Notas iniciais
Olá pessoas! Como estão? Demorou um pouco (eu sei que foi muito) para postar o capítulo, mas aqui está! Espero que gostem!

— Então aquela armadilha era sua? Você quem fez? — indagou Kass enquanto caminhava ao lado de Sarah.

Sarah deu de ombros.

Exatamente. Eu só não a instalei. Porque, nesse caso, eu saberia que não seria uma boa ideia passar por lá.

Kass riu debochadamente.

— Não me diga — comentou sarcasticamente e cruzou os braços enfaixados. — Achei que gostaria de ter uma cobaia para testar suas invenções.

Os enfermeiros haviam a enfaixado da cintura até o pescoço após espalhar sobre sua pele uma pomada para queimaduras. Kass custou a aceitar o tratamento, pois se curaria em alguns minutos. Mas acabou aceitando para não levantar suspeitas e por insistência da princesa.

Não preciso de cobaias. Minhas invenções nunca falham — disse Sarah com um sorriso vitorioso.

Kass revirou os olhos, mas não conseguiu segurar um risinho diante do comentário convencido de Sarah. Elas andavam tranquilamente, sendo umas das últimas do grupo de alunos-soldados que seguiam a Líder Esportiva pelo campo aberto onde Kass e Sarah haviam se conhecido.

Estava muito quente. O sol brilhava cálido no céu sem nuvens, e uma brisa suave sussurrava por sobre a grama alta. Apesar de ser muito realística, a simulação não contava com a presença de animais selvagens; apenas reproduzia o canto de alguns tordos para dar a sensação de distância de qualquer civilização. Como se não estivessem num colégio da Capital Emblemática Losva.

Geralmente, as Capitais Emblemáticas ficavam flutuando em grandes altitudes; então os pássaros, até mesmo os insetos, não conseguiam alcançá-las. A vida selvagem ficava concentrada nos reinos e em vilarejos afastados, onde a caça era utilizada tanto para sobrevivência quanto para ganhar dinheiro.

— Estamos chegando. Quero que fiquem atentos! — avisou Amanda diminuindo o ritmo.

Eles estavam longe das montanhas e da floresta densa, num campo aberto sem de cobertura. Kass estava imaginando se o Mariposas planejava um confronto direito, ou se alguma emboscada para frustrar o ataque de Amanda fora feita. Ela esforçou-se para sentir alguma ameaça invisível aos humanos, porém não havia nada. Nem um ruído ou movimentação fora na normalidade.

Calmo demais. Isso não é bom, pensou Kass procurando a princesa entre os alunos.

Lya estava um pouco mais à frente, conversando e sorrindo vez ou outra com um aluno. Kass a observava com a testa franzida, não gostando muito de como pareciam próximos. De repente, ela sentiu alguém agarrar seu braço, e sua atenção voltou-se para Sarah, que tinha as sobrancelhas arqueadas e a boca formando um O perfeito. Ela apontava freneticamente para frente. Kass seguiu a indicação da amiga sem muita empolgação; mas, ao ver do que se tratava, não evitou um palavrão.

A alguns metros de onde se encontravam, o vasto campo acabava abruptamente em uma profunda ravina que dividia a paisagem ao meio. No centro dela, construído numa formação rochosa, se encontrava o acampamento inimigo. Espinhos de ferro circundavam as paredes de madeira, e quatro torres de vigília com a bandeira do Mariposas erguiam-se imponentes. Uma ponte levadiça na parte mais distante funcionava como entrada e saída. Era fácil, para Kass, classificar o lugar como uma fortaleza em vez de acampamento.

— Só pode ser brincadeira — resmungou. — Você sabia disso?

Sarah negou com a cabeça.

Normalmente somos a defesa, e eles, o ataque. Nunca vimos o acampamento deles.

Um burburinho de comentários pessimistas diante dos fatos surgiu entre os alunos. Amanda rapidamente ergueu a mão e fez o silêncio retornar. Todos pareciam esperar por alguma ordem ou, talvez, um discurso motivacional antes da batalha, mas a Líder Esportiva ficou quieta durante longos segundos.

Longos o bastante para Kass bufar irritada e começar a caminhar na direção do acampamento inimigo.

— O que você está fazendo?! — exclamou Amanda. Ela agarrou o braço de Kass, impedindo-a de prosseguir.

Kass olhou para a mão da Líder Esportiva em seu braço e encarou-a nos olhos.

