Notre Musique

2 Deuxième partie


Notas iniciais
Bonjour!!! Era para ser uma oneshot mas virou uma two, fazer o que ^-^ Espero que gostem dessa conclusão! Bisous, Eve

BRANCO! Era branco! Seu vestido era B-R-A-N-C-O!

Marinette não conseguia pensar em outra coisa. Não estava de vermelho... Por que Luka diria uma coisa daquelas...?

A resposta era óbvia. Mesmo assim, ela não queria acreditar. Como ele teria descoberto? Ele pareceu comprar sua desculpa na noite passada, o que o poderia tê-lo feito mudar de ideia?

Era mais uma noite que Marinette estava passando em branco. Esteve só presente de corpo na aula naquela manhã, sequer notou os olhares que ainda insistiam de cair sobre ela... Nem mesmo o do loirinho que virava de costas repetitivamente só para observar a amiga perdida em seus devaneios.

O plano da garota consistia-se em descansar para o dia seguinte, para se encontrar com Luka e confrontá-lo. Todavia, novamente estava Marinette lá, praticamente rolando entre as cobertas e apertando-as de raiva. A kwami observava já soltando um suspiro, sabendo o que viria a seguir.

— Tikki, transformar!

Fora mais rápido do que da outra vez. Ladybug atravessou Paris como um raio, tão preocupada com o que poderia acontecer que sequer percebeu a mansão Agreste quando passou por ela. Logo estava no navio, percorrendo exatamente o mesmo caminho que traçou na noite anterior rumo ao quarto do azulado metido a guitarrista.

Respirou fundo antes de abrir a escotilha. Entrou num pulo e, sinceramente, ela não estava surpresa.

Luka estava bem ali, com os mesmos pijamas de antes, sentado encostado na cabeceira da cama com a guitarra nos braços. Não a tocava, ele somente tinha os dedos encostados de leve na corda. Viu-o levantar o olhar em sua direção, exibindo seu tão calmo e habitual sorriso.

— Oi, Ladybug. O que faz aqui?

Claro que ele a esperava. A garota praticamente bufou em pensamento.

Não se aproximou dele. Naquela distância, encarava os olhos azuis dele com a maior concentração possível.

— Como...? – A voz saíra firme da boca da heroína. Sua determinação não condizia com seus reais sentimentos, mas fora o bastante para fazer Luka entendê-la.

Como se fosse simples, o azulado exibiu um sorriso no canto dos lábios acompanhado de um olhar de igual determinação.

— Os seus olhos...

Ela não compreendia, mas logo se faria entender.

*****

24 horas atrás...

Luka deu tapinhas ao seu lado da cama, indicando para a heroína se sentar. Estava feliz com tudo que ouviu. Embora soubesse da queda – ou tombo, como Juleika dizia – que Marinette tinha por Andrien, estava contidamente alegre com a possibilidade de estar chamando a atenção da garota. Ele pegou sua guitarra no chão, logo se preparando para começar a tocar.

— Não vai acabar acordando a sua família? – Ladybug perguntou.

— Vou tocar baixinho, e mais, minha mãe e minha irmã só um terremoto para acordarem, então... – Ouviu-a rir com o comentário, sorrindo com isso – Pronta?

Ela assentiu e, sem mais, iniciou a música. Tinha sua atenção inicial toda voltada para as cordas. Quando se acostumou com a melodia, levantou seu olhar para a heroína. Ela tinha seus olhos levemente fechados, com o rosto levantado aproveitando a música. Parecia tão serena, um ar que lhe era acolhedor e familiar. Quando ela abriu os olhos e eles se encontraram com os de Luka, ele não teve outra reação. Nunca havia os observado de perto. Estava confuso... Eram orbes tão azuis... Tão reais que era impossível parar de encará-los. Um brilho único. Não era possível... Também estava se apaixonando por Ladybug...?

Quando terminou, ruborizou de leve ao perceber que estava encarando a heroína por muito tempo.

— É muito linda, Luka! – Disse ela, despertando-o de vez.

