Notas iniciais
Eu fiz grande dessa vez e eu sei que a história ta bem pacata, mas isso não impede que vocês comentem-a.

Por favor, se alguém estiver lendo, comente.Qualquer coisa só para que eu saiba que não devo parar.

Boa leitura.

— Bem...eu sinto muito... — ele estava com pena de mim, pena da morte de minha mãe, pena do que meu pai me fez passar, pena da minha falta de vontade de viver.Eu não queria chorar na sua frente, evitei o máximo deixar as lágrimas caírem enquanto ia relatando minha história, mas agora, com o silêncio alojado, foi como se eu sentisse toda a dor que eu senti um dia voltar novamente, um nó se formava na minha garganta e minha visão começou a ficar embaçada.Mordi minhas bochechas por dentro da boca e olhei para o céu quase escuro impedindo com que as gotas caíssem pelo meu rosto.

— Não tem problema se você chorar...não vou te achar fraca. — ouvi sua voz soar baixinho, e mesmo não olhando diretamente para mim, ele sabia o significado de todos os meus movimentos, por incrível que pareça.

Tentei falar alguma coisa como “mas eu não quero chorar” ou algo do tipo mas no momento que a minha boca se abriu um soluço constrangedor saiu por ela, foi involuntário e a partir desse, vários outros saíram, acompanhados por várias lágrimas que lavavam meu rosto.

Eu odeio essa sensação, chorar por tristeza, por saudade, por carência...Queria ser forte o bastante como a Tracy, por exemplo, ela já sofreu tanto mas foram poucas vezes que pude a ver em prantos.

Já fazia alguns bons minutos que eu estava lá, me lamentando e chorando como uma condenada ao lado de um menino que eu acabei de conhecer e que já tinha um abismo pelo mesmo.

Mordi o lábio inferior tentando cessar os soluços, depois passei as mãos no rosto limpando qualquer vestígio de choro existente.

— Mas e então... — finalmente pude começar a falar. — Porque você está aqui?Digo, pra estar em um internado deve ter algum motivo. — até agora só eu havia me aberto para ele (acho que a palavra não ficou bem colocada, mas não levem para a malícia), eu realmente queria saber mais sobre ele, queria que ele confiasse em mim assim como eu confiei nele.

— Eu... — sua voz estava realmente baixa, e carregada de nervosismo. — Já está tarde, melhor voltar para o seu alojamento.

Tudo bem, ele quebrou totalmente o clima, mas eu não vou desistir tão fácil, persistência é uma das minha maiores qualidades (ou seria defeito?).

Ele se levantou, sua calça estava um pouco baixa e eu tive a visão do elástico da sua cueca, eu não sou tão pervertida (e cara de pau) ao ponto de observar sua bunda.Desviei meu olhar para minhas mãos enquanto ele terminava de tirar as graminhas de seu jeans.

Sua mão se estendeu para mim me ajudando a me levantar, bati minha calça e fomos em direção ao meu alojamento, do terceiro ano.

— Obrigada pela...ahn...conversa... — disse assim que chegamos a porta do meu quarto. — É serio.Eu realmente precisava desabafar. — disse olhando em seus olhos, tentando demonstrar toda minha gratidão.

— Você pode conversar comigo sempre que quiser, eu estou a sua disposição, senhorita. — seu tom de brincadeira era nítido, mas meu coração não deixou de acelerar quando ele piscou para mim.

— Boa noite. — disse sorrindo fraco. — E obrigada mais uma vez.

— Boa noite. — ele disse indo ao meu encontro e tocando levemente seus lábios na minha testa.

Fechei a porta e me encostei sobre ela.Eu devia estar sorrindo feito uma boba.Minhas mãos suavam e minhas pernas estavam bambas.Eu estava nas nuvens.

— Que bom que está investindo em garotos.Você está realmente precisando, já que a última vez que você beijou alguém foi a...Você já beijou algum cara? — Madeline disse tirando seus olhos do livro que estava lendo e me olhando com um sorriso engraçado.

— Engraçadinha. — disse jogando uma almofada da minha cama em sua direção. — Ele só foi legal comigo, não temos nada.

— Se você dispensar ele eu juro que te mato. — ela disse agora trocando de posição e ficando de cabeça para baixo com as pernas encostadas na parede.

