Nothing Like Us

1 Capítulo Único


(N/A): Ouça essa música enquanto lê.

***

Lately I've been thinking

(Ultimamente tenho pensado)

Thinking about what we had

(Pensado sobre o que tivemos)

And I know it was hard, it was all that we knew, yeah

(E eu sei que foi difícil, e isso era tudo o que sabíamos, yeah)


O ar gélido e cortante se intensificava ainda mais no terraço daquele edifício, naquela noite de inverno, que se tornava mais melancólica do que o normal. Dei uma forte tragada no meu cigarro enquanto mantinha meu olhar fixo nas luzes da cidade, dos carros, dos prédios. A fumaça liberada pelo meu nariz se misturou com as baforadas típicas do inverno, mas logo se dissiparam. Comprimi os lábios e senti meus olhos arderem, mas que droga era aquela? Eu não fumava, eu odiava aquela porcaria. Perdi a conta de quantas vezes, em menos de um mês, me encontrei naquele estado.



Have you been drinking


(Você tem bebido)

To take all the pain away?

(Para aliviar toda essa dor?)

I wish that I could give you what you deserve

(Eu queria poder ter te dado o que você merece)


Esmaguei o maço na primeira superfície e me levantei com cuidado para não cair 24 andares até o chão, dirigindo-me para o elevador e chamando um táxi assim que saí daquele arranha-céu. Não demorou muito pras lembranças começarem a voltar, todas em flashes, torturando cada centímetro do meu corpo.


FLASHBACK ON | Um ano atrás



Cause nothing can ever

(Porque nada nunca)

Ever replace you

(Nunca poderá te substituir)

Nothing can make me feel like you do, yeah

(Nada pode me fazer sentir como você faz, yeah)


– Vamos fazer o seguinte... – o garoto de penetrantes olhos verdes olhava sugestivamente para a menina sentada à sua frente. – Se eu ganhar essa partida, você faz panquecas pra mim.

– Panquecas? Não tinha coisa melhor pra pedir não? – ela gargalhava. Ele adorava isso nela.

– Claro, suas panquecas são as melhores! – ele a acompanhou.

– Ok, tudo bem, panquecas. E se eu ganhar, eu vou querer... – a garota coçou o queixo e lhe lançou um olhar pensativo.


– Você não vai ganhar, Juliet. – ressaltou, convencido.

– Não me subestime, Styles. – arqueou as sombracelhas, como sempre fazia quando era desafiada.

– O que vai querer?


– Eu vou querer... Você. – ela o olhou séria. Harry ficou paralisado, estático por alguns segundos, seu coração parecia querer rasgar o seu peito e uma onda de arrepios percorreu seu corpo inteiro. Era inacreditável que apenas uma garota conseguisse causar todas aquelas sensações nele. Juliet começou a rir, tirando-o daquele transe, e pegou um dos controles do videogame. – Brincadeirinha. Vou querer uma massagem, com direito a óleo e tudo mais, pode ser?

– Engraçadinha! – ele riu e se sentou ao lado dela, colocando as mãos no controle restante. – Tô tão feliz!

– Porque? – perguntou, sem tirar os olhos do jogo.

– Porque vou comer panquecas hoje. – respondeu, concentrado em ganhar aquela partida.

– Então, pode tirar seu cavalinho da chuva, porque... – ela deu uma pausa, e o jogo anunciou a vitória. — ...eu ganhei.

– TÁ DE BRINCADEIRA? – Harry levantou do sofá, incrédulo. – Como conseguiu fazer isso tão rápido?

– Porque eu sou melhor do que você, meu querido. Admite logo. – Juliet jogou os cabelos e fingiu estar olhando as unhas.

– Me obrigue. – fez cara feia e cruzou os braços.


You know there's no one

(Você sabe que não há ninguém)

I can relate to

(Com quem eu possa me relacionar)


A garota o olhou e colocou as mãos na cintura. Os dois ficaram se olhando durante minutos, até ele levantar, pegá-la no colo e jogá-la por cima de seu ombro.



– STYLES, ME PÕE NO CHÃO! – ela começou a gritar e a bater as pernas.



– Me obrigue! – ele ria descontroladamente.


I know we won't find a love that's so true

(Eu sei que não encontraremos um amor tão verdadeiro)

Juliet puxou sua camisa pra cima, e mordeu a parte desnuda de suas costas. Harry soltou um gemido de dor e a jogou no sofá, e por reflexo da garota foi puxado junto. O casal começou a rir, e ela envolveu o pescoço de Harry com os braços, que se encontrava em cima dela. Os dois se olharam por um tempo e selaram os lábios calmamente.