— Agindo — rosnou. Ela puxou o braço para se livrar da mão de Amanda. — Se não percebeu, a única proteção que temos é a grama alta. Não há sombras, o sol está brilhando incessantemente e o tempo está correndo. — Kass suspirou. — Vou entrar, atraí-los para nossa emboscada e, assim, teremos chances de ganhar.

— Inteligente — admitiu Amanda. — Mas não posso deixar você se arriscar assim. — Ela olhou discretamente para o pescoço de Kass, parecendo querer lembrá-la do colar sem alertar ao resto de sua equipe.

Kass deu de ombros.

— Você pediu minha ajuda, Capitã. — Ela voltou a andar, ignorando os olhares surpresos. Sabia que fora ousadia tratar Amanda daquele jeito. — Fiquem prontos. Se a ponte for abaixada, quer dizer que consegui.

— E se a ponte continuar levantada? — perguntou um aluno mais ao fundo.

— Então é melhor que já tenham um plano B. — Kass parou por um momento e se virou para procurar Lya entre os alunos. Quando seus olhos se encontraram, ela indicou com a cabeça para segui-la. — Vou precisar de sua ajuda.

Os alunos-soldados abriram espaço para que a princesa passasse. Alguns se curvaram discretamente em respeito à posição mantida por ela, mas Lya não parou para impedi-los de reverenciá-la. Parecia estar com pressa para alcançar Kass que já caminhava em direção à ravina.

— Arqueiros, encontrem um lugar bom para nos dar cobertura, e os outros se escondam para a emboscada! Rápido! — ordenou Amanda.

***

As duas garotas movimentavam-se em silêncio, apenas com o vento bagunçando seus cabelos. Kass analisava mentalmente as suas chances reais de entrar no acampamento sem cair de uma altura mortal e sem que os vigias das torres a vissem. Sua ideia, à primeira vista, era escalar a formação rochosa, eliminar alguns Mariposas antes de ser encontrada e levá-los até emboscada de Amanda.

Quando chegaram mais perto do acampamento, Kass puxou Lya para baixo. Ela apontou para a torre mais próxima. Nela, um Mariposa estava debruçado na grade de proteção, parecendo procurar algo no campo.

As duas avançaram agachadas mais alguns passos até que alcançaram a beirada da ravina. Elas se depararam, neste ponto, com a visão da profundidade assustadora da gigantesca fissura que não parecia ter fim. Uma névoa densa as impedia de ver o que havia lá embaixo, e Kass imaginava que era apenas queda infinita por ser uma simulação. Ela desviou sua atenção para a torre. O vigia dela, que tinha os cabelos raspados dos lados formando um moicano curto, estava virado de costas.

— Fique abaixada — ordenou num tom suave. — Há um recuo ali. — Ela apontou com a intenção de mostrar à Lya. — Pretendo alcançá-lo.

— Estou aqui para lhe dar apoio moral — supôs a princesa.

Kass bufou e tocou o arco de Lya.

— Quero que finque as flechas na parede. Assim, vou poder escalar mais rapidamente.

— Tome cuidado — pediu Lya. — E obrigada por confiar em mim.

Kass deu de ombros.

— Não é como se eu estivesse com medo de ter uma flecha fincada, acidentalmente, na minha bunda. — Ela não esperou para ver a reação da princesa e se afastou agachada.

Depois de verificar que o vigia ainda continuava de costas e gesticulando como se conversasse com alguém, Kass respirou profundamente e começou a correr. Ela parecia leve; e, conforme abria caminho na vegetação alta, suas passadas não faziam barulho. Era como se o vento a carregasse.

Sem hesitar, numa acrobacia supreendentemente perfeita, ela se lançou para a ravina. Parecia girar em câmera lenta, diminuindo a resistência do ar para ganhar mais velocidade. A parede de pedra alaranjada se aproximou rapidamente, e Kass endireitou o corpo e esticou os braços para se agarrar no recuo.

O impacto de seu corpo contra a parede de pedra fê-la perder o ar. Suas mãos escorregaram da beirada do recuo, e ela preparou-se para ser sugada de volta ao mundo real. Caso caísse, seria eliminada da simulação; no entanto, seu pé direito encontrou um apoio. Ela impulsionou o corpo para cima, num salto desequilibrado e, com muito esforço, alcançou o recuo.

Sua respiração irregular a impedia de se estabilizar. Ela pediu que seu corpo parasse de tremer e girou a cabeça para Lya, que tinha a boca entreaberta e as sobrancelhas arqueadas. Kass sorriu por um instante e sinalizou para que a princesa começasse a atirar.

