Nothing Left To Say
7 Testada
Notas iniciais
Agradecimentos especiais:
À Leni que me ajudou MUITO, e me deu muita força pra que eu tomasse vergonha na cara e postasse esse capítulo, hahaha.
À pessoa mais amável do mundo: Ero Hime, que escreveu a PRIMEIRA RECOMENDAÇÃO DA FIC O/ Obrigada amor, você não sabe o quanto isso significa pra mim. ♥
Bom, chega de enrolar e boa leitura ;* nos vemos lá em baixo;
Lembro-me claramente de uma dimensão de lembranças que minha Hospedeira fazia questão que eu soubesse. Ela não tentou em momento algum bloquear as lembranças, apenas deixou-me livre para que elas acabassem se tornando minhas também. Uma em especial permaneceu por muito tempo em minha – nossa – mente.
Há três ou quatro meninas, 11/12 anos aproximadamente. Todas vestem pijamas de diversas cores, alguns com babados, franjas, e outras com apenas algumas cores extravagantes. Há risadas, muitas risadas gostosas de escutar. Há uma felicidade e uma diversão exposta em todos os centímetros de seus rostos joviais. Elas estão com travesseiros entre as mãos. Todas acabam sendo atingidas pelas diversas investidas de suas próprias amigas.
Por um momento eu consigo sentir uma fisgada brusca nas costas, a mesma que a minha Hospedeira sentiu quando caiu de costas no piso frio de sua antiga casa, quando era criança, logo depois de receber uma pancada de um dos travesseiros abaixo do queixo. Lá estava ela lutando para puxar o ar, lutando para manter-se viva com o restante de ar que aos poucos ia fugindo de sua respectiva tentativa de não desmaiar. A queda fora tão brusca. Ela luta novamente, respirando com mais intensidade, fazendo o possível para manter o ritmo de seus batimentos cardíacos normais. Ela tentou reagir, tentou mostrar força, tudo menos preocupação. Lá ela ficou, lutando para respirar, para levantar, enfim, para fazer alguma coisa.
É exatamente assim que estou agora. Tentando respirar, tentando me lembrar de como se fala, tentando mover algum músculo. Estou totalmente atordoada, paralisada. Há alguém me segurando, Ian, com força.
Vamos, sua idiota. Repreendo-me, faça alguma coisa.
E eu tento, mas não consigo.
Meus músculos estão atrofiados, e a única coisa que consigo fazer é me desesperar em silêncio. Qualquer movimento iria nos denunciar, até mesmo com essas tremendas caixas bloqueando a visão dos Buscadores até nós.
Temos pouco tempo.
Voltei-me para Ian, e ele já está me encarando há um bom tempo. Seus olhos procuram nos meus uma resposta do que fazer. Eu não consigo responder.
Ele cerra a mão em um punho e tranca a respiração, mas logo a solta. Temos que agir rápida e cautelosamente. Dou uma olhada em volta, mas não há nada que possa nos ajudar.
A arma de Ian esta apunhalada, e eu tenho certeza que o melhor é eu apunhalar a minha também, mas eu não o faço. Deixo-a acomodada nas pernas, como esteve esse tempo todo. O caminho que meus olhos percorrem dão diretamente a um armário mediano. Horizontalmente ele é realmente grande, mas a profundidade que meus olhos deduzem não é. Ajeito-me em preparação para engatinhar e Ian faz o mesmo. Checamos em volta e os Buscadores parecem terminar as buscas em nosso esconderijo. Alguns deles descem as escadas, deixando apenas três em uma escolta perigosa. A ruiva baixinha fala algo incoerente para o moreno e ele balança a cabeça, voltando a procurar. O loirinho apenas boceja e caminha de um lado para o outro.
Seguimos engatinhando até alcançarmos o armário. Ponho-me atrás dele e Ian faz o mesmo. Ele treme e permito-me pela primeira vez realmente olhar para ele. A repleta agonia está exposta em seu par de olhos azuis, seus lábios carnudos estão trêmulos e cerrados. Agarro seu rosto e o beijo intensamente. Ele não demora a ofegar.
Os Buscadores descem as escadas para o 2º andar, deixando-nos sozinhos sem sermos vistos. Isso é bom, e posso ver Ian relaxar. Não totalmente. Na verdade, nem eu mesma relaxo. Todos os Buscadores estão no andar de baixo, e qualquer movimento que faça certo barulho botaria toda a fuga que estamos planejando a perder.
- Eu vou afastá-los. – Sussurro e Ian nega com a cabeça.
- Não posso permitir que você se arrisque assim. – No fundo ele deseja, sim. Mas o atordoamento em seu olhar deixa-me um pouco mais nervosa do que já estou.
