Noturna - A Maldição dos Criadores
6 Aulas e Espadas
Notas iniciais
— Você não tinha dito que armas eram proibidas no colégio? — indagou Kass analisando o armário de armas na sua frente.
— Armas particulares — explicou Lya. — Agora escolha qualquer uma depressa ou vamos nos atrasar para a primeira aula.
Kass suspirou impaciente, revirando os olhos, e pegou uma espada grande, de duas mãos, por não ter nada comparado a Noturna. A princesa já estava com um arco de precisão feito de carbono nas costas e uma aljava cheia pendurada no ombro direito. As duas usavam armaduras de couro leves e resistentes para a aula sobre estratégia em batalhas.
— E eu pensando que ficaria ouvindo sobre as matérias humanas e a importância do estudo para o futuro dos estudantes — divagou Kass enquanto embainhava sua espada no coldre em suas costas.
— Bhakans quer ser conhecido por formar alunos competentes para servir aos deuses. Embora possua, também, o curso com as matérias humanas. — A princesa seguiu para a porta da sala de armamentos, e Kass a acompanhou.
— Quer dizer que você escolheu ser uma servente dos deuses?
— N-Não — gaguejou Lya. — Quero ser uma líder forte como meu pai, sem medo para enfrentar nossos inimigos quando for preciso.
Kass Suspirou.
— Você quer ser uma Protetora.
A Princesa encarou-a enquanto fechava a porta.
— Não é isso. Tenho minhas responsabilidades como única herdeira do trono e preciso me preparar para todas as situações que irei enfrentar quando for coroada. — Sua voz saiu baixa, como se aquela quase confissão fosse secreta. Ela respirou fundo. — Mas não quero te entediar falando sobre monarquia e suas burocracias.
Kass sorriu e revirou os olhos. A princesa não precisava saber, mas ela gostava desses momentos de calmaria agregados a uma boa conversa. Apesar dos dois pequeno pontos rosados no pescoço de Lya lembrar o ocorrido entre as duas, era como se nada houvesse acontecido. Kass imaginou que uma distância fosse surgir, porém Lya parecia ainda mais próxima.
— Realmente. Morrer de tédio seria muito vergonhoso para mim — zombou empurrando Lya com o ombro para incentivá-la a sorrir.
E Lya sorriu abertamente e enlaçou seu braço com o de Kass.
— Precisamos de você viva se quisermos ter uma chance de ganhar — comentou ela puxando Kass para o meio do ginásio onde Amanda e os outros alunos estavam reunidos.
— Ganhar?
A Líder Esportiva e, possivelmente, melhor amiga da princesa parecia passar algumas informações para a sua turma. Ela estava no centro de um ginásio grandioso — de inúmeras arquibancadas ao redor da quadra — gesticulando na frente de, aproximadamente, vinte alunos. Eles, por sua vez, pareciam verdadeiras estátuas, assentindo vez ou outra enquanto prestavam atenção, quietos para não atrapalharem sua líder.
Mais ao fundo, afastado dos demais alunos, estava o grupo mais adorado do colégio. Sophie e Rachel estavam de pé da frente de seus súditos, conversando mais tranquilamente, como se aquela fosse uma batalha já ganha. Além disso, a maioria do grupo estava sentado nas cadeiras das arquibancadas, esboçando sorrisos debochados enquanto recebiam suas ordens.
Devem ser da sua sala, pensou Kass.
Ela nunca imaginara que presenciaria alunos de um colégio usando armaduras, espadas e arcos, parecendo preparados para uma grande guerra entre reinos, muito menos uma professora usando armadura prateada reluzente e carregando uma lança. Esperava encontrá-los debruçados sobre pilhas de livros ou fazendo provas impossíveis. Aquele lugar era, no mínimo, fascinante.