Lya obedeceu e se levantou do meio da vegetação. Kass a observou se preparar, respirar profundamente e, então, atirar. A flecha cortou o ar velozmente, seguindo para a parede, quando uma rajada forte de vento da ravina a desviou de seu destino. Esta quase acertou Kass.

Na torre, o vigia voltou-se para campo.

— Eles não vão vir! — ele comentou alto o bastante para que todos ao seu redor pudessem ouvir. Parecia impaciente e até mesmo irritado. — Não vou ficar torrando aqui. Nem sob uma ordem direta da Vice-Presidente!

Kass não distinguia a silhueta dele e viu Lya se levantar novamente. A princesa tencionou a corda como anteriormente; contudo, mirou cautelosamente onde queria acertar. Ao soltar a corda, a flecha fez o mesmo movimento. As duas observavam-na atentamente, esperando ansiosamente.

A rajada de vento capturara novamente a flecha, dando-lhe ainda mais velocidade. Kass estava quase desacreditando na pontaria de Lya quando a flecha fincou-se um pouco acima de sua cabeça com firmeza.

Oito flechas fincadas na parede foram suficientes para que Kass pudesse alcançar a parede de madeira e usar espinhos para escalar, porque eram grandes. Ela assentiu para Lya, num rápido agradecimento, e impulsionou seu corpo para cima, transpassando o muro sem dificuldades. Agora sua diversão começaria de verdade.

***

Sete integrantes do Mariposas reuniam-se numa espécie de arena de treinamento. Suas armas estavam em seus coldres, e uma conversa descontraída rolava entre o pequeno grupo. Os robôs de treinamento distribuíam água aqui e ali, parecendo verdadeiros garçons autômatos de um restaurante.

— Estou falando sério — disse um dos integrantes. — Se eu der de cara com aquela novata antes da Vice-Presidente, não vou conseguir me segurar. Nunca fui tão humilhado como naquele dia — rosnou com os punhos cerrados.

Houve murmúrios de encorajamento. Estes, no entanto, foram interrompidos.

— Ben, estão procurando você no portão — avisou um integrante corpulento carregando um machado nas costas.

Kass observou Ben, vítima de sua joelhada dolorosa, seguir seu colega sem hesitar. Ela escondia-se atrás do armário de armas, analisando o ambiente para determinar uma abordagem. Poderia eliminar os seis integrantes rapidamente e, se não alertasse os demais, seguir até o portão principal e liberar a ponte. Não havia patrulhas: as torres estavam desocupadas, e a maior parte dos Mariposas parecia estar em suas tendas. Era um bom momento para agir.

Ela levou desembainhou lentamente a espada e saiu de seu esconderijo. Ela avançou na integrante mais próxima, chutando a parte de trás de seus joelhos e, consequentemente, derrubando-a. Os outros cinco viraram na direção ao ouvir o grito abafado de sua parceira. Eles perceberam imediatamente a presença de Kass, soltaram palavrões e partiram para cima dela.

Era uma dança mortal. Enquanto os Mariposas avançavam vorazmente com suas diferentes armas, Kass desviava e causava ferimentos profundos e mortais. Eles caíam ao seu redor, e seus corpos explodiam em milhares de partículas azuis, indicando que estavam eliminados da simulação. Quando sua espada atravessou o peito de sua última vitima, Kass sorriu sombriamente e não desviou o olhar enquanto a vida esvaía-se do corpo da garota.

Parecia que tinha voltado no seu tempo. Sentia-se mais uma vez Julgadora. Matar, outrora, era um prazer indescritível, não uma necessidade.

Estava pronta para seguir rumo ao portão quando ouviu alguém bater palma lentamente. Ela bufou. Virou-se na direção do som e encontrou Ben encostado no armário de armas.

— Teve sorte em nosso primeiro encontro, novata, mas garanto que agora será diferente. — Ele puxou sua espada de lâmina curva da bainha.

Então ele é um Yoskori, pensou Kass com desdém.

A Capital Emblemática Yoskor era a única construída no meio de um deserto feito inteiramente de sal e com suas temperaturas chegando a quase 60Cº durante todo o ano. A metade de sua população trabalhava nas minas de sal, enquanto a outra se preocupava em qual Facção Liberal entraria. Apesar dos Criadores aparecerem vez ou outra na Capital Emblemática Yoskor, alguns Yoskores possuíam sua própria religião e disputavam soberania da crença por meio das Guerras Faccionais. O tipo de espada que Bem carregava era usada pela Facção Criadora.