- E como espera que isso termine? – Altero o tom de voz, mas logo me repreendo. Não posso gritar. – Ian, eu sou a única salvação pra isso tudo! Você precisa confiar em mim. – Falo e posso o ver corar e pensar.
Eu agarro seu rosto com uma das mãos, a outra esta ocupada agarrando a Pistola. Seu rosto esta quente. Acaricio-o e sorrio, tentando mandá-lo um pouco de incentivo. Ele sorri um tanto mais tímido.
- Vai ficar tudo bem, eu prometo. – Falo e ameaço levantar, mas ele agarra o meu punho e me puxa para baixo novamente. – O que foi?
Ele limpa a garganta e fala em alto e bom som, melancolicamente e cheio de dor:
- Eu amo você.
Agacho-me à sua frente e largo a arma ao seu lado. Agarro seu rosto com as duas mãos e então o beijo. Ele agarra o meu rosto também, assim ficamos os dois nos tocando. Não há tempo para mais nada, é preciso agir!
- Eu também amo você. – Falo e sinto como se uma fisgada estranha dentro de meu peito. – Venha. – Agarro-lhe o pulso e ele sobe igualmente como eu faço. – Você precisa se esconder.
Passamos de trás para frente do armário.
- Entre. – Falo puxando a porta do mesmo que, em um barulho estridente de madeira velha, se abre. – Vamos. Não temos tanto tempo. – Ian não hesita e pula para dentro do armário.
Ele é extremamente grande perto da profundidade do armário, por isso geme de desconforto.
- Peg, eu não vou caber aqui dentro. – Fala gemendo, enquanto tenta diversas vezes achar uma posição que chegasse a ter o nome de ‘confortável’.
Ele não consegue, e uma parte de sua perna fica para fora. Eu empurro a porta com força, mas não há mais espaço para que as pernas de Ian se acomodem.
- Não dá. – Ele fala indignado.
Há um barulho de passos pesados e eu dou um empurrão na porta sem pensar, virando-me para as escadas. Não avisto mais nada e não me permito olhar novamente para o armário, deixo que Ian se ajeite por si próprio. Agarro a arma com uma das mãos e com a outra preparo o cós da calça jeans para escondê-la, então caminho cautelosamente até a saída do depósito de caixas. A arma está realmente frouxa sobre o cós de minha calça.
Minhas mãos suam, minha respiração está irregular e tenho uma leve impressão que meu coração vai pular para fora de meu corpo. Esse corpo me limita de tantas formas que me deixa um tanto com... Desgosto. Raiva. Não, não raiva. Desgosto.
Aperto com força a barra de minha blusa contra o cano da Pistola, certificando-me de que ela estaria bem guardada, então desço as escadas cautelosamente.
Permito-me fazer uma careta de sono assim que um dos Buscadores aponta uma de suas armas para mim. Eu finjo espanto e ele se aproxima, o loirinho que eu havia observado minutos antes.
- Senhorita, o que faz aqui? – Ele pergunta.
- Me desculpe, mas por que estão todos aqui? – Fujo rapidamente do assunto.
- Me desculpe, mas precisamos saber quais os motivos para a vinda da senhorita até aqui. – Ele apoia uma das mãos coberta pela luva de borracha preta em meu ombro. – Uma jovem tão bonita, nesse tipo de localização?
- Eu estava realmente cansada, mil perdões. Eu precisava de um descanso rápido para poder prosseguir viagem. – Falo sem nenhum tipo de teatro. Não estou mentido, em parte essa era a verdade, apenas não citei o nome de Ian.
- E a senhorita estaria acompanhada? – Ele pergunta e eu nego com a cabeça. – Ótimo, acho que terminamos a nossa expedição aqui. – Ele fala para o restante do grupo.
A todo o momento meus ouvidos estavam totalmente aguçados para quaisquer barulhos. Eu não permitiria que alguém subisse novamente, nem que chegasse perto da escada para o 3º andar.
- Apenas acho estranho que tenha escolhido esse lugar sujo e horripilante para uma cochilada, senhorita. – Ele fala com total suspeita e põe a lanterna na frente de meu rosto. A luz me cega com alguns momentos e eu recuo.
- Como eu disse, é apenas para um descanso. – Falo secamente.
Um silêncio se propaga, e tenho uma leve certeza de que há um barulho brotando em meus ouvidos. E realmente há, mas não um barulho em meus ouvidos, mas sim no andar de cima.
Há um berro horroroso de dor e uma pancada.
- Humano! – A mesma voz irritante que eu havia escutado alguns minutos atrás de uma ruivinha nos denuncia. – Ugghhh. – Ela geme alto o bastante para que chame a nossa total atenção.
