Notas iniciais
Hey, guys! Bora ler nessa quarentena! Fiquem em casa o quanto puderem e fiquem seguros! Amo vocês ♥ PS: Não está corrigida

O príncipe de Mhorvanna estava alguns passos de distância, sentado de frente para Lyanna enquanto Kassandra se mantinha detida ao lado de Petrus Courvin, o Capitão da Guarda Real de Mhorvanna. Depois do encontro, para evitar qualquer tipo de desentendimento na frente de todos, a princesa perguntou se não poderiam seguir para um lugar mais privado. O olhar do príncipe havia ganhado um brilho esperançoso, mas o mesmo morreu em rápido segundos quando Kassandra se impôs ao lado de Lyanna num aviso claro de que iria junto.

Agora os quatro estavam confinados numa sala privativa do colégio, usada pela Diretora Principal em reuniões especiais. Quase ninguém tinha permissão de usá-la, mas vendo a necessidade da Princesa de Terhia, Meredith Owen cedeu.

A sala era feita de paredes com tijolos encaixados perfeitamente, com um isolamento acústico para que ninguém ouvisse a conversa do lado de dentro. Alguma fotos, troféus de campeonatos intelectuais e esportivos estavam expostos numa estante de vidro ao lado da enorme prateleira com livros diversos. Então haviam sofás grandes e confortáveis espalhados pela sala, mas apenas o príncipe e a princesa ocupavam dois deles separadamente; Kassandra e Petrus estavam em pé um ao lado do outro encarando seus protegidos.

Naquele momento os instintos de Kassandra estavam em alerta total. Se as informações do seu tio estivessem corretas, tanto o Príncipe Leon quanto Petrus Courvin sabiam quem ela era exatamente. Aquele encontro em particular poderia ser uma armadilha. Não podia arriscar. Além disso a segurança de Lyanna estava em jogo também.

— Faz muito tempo desde nosso último encontro, prima.— disse o Príncipe, quebrando o silêncio.

Lyanna se remexeu na poltrona onde estava sentada, parecendo desconfortável, mas assentiu com um sorriso forçado.

— Está dizendo sobre a reunião entre os nossos pais? Ele não deveria nem ter acontecido, assim como este. O que você quer, Leon?

O herdeiro de Mhorvanna encarou a princesa por alguns segundos antes de se recostar no sofá. Ele pegou sua taça da mesinha ao lado tomando um gole de sua bebida lentamente. Não parecia nem um pouco com pressa. Então olhou para Petrus, acenando com a cabeça.

Num movimento supreendentemente rápido, o Capitão deferiu um soco na base da costela de Kassandra, mas a mesma segurou seu punho a poucos centímetros de acertar. Petrus sorriu satisfeito e o som de pele sendo rasgada preencheu o ambiente. Assim como o cheiro de sangue.

Kassandra arregalou os olhos desviando sua atenção para onde uma forte dor lhe atingira. Uma lâmina oculta saía da manga do capitão para cravar-se entre os ossos de sua costela. Ela tentou afastá-lo, mas era como se suas forças não existissem naquele momento. Há muito tempo não sentia esse tipo de dor e também nunca esqueceria.

— Selletus avisou sobre ela, então nos ajudou a achar soluções para tirá-la do caminho. – explicava Leon olhando para sua taça. – Aço dos Protetores são eficazes em Julgadores.

— Ela não é mais uma deles! Mande ele parar com isso! – implorou se levantando da poltrona.

— Ora. Um monstro sempre será um monstro, prima querida, e por isso estou aqui. – disse deixando a taça de volta na mesa. – Continue, Capitão.

Petrus girou a lâmina, causando um estalo alto seguido por um rosnado. Os olhos de Kassandra começaram a brilhar como brasas, assim como Noturna queimava no seu braço em desespero. Pelo canto do olho percebeu o príncipe se aproximando lentamente.