Poucos Federais faziam a patrulha pelo ginásio moderno, com telhas capazes de amenizar o calor infernal que estava fazendo do lado de fora e equipado com as mais diversas armas do planeta inteiro. Comparado ao número deles em outros pontos mais “desprotegidos” do lugar, onde pessoas de fora circulavam livremente, como o hospital ou a Praça da Liberdade que Kass conheceu durante o rápido tour guiado por Lya mais cedo, era curioso devido aos “equipamentos” encontrados no ginásio. Mesmo assim, somente a presença deles deixava Kass desconfortavelmente alerta.
Apesar de distraída conferindo o lugar, Kass sentiu uma rápida aproximação por trás. Ela desembainhou a espada num movimento rápido, girando-a facilmente para bloquear o ataque. Um chakram— uma arma de arremesso redonda com lâminas perigosamente afiadas em toda sua extensão — ricocheteou na lâmina e retornou para uma mão erguida.
— Filha da... — resmungou, sem coragem de completar o palavrão, e guardou a espada.
Amanda sorriu e pendurou o chakram no cinto.
— Gosto das pessoas prestando atenção em mim enquanto dou ordens. É bom ir se acostumando. —Amanda demonstrava uma postura totalmente nova para Kass: autoritária e com uma expressão nada amigável. — Mas belo reflexo, Coelhinha.
— Foi sorte — rosnou Kass. — Eu não costumo receber ordens. – Muito menos com apelidos ridículos, completou mentalmente.
— Vai ter que aprender, então.
Kass se aproximou perigosamente de Amanda, com os punhos cerrados, mas a Líder Esportiva não recuou e avançou alguns passo também. Contudo, Lya pigarreou, e Kass percebeu que os alunos de sua turma encaravam-nas boquiabertos. Ela suspirou e deu um passo para trás, abrindo uma distância respeitável entre si mesma e Amanda. Não precisava atrair mais atenção desnecessária, ainda mais com os capangas de seu pai procurando seu rastro por todos os cantos.
— Certo, meus queridos! — chamou a professora assim que as alunas se separaram, e o clima pesado arrefeceu. — Sou Andrezza Matiz, professora de Estratégia em Batalhas. Apesar de meus queridos colegas lecionadores optarem por começar pelas lições básicas, eu gosto saber com quais guerreiros estou lidando. Quero, acima de tudo, entender se vocês conseguem lidar com situações inusitadas como a de hoje. Então, começaremos nossos estudos a partir daí.
Os alunos ficaram animados, conversando uns com os outros causando um burburinho crescente; pareciam prontos para que a aula começasse.
— Amanda e Sophie. Já conversaram com seus exércitos sobre qual estratégia irão utilizar? – perguntou Andrezza.
— Sim — respondeu Sophie dando um passo à frente da Presidente.
— Tudo certo. — Amanda sorriu de maneira desafiadora para a Vice-Presidente.
— Ótimo. – A professora ficou entre os dois grupos para explicar a atividade. De seu pescoço, ela retirou um colar com um pingente em forma de gota feito de cristal. – Cada uma das líderes recebeu um colar idêntico a esse. O objetivo de vocês será: achar com quem está o colar e derrotar o portador do mesmo de maneira justa. Apesar de parecer simples, a organização e estratégia podem fazer uma grande diferença.
Kass estava encarando seus adversários quando sentiu alguém apertar seu braço de leve. Seus olhos se encontraram com os de Amanda.
— Eu não costumo fazer isso, mas precisamos de sua ajuda se quisermos ganhar deles. — Amanda retirou o colar de seu pescoço com cuidado para não chamar atenção. — Sophie estará usando o outro colar, e ela suspeitará de mim, como sempre.
— Qual é o seu plano? — perguntou Kass.
— Quero que lidere a linha de frente enquanto sigo na espreita para enfrentar Sophie sozinha. Apesar do Mariposas ser um grupo desafiador, o maior defeito deles é a individualidade. Se conseguirmos derrotar a maioria deles, Sophie terá que se render por falta de soldados ou, caso ela preferir, lutar com alguém de nosso exército até a morte.