Meu corpo vacila e o loiro passa correndo pelos meus braços em direção ao terceiro andar. Minhas pernas se apressam e estou a poucos centímetros dele, subindo as escadas também.
- Não! – Meu grito é contido por braços que me prendem como correntes. O Buscador alto e moreno me agarra pelas costas.
Há uma longa corrente de energia que é conectada a todo o meu corpo e pela primeira vez eu estou realmente reagindo a uma briga. Não que eu queira, mas há algo que me impedi de não querer brigar ou revidar.
Eu lanço a minha cabeça para trás e minha têmpora bate diretamente à sua fonte, o deixando tonto. Em seu momento de completa tontura eu aproveito e lhe dou um chute na boca do estômago. Ele rola as escadas, levando dois Buscadores de meia idade junto. Sigo em disparada ao terceiro andar. Algo metálico rola e cai pelo chão, mas eu não tenho tempo para olhar o que é.
Um barulho alto e familiar enche os meus ouvidos. Um tiro e o meu coração pula, estou completamente nauseada.
Quando chego ao terceiro andar, Ian está bem. Ele realmente está bem, mas há um corpo estirado pelo chão e o vermelho-metálico o contorna. Dou um longo suspiro de surpresa e corro até Ian, mas há outro barulho de tiro e Ian cai.
- Não! – Eu grito e me debato fazendo de tudo para me livrar dos longos e fortes braços que estão me entrelaçando novamente.
Meu coração está sendo esmagado e as lágrimas que escorrem pelo meu rosto o queimam. Não de tristeza, mas de raiva.
Ian geme e eu me tranquilizo ao saber que ele está vivo. Mas está machucado, ferido, precisando de ajuda.
Os braços do Buscador sobem mais um pouco sobre meu corpo e eu o abocanho, cravando meus dentes em seu antebraço o fazendo gemer de dor, mas me soltando. Ele geme alto, e eu o chuto na boca do estômago novamente. Está desnorteado, então lhe dou um chute na têmpora e ele apaga.
Corro até Ian. Seu ombro está sangrando e ele agarra a minha mão e resmunga. A bala não pegou nele realmente, apenas passou de raspão. Há outro tiro e eu me jogo sobre o corpo de Ian. Se alguém deve morrer, que seja eu. Que seja eu. Que seja eu. Que seja eu. Por favor, que seja eu.
Procuro pela minha arma, mas não há vestígios dela em nenhum lugar de meu corpo. Droga! Ao lado do pé da buscadora ruiva está a Pistola, mas ela não parece perceber. Está caída sobre o piso, a alma.
Amaldiçoo-me mentalmente, que estupidez deixar a arma tão frouxa ao ponto de deixá-la cair perto das mãos de meu inimigo!
Um dos Buscadores avança contra nós, rugindo de raiva. Procuro a arma de Ian, mas não está em nenhuma parte de seu corpo que eu permito-me tocar.
- Eu a perdi. – Ian murmura, e eu sinto uma vontade imensa de bater nele também.
Ian havia perdido a sua Glock assim que fora atingido de raspão, caindo e a jogando para longe.
O Buscador me pega pelos cotovelos, me levantando e me jogando para o outro canto do depósito, próximo à escada. A pistola está a poucos centímetros de minhas mãos e elas gritam pelo gatilho.
Ponho-me de pé rapidamente, e Ian já está cercado pelos Buscadores. Meu coração está prestes a sair pela boca. Cubro com um dos pés a arma, e aos poucos a arrasto para trás sem tirar os olhos de cada movimento dos Buscadores.
A ruivinha tira do bolso da roupa preta um estilete e ergue o pescoço de Ian – que está de pé e sendo contido por outros Buscadores -, eu abro a boca em um perfeito ‘O’ e seguro minhas lágrimas de desespero.
- Saia daqui, vá lá para baixo, ou irei matar esse humano nojento. – Ela ruge entre dentes, repleta de raiva. Arregala os olhos e aproxima mais a lamina.
Ian está completamente horrorizado, já preparado para o fim. Eu também já estou preparada para isso. Ian conecta-se ao meu olhar e há um leve sorriso sobre seus lábios. Eu tentei, e ele também. Se ele morrer, eu não medirei esforços para morrer junto.
Ele está ofegante. Suas sobrancelhas dançam em minha direção, tentando chamar minha atenção. Eu conecto-me ao seu olhar e ele desce os olhos pelas minhas pernas até o meu pé que está escondendo a arma, logo ele arregala os olhos e os sobem em direção do teto. Claro! Atire no teto! Isso é tão óbvio! O barulho irá desconcentrar os Buscadores, dando-lhe uma vantagem na luta.
