Notas iniciais
Hey, guys! Capítulo beeem curtinho, mas importante para vocês terem um ideia de como e onde será essa missão ♥

A sala de reuniões da nave estava um completo silêncio mesmo com a maioria da equipe reunida ali. Camila tinha avisado, através dos Alto-Comunicadores — localizados por toda a nave — que estavam perto de pousar. Então o Comandante Bakir resolveu reunir todo o grupo para uma rápida reunião. Kassandra havia chegado junto com Sarah e Amanda por terem ficado no mesmo quarto descansando. Agora as três esperavam por Lyanna e Benjamin, os únicos que não estavam na sala.

O Comandante estava pronto para chamar a Princesa quando ouviram uma risada baixa vinda do corredor. Os dois chegaram alegres, pareciam conversar sobre algo divertido, mas ao notarem todos os olhares sobre eles, rapidamente se recompuseram. Lyanna iria se sentar na cadeira vazia ao lado de Kassandra, porém desistiu, ficando entre Sarah e Benjamin.

Kassandra suspirou aliviada. Ainda não estava preparada para nada relacionado a Lyanna. Nem uma troca de olhares sequer.

— Bom, finalmente podemos começar — o Comandante estava visivelmente irritado pela demora excessiva. — Precisamos conversar sobre Yoskor antes de pousar.

Ele ativou o mapa holográfico da grande mesa. Um grande mar de casas pequenas, beges e com apenas cinco prédios imponentes no meio dele apareceu. Pessoas andavam pelas inúmeras ruas e becos num fluxo constante. A maioria das mulheres usavam uma roupa característica da região chamada de Hunmia; Era um vestido comprido de mangas longas e que possuía um grande capuz para esconder o rosto. Elas apenas se revelavam para pessoas próximas e íntimas. Os homens usavam roupas surradas sem cores marcantes e com capuzes também, mas os guerreiros das facções exibiam-se em suas armaduras de couro muito bem confeccionadas e colares brilhante adquiridos dos inimigos eliminados.

Mas todas as vestimentas dos moradores da Yoskor, masculinas ou femininas, eram especiais para aguentarem o calor de até 60°C da região. O tecido refrescava e ajudava a reter o líquido corporal mesmo se você caminhasse pelos desertos ao redor.

A Capital Emblemática Yoskor era muito mais simples comparada a Losva. O lugar era famoso apenas pelo acolhimento de pessoas cansadas das guerras entre as facções, oferecendo diversos auxílios e transportes para outras Capitais. Os Estudiosos, em sua maioria, tentavam achar alternativas para acabarem com as guerras, porém elas estavam tão presentes na cultura das pessoas daquela região que era uma tarefa quase impossível. A desigualdade social era gritante, pessoas acabavam sendo escravizadas pelos Senhores de Terras — que não chegavam a ser chamados de Reis — em enormes minas de sal para receberem comida e segurança em troca. Era pouco, mas muitos aceitavam o destino por terem esperança. Esperança de poderem viver, algum dia, em suas terras sem tanta dor e sem tantas mortes.

Kassandra encarou as imagens da única Capital Emblemática construída em solo, lembrando-se das vezes que esteve ali. Algumas pessoas imploravam pela morte, cansadas da vida que levavam e sem ter como fugir dela a não ser entregando suas almas.

Por isso o lugar também era conhecido como a Capital dos Julgadores.

— Yoskor é uma Capital Emblemática completamente diferente da Losva. — Bakir encostou na mesa cruzando os braços no peito. — É um lugar hostil onde Federais e Protetores não possuem muito poder. Em seus quartos estão roupas essenciais para se camuflarem entre as pessoas, ainda mais você… Kassandra. Seus olhos e cabelos a destacariam em qualquer lugar da Yoskor.

Ele passou a mão pela mesa e uma a cidade apareceu. As casas eram ainda mais simples, com poucas pessoas transitando pelas ruas estreitas e sujas. Cães e gatos magricelos disputavam restos de comida em lixos, espalhados aqui e ali, com moradores de rua.

— Nós iremos pousar na Base de Operações Mantthur, no Centro, então vocês seguirão para essa região. O Senhor Faheem será o guia, porém manteremos contato através de Comunicadores especiais.

Todos assentiram. Então a mesma foto dos pais de Amanda, mostrada em Bhakans na sala da Diretora Principal, apareceu. Kass olhou discretamente para a Líder Esportiva, vendo-a se remexer na poltrona. Parecia desconfortável e nem encarava a foto direito.

— Vamos recapitular qual será a missão — Bakir desencostou-se da mesa adotando uma pose intimidadora. — Vocês irão investigar o local, reunir informações e retornar. Não vou permitir que se coloquem em perigo e isso significa que mesmo obtendo contato visual com os possíveis traidores, vocês não irão persegui-los. Façam isso e mando uma equipe na mesma hora para caçarem vocês e trazerem de volta para a base. Estamos entendidos?

— Sim. — Todos responderam, exceto Kassandra que assentiu uma única vez.

A voz de Camila soou novamente por toda a nave, avisando para todos que o procedimento de pouso iniciaria em poucos minutos. Kassandra observou sua pequena equipe sair em direção ao corredor onde ficavam os quartos, então fez o mesmo. Estava tão ansiosa quanto Amanda para a missão, porém de um jeito completamente diferente. Tudo poderia dar muito errado caso alguém a reconhecesse.

Durante anos Kassandra evitava algumas regiões, reinos, cidades e Capitais, pois sabia que poderia ter maiores chances de encontrar algum Julgador ou bruxa. Seu rastro era mascarado graças a um feitiço que aprendeu com Meredith. Um feitiço forte e discreto, capaz de enganar as Bruxas de Gaddgus, Selletus e os Julgadores. Mas ali, em Yoskor, todos os seus esforços de continuar desaparecida poderiam ir por água abaixo.

Estava com medo.

Era tão palpável — real — aquele sentimento, que ela entrou no quarto ofegante. Suas pernas não estavam firmes e, poucos passos depois, acabou caindo de joelhos no carpete verde escuro. Noturna, ignorando o encantamento, apareceu ao lado da sua portadora prontamente.

— Eu menti — sussurrou. — Estou com medo, Noturna. Medo de voltar ao reino de Selletus e passar por tudo aquilo novamente.

A espada iluminou o quarto com sua luz esverdeada. Kass sentiu uma calmaria momentânea tomar conta do seu corpo. Ela puxou a espada até sua frente, espalmando as duas mãos na lâmina. A conexão entre elas, com aquele contato direto, tornou-se ainda mais forte. Instintivamente fechou os olhos.

— Sua lâmina. Minha alma.

O mantra dos Julgadores. Ele simbolizava igualdade entre espada e portador. Apesar de muitos o dizer, eram poucos os que realmente seguiam a ideia.

E as duas, desde quando começaram a lutar juntas, compartilhavam o mesmo sentimento de companheirismo e igualdade. Kassandra nunca enxergou Noturna apenas como uma espada ou um objeto que servia seus movimentos numa batalha. Era sua amiga, confidente e uma parte dela. A única que realmente a entendia por inteiro.

“Cinco minutos para o desembarque.”

Um leve frio na barriga, ocasionado pela descida da nave, fez Kassandra abrir os olhos. Ouviu uma risada ecoar por seus pensamentos. Num gesto simples encantou Noturna em sua pele novamente.

A missão iria começar.

Notas finais
Fiquem preparados para o próximo capítulo