – la no meio do caminho?

— Tiago, você é um poço de más ideias, minha nossa. – Lily se encolheu no sidecar ao seu lado, parecendo ligeiramente enjoada.

A rua estava absorta em um silencio tranquilizante, os faróis iluminando a estrada asfaltada. Tiago aprumou os óculos de aviador no rosto, jogando um par para Alvo proteger os seus.

— Vocês estão prontos, crianças? – perguntou Tiago, checando os botões da moto.

— Às vezes eu acho que aquela queda da vassoura danificou os seus neurônios. – Alvo deu um leve impulso, subindo uns poucos metros do chão.

— Eu acho que já nasceram danificados. – Lilian murmurou, se agarrando no ursinho.

— Então topam sair do povoado? – Tiago sorriu sugestivo. – Prometo que antes as cinco estaremos em casa. Você sabe que eu nunca rompo uma promessa.

Alvo relutou, mas acabou concordando. Porque, em partes, era verdade; seu irmão nunca quebrara uma única promessa, mesmo que isso significasse ou com ele ou com outra pessoa se metendo em uma drástica confusão.

Os dois pegaram altura, subindo o suficiente para camuflarem a moto entre as nuvens. Tiago voava mais a frente, adejava entre as nuvens, sempre de olhos com o que acontecia abaixo deles, e Alvo, que ficara para trás estrategicamente já estava sentindo as pestanas pesarem, quando Tiago lhe sapecou um belo tapa no topo de sua cabeça.

— Se você cair da vassoura não tem como eu te salvar.

— Nem esperaria que você fizesse isso.

Ao contrário do que Alvo esperava, Tiago sorriu cômico.

— Garoto esperto.

— Tiago, o que é aquilo...? – Lilian puxou as vestes do irmão, apontando para algo abaixo deles.

Houve um clarão vermelho, e Tiago girou o tronco e jogou os braços para cima do velocímetro da moto, batendo no botão roxo. Alvo teve que ser muito rápido para desviar da chama azul, que mais lembrava uma língua de fogo cálida. Lilian havia sido lançada para trás, fazendo força para se segurar no sidecar enquanto a moto derrapava em direção aos chalés.

Alvo não pretendia testar a velocidade máxima da vassoura até os testes de quadribol naquele ano, mas a situação recorria a isso. Segurou firme o cabo da vassoura e acelerou, desviando das copas das arvores com uma agilidade que o surpreendeu. A moto descia como um inseto, e com uma olhada de soslaio, Alvo pode ver o corpo do irmão, inerte sobre o controle da moto. Viu também Lilian fechar os olhos com força, certa de que aquele seria o fim. Um barulho metálico encheu os ouvidos de Alvo, e ele percebeu que o sidecar começara a sacudir. Com mais rapidez ainda, começou a sobrevoar centímetros abaixo da moto. Se Lilian caísse, ele teria chance de apanha – la, já Tiago...tudo dependeria da moto e onde ela colidiria – a resposta não demorou a chegar, em forma de uma colina espectral. Houve mais dois lampejos vermelhos, cortando o ar como chicotes, Alvo teve dificuldade de desviar do último.

A moto ia chegando cada vez mais perto, e Alvo desejou nunca ter aceitado aquela proposta ridícula de Tiago; então fechou os olhos, lembrando do choque que a família teria ao encontrar Tiago e Lilian sobre os destroços da moto. Mas, o impacto não aconteceu. A moto diminui a velocidade, lentamente, subitamente, magicamente. Lilian parecia extremamente aliviada quando a moto aterrissou na grama úmida, a garota despencou do sidecar e correu ao encontro do irmão do meio.

Alvo parou para respirar o ar puro, se perguntando porque milagre a moto não colidira com a colina.

— Você está bem? – perguntou, o nervosismo claro na voz, enquanto analisava o rosto pálido de Lily. – Tiago...

Correu com pressa até o corpo inerte do irmão, mole e desapagado. Um filete de sangue escorria por sua testa, mas sua respiração estava normal; tudo indicava que algo sério havia ocorrido, mas para Alvo ele só parecia estar em um sono profundo.

— Ele... ele morreu? – o rosto de Lilian estava manchado pelas lagrimas, e ela parecia prestes a gritar.

— Não – Alvo sorriu para tranquiliza – la – só apagou.

Um barulho de galhos quebrando atraiu a atenção dos dois Potter para a floresta; Alvo puxou Lilian para perto, tentando faze – la se esconder novamente no sidecar.

— Quem está aí? – fez – se ouvir uma voz feminina do interior da floresta.

Por um movimento involuntário, Alvo arrebatou a varinha do bolso inanimado de Tiago, apontando – o na direção de onde viera a voz, que em pouco tempo criara formas, pernas, braços, e cabelos. Uma figura alta, de vestes negras e cabelos loiros e espetados apareceu entre as arvores, apontando a varinha ameaçadoramente para os garotos.

— O que houve, Emillie? – dessa vez um homem falara.

— Garotos, Harvey – a mulher riu, guardando a varinha e com um olhar de canto para Alvo, murmurou: — guardaria isso se fosse você, garoto.