— Quero conversar com você, Ellisse Caunder – sussurrou o príncipe próximo ao seu rosto. – A Ceifadora dos Desalmados. A Filha da Morte. A Assassina de June.

Ao ouvir aquele nome, Kassandra tentou avançar, mas Petrus fez questão de girar a lâmina mais uma vez. Ela gritou de dor dessa vez e viu a humana se encolher instintivamente. Com o isolamento acústico e a música do lado de fora, era impossível que alguém a escutasse naquele momento.

Seus olhos ficaram ainda mais acesos.

— Você é fraca. Acha que assim irá proteger Lyanna?! – Leon riu debochadamente. – Vai deixá-la morrer como aconteceu com June e como acontecerá com ele. — ele se afastou alguns passos ordenando que alguém entrasse.

Um homem corpulento abriu a porta da sala e jogou um Zanur com o rosto ferido, inchado de tanto apanhar, nos seus pés e, então, saiu. Seu tio não estava se mexendo, parecia ter desmaiado por seu corpo ter chegado ao limite. Aquela cena remeteu Kassandra a um passado doloroso, com seus companheiros mortos ao seu redor em uma emboscada dos Protetores. June contorcida numa posição estranha e de olhar opaco, sem vida.

Naquele momento Kassandra não existia mais.

O demônio, adormecido em seu interior, fora despertado. Seus olhos estavam completamente acesos como brasas, os dentes caninos maiores e afiados feriram o lábio inferior e Noturna já estava em sua mão de maneira firme. Sem dar chances para Petrus reagir, ela girou o braço e num movimento certeiro cortou a mão do Capitão. A faca permaneceu entre suas costelas, mas já não era mais um incomodo.

Petrus gritava de dor enquanto segurava o pulso logo abaixo de onde sua mão estava segundos atrás. Kassandra encarou o homem com desgosto, ficando levemente inclinada para nivelar seus olhares. Ela segurou seu queixo.

— Vou matar você, assim como fiz com aqueles seus porcos. – rosnava baixo. – Irei rasgar seu corpo lentamente para que Noturna saboreie cada corte. Você ficará no limbo para sofrer por cada uma das suas atrocidades repetidas vezes. Estupro, tortura e mutilação.

O Capitão tentou reagir novamente, fincando outra lâmina no abdômen exposto da Julgadora, mas não conseguiu nada. Ela rosnou antes de amputar o braço inteiro do homem. Noturna brilhou gloriosamente, parecendo gostar da situação. A Julgadora continuou sua série de cortes como prometido, saciando-se tanto dos gritos quanto da absorção realizada por sua espada a cada golpe. Ah, não queria admitir, mas aquela sensação era maravilhosa!

Ao terminar, cravando Noturna no centro do peito do homem, todo o corpo dele transformou-se em pó, mas todo o sangue continuava ali. Era uma cena digna dos filmes de terror sangrento e para a Julgadora era como uma obra de arte. Ela lambeu o sangue respingado em seus lábios apoiando Noturna em seu ombro. Olhou de maneira inexpressiva para o Príncipe, preparada para continuar o trabalho, quando um corpo menor colocou-se entre ela e o humano.

— Kassandra. Já chega, por favor. Essa não é você!

A Julgadora aproximou o rosto da humana, inspirando seu cheiro viciante. Correu o nariz pelo maxilar dela antes de suspirar.

— Está errada. Essa é quem eu realmente sou. – sussurrou antes de avançar em sua velocidade inumana até o Príncipe. Ela o agarrou pelo pescoço com firmeza, erguendo-o do chão. – Um verme como você não deveria nem existir. Mas erros acontecem, não é mesmo? E é por isso que estou aqui – A Julgadora chegou perto de sua orelha. – Para corrigi-los.

— V-você n-n-não pode me m-matar! – disse com dificuldade, pois estava lhe faltando ar.

— Oh, eu posso! Como você mesmo disse: sou a Filha da Morte.