Kass pegou o colar, colocou no pescoço e escondeu sob sua camisa de algodão e peitoral de couro. Apesar de tudo, Amanda não era uma adversária como Sophie. Ela se importava com Lya tanto quanto Kass e parecia detestar o Mariposas também.
— Tudo bem. Mas e quanto à Rachel? Ela não parece inofensiva para ficar fora do seu plano.
— Ela não pode lutar. Não com alunos do colégio, apenas nas Lições.
— Lições?
— Depois eu explico sobre isso. O problema é: Rachel quase causou uma tragédia anos atrás. — Amanda suspirou de maneira tristonha, arqueando levemente as sobrancelhas e o olhar baixo. — Depois disso preferiu manter distância das atividades escolares, ficando apenas na função de vigiar e recrutar novos integrantes para o Mariposas.
— Certo. — Kass estralou os dedos, e um sorriso desafiador surgiu em seus lábios. — Vamos dedetizar esse lugar de uma vez.
Kass e Amanda caminharam lentamente para suas posições na linha de frente enquanto Lya reunia-se com os arqueiros na retaguarda. Sentindo estar sendo observada, como se uma eletricidade fizesse os pelos de sua nuca arrepiar, Kass virou-se para trás, e seus olhos se encontraram com os da princesa por uma fração de segundo. Elas assentiram em silêncio como se desejassem sorte uma para outra. O contato delas quebrou-se quando uma aluna, aparentemente mais nova, segurou a mão de Lya animadamente e puxou-a para o meio dos alunos.
A professora bateu sua lança contra o chão com força. Ao ter a atenção dos alunos ela ficou satisfeita e pegou uma simples trompa de madeira que estava ao redor de seu pescoço. Kass notou um aceno de cabeça singelo entre Amanda e Sophie, como se as duas autorizassem o início da batalha ou aula. Ela realmente não conseguia decidir como nomear aquela situação.
Quando Andrezza Matiz soprou a trompa, as paredes do ginásio estremeceram violentamente, e sua cobertura começou a despedaçar. Os instintos de Kass gritavam para correr até Lya, protegê-la e procurar uma rota de fuga; porém, ela se conteve ao perceber como todos estavam calmos, alguns conversando e outros simplesmente esperando.
Os primeiros escombros estavam próximos do chão. Quando o contato ocorreu, vigas e partes do telhado desapareceram após uma oscilação azulada estranhamente familiar.
Uma simulação holográfica, pensou Kass.
Em questão de segundos já não estava mais em Bhakans, mas em um vasto campo de gramas verdes com flores vermelhas espalhadas em pontos diferentes. Ela só não conseguia entender como conseguiram realizar aquela imersão. Normalmente eram necessárias roupas, capacetes ou eletrodos pelo corpo para que pessoas fossem inseridas numa simulação holográfica.
Kass estava sozinha. Seus aliados e inimigos haviam sumido. Talvez um teste de sobrevivência individual até o reagrupamento para a batalha fizesse parte da aula; porém, por onde começaria a procurar sem rastros ou conhecimento da região? Poderia usar suas habilidades amaldiçoadas de Julgadora, mas tinha quase certeza de estar sendo vigiada, e ter sua identidade descoberta estava fora de questão.
Ela respirou fundo, analisando o terreno ao seu redor. Montanhas ao norte com os picos cobertos de neves; floresta densa ao sul onde a luz do sol não adentrava entre as árvores; e um estreito rio de águas turvas ao leste. O campo continuava no Oeste até onde sua vista alcançava.
Numa questão de sobrevivência, o rio seria a escolha mais óbvia. Gigantescas civilizações, segundo os livros antigos, começaram ao redor de rios e lagos gigantescos; então, as chances de encontrar pessoas para pedir informações ou ajuda era bem maior do que se embrenhar no meio de uma floresta densa ou subir montanhas nas quais até a vida animal era quase inexistente.