O homem que Alvo suspeitou ser o tal Harvey apareceu as costas de Emillie, lançando um olhar profundamente irritado para os garotos. Lilian encolheu – se as suas costas, assustando com o jeito que o homem os encarava.

— Francamente, o que fazem aqui a esta hora e no perigo que está? O que seus pais têm na cabeça, bosta?

Alvo reprimiu a vontade de responde – los com um educado “meus pais não, já meu irmão é outro caso”.

— Quem são os pais de vocês, ham? – Harvey avançou, saindo dentre as arvores mancando.

Ele era bem menos intimidador visto de perto. Diferente de Emillie, era pequeno, corpulento e negro com um bigode que Alvo achara particularmente engraçado. Se aproximou cauteloso, como se a qualquer momento os garotos fosse saltar em cima deles, os azarando com um poder que não tinham.

— Não vão responder, é? – Alvo abrira a boca para falar, mas nada saiu. – Muito bem. Identifiquem – se.

— Alvo Severo Potter – a voz de Alvo saiu involuntária, como se Harvey controlasse sua mente – e esta é minha irmã, Lilian.

— São os filhos de chefe – Emillie balançou a cabeça em um movimento brusco, indo até onde Tiago estava desacordado. – O que aconteceu com o garoto aí?

— Não sei, ele simplesmente apagou no meio da viagem...

— Merda, Harvey! – praguejou, virando – se para o parceiro. – O menino foi estuporado. Avise ao Dino, vá.

Harvey não hesitou um minuto se quer, pois obedecerá ao comando de Emillie quase automaticamente e saiu correndo entre as arvores com uma pressa suspeita. Lilian choramingava encolhida ao canto, e ao perceber isso Emillie estendeu o braço para consola – la.

— Ele ficará bem, não vai demorar para acordar.

Alvo suspirou, sentando – se na grama, encostado ao sidecar. Emillie e Lilian conversavam ao cantinho, e quando a mulher conseguiu finalmente acalentar a ruiva, falou diretamente para Alvo:

— Sou Emillie Vane, auror – Alvo reconheceu imediatamente as vestes negras que a mulher usava, era a mesma do seu pai só que sem todas as insígnias, apenas com a identificação. – E aqueles que acabaram de conhecer é Américo Harvey.

— O que aconteceu? Quem estuporou Tiago?

— Creio que se não lhe contaram em casa, não é para saber. – Emillie arqueou uma sobrancelha para ele. – Mas, meus homens estão dando um jeito nisso então em pouco tempo vocês podem ser mandados para casa...

Antes que Emillie completasse a frase, houve um lampejo de luz verde e o corpo sem vida de Harvey fora atirado centímetros de onde estavam. Lilian cobriu o rosto com as mãos, enquanto Alvo permanecia estático. O homem tinha os olhos vidrados e sua expressão era de pânico.

— Bosta! – Emillie ergueu – se, a varinha em mãos. – Fiquem aqui, cuidem do irmão de vocês.

E sem cerimônia, saiu em disparada pela floresta.

Tiago não demorou menos de dois minutos para acordar, e dera uma trabalheira explicar o que havia acontecido com toda o barulho que vinha da floresta. Lilian continuava apavorada, agora agarrada ao irmão mais velho, quando Emillie saiu correndo novamente da floresta – dessa vez com outro homem em seu encalço, e este não parecia nada feliz.

Os irmãos Potter trocaram olhares atônitos, e Alvo percebeu que assim como ele, seus irmãos estavam branco cal.

— Esses são os meninos Potter, Vance? – o homem disse secamente – O que aquele idiota do pai deles não faria para salvar essas coisinhas...

— Não ouse toca – los – Emillie disse entre dentes, urrando de dor – Pare! Eu imploro!

Lilian gritou as costas de Alvo, e Tiago teve de ser muito ardiloso para escapar do olhar do homem sem que ele percebesse – porque ao olhar para trás a procura do irmão, Alvo vira tudo vazio. Um frio percorreu sua espinha; havia devolvido a varinha para Tiago e agora estava sozinho com aquele homem horrendo, e tinha que ver Emillie sendo torturada bem em baixo do seu nariz sem fazer nada.

O homem sorriu. O sorriso mais feio que Alvo já lembrou de ter visto, pois seus dentes eram encardidos e podres, muitos deles pareciam estar prestes a cair de tão sujos.

— Quem é o senhor? – Alvo engoliu em seco, talvez sua única chance fosse puxar conversa até alguém responsável pudesse ir ao seu encontro.

— Isso não importa – o homem sorriu de novo, o que Alvo desejou que ele não tivesse feito – já você, ah isso sim importa.

— Eu? Porque isso importaria? – Lilian se agarrou a blusa de seu pijama, o puxando mais para perto.

— Você é filho dele – o homem disse, seu tom de voz mudara; agora parecia um misto de raiva e medo – Harry Potter.

Alvo não conseguiu responder, sua voz simplesmente sumira. Sabia que durante o tempo de seu pai de trabalho, muitos bruxos passaram a lhe odiar por ter jogado em Azkaban milhares de bruxos das trevas depois da Segunda Guerra Bruxa.