– Quer saber...? – ela sussurrou, ofegante, ao pé de seu ouvido, enquanto Harry depositava beijos em seu pescoço, um chupão ou outro. – Esquece a massagem...

As mãos de Harry deslizaram para dentro da camiseta de Juliet, causando pequenos choques na pele da garota, que emaranhava os dedos nos cachos dele, ambos sentindo a sensação que seus toques causavam em seus corpos. Ambos sentindo a presença um do outro. Ambos trocando beijos ávidos, cheios de desejo e como se fosse a primeira vez. Ambos nutrindo uma paixão mútua, um amor que poucos eram capazes de sentir.


FLASHBACK OFF | Atualmente



There's nothing like us

(Não há nada como nós)

There's nothing like you and me

(Não há nada como você e eu)

Together through the storm

(Juntos enfrentando a tempestade)



O táxi parou em frente ao cemitério. Paguei o que devia e saí do transporte, posicionando-me em frente ao grande portão de ferro enferrujado. Encolhi-me dentro do sobretudo e coloquei minhas mãos nos bolsos, tentando despistar o frio que pareceu ter se intensificado. Caminhei pela grama do local, que era iluminado apenas pela luz da lua, até chegar numa lápide em especial.


There's nothing like us

(Não há nada como nós)

There's nothing like you and me

(Não há nada como você e eu)

Together

(Juntos)


Um buquê de rosas amarelas deixadas ali recentemente repousava em cima da sepultura, escrita “Juliet Morris, 1994 – 2013”. Suspirei com as lembranças que vieram à minha mente e tentei controlar a enorme vontade de chorar. Desejei, com todas as minhas forças, que tudo voltasse a ser como era. Mas era tarde demais, nada seria como antes. Eu não podia reparar meus erros, o sentimento de culpa me consumia, eu não suportava lembrar de que tudo aquilo era culpa minha. Caí de joelhos em sua sepultura e quando percebi já estava chorando novamente. As lágrimas caíam com força, sem tempo pra pausa, carregadas de mágoa, tristeza, desgosto, desprezo próprio.


I gave you everything baby

(Eu te dei tudo, amor)

Well, everything I had to give

(Bem, tudo o que eu podia dar)

Girl, why would you push me away?

(Garota, porque você me afastou?)


– Me perdoa, Juliet... – solucei, apoiando meu corpo em sua lápide. – Me perdoa, eu te amo... Eu te amo muito... Me desculpa.



FLASHBACK ON | Um mês atrás.



Juliet se sentou no sofá, impaciente. Tinha ido à casa de Harry fazer uma surpresa, tocou a campainha umas trinta vezes sem ninguém atender, até perceber que a porta estava aberta. Ficou meia hora perambulando de um lado para o outro na sala de estar por não se sentir a vontade em ir bisbilhotar os cômodos da casa para ver se tinha alguém, além de que já havia chamado Harry algumas vezes e ninguém respondeu, provavelmente por não estarem em casa. A preocupação não lhe deixava ir embora, e já era noite.



Lost in confusion

(Perdido em confusão)

Like an illusion

(Como uma ilusão)

You know I'm used to making your day

(Você sabe que eu costumava fazer você ganhar o dia)


Despertada por um ronco vindo de sua barriga, levantou-se do sofá e foi à cozinha pegar algo pra comer. Enquanto analisava a geladeira, o barulho de coisas caindo vindo da dispensa à assustou. Sem pensar duas vezes, andou sorrateiramente até o local e, assim que passou pelo batente da porta, acabou tropeçando numa garrafa que estava no meio do caminho. Xingou o maldito pedaço de vidro mentalmente e assim que levantou a cabeça, Juliet deparou-se com a pior cena que podia imaginar. Jasmine, uma garota que costumava ser sua melhor amiga antes de começar a namorar Harry, estava sentada numa das prateleiras da dispensa com Harry no meio de suas pernas. Juliet ficou parada onde estava, incrédula, em choque, até os dois perceberem que não estavam mais sozinhos e pararem de se agarrar. Espanto e arrependimento. Essa era a expressão de Harry. Satisfação. Essa era a expressão de Jasmine. Ódio. Essa era a expressão de Juliet.


But that is the past now

(Mas isso agora é passado)

We didn't last now

(Nós terminamos agora)

I guess that this is meant to be

(Eu acho que isso é o que deveria ser)



– SAI DAQUÍ SUA PIRANHA! – Juliet gritava, enchendo a morena de tapas e pontapés, quase atirando-a pelos cabelos pra fora dali.

