Notas iniciais
Eu sei, devo milhões de desculpas pra vocês, afinal, fiquei um bom tempo sem dar sinal de vida.PERDÃOOOO!!!!A escola ta me desgastando e me sobrecarregando DEMAISSS!Eu sei que é péssimo ficar muito tempo esperando por algo que você queira muito ver, mas eu não achava tempo o suficiente pra escrever, eu demoro cerca de 3 horas, isso claro, para que o capítulo fique bem escrito, que me agrade e que fique a altura de vocês, essas 3 horas que eu não tenho no meu dia!Masss, tenho boas notícias =DDD Leiam as notas finais e espero que gostem do cap

Acordei antes que o maldito despertador tocasse, fui até o banheiro observando meu reflexo já previsível.Estava com olheiras profundas e meus olhos se encontravam inchados devido o choro da noite anterior.


Inicialmente o motivo era as palavras duras de Dave, mas depois, admito que o foco de todas as minhas lágrimas foram lembranças distintas, e todas envolviam minha mãe e meu pai.

Minha mãe faleceu quando eu tinha 14 anos e horas antes disso eu presenciei uma briga entre ela e meu pai.Me lembro de exatamente todos os detalhes daquele dia, o pior dia da minha vida.

Eu havia saído com uns amigos da cidade, passei o dia inteiro fora e quando já estava anoitecendo eu toquei a fechadura da porta de entrada da minha casa.Ouvia de longe alguns gritos mas procurei não me importar, deduzi que eles estavam em algum momento íntimo (lê-se sexo selvagem).

Fui até meu quarto , coloquei os fones de ouvido e escolhi a música mais alta da minha playlist.Fechei os olhos mas ouvi um grito ensurdecente.Retirei o aparelho do ouvido e quando descia as escadas um choro desesperado invadiu o ambiente.Assim que abri a porta do quarto de meus pais fiquei horrorizada.Todos os objetos estavam arremessados no chão, o quarto estava literalmente de cabeça para baixo, mas não fora isso que me chamou atenção, e sim um corpo, especificamente da minha mãe, jogado ao chão.Não pensei duas vezes e corri até ela, acomodei sua cabeça em minhas pernas e retirei os fios de cabelo que cobriam seu rosto inundado de lágrimas.Um hematoma azulado cobria seu olho direito, seu supercílio estava cortado assim como o canto de sua boca bem delineada.Seus olhos estavam fechados mas eu sentia sua respiração pesada.Direcionei meu olhar para a frente e tive como campo de visão meu pai.Olhei-o da forma mais desprezível que eu podia e não precisei dizer nada para que ele se desculpasse.Eu vi como ele estava arrependido mas isso não era o suficiente, nunca seria.Neguei com a cabeça e senti o corpo de minha mãe se mexer, ela se curvou um pouco tossindo sangue e olhou para mim desesperada.Ela não esperava que eu a encontrasse assim.

Minha mãe sempre foi uma mulher linda, a mais deslumbrante que eu já havia visto.Eu a comparava com um anjo, seu rosto era tão perfeito que parecia ter sido planejado antes de ser desenhado.Eu nunca a via com roupas desleixadas, nem mesmo em casa.Ela sempre estava apresentável, esbanjando beleza.

Abracei seu corpo com delicadeza e a ajudei a se levantar.A segurava pelo quadril e quando estávamos no ultimo degrau seu corpo despencou.Foi inesperado e não consegui a segurar.

Ela estava desacordada, e eu estava preocupada demais para pensar no que havia presenciado a momentos antes.Gritei o nome de meu pai e ele logo apareceu, fomos até o hospital mais próximo sem trocar nenhuma palavra durante o caminho.

Foram 4 horas angustiantes para recebermos notícias.O homem trajado de branco se juntou a nós e mesmo com as palavras frias enxerguei pena em seu olhar.

— Ela perdeu o bebê, sinto muito.