— E presumo que essa garotinha linda a suas costas também – novamente, a expressão maníaca do homem tomou conta de seu rosto – O que aquele mestiço imundo do seu pai não faria para ter seus preciosos filhotes em segurança, não?

— Ele não vai ter piedade do senhor se tocar em nós – a voz de Alvo saíra quase como um sussurro -, meu pai não é um homem para se estressar sabe.

— Já o enfrentei antes. Realmente habilidoso, para um mestiço como ele – o homem passou a olhar para Lilian – Onde estar o seu irmão mais velho?

— Em casa – mentiu.

— Nós sabemos bem que não – o homem passara a olhar mais uma vez para Emillie, e com um acenou de varinha murmurou: — Crucio.

Emillie urrou de dor, se contorcendo. Lilian guinchou assustada as suas costas, tentando não olhar para a cena. Alvo sentiu um aperto no peito; onde diabos Tiago se metera?

— Viram o que acabei de fazer? Um feitiço simples para alguém com força de vontade – Virou – se novamente para os irmãos – Então, me digam onde o irmão de vocês está e talvez eu pegue leve.

— Por que quer saber de Tiago? – dessa vez, Lily que erguera a voz.

— Ah, ela fala! – sorrindo para Lily, completou: — Quero ter o prazer de acabar com a família inteira, entendem? Meu mestre vai ficar realmente feliz.

Alvo não conseguiu perguntar de quem se tratava, porque naquele momento o homem caíra ao chão se contorcendo. Seu corpo ia sendo tomado por uma coloração roxa, depois azul, verde e por último uma explosão de cores para todos os lados.

— Um oferecimento Gemialidades Weasley – Tiago reaparecera as costas do homem, segurando um saquinho colorido – E não mexa com a minha família seu idiota.

Emillie levantou com pressa, tateando pela varinha antes que o homem voltasse a se erguer.

— Imperio— murmurou, fazendo – o erguer – se. – Quem é você?

O homem não respondeu; sua cara pintada de diversas cores ainda olhava feio para Tiago, como se fizesse força para resistir a maldição. Tiago recuou para onde Alvo e Lilian estavam, escondendo os irmãos com os braços.

— Quando eu disser três você salta para a vassoura e Lilian puxa a chave de ignição da moto – murmurou baixo o suficiente para apenas os irmãos ouvirem: — um...

­— Identifique – se— Emillie acenou com a varinha assim como Harvey fizera com Alvo.

— Matusalém Avery – o homem rosnou.

­— Dois... – Alvo se afasta para a esquerda, cada vez mais próxima a vassoura: — Três.

Com um salto, a vassoura subira para sua mão, e com uma rapidez surpreendendo os Potter estavam em seus postos. Matusalém ainda tentava se livrar do feitiço de Emillie, enquanto Tiago consertava às pressas o sidecar e levantava voou. Lampejos de luz eram disparados de todos os lados, e dessa vez tanto ele quanto Tiago conseguiram desviar de todos sem o menor problema.

Até estarem a uma distância razoável, nenhum dos dois se atreveu a descer mais que um centímetro abaixo das nuvens. As coisas pareciam estar correndo terrivelmente bem, até que os irmãos Potter pousaram no jardim frontal ao chalé em que moravam.

— EU JURO POR DUMBLEDORE QUE MATO VOCÊS!

Tiago parou estupefato, e naquele momento Alvo prometeu a si mesmo que mataria o irmão na primeira oportunidade. A Sra. Potter estava parada a porta de roupão e chinelas, a varinha apontada ameaçadoramente para o peito do filho mais velho. Lilian estremeceu ao seu lado, e Alvo jurou ter visto a mãe desviar o olhar de Tiago por uma fração de segundos e repousar nos dois.

— Por culpa de vocês, o seu pai está rondando cada pedacinho desse povoado atrás de vocês – disse com os dentes trincados – De quem foi a brilhante ideia de sair por aí no meio da noite e dá uma voltinha na moto velha do seu pai?

Os três se entreolharam, meio que não querendo admitir a verdade. Alvo sabia que se delatassem Tiago, ele estava jurado de morte pelo resto do verão e perderia a autorização para jogar no time de Quadribol da Grifinória, e até mesmo a sua vassoura.

— Foi minha – Tiago suspirou pesadamente, recebendo olhares surpresos dos irmãos – achei que não teria nada de mal nisso.

— Por que será que eu não estou surpresa?

Alvo e Lilian trocaram olhares surpresos; Tiago nunca assumirá a culpa antes, normalmente deixava que os irmãos se desse mal igualmente.

— Muito bem, Tiago está de castigo e por isso vai lavar a louça do jantar por duas semanas. E Alvo e Lilian, aproveitem o tempo de liberdade que vocês têm até eu pensar em um castigo suficiente para os dois.

Novamente, Alvo suspirou aliviado. Era muito bom não ter que encarar o furacão Ginevra àquela hora da manhã.

— Agora subam e se troquem e rápido. O seu pai vai nos encontrar na Toca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.