Noutras Escuridões

1 A Estação Espacial Terrestre


Notas iniciais
Espero que gostem dessa história que faço com tanto carinho. :')
Espero também ser rápido quanto aos capítulos.


São Paulo, 13 de janeiro de 2234. Século XXIII


Acordo mais cedo com a luz que entra no meu quarto vinda da persiana cinza que está entreaberta. Hoje embarco na IIS Infinity X3, a mais nova nave desenvolvida para a Federação dos Povos Unidos , como suboficial da equipe de ciências e exploração. Será uma grande responsabilidade a julgar que sou a pessoa mais nova a ingressar neste cargo, 18 anos. Levanto-me, escovo os dentes e ponho o uniforme da Frota Terrestre, a parte responsável pelas naves da Terra da Federação dos Povos Unidos . O uniforme, quase que todo cinza, tem uma faixa azul de um peito a outro na qual está escrito Linha Infinity — X3, meu mais novo orgulho. As cores das faixas representam sua função numa nave, o azul é para os exploradores e cientistas em geral. O despertador soa e acorda o meu companheiro de dormitório.


— Vejo que já acordou, — é Victor, o meu companheiro — está ansioso para a inauguração da belezinha, Guto? — pergunta-me enquanto se levanta; a voz de sono dele é marcante.


— Estou muito. Já te disse para parar de chamar as naves novas de belezinha... — ele sempre chamou-as assim — ...e de me chamar de Guto.


— Mas vai falar que não é? — ele abre um sorriso e me dá um tapinha no ombro — A mais nova nave da linha infinity: sistemas mais modernos, mais rápida, maior. — faz uma pequena pausa — ...Enfim, a melhor. E você, meu amigo, você vai estar dentro dela.


Rio disfarçadamente.


— Você também vai estar, idiota. Vá se arrumar. — ele sai rindo em direção ao banheiro.


Victor tem quase 26 anos e trabalha na engenharia da nave, a cor da faixa em seu uniforme é verde. Já são 07:13, o café coletivo é sempre às 07:30.


Vou até a janela e termino de abrir a persiana, estou no vigésimo-primeiro andar, a janela é vedada. Observo o sol e o azul do céu.


Do lado de cada cama está um computador pessoal colado à parede, estive usando-o há um ano, desde que saí em minha primeira missão de curta duração. Paro próximo e acesso as mensagens deixadas para mim, lá está a confirmação de minha mãe e meu irmão, minha única família, de que vão vir para a cerimônia de inauguração. Aproveito também para fechar todas as coisas pessoais minhas que ali estão.


Não vejo o tempo passar e logo está Victor pronto diante de mim me chamando para irmos ao refeitório.


Victor é moreno e um pouco mais alto que eu, tem cabelos pretos como os meus, embora os deles sempre estejam mais bagunçados. Seus olhos castanhos brilham com as luzes brancas do corredor, creio que tais como os meus.


— Sua primeira missão longa em espaço neutro, o que espera? — ele pergunta.


— Eu não sei. O que esperava da sua? — gosto de responder perguntas com perguntas, é desafiador.


— Muito trabalho. — ele responde.


— Só isso? É sério? — ele deve estar com sono, costuma falar muito — Não esperava ação?


— Faço parte da engenharia. Esperar por ação é sua parte. — ele ri de um modo que todos no corredor o olham.


Chegamos ao café da manhã pontualmente, como todos por aqui. Victor pega uma bandeja e eu repito, vou-me servir. A comida daqui costuma ser muito boa. Com a minha bandeja em mãos, sigo Victor a uma mesa. sentamo-nos um de cada lado.


— Vai ser um dia longo hoje, Guto. — ele diz.


Senta-se ao meu lado Alícia com sua bandeja e Hernando ao lado de Victor.


— Fui escalada para a BS Light Z — Alícia estava esperando sua escala, ele é negra e tem um volumoso cabelo cacheado — Não sei o que fiz para me escalarem para a linha light! Embarco em três dias.


— Os caças light não são tão ruins assim... — Guto tenta convencê-la.


— A questão é que defender cargueiros não é vida. — o uniforme de Alícia é todo preto, ela é piloto de caças há quase 15 anos.


— Espero que a Solution não exploda. — Hernando é mexicano, ele tem um sotaque característico.


— Qual Solution? — pergunto, essas naves têm uma má fama por mal funcionamento.


— Classe A. — Hernando responde enquanto leva um bolinho até a boca — Vai explodir.


Todos riem e eu não fico de fora.


— Hoje vocês dois embarcam na gloriosa Infinity classe X3. — Alícia se dirige a Victor e a mim.


— Sim, estou um pouco ansioso. — falo.


— Ansioso ou assustado? — Hernando zomba de mim.


— Não liga, — Victor sempre está ao meu lado, mesmo sendo quase dez anos mais velho que eu ele é um bom amigo — isso é inveja por ele não ter conseguido um cargo como esse tão cedo. — Todos riem mais uma vez.


A faixa de Hernando também é verde, como a de Victor.


Somos interrompidos com a chegada do general do quartel. Em sua presença todos devem se levantar e estar apresentáveis. Ele segue até um pequeno palanque na frente do refeitório.