Eu não raciocinava direito, minha cabeça doía e eu escutava a frase se repetir várias vezes em minha mente.Corri em direção a sala onde ela estava, derrubava tudo que estava no meu caminho e não visualizava direito os objetos.Tudo girava e eu sentia que podia desmaiar a qualquer momento devido ao pânico.Sala 473.Abri a porta me deparando com uma mulher pálida, fraca e debilitada.Aquele não era meu anjo.

Me aproximei de seu corpo, beijei suas mãos esbranquiçadas e geladas, seus olhos se abriram e já não havia aquele brilho invejável que sempre esteve lá.Havia pânico, tristeza, dor.

— Eu queria que ele fosse igual a você Cassidy, com seu sorriso que ilumina qualquer beco escuro, com seu olhar genuíno e todos os seus traços perfeitos.Eu queria que ele fosse gentil e alegre assim como você é.Eu o queria tanto... — ela dizia com a voz embargada de choro se referindo ao bebê.

— Eu queria que ele herdasse tudo de você mãe, absolutamente tudo.Você é o melhor exemplo de perfeição que eu poderia achar.

— Me perdoe por fazer você assistir a tudo aquilo, seu pai não estava sóbrio.

— Não se desculpe, você não tem culpa de nada!Eu o abomino. — disse com nojo só de relembrar a cena.

— Você não deve o abominar minha querida, não dev... — ela não conseguiu finalizar.Tossia freneticamente assim como tossiu em casa depois de apanhar.Sua mão que estava junto a minha foi enfraquecendo e o aparelho que mostrava os batimentos cardíacos fazia barulhos rápidos mostrando seu coração acelerado.

— Mãe aguente firme.Você consegue, eu te amo.Não me deixe com esse monstro, por favor. — implorava enquanto observava minha mãe a beira da morte.

Seu olhar sem vida penetrou ao meu, eu conseguia ler o adeus em suas orbes.Rezei mentalmente pedindo para que ela ficasse mas Deus a queria, e isso eu não podia evitar.

O barulho do aparelho cessou e assim como ele a vida de minha mãe também.

Alguns médicos chegaram a sala e apenas abaixaram a cabeça.Não tinha mais o que fazer.Eu não tinha mais esperanças.Sentia meu peito doer, uma dor que eu sabia que não teria fim.

Alguém me abraçou e quando senti o forte cheiro de bebida me afastei.Ele não merecia a vida que tinha, ele não merecia a mulher que tinha.

(...)

Eu não ia a escola fazia alguns meses, sofria de depressão e meu quarto era meu único refúgio, meu pai não tentou falar comigo.Absolutamente nenhuma palavra saiu de seus lábios desde aquele dia.Eu me sentia sozinha mas também não fazia questão de conversar com alguém.Eu estava tão ruim fisicamente quanto psicologicamente.Não tinha mais nenhum contato social e só saia do cômodo para comer, o que também não tinha vontade alguma, fazia somente por questão de sobrevivência.

(...)

Foram longos 5 meses para que eu voltasse a sair de casa.

— Arrume suas coisas, te levarei para um internato amanhã às 7 horas.

Foi apenas isso e depois nunca mais tive uma relação verdadeira com meu pai.Sempre que nos vemos há falsidade em nossos gestos, abraços e palavras.

E até hoje, meu maior medo é da rotina.De que as coisas não mudem.Foi a partir disso, que eu achava que estava tudo bem com a minha família, que estava tudo bem com a minha vida, e na verdade eu não sabia de nada.Eu era boba.Eu sou boba.Eu não quero que outra tragédia me enfraqueça, eu não quero ter que reconstruir novamente meu coração.

Notas finais
Tá dramático mas eu tinha que explicar o que aconteceu com ela e com a família dela hehehe o que acharam?
Semana que vem vou postar no mínimo 2 capítulosss =DDD, é a minha semana do saco cheio então vou me dedicar muito a vocês.Não vou dar um dia exato então fiquem atentas!!
Comentem por favor pois é isso que me motiva a escrever.

xx
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.