Nothing Personal
1 Capítulo Único
Notas iniciais
#BoaLeitura! :)
* Nashville – TN, 9 de junho de 2014
Havia dirigido quilômetros a fio. Os longos cabelos castanhos deram lugar a algumas mechas douradas que clareavam ainda mais o seu rosto impecável. À sua frente, uma estrada que às vezes não parecia levar a lugar nenhum. O milharal a acompanhava por milhas e milhas e era praticamente o seu único álibi. Ele ia pagar por tudo que fizera. Ah, ele ia.
Descia do carro imponente. Ela não estava para brincadeiras. “Vamos falar de negócios.” Ela ensaiava, dando uma última conferida na sua roupa. “Ah, os óculos.” Ela lembrava-se. “Preciso dos óculos.” Aproximou-se do retrovisor. “Perfeito.” Deixou uma mecha na frente dos olhos e deu o seu melhor sorriso. “Vamos ver como se sente ao perder o seu pequeno troféu, Ward.” Ela dirigia-se à casa que parecia ter sido abandonada há anos e avistou o seu alvo.
Lá estava ele: Os cabelos negros estavam molhados, assim como seu rosto ligeiramente pálido. Seus olhos eram profundos, verdes, penetrantes até. Uma postura largada, uma mão tocando os caibros da casa de fazenda. Não teria mais do que trinta e três anos, e na verdade, parecia bem mais novo do que isso. Vestia apenas uma bermuda jeans, deixando à vista o seu corpo definido: 1,80 de vingança nos lombos. Logo que avistou o carro, Jake deu alguns passos em direção àquela visão de beleza esculpida numa pele macia e bronzeada. Skye caminhava lentamente na direção dele, encarando-o maliciosamente.
- Com licença – ela tocou o ombro dele, pressionando-o contra a fachada da casa. – Onde eu posso encontrar o senhor Jacob Ward? – ela disse, fingindo desconhecimento.
- Acabou de encontra-lo, princesa. – ele respondeu, aproveitando a pouca distância entre eles para acariciar o cabelo da garota. – Há algo que eu possa fazer por você? – ele disse, aproximando sua boca do ouvido dela. – Por favor, diga que sim. – ele sussurrou.
- Já que você tocou no assunto – Skye afastou-se alguns centímetros e encarou o garoto, revezando entre os olhos e a boca de Jake. – Vamos falar de negócios.
(...)
* San Diego – CA, 19 de Junho de 2015
Ele estava na pior prisão que poderia estar. Em todos os sentidos da palavra: Numa cela minúscula, sem água há dois dias, sem comida há quatro, sem S.H.I.E.L.D, sem HIDRA. Sem Skye. Ele poderia simplesmente pedir para morrer, mas estava implorando ao Coveiro (que era o apelido que os presos haviam dado para o cuidador de celas) que lhe desse água por mais um dia. Estava sujo, machucado e com os dedos sangrando. A falta de cuidados médicos fez com que o pé esquerdo inflamasse. E aquilo doía pra burro.
- Maldito! – Era o que ele repetia todos os dias ao acordar. – Maldito Garrett!
- Cala a boca, otário! – Os outros presos gritavam, cuspindo em sua direção. – Já entendemos que você é um garoto indefeso que foi enganado por um monstro malvado. – eles zombavam de Ward. – Qual é! Ninguém veio parar aqui por ser bonzinho! Aceite os fatos, camarada! E acostume-se com o cheiro, eu já estou aqui há trinta anos e ninguém nunca falou em me tirar daqui.
- Maldito! – Ward gritou mais alto, batendo a caneca que já estava ressecada pela falta d’água.
- Idiota – um dos prisioneiros murmurava para outro – Assim ele vai se matar em menos de uma semana.
Ward se jogou no chão mais uma vez. Lembrou-se de seu passado. Lembrou-se do ultimo natal, lembrou-se de May, Coulson, Fitz-Simmons. Lembrou-se dela. Deu um murro no próprio rosto.
- Estúpido. – ele sussurrou dessa vez. – Como fui estúpido!
- Ward – a voz do Coveiro o chamou e ele virou-se desesperadamente sedento.
- Minha água – ele implorou. – Cadê a minha água?
- E eu lá vim te trazer água, idiota! – ele o olhou com desprezo e Ward deu as costas para ele.
- Você tem visita lá fora.
“Visita?” Pensou. “Quem quer dar uma surra em mim, dessa vez?” Porém, ao contrário do que ele previu, não era um acerto de contas. Não era a May com facão e nem a Hill com uma metralhadora. Era Skye. Já fazia um ano que não a via. Perfeitamente linda como se quisesse fazê-lo arrancar os próprios cabelos de remorso. O vestido branco um pouco acima do joelho parecia ter vindo de uma loja de bonecas e havia uma flor também branca no seu cabelo, depositada atrás da orelha. Ela estava com os pés livres em uma sandália branca e fina e seu cabelo estava reluzindo a luz que havia nela. Sim, aquilo era um acerto de contas. Nunca que ele seria merecedor daquela mulher.
- Skye – ele falou seu nome, amava pronunciar aquele nome. – Eu achei que nunca mais fosse te ver.
- Eu também, Grant. – ela disse escondendo todo o hate-fu que havia dentro dela.
Ele deu dois passos na direção dela e ela recuou dois passos. Ele a olhou, surpreso e nem tanto. Mas se ela não queria vê-lo, por que estava ali, afinal?
- O que você faz aqui? – ele perguntou, atordoado.
- Consegui um acordo pra você, Ward. Você não vai morrer nesse buraco nojento.
- Você – ele pareceu ter se esquecido da sede por um momento. – Você o quê?!
- Eu consegui, Ward. Você não precisa ficar aqui.
