Notas iniciais
Esse é o capítulo mais fofo pra mim. Eu sinto que essa fic que vai ter muuuuitos capítulos e no quinto as pessoas já pararam de ler... Fazer o que né?

- Onde estão minhas malas? — perguntei ao sair do banheiro, com os cabelos molhados e enrolada na toalha. Percorri todo o quarto com os olhos, mas não achava as malditas malas em lugar nenhum.

- Já as mandei para baixo.

- Parabéns. Esqueceu que eu tenho que me vestir? Ou você sugere que eu vá de toalha?

- Eu não esqueci, e de toalha você não vai nem à pau.

- Então... — disse com um ar impaciente esperando a solução brilhante que ele parecia ter.

- Relaxa criatura, olha tuas roupas ali em cima. — apontou para a cama e entrou com um sorriso triunfante no banheiro.

Fui até a cama, e vi umas roupas minhas esticadas no canto. Legal, ele fuçou nas minhas coisas e pegou uma roupa que mesmo se eu não quisesse seria obrigada a vestir. Observei, elas mais de perto. Short jeans, regata cinza e um blazer preto. Ele definitivamente não tinha mau gosto, e eu definitivamente não tinha razões para duvidar disso. Também estavam ali roupas íntimas, uma corrente prata e do lado da cama um coturno baixo. Fiquei rindo disso por um bom tempo. Se fosse eu que tivesse escolhido minhas roupas provavelmente estariam ali uma camiseta enorme e um tênis bem fodido, afinal, eu só estava indo para casa não? Mas Bill, ao contrário de mim, abominava a idéia de sair mal vestido não importa para onde fosse.

Me vesti e também fucei suas coisas a procura de um secador. Se ele podia, eu também tinha o direito não? Achei o bendito em uma pequena mala, junto com a nécessaire cheia de maquiagens que estavam me seduzindo. Mas agora não era hora de brincar com elas. Contentei-me apenas com o corretivo para esconder as olheiras que me faziam semelhante a um urso panda. E sequei meus cabelos, de qualquer jeito, sem me preocupar com a aparência que eles ficariam depois disto.

— Eu sabia que você ia ficar linda assim. — ouvi sua voz prepotente vindo por trás de mim.

— Convencido. — olhei para trás, à sua procura. Fiquei com a respiração falha, Bill estava vestindo apenas uma boxer azul marinho e secando o cabelo, mais sacudindo na verdade, com a toalha. Fiquei um tempo, só observando aquela perdição, distraída até que batidas na porta me despertaram.

— Ela já vai. — ele gritou virando na direção da porta e em seguida vindo até mim.

Seu olhar penetrante e um sorriso doce de canto de boca me prendiam totalmente, me deixando parcialmente hipnotizada. Assim que chegou perto o suficiente me abracei ao seu pescoço inalando o máximo que podia do seu cheiro, para levar um pouco dele comigo. Rocei de leve meu nariz naquele pescoço alvo e senti os cabelos da nuca dele se eriçarem, seguido de um leve tremor. Sorri de satisfação ao saber que eu não era a única vulnerável por ali. Decidi que não deveria prolongar muito esse momento senão iria ser muito mais difícil sair dali depois. Bill pareceu ter pensado o mesmo, pois logo me afastou um pouco com as mãos em minha cintura e um sorriso triste.

— Culpa sua, — disse em resposta ao seu olhar — por mim eu não iria embora agora.

— Mas você vai. — pegou minha mão e saiu me arrastando até a porta. — E se cuida, por favor. — disse pausadamente com os olhos totalmente imploradores(?) e um tom de voz sofrido.

Uma pontada de dor me atingiu quando ele disse isso. Eu tinha horror a que as pessoas sofressem por minha causa, isso me repudiava. Assenti firmemente com a cabeça, segurei seu rosto e colei nossas testas, sentindo suas mãos em minha cintura novamente. Eu estava me sentindo um lixo por fazer ele se sentir assim. Nossas bocas se colaram num beijo lento e intenso, e eu comecei a sentir a habitual fraqueza nas pernas, mas nem isso conseguia afastar a culpa que eu sentia.

— Agora tchau. — Me deu mais um beijo enquanto abria a porta, despedi-me dele e acompanhei Frietz até o carro, ainda com a culpa me sobrecarregando.

— Eu tenho ordens para te levar até o hospital. — Frietz disse enquanto estávamos parados no cruzamento.

— Às 23:00hs? Pode deixar que eu vou amanhã, sério. O melhor é eu ir para casa agora e ter uma boa noite de sono.

— Já é a segunda vez que você me faz descumprir ordens, isso não está dando certo. — Se rendeu e virou na direção da minha casa.

Logo chegamos lá e eu fui direto para cama, cansada de tantas viagens. Apenas tirei o blazer e o short e me deitei embaixo das cobertas só com aquela camiseta mesmo. Desejando ter meu namorado ali comigo, para que eu pudesse me agarrar a ele.

O despertador me acordou às 7:30hs, e eu levantei estranhamente feliz. Trouxe o notebook para a cama para checar meus emails. Enquanto esperava ele ligar vi a luzinha da secretária eletrônica piscando em cima do criado mudo, apertei o botão para ouvir o último recado.

"Eu não sei por que, — começou a voz tão conhecida e eu me peguei sorrindo largamente sem nem saber do que se tratava. — mas eu tenho certeza que você ainda não foi ao médico, então faça o favor de ser esta a primeira coisa que você fará essa manhã. Te Amo."

- Okay Bill, você venceu. — Fui ao banheiro fazer minha higiene matinal, na volta já passei no closet e me vesti. Em seguida apaguei alguns emails, arquivei outros para ler depois e respondi aos do escritório.

Peguei o elevador para a garagem, chegando lá, me lembrei que ainda estava sem carro. Praguejei por um tempo e fui para fora, ver se alguma idéia me ocorria enquanto observava a rua. Vi um vulto conhecido do outro lado da rua em frente ao hotel e fui até lá para ter a certeza de que aquilo não era coisa da minha cabeça.

- Lewis?

Notas finais
Lembram do Lewis?Pois é, ele voltou e dessa vez vai ter uma importância bem maior...Até segunda ou quarta.