Por que sua voz soava tão diferente agora...?

— Obrigado... – Respondeu ele o mais rápido que pôde. Tinha que pensar logo, havia algo estranho ali e precisava descobrir. Aquele brilho só tinha visto numa pessoa antes... Sentia que precisava tirar suas dúvidas como se sua vida dependesse disso — Ela é suave, boa para dançar, esperava convidar a Marinette para dança-la comigo...

— Então o faça, acho que ela iria gostar.

Ouviu-a responder. Era sua deixa.

— E você, aceitaria?

Ela parecia atônita, é claro. Tinha sido tão repentino... Exibiu o sorriso mais casual possível enquanto tentava pensar em alguma coisa.

— Desculpa por ter sido akumatizado e ter trazido tantos problemas, também obrigado por ter salvado Paris de... Mim. Eu poderia ter machucado a Marinette e jamais me perdoaria se isso acontecesse, então, deixe-me agradecer... – Disse o azulado. Muita parte disso era verdade, mas a verdadeira intenção era trazer Ladybug para mais perto dele.

— Não precisa se desculpar... – Disse ela com o mais belo dos sorrisos, pondo uma mão no ombro do garoto – Pessoas boas são akumatizadas num lampejo de má sorte, você não tem culpa. E mais, salvar Paris é meu dever, também não precisa agradecer.

Já sabia que Ladybug era corajosa, inteligente e bondosa, mas não sabia que ela tinha um sorriso daqueles. Tão contagiante quanto o da sua heroína particular.

— Nesse caso, permita-me agradecê-la por ter salvado a mim? – Ele não desistiria. Levantou esticando a mão para ela que, depois de alguns segundos, aceitou-a e levou a garota para o meio do quarto. Quando pôs a música para tocar, sabia que já não havia mais volta.

Tomou Ladybug delicadamente em seus braços, iniciando de leve aquela dança. No seu lampejo de curiosidade, fingiu que a deixaria cair, retomando-a logo ouvindo as risadas que ela soltava. Céus... Lembrou-se das risadas com as quais uma certa garota o envolveu durante um ensaio da banda quando fez cócegas nela. Suspirou apaixonado com aquilo. Acelerando o ritmo de seus passos, eles tornaram aquela música calma numa sinfonia divertida. Luka puxou-a para mais perto, permitindo-se sentir seu aroma.

Baunilha.

Observando-a leve naquela troca de olhares, era como se fosse uma mágica fazendo-se presente por aquela cabine. Ou melhor, desfazendo-se. Quando a girou notou as sardas bem discretas que passavam pela mascara e, tomando-a no último ato, no último soar daquela melodia, lá estava.

Lá estava ela.

Tudo já lhe era familiar. Não era mais só Ladybug. Podia enxerga-la por debaixo da máscara... Admirar seus olhos, sentir seu perfume, entender sua melodiosa voz chamando a atenção... Conseguia ver todas as pequenas coisas que amava nela.

Soltou a heroína exibindo um sorriso extremamente largo.

Mal tinha consciência do que disse depois daquilo, tampouco importava. Observando-a sair pela noite de Paris, sorriu novamente. Dessa vez calmo, sereno pensando que, enfim, tinha sua resposta.

É você...

******

— C-Como assim? – Ela ainda tentava entender.

Luka levantou, traçando seu caminho até Ladybug encarando-a de um modo que ela jamais esqueceria.

— Os seus olhos... São únicos.

Já estava sem palavras. Era impossível. A mágica do Miraculous era suposta de não deixar ninguém reconhecê-la... Tentava argumentar consigo mesma, mas já não lhe vinham mais respostas.

— Você é bondosa, como ela. Inteligente, como ela. Corajosa, como ela. O brilho dela é único... Jamais poderia encontra-lo em outra pessoa...

Ele estava próximo demais. O olhar ainda carregava a mesma ternura e determinação, a jovem heroína de Paris já não tinha mais o que fazer, fechou os olhos.

— Tikki, transformar...