Kass deu de ombros.

— Com certeza. Dessa vez verei você desaparecer como seus amigos, Döntuer — zombou usando um xingamento detestado pelo povo do aluno à frente.

Ben rosnou e partiu para cima de Kass sem pensar duas vezes. Ele era rápido, tinha um corpo esguio e algumas tatuagens no pescoço que indicavam que era um guerreiro habilidoso em sua facção. Ela sabia a história daquele povo mais do que gostaria. A maior parte de suas missões a levava para aquele fim de mundo em Linearth por ter inúmeras almas clamando para que fossem recolhidas. A desigualdade em Yoskor era gritante, mas todos pareciam fechar os olhos para esta situação, deixando que todas as pessoas tirassem suas próprias vidas diante das condições terríveis de sobrevivência.

Kass deu alguns passos para trás e desviou da lâmina inimiga. Precisava ser rápida para abrir o portão sem alertar o acampamento inteiro. Ela apertou mais forte o cabo da espada e, então, a ergueu para bloquear o ataque.

Com a força do bloqueio, Ben cambaleou e não deixou de encarar Kass com raiva crescente. Recuperado, ele avançou novamente, mas dessa vez cometeu o erro de deixar a guarda aberta, e isso lhe custou a vitória.

A espada perfurou a carne como se fosse manteiga, atravessando o peito sem resistência. Ben soltou a espada na tentativa de retirar a lâmina do peito, cortando suas mãos.

— Eu adoraria ensinar você e seus amigos como lutar de verdade, mas estou com pressa — disse Kass, fincando a espada ainda mais. — Vocês estariam mortos numa batalha de verdade. Preocupante, não é? Como vão servir aos deuses se não conseguem cuidar das próprias vidas?

— Sua... — Ele não conseguiu completar a frase.

Kass retirou a espada do peito de Ben num só puxão e a apoiou no ombro direito. Ela o observou cair de joelhos na sua frente antes de explodir como os outros.

— Esse brilho todo estraga o momento — murmurou com desdém.

— Deuses! — arfou alguém um pouco atrás de Kass. — A novata está aqui!

Kass rosnou e se pôs a correr em direção ao portão sem olhar para trás.

Os Mariposas saíram de suas tendas com olhares confusos e sem suas armaduras ou armas, como se estivessem acabado de acordar. Pareciam despreocupados com uma possível invasão. Quando viram Kass correndo com meia dúzia de Mariposas atrás, contudo, seus olhares se tornaram preocupados. Ao perceberem a situação, a correria fora geral para se prepararem.

Kass estava chegando ao portão preso por grossas correntes. Ela avistou Sophie, o rosto contraído, saindo abruptamente da maior tenda do lugar. Kass não parou, sabendo que ainda tinha uma missão a cumprir.

Ela desviou de um ou dois Mariposas e segurou a espada com as duas mãos. Usou toda sua força para golpear as correntes. O golpe destruiu-as e o mecanismo inteiro. Ela sentiu-se vitoriosa e se abaixou por reflexo quando uma flecha se fincou perto de seus pés. Voltou-se para dois arqueiros posicionados na torre de vigia do lado esquerdo e, sem demora, pôs-se a correr.

Os gritos de ordens vindos de Sophie ecoavam por todo o lugar enquanto Kass escapava pelo portão. Kass não o esperou o portão se abaixar por completo e saltou para o outro lado. Um silêncio repentino tomou conta de todos enquanto a observavam atravessar a ravina. Quando pousou em segurança no campo, usando um rolamento para amortecer o salto, os gritos retornaram ainda mais altos.

Ela olhou por cima do ombro. A alguns metros de onde estava, os primeiros Mariposas atravessavam a ponte já abaixada. À frente da formação, vinha Sophie arrastando o restante de seus súditos.

Kass parou no local da emboscada. Ela fincou a espada no chão, e Sophie ergueu a mão comandando seu exército a parar.

— Foi muita presunção sua achar que poderia invadir nosso acampamento e sair ilesa — disse, caminhando lentamente na direção de Kass. — Acabou de trazer a vitória para nós, novata. Sem você, aqueles patéticos não terão chance de ganhar.

— Tem certeza? — Kass se apoiou no cabo da espada. — Eu acho que vocês trouxeram a vitória para nós.