Ela sentia como se um enorme alvo estivesse nas suas costas chamando a atenção dos inimigos e suspeitava levemente de que a professora havia feito isto de propósito — jogando-a num lugar aberto como esse — para testá-la ou até puni-la por ter causado tanta confusão com os integrantes do Mariposas.
Kass tocou seu pescoço instintivamente ao pensar nos queridinhos de Bhakans. Sentindo o cordão do colar, ela soltou o ar preso em seus pulmões. Não era como se importasse com tudo aquilo, mas não estava em seus planos perder para Sophie e seu bando.
Sem esperar mais, Kass começou a atravessar o campo de grama alta para chegar até o rio. Não sabia quanto tempo demoraria para achar os outros; então precisava se apressar e ficar atenta. Poderia cair em uma emboscada facilmente aqui, principalmente com a vegetação ao seu redor.
Bastou uma leve brisa atingir seu rosto para sentir o cheiro de uma humana por perto. Ela levou sua mão diretamente para o cabo da espada embainhada em nas costas. Ela esperava por uma reação, um agitar das gramas de maneira abrupta; porém nada aconteceu. Nem um ruído sequer.
— Não vou machucar você. Pode sair — resmungou afrouxando a mão da arma.
Aos poucos, uma figura pequena começou a se erguer da grama, mas não o suficiente para que fosse vista acima da vegetação. Kass reconheceu a jovem aluna que havia puxado Lya até o grupo de arqueiros. Sua juba ruiva estava bagunçada pelo vento, e a sua armadura parecia duas vezes maior do que seu corpo miúdo. Estava agarrada a um arco igual ao de Lya.
Como ela está numa sala com alunos bem mais velhos?
— Como você se chama? — perguntou sem jeito. Não estava acostumada com situações como essa.
A garota olhou para os lados, parecendo procurar palavras para responder. Finalmente, ergueu as mãozinhas e formou sinais conhecidos por Kass com os dedos.
— É um prazer conhecer você, Sarah. Sou Kassandra, mas pode me chamar de Kass — respondeu com um sorriso sincero. — O que aconteceu com a sua voz?
Sarah ruborizou levemente antes de abrir a boca e revelar a língua cortada.
— Quem fez isso com você? — rosnou Kass. Não conseguia acreditar que uma pessoa teria a capacidade de fazer uma coisa vil dessas com uma garotinha.
— Pessoas más. Já faz muito tempo; não precisa se preocupar comigo.
Kass suspirou e passou a mão na nuca. No passado, quando ainda era Julgadora, fizera coisas muito mais obscuras do que arrancar a língua de alguém lenta e dolorosamente, mas nunca feriu crianças ou qualquer pessoa não merecedora de sofrimento.
— Certo. Precisamos encontrar os outros. Estava pensando em seguir o rio. Acha uma boa ideia?
— Seria se o acampamento de Amanda não ficasse nas Montanhas Invernais — sinalizou Sarah com um sorriso divertido nos lábios.
— Ok, Veterana. Mostre-me o caminho — pediu Kass se curvando exageradamente e dando passagem para a garota.
Sarah mordeu os lábios de maneira nervosa, hesitando.
— O que foi?
— Não consigo ver o caminho.
Sem pedir permissão, Kass ergueu a jovem com facilidade e a acomodou em seu ombro direito. Ela passou o braço por cima das pernas de Sarah para segurá-la conforme começava a andar.
— Para onde? – perguntou Kass olhando para cima.
Sarah apontou para as montanhas.
As duas atravessaram o campo tranquilamente, com a brisa soprando em seus cabelos e a natureza sussurrando em seus ouvidos como uma canção única, apesar de tudo não passar de uma simulação.
*
Depois de alguns minutos caminhando pelo campo para chegar até a cordilheira, as primeiras barracas localizadas na base da primeira montanha podiam ser vistas. Kass desceu Sarah de seu ombro e a observou correr à sua frente agarrada ao seu arco.