Luka não notou a aparição da Kwami, que foi logo se esconder. Sua atenção estava para a garota que tanto ansiava para ver desde que se apaixonou. Quando enfim Marinette teve coragem de encará-lo novamente, lá estava ele. Aquele bendito largo sorriso, o mesmo da noite anterior quando terminaram sua dança particular.

Ninguém disse nada. Luka ainda tinha ternura nos seus olhos e, a garota mal percebendo, ele tomou o queixo dela levemente com mão. Com aquela troca de olhares eles diziam que sim, que era certo, que deviam continuar. Assim, ele enfim tomou os lábios de Marinette Dupai-Cheng para ele.

Céus... Como ela não havia notado antes?

Somente Luka fora capaz de dizer coisas belíssimas para ela todos os dias que se encontraram. Somente ele, na duração de uma simples canção, conseguiu desvendar seus segredos e reconhece-la em meio à multidão... E somente ele a tomara em seus braços de uma forma a qual jamais esqueceria.

Foi um beijo delicado, repleto de sentimentos numa dança sutil e calorosa entre os lábios daqueles dois. Quando se separaram, riram baixinho. Podia não ser a resposta para todas as perguntas, mas era certamente um início.

— Eu disse que ficava bem de vermelho... – Luka sussurrou no ouvido dela, arrancando-lhe um leve calafrio. A garota não foi capaz de entendê-lo até olhar para baixo. Céus! Estava com um baby-doll vermelho, a roupa que fora dormir antes de surtar e sair por Paris. Num instante, sentiu dos pés à cabeça sua pele atingir todos os tons possíveis de escarlate – Também fica muito linda corada assim...

Marinette deixou-se rir, batendo de leve no peito do garoto.

— Bobo... – Disse em resposta enquanto, dessa vez, ela o puxava para mais um beijo.

E foram assim pelo resto da noite. Sorriam feito idiotas entre um beijo e outro, por vezes aprofundando-os e trocando selinhos.

A heroína já não se importava com ter que correr para casa no nascer do sol para não notarem seu sumiço... Tudo que importava era aquele momento, algumas coisas podiam facilmente esperar.

Marinette e Luka não sabiam naquela noite, mas começavam a descobrir: o destino era diferente do que as pessoas diziam. Não era uma redação com um tópico fixo e regras a serem seguidas, nem uma peça de teatro na qual os heróis ficam juntos no final. Ele era como uma partitura. Como uma canção que começava lenta, seguia para um ritmo mais acelerado podendo mudar por completo no vislumbre do solista, e tudo recomeçaria com o refrão.

Ali, eles criavam sua própria música que, como o garoto metido a guitarrista já havia previsto, teria as mais claras das notas e a mais sincera das melodias... E ela, sim, tocaria em suas cabeças pelo resto das suas vidas...

***** BÔNUS JULEIKA *****

Era madrugada quando Juleika havia levantado para tomar um copo d´água. Não era um hábito e ter acordado em meio a um sono profundo meio que não a deixava com bom humor. Na cozinha, ouviu um som estranho vindo do quarto de Luka... Pareciam... risadas? Ela não fazia ideia de que raios poderia estar acontecendo. Foi até a porta da cabine e, pela fresta, pôde observá-los lá dentro.

Naquela hora, Juleika deu graças aos céus por ser uma garota contida. A vontade era de rir até cair ao chão. Luka e Marinette estavam juntos do outro lado do cômodo. Era um misto de felicidade, surpresa e humor na garota. Em instantes se afastou da porta. Honestamente, não tinha lá muita vontade de ficar para ver o que poderia acontecer...

Seu mal humor tinha sumido por completo enquanto praticamente saltitava de volta para o seu quarto, com um sorriso quase maquiavélico pensando o quanto poderia se divertir com o irmão e a amiga e chantageá-los por algumas décadas.

Com mil e um planos na cabeça, Juleika foi dormir feito um anjo mal podendo esperar pelo dia seguinte.

Notas finais
Merci por lerem essa fic! Espero que tenham gostado ^-^ Bisous, Eve
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!