Nothingness
2 Story 2
Ele não acreditava em Deus, televisão ou na eficiência de calmantes. Muito menos em criaturas mágicas ou sonhos que poderiam ser lidos e deles retirado um significado tosco sobre algo que pode vir a acontecer. E diferente das outras, essa foi literalmente a única característica que era passada de geração em geração em sua família.
Com um triimtriimtriim irritante e o número sete seguido por dois zeros piscando do lado de sua cama, Byou abriu os olhos para contemplar um novo dia. Depois da pasta de dente, uniforme, comida e fixador de cabelos, finalmente saia de casa e entrava em modo stand by enquanto um, dois, três e infinitos tons de cinza e de casas viraram um borrão por entre as quadras. Chegando ao destino, estranhamente o descrente-Byou sorria.
O mais interessante era que, não obstante à sua personalidade cética, ele acreditava no destino.
E ainda sorriu mais ao estacionar sua bicicleta mesmo com o dindongdindong ensurdecedor e irritante e ver um menino moreno exageradamente pálido e magro atravessando a multidão e sendo tão, mas tão invisível que era até incrível perceber que as pessoas ao menos se lembravam de desviar do menino-exageradamente-pálido que Byou adorava.
Manabu, como o menino-fantasma se chamava, não era a pessoa mais bonita ou mais interessante da face da terra. Era introvertido e melancólico e incrivelmente sem noção de localização, e foi exatamente por essa última característica que Byou acabou o conhecendo. E era ela que estava fazendo o garoto moreno errar de sala agora novamente.
- Hey, essa é a sala da turma B. A sua é aquela ali.
- Ah, eu tinha me perdido um pouco... Obrigado por me avisar... De novo, Masahito-san.
- Sem problemas.
Byou suspirou e mesmo a par do jeito do garoto moreno, não conseguia evitar gostar do mesmo. Talvez se ele realmente tentasse ele conseguiria esquecer o menino-fantasma e ter algo talvez com aquele tal de Jin-puxa-saco, entretanto se tinha algo que ele realmente queria tentar, com certeza não era isso e sim puxar o pulso do menor e simplesmente mostrar algo que não fosse a indiferença. E foi no impulso desse pensamento que notou que sua mão estava apertando algo frio e ossudo e pertencente a Manabu.
Manabu, pego de surpresa pelo aperto que o impedia de andar, olhou e observou e questionou a mão estranha em seu pulso. Byou olhou e observou e não questionou o olhar do menor por trás daqueles óculos de armação grossa. Apenas sorriu de lado.
- Hey, garoto-perdido, me chame de Byou.
E o braço foi solto com um aceno de cabeça, um sorriso tímido e um “ok, Byou” pairando no ar.
Byou acreditava veemente no destino. Porque por mais que as pessoas ou senso comum acreditassem que ele era manipulado por uma força maior e onipresente e blábláblá, era o próprio Byou que controlava seu próprio destino e mais ninguém.
Bem, por enquanto.
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