– GAROTA, VOCÊ É MALUCA! AGORA EU SEI PORQUE O HARRY CANSOU DE VOCÊ! – Jasmine disse antes de ter a porta brutalmente fechada na sua cara, e aquilo foi o suficiente pra terminar de quebrar o coração da pequena.

– Juliet, eu posso expli...-

– Como você pode fazer isso comigo, Harry?! – ela chorava, emaranhando seus dedos nos seus cabelos num ato de desespero. – EU TE AMAVA!

– Ela me agarrou! – Harry tentou se explicar.

– E você espera que eu acredite nisso? – deu um sorriso sarcástico. – Você é um babaca. Eu te ODEIO!

– Juliet, por favor... – agora lágrimas também fluíam dos olhos do garoto.

– NUNCA mais olha na minha cara, NUNCA mais me procura, NUNCA mais aparece na minha frente. – soluçou, tentando inutilmente secar seu rosto. – Porque eu ODEIO você, Harry Edward Styles!


Tell me, was it worth it?

(Me diga, valeu a pena?)

We were so perfect

(Nós éramos tão perfeitos)

But baby I just want you to see

(Mas amor, eu só quero que você veja)



Juliet saiu correndo da casa, mergulhada em lágrimas, morrendo de pouco em pouco por dentro. Ela entrou em seu carro com rapidez, ignorando Harry batendo no vidro do lado de fora pedindo para que ela abrisse. Deu partida, e deu ré bruscamente, acelerando logo em seguida. Os pneus fizeram barulho, e ela ainda viu pelo retrovisor o garoto que ela tanto amava parado, no meio da rua, com as mãos no rosto, chutando o vento. Suas lágrimas pareciam agora cair com mais intensidade, era difícil até de respirar, suas mãos estavam trêmulas, e a estrada à sua frente estava embaçada. E, de repente, um impacto a fez saltar pelo vidro do carro, sendo atirada no asfalto sem dó nem piedade. O motorista do caminhão desceu para tentar oferecer ajuda, mas era tarde demais. Juliet estava lá, estirada no chão, sem vida. E, naquela mesma noite, Harry recebeu o pior telefonema de sua vida.


There's nothing like us

(Não há nada como nós)

There's nothing like you and me

(Não há nada como você e eu)

Together through the storm

(Juntos enfrentando a tempestade)


FLASHBACK OFF | Atualmente


Abri a porta do meu apartamento e retirei o sobretudo, jogando-o em qualquer canto. Minhas pernas fraquejavam vez ou outra, e a dor era quase insuportável. Peguei a caixa de cigarros, mas todos os maços tinham acabado, assim como as bebidas no armário. Minha cabeça parecia querer explodir, eu estava perdendo o controle, perdendo meu juízo, perdendo a razão, perdendo as últimas coisas que me restavam. Movi-me até o banheiro derrubando tudo o que eu vi pela frente, chutei a porta, puxei a cortina da banheira, derrubei tudo o que estava em cima da pia, e me apoiei no mármore da mesma, ofegante.



There's nothing like us

(Não há nada como nós)

There's nothing like you and me

(Não há nada como você e eu)

Together

(Juntos)

O meu reflexo no espelho era quase torturante de se ver. Eu não me via. Eu via um monstro. Agora eu sei como é se olhar no espelho e odiar o que vê. Juliet tinha ido, e minha vida, amor próprio, minha felicidade, tudo foi com ela. Só me restaram as lembranças, que doíam como facas rasgando cada milímetro de mim. Ergui meu braço e levei meu punho até o espelho, quebrando-o em pequenos pedaços. O sangue escorrendo pelos meus dedos era quase um alívio, e eu não suportava mais. Eu não era forte sem ela por perto. Eu queria vê-la novamente, eu precisava. E eu ia vê-la novamente.


There's nothing like us

(Não há nada como nós)

There's nothing like you and me

(Não há nada como você e eu)

Together through the storm

(Juntos enfrentando a tempestade)

Abri o armário, peguei um pote de analgésicos, e engoli todos de uma vez. Era isso que eu queria, e eu não tinha mais dúvidas. Voltei até a sala, peguei a foto de Juliet em cima da mesinha de centro, e a abracei, deitando no sofá sem desgrudá-la de mim. Finalmente, fechei meus olhos para nunca mais abrir, sem um pingo de incerteza.


There's nothing like us

(Não há nada como nós)

There's nothing like you and me

(Não há nada como você e eu)

Together

(Juntos)


Juliet, espera por mim? Nós iremos nos reencontrar novamente, eu prometo. Eu amo você.

Notas finais
Espero que tenham gostado. ((:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!