Enquanto isso, uma familiar dava ordens breves para alguém. Amanda apareceu entre as barracas segurando algumas lanças e espadas, mas ainda não havia avistado as garotas ainda. Kass abriu a boca para chamar a atenção da Líder Esportiva; porém, os pelos de seus braços se arrepiaram, e ela se deteve. Seus olhos buscaram por alguma ameaça ao redor e, num brilho singelo, encontraram um fio transparente conduzindo energia para uma bomba de choque escondida atrás dos arbustos e com seu capacitor do outro lado para que, quando o fio se rompesse, a bomba fosse acionada e a descarga elétrica ocorresse. Sarah corria na direção da armadilha sem se dar conta onde estava se metendo, agitando os braços parecendo querer chamar a atenção de Amanda.
— Sarah! Espere! — Kass correu o mais rápido que pôde sem parecer inumana, embora sentisse agoniada com a distância. Precisava alcançá-la antes de a bomba ser acionada.
O chamado de Kass chamou a atenção da Líder Esportiva. Ela viu Amanda largar as armas e correr na direção de Sarah para tentar pará-la, mas estava ainda mais longe. Não adiantaria o esforço.
Kass ouviu, com sua potente audição, o som do fio se rompendo e a bomba sendo acionada. Sem hesitar, ela saltou contra o corpo da jovem estudante, sabendo que o tempo havia acabado, e se fez de escudo esperando apenas pelo momento da dor. Sarah tremia incontrolavelmente.
A bomba chegou ao seu limite, liberando raios azuis para todos os lados. Kass viu Amanda sendo arremessada para longe com a explosão, mas acabou se encolhendo de dor quando sentiu seu corpo inteiro queimar dolorosamente pelos raios. Ela ficou firme e se recusou a deixar Sarah desprotegida.
Depois da dor, do barulho assustador, o silêncio reinou por absoluto. Kass deixou seu corpo cair ao lado do de Sarah, completamente cansada após receber uma carga impressionante e, provavelmente, mortal se fosse apenas uma humana. Ela respirava com dificuldade, mas sabia que se recuperaria rapidamente.
— Chamem os paramédicos! — gritou. Ela correu onde as duas estavam e se jogou no chão. — Ei, olha para mim, Kass. Não feche esses malditos olhos sedutores, Coelhinha! — rosnava segurando o rosto de Kass entre suas mãos.
— Não foi sua culpa, Sarah — murmurava alguém de maneira reconfortante.
— Kass! — Lya foi impedida de se aproximar por dois arqueiros de sua equipe, pois os paramédicos haviam chegado.
As vozes eram zumbidos para ela. Cada toque era como uma faca rasgando sua pele e cada respiração era como um gás tóxico queimando seus pulmões. Kass nunca faria isso anos atrás. Deixaria Sarah morrer sem pensar duas vezes por não ter atenção e ser imprudente em um campo de guerra declarado. Mas sentia-se satisfeita. Não tinha arrependimentos. Faria outras vezes se fosse preciso.
— Deveria ter escolhido um para-raios em vez dessa espada — resmungou Kass.
Houve suspiros aliviados e algumas risadas entre os alunos reunidos ali. Lya se desvencilhou dos arqueiros e se jogou em cima de Kass num abraço desesperado.
— Nunca. Brinque. Comigo. Desse. Jeito!
Kass olhou para os lados, procurando por Sarah, e suspirou aliviada ao vê-la com uma das alunas. — Você está bem? — perguntou em sinais.
— Nem mesmo um arranhão. Obrigada.
— Certo. Sinto muito por estragar esse momento lindo, mas temos uma batalha para vencer — resmungou Amanda cruzando os braços.
Kass ergueu o olhar com um sorriso sombrio nos lábios.
— E eu estou louca para testar essa belezinha — disse tocando na espada em suas costas.
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