Os olhos dele encheram-se com um brilho diferente. Primeiro, Skye aparecia ali, mais linda do que nunca, doce e perfeita bem na frente dele. Depois, ela o havia salvo daquele inferno. Era de longe o dia mais feliz desde que ele saiu escoltado pela própria May de dentro da Cybertek. Talvez o dia mais feliz para ele até então.
- Quer dizer que eu...
- Sim, você vai ser relocado para outro lugar – ela começava a sorrir, mas não era o sorriso que ele estava acostumado a ver. – Um lugar maior, mais aberto, mais afastado de toda essa loucura de HIDRA e S.H.I.E.L.D, um lugar mais familiar...
Ward foi perdendo o sorriso aos poucos.
- Pra onde vão me levar, Skye? – ele deu um passo para trás.
- Para a minha casa, Grant. – uma voz masculina surgiu atrás de Skye.
Jake surgiu, lentamente. Estava usando uma roupa social. Arrumado e bem alimentado. E ao lado dela.
Ele aproximou-se de Skye e afastou o cabelo dela para beijar seu pescoço. A garota permaneceu imóvel, agora com um sorriso de deboche para o prisioneiro.
- O que esse desgraçado está fazendo aqui? – ele teria voado no pescoço de Jake se não estivesse tão fraco.
- Calma aí, maninho – Jacob levantou as mãos, defendendo-se – Isso é modos de receber o seu irmão?
- Você não é meu irmão, você é um...
- Monstro? – Jake interrompeu, aproximando-se de Ward.
- Sim. Você é um monstro! Você...
- Nós éramos crianças, Grant! Eu era um garoto estúpido, eu sei. Mas eu cresci. Me tornei um homem! Não segui os passos de mamãe e papai! Eles me obrigavam a fazer o que fiz com você, Sammy e o Tay! – Jake estava alterado. – Tudo que eu queria era ser uma criança normal e brincar com meus irmão, Ward! Mas fui obrigado a ser um adulto depois que o Taylor nasceu! Vocês tinham medo de mim, assim como eu tinha medo deles.
Ward estava sem palavras e com os olhos lacrimejando, encarando os dois à sua frente.
- Não foi só você que apanhou injustamente, Ward. – ele levantou a camisa e mostrou as diversas marcas de queimaduras e cortes. – Eles me batiam e me ameaçavam se eu começasse a chorar. Eu estava tão preso quanto você, Ward. Mas nós dois temos uma diferença – ele deu uma pausa, olhando fixamente nos olhos do irmão. – Eu nunca me esqueci de quem eu era de verdade. Eu nunca me deixei anular por um desconhecido que me ofereceu uma chance melhor quando estava na cara que era roubada. Eu não fui burro!
Ward não demonstrou reação. Apenas engoliu os fatos e fazia todo o sentido do mundo. Nunca na vida havia pensado em perdoar Jake. Até aquele momento.
- Viu, Ward? – Skye agora tomava a frente, abaixando-se para falar com ele. – Nem todo mundo precisa seguir as ordens de um psicopata para ser alguém. Eu achei que Jake fosse um monstro como você, ou pior... Mas ele me provou o contrário.
Jake aproximou-se dela e segurou sua mão, dando um beijo no ombro de Skye antes de abraça-la por trás.
- E vocês dois estão...
- Juntos? – ela fez uma cara engraçada. – Faz quanto tempo, Jake? – ela olhou para o mais velho, questionando-o.
- Seis meses.
- Isso, seis meses – ela sorriu, sem dó e nem piedade. – No começo, era por vingança, Ward. Mas Jake e eu passamos por mal bocados juntos. Ele me provou ser um homem melhor que você. Mais sincero, mais adulto. Sem contar que Coulson e os outros passaram a amá-lo. Ele tem o seu trabalho e eu tenho o meu. Ele ajudou Fitz a se recuperar e, obrigada por perguntar, ele está bem. Acordou depois de quatro meses em coma, graças a sua ideia de jogá-los no fundo do mar.
- Eu fiz aquilo para salvá-los!
- Eu sei, Ward. Eu não duvido disso. Mas este não é o ponto. Você não foi homem o suficiente para olhar na cara inchada do Garrett e dizer: “Não, senhor. Não posso machucar meus amigos.” Isso sim teria sido honroso. Em vez disso você foi um covarde. Como sempre foi.
Ela deu as costas e puxou Jake pela mão.
- Desculpe, brother. Mas você pediu por isso. – ele deu as costas.
- Espera, espera! – Ward ficou de pé novamente. – E toda aquela história de que eu ia sair daqui...
- Ah, eu não mencionei isso? – ela andou em direção à Grant novamente. – Era apenas uma encenaçãozinha – ela sorriu – Era a “deixa” para o Jacob entrar, nós dois combinamos antes de chegar aqui.
Ward desistira de achar palavras para aquilo.
- Ah, e só mais uma coisinha.
Ela aproveitou que ele havia se levantando e deu um chute entre as pernas dele. Ward caiu no chão novamente e alguns presos gargalharam.
- Pronto – ela soltou um suspiro – Não acredito que esperei um ano pra isso!
- Boa garota! Ele mereceu! – gritava o prisioneiro da direita.
- Skye – Ward pronunciou no chão, gemendo de dor.
- Até nunca mais, “BastardWard” ela gritou, acenando na cela e saindo de mãos dadas com Jacob. – Não foi nada pessoal.
Os dois sumiram pelos corredores, deixando um Grant Ward desolado para trás. Ele nunca mais esqueceria aquela cena. Nem em cem anos.
- Maldito... – Ward pronunciou, antes que tudo ficasse escuro novamente.
Notas finais
Até a Próxima, Agentes!
#istallconnected #StandWithSHIELD! :)
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