- Nós não precisamos de mais mortes. – Falo calmamente e a ruiva bufa. – Olhe em volta, olhe quantos dos seus parceiros já se foram. Por favor, parem. – Permito-me chorar, e assim que ela afrouxa a lamina do pescoço de Ian e olha ao redor, eu agarro a pistola e miro no teto.
O barulho é tão alto que me deixa desnorteada por um tempo, enquanto pedaços do teto caem sobre meus cabelos. Minhas mãos estão trêmulas e meu rosto está talhado em uma perfeita careta de horror. Eu deixo a arma cair sobre o chão novamente, mas dessa vez eu não me importo de pegá-la. Ian geme e tenta lutar com as forças que ainda lhe restam.
Invisto contra a ruiva que, aparentemente, é do meu tamanho. Minhas limitações são grandes, mas não tantas comparadas ao corpo da ruiva. Ela é baixinha e totalmente mirrada, então não há problema em puxar o seu longo rabo-de-cavalo a deixando arqueada. Ela lança a cabeça na minha direção e sua testa bate com força contra o meu nariz, que instantaneamente começa a sangrar. Levanto-me horrorizada e dolorida. Ela ainda está no chão, então subo sobre seu corpo e a faço arquear novamente.
Ela não vai parar de tentar.
“Uma vida por uma vida.”
É horrível pensar nisso, mas faz sentido. As palavras de Kyle fazem total sentido agora. Se quisermos sobreviver, teremos que matar.
Tento abominar o pensamento enquanto a Buscadora ruge abaixo de mim. Terei de matá-la, ou um dos meus morrerá.
- Me desculpe. – Eu falo entre dentes e ela arregala seus grandes olhos negros.
De meu bolso eu tiro o cilindro verde com os dedos cálidos e trêmulos. O deposito sobre seus lábios que ela luta até certo ponto para mantê-los fechados. Com as duas mãos eu forço sua mandíbula a se fechar, e então ela morde com força o veneno. Seu corpo treme, paralisa e eu não contenho as lágrimas.
- Me desculpe, eu sinto muito. – Falo mesmo sabendo que ela jamais estaria escutando.
Só então volto minhas atenções a Ian, que luta bravamente. Há três Buscadores, apenas três, investindo contra ele. Eu invisto contra o loiro que havia me interrogado, pulando sobre suas costas e caindo junto com ele sobre o chão. Ele me dá uma cotovelada na lateral do rosto e por um momento tenho a leve impressão que vou desmaiar.
- Saia daqui! – Ian berra na minha direção. – Vá! Eu me viro com isso daqui!
Não posso, simplesmente não posso deixá-lo.
- Vamos, saia daqui! Vá, Peg, por favor! – Seus olhos estão repletos de dor.
E eu o faço. Mas não por conta própria.
Eu não quero deixá-lo, eu não desejo deixá-lo, eu não posso deixá-lo. Minhas pernas se movem por conta própria enquanto eu luto contra o meu próprio instinto. NÃO!
Eu quero voltar, eu realmente preciso ajudá-lo. Ele jamais venceria uma guerra daquelas naquele tipo de situação, sozinho.
Meu corpo desse as escadas rapidamente e não há ninguém que impeça a minha passagem. Está tão escuro, mais do que o normal. Minha barriga borbulha e meus olhos ardem. Não quero deixá-lo, mas não consigo me mover por conta própria.
Certifique-se de que está bem por si própria e depois voltará para ajudá-lo.
Não! Eu preciso voltar agora! Ele irá morrer!
Mova-se, então.
Eu não consigo!
Uma prova de que não está bem por si própria.
Meu corpo vacila novamente e eu caio sobre o piso. Recomponho-me e entro em uma escuridão desconhecida. Estou no controle, agora, mas estou perdida na escuridão. Não há nada, nenhum barulho. Ou talvez esteja havendo, mas estou tão perturbada que não sou capaz de escutá-lo.
Minha cabeça gira e estou prestes a vomitar na maior cegueira e surdez. Mas há algo e eu o escuto. Pedaços de vidro tilintando pelo chão e um grito agudo e horroroso de dor. A escuridão se aproxima novamente, a lateral de minha cabeça dói e a única coisa da qual eu tenho certeza é: eu falhei. Então eu apago.
Notas finais
Desculpem se esses últimos capítulos estão saindo muito grandes, é que eu fico animada kkk. Eu gostaria de saber se vocês gostam de capítulos grandes. GOSTAM? É que eu fico na dúvida se vale a pena escrever um tão grande. RESPONDAM, por favor!!!! :)
Aguardo por comentários e, bem, até o próximo ;*
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