— Vou tomar banho antes que a Tracy chegue. — disse fugindo do assunto, eu não queria me precipitar, mal o conheço.

Ouvi Maddie dizer mais alguma coisa mas não me importei, me despi pronta para tomar banho quando escuto alguma voz que não era da minha amiga, nem mesmo feminina, soar pelo quarto.

Encostei meu ouvido na madeira da porta a fim de ouvir alguma coisa.

— Você pode ficar e esperar se quiser, ela acabou de entrar no banho e...ahn... — essa era a voz atrapalhada da Madeline.Quis rir mas a situação não me permitia.

— Não.Eu já vou indo, só entregue isso a ela e...boa noite. — eu já havia ouvido aquela voz, só não estou lembrada a quem ela pertencia.

Depois disso eu ouvi algumas batidas na porta a qual eu estava com o ouvido colado, dei um pulo e suspirei alto para não gritar.

— Que foi?Tô tomando banho. — disse tentando fazer minha voz soar com naturalidade.

— Eu sei que não está, abre a porta.Agora. — ouvi Madeline dizer.

Assim que destranquei a porta ela entrou e se olhou no espelho arrumando os cabelos.

— Você com certeza ouviu, então, só esclarecendo... — ela realmente me conhecia. — seu amigo badboy veio deixar seu celular, porque por algum motivo desconhecido você esqueceu na secretaria. — ela disse agora passando a escova no cabelo enquanto eu entrava no Box. — A propósito, você devia me apresentar os seus novos amigos que fez no primeiro dia de aula.Até agora o único cara que você fez questão que eu conhecesse foi o Dave, e esse daí eu não faço a mínima questão de querer alguma coisa.

— Eu sei que quer.E eles não são tão amigos meus quanto o Dave, por isso não apresentei para ti. — disse ensaboando meu corpo.

— Tudo bem, conversamos depois. — disse saindo do banheiro.

(...)

Acordei um pouco mais cedo para que pudesse me arrumar e não chegar nem um segundo atrasada, caso contrário a diretora não pouparia em me mandar arrumar todo o alojamento do terceiro ano.

Dei um jeito no meu rosto e vesti uma roupa confortável para o terceiro dia de aula.Um moletom da Victoria’s Secret e um jeans claro.Antes de sair do quarto joguei um travesseiro na Madeline, ela era a única que estava dormindo, já que Tracy acorda mais cedo para arrumar o cabelo e essas coisas.

Fui até o refeitório e fiquei feliz por não ter acabado o omelete.Comi sozinha olhando o meu celular.Fui nos contatos e havia um a mais.

“Mike”.

Ele havia mexido no meu celular.Isso era um completa invasão de privacidade.

Joguei o prato descartável no lixo próximo a minha mesa e deixei a bandeja ao lado.Fui até o meu armário olhando o horário. Primeira aula: Química. Ótimo.

Andava em direção a sala de química quando a inspetora me parou.

— Srta. Baker, espero que não tenha se esquecido que hoje é o dia em que você arruma os vestiários.Assim que acabar sua última aula se dirija até o ginásio que os materiais de limpeza já estarão lá. — e nesse momento eu queria com todas as minhas forças mostrar meu dedo médio para ela.

— Ta bom. — dei meu sorriso mais falso e segui para a sala.

(...)

Olhava para o relógio pendurado em cima do quadro negro desejando que os ponteiros parassem.Daqui exatamente 5 segundos eu vou ter meu momento “faxineira”.

3...2...1. E então o sinal tocou.Todos os alunos se levantaram tumultuando a porta de entrada.

Mandei uma mensagem para a Maddie, dizendo que só a veria mais tarde.Fui até o ginásio.Para a minha sorte ele estava vazio.Suspirei pesadamente e varri meus olhos pelo local.Na entrada do vestiário masculino estavam algumas caixas para guardar os materiais jogados no vestiário.Um paninho e um lustra vidros.

Peguei tudo e me dirigi ao pior.Vestiário masculino.

Ouvia vários chuveiros pingando e havia várias camisas suadas em cima dos bancos.E eu teria que pegar uma por uma.

Fui em frente ao espelho para amarrar meu cabelo quando um vulto atrás de mim me fez gritar.

Notas finais
Comentem ou eu não postarei tão cedo.

Beijinhos