— Soldados, sem cerimônia. — quando ele diz isso significa que podemos nos sentar — Meu principal aviso é que hoje a Academia de Ciências da Federação dos Povos Unidos nos entregou a mais nova nave da linha infinity, a X3!


Todos batem palma e comemoram.


— Silêncio, por favor. — todos se calam e voltam a lhe pôr atenção —Mas infelizmente não teremos mais a cerimônia de inauguração. — isso significa que não verei minha mãe nem meu irmão — Como todos sabem, a linha infinity tem como missão explorar novos mundos e manter a paz nas áreas mais distantes da galáxia. — o general tem a voz rouca e os cabelos já grisalhos — Os televisores mostrarão a data e horário de partida para esta semana, estejam com o cartão de identificação em mãos no embarque. Tenham um bom dia. — ele se retira.


Assim que sai os televisores começam a transmitir a lista de lançamentos, um deles mostra:


IIS Infinity X3 — doca 16 — hoje, 09:00h


IIS Solution A — doca 22 — hoje, 11:00h


IIS Enterprise C — doca 27 — amanhã, 15:00h


BS's Light Z — doca B — seg, 20:00h


IIS Victory — doca 13 — seg, 12:00h


Todas as docas ficam na órbita da Terra e fazem parte da Earth Space Station, a Estação Espacial Terrestre. Para chegarmos até lá é necessário entrar a bordo de uma nave de transporte curto, por isso, assim que terminamos de tomar café, Victor e eu nos despedimos e vamos em direção ao Posto de Lançamentos.


Os corredores do quartel são sempre movimentados, gente indo para todos os lados. A estrutura do Posto de Lançamentos está no subsolo, o que nos leva a pegar o elevador. Lá tinha mais duas pessoas com a faixa amarela no uniforme, um homem alto e calvo e uma mulher morena de cabelos negros ao ombro. A faixa amarela é usada pelos pilotos, correspondentes-diretos, capitães e outros postos mais altos da nave.


— Capitão, a ESS informa que a nave está abastecida. — a mulher fala com o homem, ela deve usar um comunicador microscópico inserido cirurgicamente que lhe garante contato com a Estação.


— Muito bem, informe que estamos indo ao Posto de Lançamentos. — o tal capitão fala.


Percebo que Victor está rígido e só um tempo depois percebo que na faixa amarela está escrito a mesma coisa que na minha, este é o capitão da infinity X3.


— Rapazes, prazer. — o capitão se dirige a nós — Vejo que estaremos na mesma nave. Sou o Capitão David. — ele ergue a mão para Victor a fim de cumprimentá-lo.


— Victor, engenharia. — Victor relaxa mais e aperta a mão do capitão.


David agora estende a mão para mim e eu o cumprimento dizendo:


— Suboficial Gustavo, exploração e ciências.


— Suboficial? — ele não parece acreditar — Meu jovem, quantos anos você tem?


— Tenho 18, capitão.


— Está bem. Esta é Lara, a correspondente-direta da nave.


— Muito prazer. — ela diz e nos cumprimenta.


O uniforme dos dois está cheio de condecorações, eles devem fazer parte da Federação há muito tempo para possuir tantas.


Vamos todos juntos para o Posto. Ao chegar um homem de azul-marinho nos para e nos pede nossos cartões de identificação, que são um pequeno vidro holográfico que contém um chip com nossos dados.


— Infinity, nave de transporte 6. — o homem diz.


Nos dirigimos até a nave 6. Há um relógio digital na nave, são exatas 08:07h. Uma nave de transporte curto é pequena e só possui assentos. Ela nos levará para a doca da nave. Um bip soa e uma voz feminina começa a falar:


— Atenção, este transporte irá para a International Interstellar Ship Infinity X3, presente na doca 16. O lançamento será em dois minutos. Por favor coloquem os cintos e não saiam de seus lugares durante a viagem. A duração do percurso até a Estação Espacial Terrestre é de trinta minutos. Obrigada.


— Está ansioso, Guto? — Victor, que está ao meu lado, pergunta.


— Um pouco. — viro-me para pôr o cinto — É superável.


— Serão seis meses em espaço inexplorado, você se despediu de sua família? — ele pergunta-me.


— Não pude, ia vê-los na cerimônia de inauguração. — respondo. É ruim ter que ir e não se despedir das poucas pessoas que você ama.


— Eles vão entender. — ele me dá um tapinha. Até onde sei, Victor foi adotado.


— Espero que sim.


Outro bip soa e a mulher volta a falar:


— Decolaremos em 10, 9, 8, 7...


— Trabalhar para a Frota Terrestre tem essas coisas, pode acreditar, eles entenderão. — Victor reafirma o que disse.


— ...6, 5, 4 — os motores ligam e um zumbido atormenta meu ouvido — 3, 2, 1, levantando voo. — é possível sentir o transporte sair do chão rumo à órbita da Terra.


Quando saímos da atmosfera tudo é mais silencioso e posso sentir a leveza pela falta de gravidade. Pelas janelas é possível ver a Terra, azul e linda. Victor segue o resto da viagem quieto.


Eu pego num sono leve e acordo com a voz da mulher:


— Bem-vindos à Estação Espacial Terrestre, doca 16. Agora são 08:40 da manhã. Por favor sair pela esquerda. — a comunicação encerra.

Notas finais
Comentem e acompanhem. Isto me motiva muito!