Sophie franziu as sobrancelhas até o primeiro aluno-soldado de Amanda erguer-se em meio à vegetação.

— Merda — praguejou ela.

Um círculo aos poucos cercou tanto ela quantos seus súditos.

Um burburinho tomou conta dos Mariposas. Os arqueiros de Amanda estavam preparados num ponto estratégico para fornecer uma cobertura eficaz enquanto os alunos-soldados da linha de frente apontavam seus escudos e lanças na direção dos inimigos

— Desafio. Eu recorro ao Desafio. — Sophie virou-se na direção de Amanda. — Não tem escolha, Líder Esportiva.

Amanda sorriu de volta e inclinou a cabeça para o lado.

— Como queira — respondeu. Ela caminhou para dentro do círculo formado por seus soldados.

Kass guardou sua espada no coldre e saiu do círculo lentamente. Trocou olhares discretamente com a Líder Esportiva e parou ao lado de Sarah, que tinha uma expressão preocupada.

— Vai ficar tudo bem — prometeu.

Os alunos-soldados de Amanda escoltaram os Mariposas para fora do círculo. Eles ficaram sob a vigilância dos arqueiros, que estavam preparados para agir caso algo desse errado. Sophie ainda não sabia que o colar não estava com a Líder Esportiva, significando que, mesmo se ganhasse a luta, a batalha poderia acontecer.

Sophie desembainhou sua katana, e Amanda retirou seu chakram do cinto. A tensão da luta era quase palpável. Os alunos dos dois exércitos encaravam as suas respectivas líderes atentamente e nem sequer piscavam.

Usando sua vantagem de ter uma arma de arremesso, Amanda iniciou o confronto lançando seu chakram na direção da cabeça de Sophie. A Vice-Presidente defendeu sem dificuldades, porém não percebeu o avanço rápido de Amanda e não conseguiu bloquear o chute certeiro em seu rosto. Sophie cambaleou para trás. Ela tocou o lábio, e seus dedos se pintaram com sangue.

Kass via as possibilidades de Amanda naquela luta; mas, num piscar de olhos, tudo mudou.

Sophie, numa velocidade quase inumana, avançou em direção da Líder Esportiva com a katana na frente para fornecer uma proteção eficiente. Encurralada, Amanda flexionou as pernas e, quando Sophie estava perto, saltou alto suficiente para pular sobre sua adversária. Kass, observando de longe, percebeu o sorriso nos lábios da Vice-Presidente e soube que fora um erro.

Amanda estava quase escapando da dura investida quando seu pé direito fora agarrado com força por Sophie, fazendo-a cair dolorosamente de frente. Sophie erguia sua katana, pronta para acabar com a luta, mas Amanda rolou rapidamente para o lado e ficou de pé num salto.

— Não sei o motivo de você continuar tentando, Líder Esportiva — zombou Sophie caminhando lentamente ao redor de Amanda. — Nunca vai conseguir me vencer.

— Precisa me derrotar antes de declarar vitória — rosnou Amanda partindo para cima novamente.

Sophie bufou.

Kass dava mais atenção para a luta agora. As habilidades da Vice-Presidente estavam bem além dos alunos ao redor e, inclusive, de Amanda. Inicialmente a professora havia dito que para se ganhar a batalha deveria haver uma luta justa, mas aquilo estava longe de ser justo.

Então, com um grito cortante de dor, Amanda desabou no chão ao errar seu golpe. Ela tentou se afastar, mas Sophie foi mais rápida e pisou em sua perna com força, quebrando o osso. A Vice-Presidente possuía um brilho diferente nos olhos, como estivesse gostando. Amanda lançou seu chakram com suas últimas forças, porém ele nem chegou perto de acerta Sophie; apenas voou para longe.

— Derrotada. Como sempre. — Sophie ergueu sua katana e investiu contra o peito de Amanda, mas o som que ouvira não fora da carne sendo perfurada e, sim, de metal contra metal. Sophie ergueu o olhar e arregalou os olhos. — Você... Está infringindo a regra da aula! Não pode interromper uma luta contra os portadores do colar! — esbravejou olhando para todos os lados como se buscasse apoio de seus companheiros.

Kass encarava Sophie desafiadoramente.

— Acontece que... — explicava enquanto revelava o colar escondido em seu pescoço. — ...ele está bem aqui.

Notas finais
É isso! Espero que me desculpem pela demora, mas final de semestre é muito corrido para mim ^-^' Comentem o que acharam e até a próxima!