Ela iria mesmo matá-lo, mas mãos fortes agarraram seus braços. A Julgadora olhou por cima do ombro esperando encontrar outro subordinado do Príncipe, mas acabou encontrando seu tio. Ele estava ofegante, visivelmente esforçando-se para impedi-la.

— Me solte. Não quero machucá-lo. – avisou num tom baixo.

— Não. Se fizer isso as coisas irão piorar muito rapidamente. Deixe que ele vá e conte aos outros o que aconteceu. Matá-lo levará a guerra para as terras de Gallydus! É isso o que você quer?!

A Julgadora jogou o Príncipe para o lado, fazendo-o quebrar uma mesinha de madeira. Ela virou-se para o tio irritada, as narinas dilatadas com sua respiração irregular.

— Você me abandonou, desapareceu por anos e agora volta achando que me conhece?! – rosnou alto. – Não sabe nem das metades das coisas que estão passando pela minha cabeça nesse momento!

Ela virou-se para o Príncipe de novo e não percebeu quando o corpo do tio explodiu em grossos pelos negros, transformando-o num enorme urso de olhos brancos. Seu ombro foi abocanhado dolorosamente e puxado para trás. A Julgadora caiu de costas no chão, tendo o corpo preso por toneladas de músculos e gordura.

Não quero te machucar! — avisou o tio em sua cabeça.

— É melhor me matar se não quiser o humano morto! – gritou descontrolada, tentando alcançar Noturna que estava caída ao seu lado.

Então um corpo caiu ao seu lado de joelhos, segurando seu rosto conforme o urso respirava ofegante.

— Kass. Escuta minha voz – implorou uma voz conhecida. – Volta pra mim, por favor! Eu preciso de você! Por favor, Kass, por favor! – lágrimas rolavam pelas bochechas levemente coradas e uma lembrança a despertou.

“Eu fico. Se prometer parar de chorar.”

Os olhos carmesins estavam voltando ao normal, apagando-se lentamente conforme focavam no rosto da princesa. Kassandra ofegou pela dor que a atingira repentinamente. Ela desviou a atenção para seu abdômen onde duas adagas estavam fincadas em seu corpo. Os acontecimentos estavam confusos em sua cabeça, como se uma outra pessoa tivesse tomado conta do seu corpo.

O urso saiu com cautela de cima dela, parecia em alerta para caso Kassandra resolvesse atacar. Mas ela estava esgotada, canalizando suas forças para manter-se acordada. As mãos de Lyanna não abandonavam seu rosto por nenhum momento.

— Ly... – disse que esforço.

A Princesa sorriu em meio as lágrimas.

— Estou aqui. Tente ficar acordada, por favor. – a princesa olhou para o urso. – Precisamos ajudá-la, Zanur. Rápido!

Ele rosnou baixo e enfiou seu focinho na base das costas de sua sobrinha, indicando que queria carregá-la. A Princesa se adiantou, ajeitando-a da melhor maneira possível, então beijou a testa suada de sua protetora com carinho.

— Leve-a para o hospital e procure por Simon. Ele vai ajudá-la. – Lyanna olhou para o Príncipe. – Eu preciso conversar com meu tio. Encontro com vocês no hospital em poucas horas.

O urso hesitou ao ouvir as palavras.

— Isso é uma ordem, Zanur! Vão! – ralhou de maneira firme fazendo o urso rosnar e correr da sala.

Kassandra esticou a mão em direção a humana, numa tentativa inútil de tentar ficar, mas estava quase desmaiando. O caminho até o hospital foi um borrão. As vozes estavam abafadas, os rostos embaçados e confusos para ela. Sentiu seu corpo sendo erguido com firmeza antes de descansar em algo tão macio quando os pelos do urso. Simon apareceu em seu campo de visão, sua boca mexia, mas Kassandra não escutava nada. Suas forças tinham acabado e tudo que lhe restou foi a escuridão.

Notas finais
O que acharam? Lembrando: Estou aqui! Vamos passar por essa juntos ♥ Até a próxima ^^